Benchmarking
INTRODUÇÃO
O objetivo desse
trabalho é, em primeiro lugar, oferecer algum conhecimento
sobre Benchmarking : o que é - como é aplicado - onde é
aplicado - e os resultados obtidos por sua aplicação. Não se
pretende, com isso, esgotar o tema e nem o conhecimento sobre
o mesmo. Abordamos, aqui, apenas os conceitos necessários à
pesquisa a que nos propusemos.
Em segundo lugar, e baseados nas pesquisas e temas
aqui abordados, desenvolveu-se uma pesquisa mercadológica,
elaborada pela equipe. O objetivo foi conhecer se estas
empresas pesquisadas utilizam o Benchmarking como busca de
melhoria contínua para a sua organização.
CAPÍTULO I
BENCHMARKING: ORIGEM E DESENVOLVIMENTO
Benchmarks e Benchmarking
As raízes
lingüísticas e metafóricas do benchmarking vêm do termo usado
pelos agrimensores, que designavam benchmarking como uma marca
ou referência feita sobre uma rocha, muro ou edifício.
Portanto, um benchmarking servia como referência para
determinar sua posição ou altitude em medidas topográficas ou
para os registros das marés. Em termos gerais, benkmarking
era originalmente o ponto de observação de onde as medidas
poderiam ser feitas ou servir de referência para outras.
Embora a palavra seja relativamente nova e os
conceitos do que seja Benchmarking venham se ampliando
gradativamente, pode-se afirmar que desde o início, da
história do homem, ele vem observando a realização de idéias
de seu semelhante, adaptando-as e aperfeiçoando-as de acordo
com suas necessidades.
Assim, o segundo homem que acendeu uma chama foi o
primeiro “benchmarker” da humanidade.
E continuamente o homem, os grupos, as empresas
vêm buscando técnicas, práticas que possam conduzir seus
objetivos à uma boa performance empresarial.
Então, gradativamente, ao longo da história e de
acordo com suas necessidades o conceito do que seja
Benchmarking vem se ampliando.
Assim, num primeiro momento considera-se o
Benchmarking como um plano estratégico baseado em observação e
realização de melhorias em outros setores.
No entanto, esse
planejamento estratégico tratava apenas de uma estratégia mas
não considerava a execução dessa estratégia. Não dizia “como
fazer as coisas”. Embora pudessem ser ferramentas
organizacionais poderosas, nem sempre podiam ser postas em
prática por gerentes de organizações. O planejamento
estratégico ganhou impulso na década de 1960 e atingiu seu
ponto culminante na década de 1970. Nessa época muitas
empresas iniciaram aquilo que foi chamado “planejamento de
longo prazo”. Pensar e planejar à frente parecia uma boa
estratégia.
Na década de 1960 a
estratégia corporativa (modelos desenvolvidos pelo “Office of
Stratégic Services” após a Segunda Guerra Mundial) passou a
significar um plano complexo e meticuloso baseado em
detalhadas previsões econômicas e mercados específicos.
Essa abordagem de estratégia caiu em descrédito
por várias regiões; a principal foi a burocracia,
estatísticas, papeladas ligadas apenas à estratégias sem
objetivos realizáveis e mensuráveis.
Outra estratégia foi de “empresas de consultoria
de organização” que estavam na vanguarda e desenvolveram
regras de planejamento estratégico para capacitar seus
clientes a entender as questões da estratégia corporativa.
Usava gráficos e matrizes.
O livro Estratégia Competitiva apresenta
também modelos para se analisar os concorrentes, as
metodologias e mapas estratégicos.
Foi considerado “um dos dez melhores livros de administração
jamais escritos”, por Tom Peters.
Sem dúvida, a análise competitiva é de grande utilidade para
escolhas estratégicas competitivas globais. São nessas
estratégias competitivas que se encontram as raízes de
benchmarking. Dessa forma, o benchmarking não substitui um
planejamento estratégico mas o apóia.
O benchmarking foi o passo que faltava para melhorar a posição
competitiva das empresas.
Foi o passo lógico na evolução das metodologias do
planejamento estratégico.
O benchmarking estimulou a melhoria das análises que poderão
ser adotadas.
