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Estágio

Objetivos do Estágio

A universidade está muito distante da realidade. O estágio curricular entre outros objetivos proporciona ao aluno a oportunidade  de testar estes argumentos.

A principal queixa é que muitas empresas colocam o aluno universitário para exercer unicamente trabalhos repetitivos, sem chance de aprender um trabalho ligado à profissão, ou mesmo de conhecer os diversos setores da empresa. O estágio curricular é regulado por lei. A lei está correta, mas o problema é como assegurar sua implementação de modo que garanta a integração entre aprendizagem acadêmica e experiência prática.

Toda esta argumentação poderia ser considerada irrelevante, não fosse pelo fato de que nos cursos de administração há um estágio curricular obrigatório perfazendo 10% do total de horas do corrículo do curso.

A obrigatoriedade e sua inserção no currículo do curso asseguram a supervisão acadêmica; o estágio curricular não é simplesmente uma experiência prática vivida pelo aluno, mas uma oportunidade para refletir, sistematizar e testar conhecimentos teóricos instrumentos discutidos durante o curso de graduação. Problemas como um ciclo composto de quatro estágios, em que (1) experiência concreta é seguida por observação e reflexão que levam formação de conceitos abstratos e generalizações que levam hipóteses a serem testadas em ações futuras, as quais por seu turno, levarão a novas experiências.

Acredita-se, pois, que o estágio curricular, independente de ser obrigatório no curso de administração, é uma chance para aprofundar conhecimentos e habilidades em área de interesse do aluno.


Perspectivas sobre o estágio

1.2.1 Professores e recém-graduados


O estágio é considerado uma oportunidade para os alunos de:

Aplicar na prática os conhecimentos teóricos aprendidos no curso;

Avaliar a possibilidade de sugerir mudanças nas organizações;

Enfrentar problemas reais nas organizações;

Experimentar a resolução de problemas com uma responsabilidade limitada;

Avaliar o mercado de trabalho;

Aprofundar sua área de interesse;

Testar sua habilidade de negociação.


1.2.2 Comunidade empresarial

As oportunidades de estágio não são muitas. Em várias empresas, observou-se que menos da metade dos entrevistados (14 entre 30) declarou ser favorável à realização de projetos de alunos em suas organizações. As empresas exigem as garantias legais para evitar a caracterização de vínculo empregatício. Algumas insistem que o estágio seja intermediado pelo Centro de Integração Escola-Empresa (CIEE), assim como haja o pagamento de seguro contra acidentes.

1.3 IMPLEMENTAÇÃO: PROBLEMAS E SUGESTÕES

A implementação de estágios na universidade. Os principais obstáculos em nível institucional, na opinião de professores e de alunos: (1) relação universidade-empresa; (2) o estágio e a estrutura curricular; (3) a administração dos estágios.

1.3.1 Relação universidade-empresa

A universidade como instituição não estabelece mecanismos de aproximação com as empresas. Não há sequer um cadastro de empresas interessadas em oferecer oportunidades de estágios. Para tanto, as seguintes sugestões foram apresentadas:

1- formar um banco de dados para facilitar o contato com as empresas. Por exemplo, alocar um técnico de nível superior no Departamento para fazer os contatos;

2- trabalhar a imagem da universidade no meio empresarial para facilitar o intercâmbio;

3-estabelecer um programa de consultoria abaixo custo para pequenas empresas, utilizando os graduandos como pesquisadores/consultores, orientados por professores experientes.

Outra sugestão para facilitar o intercâmbio é estabelecer convênios com empresas. É preciso que os dirigentes das organizações acreditem que o aluno universitário possa realizar alguma forma de trabalho profissional para a empresa durante seu estágio.

1.3.2 Integração do estágio na estrutura curricular


É importante distinguir o Estágio Curricular Supervisionado de outros estágios extracurriculares.

O estágio Curricular que serve de base para o trabalho de Conclusão do curso de Administração é obrigatório para o aluno, o ideal é que a fase de projeto e a fase de estágio estejam totalmente integradas.

Uma situação alternativa seria distribuir os alunos ainda na fase de projeto, de acordo com áreas funcionais, havendo então um grupo para Recursos Humanos, outros para Finanças, e assim por diante. É preciso também que o curso ofereça terminabilidade em áreas específicas para garantir que, no momento da matrícula para a disciplina de preparação do estágio, os alunos já tenham definido sua área de preferência.

Quanto à integração do estágio na estrutura curricular, as sugestões são:

1.    procurar motivar professores e alunos quanto à importância da prática profissional no currículo, integrando as disciplinas de final do curso com trabalho de prática profissional;

2    dar mais solenidade à defesa dos trabalhos de conclusão de curso, estabelecendo, por exemplo, defesa pública e bloqueando um dia para um grande seminário de apresentação dos trabalhos

Os alunos solicitam que haja maior integração entre as disciplinas de Prática Posicional I e II.

1.3.3    Administração dos estágios


Cabe às instituições de ensino inserção do estágio na estrutura curricular, bem como sua organização, orientação. supervisão e avaliação.

