BASTA TERCEIRIZAR?
"REENGENHARIAR"?
No Brasil vivenciamos constantes
modismos. Agora vivemos a epidemia da terceirização e da
reengenharia... Você terceiriza e tudo se resolve. Você altera
os processos, através de uma filosofia de reengenharia, e sua
empresa passa a ter lucros com eficiência!
Não questiono estes objetivos,
estas metodologias, mas elas apenas criam novos nomes de
atitudes organizacionais existentes há muitos e muitos anos. O
que é um prestador de serviços? Há quanto tempo o conhecemos
em inúmeras áreas de atividades? Quem utilizou um dia um
prestador de serviços, "terceirizou" uma atividade em sua
empresa. Agora, esta denominação surge como a grande solução
para as empresas, principalmente aquelas em crise financeira.
Agora vivemos a epidemia
da terceirização e da
reengenharia...
Reengenharia? O que sempre foi
um processo de racionalização administrativa e organizacional?
Os cortes hierárquicos (elimina-se a estrutura vertical), a
delegação com real autonomia, a eliminação das filosofias
voltadas à empresa e não a "subempresas"
isoladas na própria organização. Estes sempre foram os alvos
de um trabalho de reorganização decente, profissional, apoiado
por uma área de recursos humanos eficaz.
Falo com muita tranqüilidade
sobre estes aspectos, pois os vivencio há anos. Mas, tudo bem!
Vamos adotar nesse momento a "terceirização" e a
"reengenharia" como as novas soluções milagrosas.
Voltamos então a uma bandeira
que sempre defendi. E a cúpula da empresa? O que se faz com
ela? Terceirizamos também? Ou a isolamos em uma redoma para a
lavagem cerebral da reengenharia?
E a imagem da empresa e seus
produtos e serviços? Como estão no mercado? O que adiantará
terceirizar processos e serviços e adotar a reengenharia
internamente, se a empresa está desgastada junto ao seu
público cliente?
E a cúpula da empresa?
O que fazer com ela?
Terceirizamos também?
Ou a isolamos em uma redoma
para a lavagem cerebral da reengenharia?
Há um primeiro trabalho junto à
alta dministração sem o qual nada
deve ser iniciado: a conscientização de um modernismo cultural
e profissional que envolve mudanças de atitudes muitas vezes
radicais e irreversíveis. Como vamos chamar isso? "Reconscientização
do papel do líder empresarial"? Parece muito extenso, mas é
por aí.
E onde está esta preocupação dos
senhores consultores internacionais neste sentido, olhando
para a cultura brasileira? Paralelamente a tudo isso, a imagem
da empresa e seus produtos e serviços também devem ser alvos
de uma reengenharia de propaganda e marketing. Ah! Agora sim
eu começo a vislumbrar sucesso na terceirização e na
reengenharia organizacional.
Portanto, vamos por os pés no
chão. O que é necessário fazer, antes de mais nada, no que se
refere à alta administração? Aqui seguem algumas sugestões.
* Reavaliar posturas
centralizadoras, retrógradas, monopolizadoras.
* Identificar em cada líder
empresarial seu nível de atualização profissional, cultural e
visão global de mercado e adotar soluções que o coloque "up
to date" junto aos seus pares interna e externamente.
* Avaliar realmente o que deve
ser terceirizado através de uma análise criteriosa de custos,
oportunidades. Incluir nesta análise a procura por talentos
obscurecidos ou não descobertos no quadro da organização.
* Questionar a alta
administração quanto a sua predisposição real e sincera para a
receptividade aos itens acima; caso contrário, tudo não
passará de um "teatro" que pode levar a empresa a um caos,
pois o descrédito tomará conta de cada colaborador, de cada
cliente, de cada fornecedor.
E quanto aos produtos, serviços
e imagem da empresa? Alguns caminhos:
* Elaborar pesquisa (com
empresas profissionais nesta área ) a fim de que se avalie
como andam estes aspectos junto ao público consumidor e ao
mercado em geral.
* Adotar procedimentos modernos
de produção, revendo parque de equipamentos, produtividade,
planos de incentivo na área de produção que melhoram a
qualidade dos produtos e serviços.
* Eleger uma agência de
propaganda ou um profissional da área (e aí já terceirizando)
para que uma nova imagem, voltada à competência, anos de
existência, modernidade, qualidade, possam ser assimiladas
pelo consumidor final.
Dá para entender agora por que
não basta apenas terceirizar ou "reengenhariar"?
Aí está um
mix de atitudes que, com certeza, vão exigir um fôlego
financeiro pois todos eles representarão investimentos com
profissionais experientes. Mas, empresários, antes de mais
nada, olhem-se no espelho e certifiquem-se de que estão
dispostos a mudar culturas enraizadas.
Modernizar é também --e
principalmente-- crescer culturalmente e possuir um "peito
aberto" a descentralizações competentes. A partir dessa
aceitação é que a terceirização e a reengenharia
organizacional poderão produzir os efeitos esperados.