Contudo, apenas no final dos anos 80 e início dos anos 90 o
benchmarking passou a ser considerado como uma habilidade que
deveria ser usada no dia-a-dia das empresas.
Ela se aplica a soluções de problemas, planejamentos,
definições de metas, melhoria de processos, reengenharia de
processos, definições de estratégias. Tem sido considerada uma
das habilidades fundamentais da empresa.
CAPÍTULO II
BENCHMARKING: DEFINIÇÕES E PROCESSOS
1 – Definições Estabelecendo Padrões e
Objetivos
Sem dúvida, o benchmarking quer
duas coisas:
|
Ø
|
Estabelecer metas usando padrões objetivos
externos e; |
|
Ø
|
Aprender de outros;
Aprender quanto e;
Aprender como. |
Esta é a mais simples definição de
benchmarking. Ele não é apenas um exercício de números que
estabelece notas quantitativas e qualitativas. Ele também
estabelece metas comparáveis e procura entender os processos
subjacentes que capacitam as melhores empresas a conseguir
seus melhores resultados. Entender como as empresas conseguem
seus melhores resultados é mais importante que algumas
medições quantificadas.
O benchmarking está se tornando tão
amplamente praticado por três razões fundamentais:
Ø
Ele é a maneira mais eficiente de se fazer
melhorias. Os gerentes podem eliminar o antigo processo de
aprendizagem na base da tentativa e erro. Os gerentes podem
usar processos que outros já provaram ser efetivos e podem
concentrar seu pensamento em melhorar processos ou adaptá-los
às necessidades de sua empresa.
Ø
Benchmarking propicia melhorias organizacionais
mais rapidamente. O tempo tornou-se um fator tão importante na
concorrência atual que os gerentes de muitas empresas são
compelidos a encontrar maneiras de fazer as coisas melhor e
mais rapidamente. Uma competência madura de benchmarking em
uma organização possibilitará que ela faça as coisas melhor e
de forma mais rápida ao trabalhar ao longo do processo de
benchmarking em menos tempo.
Ø
Benchmarking tem o potencial para elevar
significativamente o desempenho coletivo das empresas
americanas e de outras que o desenvolvem.
2 – O Processo de Benchmarking: Os Passos Chave
do Processo
As aplicações do benchmarking são
infinitas. Supondo-se, porém, uma quantidade limitada de
recursos a serem aplicados a projetos de benchmarking, a
maioria das organizações estabelece algumas diretrizes para
determinar quais funções, atividades ou processos serão
estudados como parte de seu programa de benchmarking.
Existem muitas maneiras de se
praticar o benchmarking. A maioria das organizações que
implantou a benchmarking teve como objetivo o processo básico
para satisfazer suas necessidades específicas; quer dizer,
cada processo de benchmarking deve ser elaborado de acordo com
as necessidades de cada empresa.
Na aplicação do benchmarking, é preciso
respeitar e seguir algumas regras e procedimentos para que os
objetivos sejam alcançados e exista uma constante melhoria do
mesmo.
De acordo com Robert C. Camp - in
Benchmarking - O caminho da Qualidade Total, o
processo de benchmarking consiste em cinco fases básicas.
Inicia-se com uma fase de planejamento e prossegue através de
análise, integração, ação e finalmente maturidade.
|
  |
1 – Identificar o que marcar
para referência
|
|
Planejamento |
2 – Identificar empresas que
servem como referências
|
|
|
3 – Determinar o método de
coleta de dados e efetuar a coleta
|


|
Análise |
4 – Determinar a atual
“falha” de desempenho
|
|
|
5 – Projetar futuros níveis
de desempenho
|


|
Integração |
6 – Comunicar as descobertas
do benchmarking e obter aceitação
|
|
|
7 – Estabelecer metas
funcionais
|


|
|
8 – Desenvolver planos de
ação
|
|
Ação |
9 – Implementar ações
específicas e monitorar progressos
|
|
|
10 – Recalibrar os marcos de
referência (benchmarking)
|

|
 Maturidade |
·
Posição de
liderança atingida
·
Práticas
plenamente integradas aos processos. |
Fonte:
Camp, Robert C – Benchmarking – O caminho da qualidade total,
pág. 16.