1.3.4 Infra estrutura da universidade


Algumas críticas dos professores e queixas dos alunos se referem a problemas estruturais da universidade brasileira que não conta com recursos para manutenção da infra-estrutura de salas de aula, atualização da biblioteca e do laboratório de informática.


1.4 CONDIÇÕES PARA INICIAR O ESTÁGIO
   

Os objetivos do estágio, e sugestões para melhorar sua implementação e garantir bons resultados. Para iniciar, é imprescindível definir três aspectos básicos: o tema do trabalho, organização-alvo e o professor orientador do estágio.

1.4.1 Escolha do tema


É uma das etapas mais difíceis para a maioria dos alunos, por uma série de razões. Primeiro, por que exige uma definição. Perguntados sobre o que fariam de diferente quanto à escolha do tema se fossem recomeçar o estágio, os graduados responderam:

Definiriam o tema mais cedo (3)
Desenvolveriam o tema na área de que mais gostam (1)
Procurariam um professor da área para definir o tema (1)
Escolheriam primeiro a empresa, depois o tema (1)

O estágio é um marco de transição entre a escola e a vida profissional. Mesmo para aqueles alunos que já estão empregados. Muitos alunos percebem esta questão e valorizam o estágio como uma oportunidade de se aprofundar em tema de seu interesse e adquirir uma qualificação que os distinga como profissionais.

Não é imcomum encontrar alunos que estão no final do curso e não têm idéia clara do que é possível desenvolver como projeto de estágio. Aqueles alunos que possuem experiência de trabalho têm mais facilidade para escolher.

É possível que a indecisão se deva à época de realização do estágio ( que  coincide com o final do curso. Caracteriza-se como uma época de avaliação e reflexão por parte do aluno a respeito de seu curso. Entretanto, a decisão não depende apenas do interesse do aluno, mas de uma conjugação entre o interesse da empresa, a competência e o interesse do aluno e do orientador.

1.4.2 Organização-alvo: negociando o acesso

Realizar pesquisa em organizações não é muito fácil. Bryman (1989), ao avaliar este tipo de pesquisa, considera o acesso às informações como um ponto chave. Ele argumenta que, ao contrário da pesquisa em comunidades, a pesquisa em organizações apresenta duplo problema de acesso aos pesquisadores.

Com respeito à primeira situação, o fato de que algumas empresas aceitem e outras não pode ameaçar a representatividade da pesquisa. A empresa pode estar envolvida com outro pesquisador. É preciso ter cautela e evitar ser usado por um outro lado. A verdade é que a ênfase do estudo sempre determina a preponderância de um dos lados.

Os estagiários enfrentem problemas semelhantes  aos relatados. Estagiar tem sido deixada inteiramente  nas mãos dos alunos na maior parte das escolas.

O estágio é necessariamente realizado em organizações e normalmente os alunos atêm-se a uma organização apenas. A maioria dos alunos trabalha durante o curso universitário. Muitos deles, pressionados por razões econômicas, não têm muita escolha senão procurar  empregos com baixa oportunidade de aprendizagem em relação ao curso. Isto é realidade. É comum que o estágio seja realizado no próprio local de trabalho do aluno. Esta alternativa apresenta vantagens e desvantagens. A sugestão é que o estágio seja realizado em outro departamento ou seção da empresa.

Para os que não trabalham, em princípio há maior variedade de opções, mas em todos os casos é preciso negociar o acesso. É possível encontrar alunos que estão finalizando o curso de Administração e que até então não tiveram nenhuma experiência de trabalho. Preferem cursar o máximo de disciplinas que podem, visando terminar o curso mais cedo. Recomenda-se iniciar estágios ou experiências de trabalho o mais tardar no quinto semestre do curso.

1.4.3 Processo de orientação


Nem sempre está claro o que se pode esperar do orientador. Alguns recém-graduados foram bastante críticos em relação à orientação que receberam. Eles recomendaram “escolher melhor o orientador (3); iniciar o trabalho independentemente do orientador (1), ou mesmo procurar levá-lo à primeira visita à empresa (1). Nossa opinião é de que cabe ao orientador prover meios, ou seja, facilitar contatos, indicar bibliografia, sugerir métodos e técnicas; e incentivar o trabalho do aluno.

Tendo em vista  as considerações apresentadas que a qualidade do trabalho final é muito mais responsabilidade do aluno do que do orientador.

1.4.4 Metodologia de trabalho


Mesmo quando superados os problemas de acesso às empresas e bibliografia, os professores enfatizaram as seguintes dificuldades para a elaboração do trabalho: na concepção do problema, incluindo a definição dos limites  do trabalho, o que fazer, o que é importante, por quê, como estruturar as idéias no papel; na estruturação do trabalho de conclusão, ou seja, a organização dos tópicos, a redação, as referências bibliográficas; e na interpretação dos resultados obtidos.

Finalmente, perguntados sobre o que fariam diferentemente se fossem recomeçar o trabalho, observou-se o seguinte padrão de respostas, em que novamente se ressalta a importância da metodologia:

Distribuiria melhor os prazos (1).
Buscaria bibliografia estrangeira (1).
Trabalharia melhor o projeto (5).
Terminaria o trabalho mais cedo para poder revisar (1).

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