Essas fases compõem
um processo dinâmico que devem continuamente ser analisados e
corrigidos, se necessário.
CAPÍTULO III
TIPOS
DE BENCHMARKING
Existem pelo menos quatro tipos de benchmarking:
benchmarking interno; benchmarking competitivo; benchmarking
funcional e benchmarking genérico.
1 – Benchmarking Interno
O benchmarking interno é praticado por
empresas que visam identificar as melhores práticas internas
da organização e disseminar sobre essas práticas para outros
setores da organização.
Este tipo de benchmarking e um dos mais fáceis
de ser executado, pois os dados envolvidos estão facilmente
disponíveis e não há problemas de confiabilidade, porém pode
haver desvantagens neste tipo de benchmarking, pois as
práticas internas podem estar impregnadas pelos mesmos
paradigmas.
A realização de um benchmarking interno,
geralmente propicia um passo para um estudo voltado para fora,
ou seja, uma focalização externa na busca de melhorias, ou
ainda, a prática de um benchmarking externo.
2 – Benchmarking Competitivo
O benchmarking competitivo é o tipo mais
difícil de ser praticado, porque as empresas visadas são
aquelas que disputam o mesmo mercado, ou seja, concorrentes
diretos, e geralmente não estão dispostas ou interessadas em
ajudar a equipe envolvida no processo de um benchmarking
competitivo.
O benchmarking competitivo foca em medir
funções, métodos e características básicas de produção em
relação aos seus concorrentes diretos, e melhorá-los de forma
que a empresa possa inicialmente alcançar os seus
concorrentes, e depois ultrapassá-los, tornando-a melhor do
ramo, ou no mínimo melhor que seus concorrentes.
Um quadro sinóptico do benchmarking competitivo
e mostrado abaixo. (fonte: Xerox
Corp.)
|
Benchmarking Competitivo |
|
|
|
Sua Organização |
Seus Concorrentes |
|
·
o que você está fazendo
·
como você está fazendo
·
quão bem você está fazendo
Resultado:
Ampliando o conhecimento de sua organização
|
·
o que eles estão fazendo
·
como eles estão fazendo
·
quão bem eles estão fazendo
Resultado:
Ampliando o conhecimento de seus concorrentes. |
Gráfico de
Robert J. Boxuel Jr - in Vantagem Competitiva através do
Benchmarking
3 – Benchmarking Funcional
O benchmarking funcional é a forma mais
utilizada, pois não há necessidade de comparar-se com um
concorrente direto. As empresas investigadas, geralmente são
de ramos distintos, que adotam técnicas interessantes em
atividades especificas, que possam ser colocado em prática na
empresa do investigador, como por exemplo embalagem,
faturamento ou controle de estoques.
O processo de um benchmarking funcional poderá
ser altamente produtivo, pois possibilita que a troca de
informações se dá de maneira mais fácil, não tendo problemas
com a confiabilidade das informações, pois as empresas
envolvidas não disputam o mesmo
mercado.
4 – Benchmarking Genérico
Nesse processo de benchmarking, as empresas
participantes tem função ou processos empresariais
semelhantes, independente das diferenças entre as indústrias.
Um desses processos pode ser, por exemplo a análise, desde a
entrada de um pedido na indústria até a entrega do produto ao
cliente.
O benchmarking genérico requer uma conceituação
ampla e complexa do processo analisado e tem potencial para
revelar as melhores das melhores práticas.
CAPÍTULO IV
APLICAÇÕES E VANTAGENS DO BENCHMARKING
1 – Aplicações do Benchmarking
Com a velocidade das informações e
das mudanças hoje no mundo globalizado, nenhuma organização
pode isolada e sozinha dominar e controlar todas as práticas e
processos operacionais que visam a garantir o seu progresso e
melhoria contínua. Assim:
Ø
A utilização do benchmarking como instrumento
de auxílio
nos processos de melhoria contínua pode ser aplicada em todos
os níveis da organização, e em seus vários contextos. O mais
importante é a organização não perder tempo reinventando
aquilo que os outros já fazem melhor.
Ø
Definir qual o melhor momento de aplicar o
benchmarking na organização,
é muitas vezes uma ação que surge da necessidade da
organização de encontrar novas práticas para superar um
momento difícil.
Ø
Benchmarking como ferramenta de trabalho e
extremamente versátil,
pois aplicado em todos os níveis e funções da organização, vem
através dos seus processos, auxiliar na retomada da
competitividade da empresa no mercado.
E sua aplicação tem como base:
ü
Melhoramento dos processos;
ü
Melhoramento do desempenho;
ü
Melhoramento das estratégias da organização,
através da busca de melhores práticas naquelas empresas do seu
ramo ou não, que são consideradas excelentes no seu negócio.
Ø
O estudo dos processos,
busca conhecer e identificar as práticas operacionais eficazes
de outras empresas, com objetivo de melhorar nossos processos
básicos, e através deste estudo criar melhoramentos em escala
dentro da organização. Podemos citar como exemplo a melhoria
no sistema de custos, que podem trazer aumento na
lucratividade e maior poder de competitividade para a
organização.
Ø
A aplicação do benchmarking para melhoria do
desempenho,
visa comparar os níveis competitivos dos seus produtos e
serviços, como qualidade, preços e agregados.
Ø
O benchmarking estratégico visa
conhecer como se dá a competição das empresas no mercado.
Geralmente as organizações buscam identificar as estratégias
competitivas que tem levado outras empresas a obter sucesso em
suas operações. Muitas vezes as melhores estratégicas nem
sempre estão no mesmo segmento da indústria da organização.
O que muitas vezes dificulta a adaptação das
estratégias competitivas de sucessos, são as necessidades de
curto prazo das organizações de melhorar os seus processos, e
neste caso o melhor é a focalização no benchmarking de
processos, pois muitas estratégias somente poderão trazer
resultados a médio longo prazo.
A aplicação do benchmarking além de melhorar o
desempenho, os processos e as estratégias das organizações,
cria uma cultura de aprendizagem rápida e constante em toda
organização. Fazendo com que as pessoas compreendam a
necessidade das mudanças, aceitando-as como importantes e
necessárias, e que irão trazer benefícios não só para a
empresa mas para todos os envolvidos.
2 – Benefícios do Benchmarking
Depois de conhecer todos os conceitos a
respeito do benchmarking, discutir suas aplicações, analisar
os seus processos, e conhecer os resultados positivos que
muitas organizações no mundo inteiro tem conseguido com sua
utilização, podendo sem dúvida ter a certeza que é uma
ferramenta que agrega e cria muitos benefícios.
Temos em muitos livros, os depoimentos de
vários executivos de organizações que são consideradas
referências em excelência no mundo dos negócios; grupos
empresariais como: 3M Company, American Express Company,
Toyota, General Electric, Jhonson & Johnson, e a Xerox Company,
que talvez foi uma das organizações que mais divulgou os
benefícios que consegui com a utilização do benchmarking.
Listar todos os benefícios que benchmarking
proporciona as organizações, é uma tarefa extremamente
difícil, pois o benchmarking é uma ferramenta de melhorias
contínuas, e busca capacitar as pessoas a um aprendizado
rápido, onde a busca de melhores idéias deve ser uma constante
dentro das organizações; podemos dizer que o benchmarking
tornou-se uma das principais ferramentas no gerenciamento de
processos de qualidade total.
Mas talvez um dos maiores benefícios que o
benchmarking veio trazer as organizações foi a capacidade de
reação e adaptação diante das mudanças, pois com o advento da
globalização, o tempo é considerado um fator de extrema
importância para que as organizações mudem suas estratégias e
continuem competitivas e lucrativas diante desse mercado sem
fronteiras.

Isto quer dizer que a cada inovação já se inicia um novo ciclo
de aprendizagem, melhoria.
É esta contínua renovação do
processo que propícia o desenvolvimento de uma empresa e seus
objetivos. Bogan e English in Benchmarking – Aplicações
Práticas e Melhoria Contínua, cita as vantagens de
Benchmarking, consideradas por ele:
Ø
Melhora a qualidade
organizacional.
Ø
Conduz a operações de baixo
custo.
Ø
Facilita o processo de
mudança.
Ø
Expõe as pessoas a novas
idéias.
Ø
Amplia a perspectiva
operacional da organização.
Ø
Cria uma cultura aberta a
novas idéias.
Ø
Serve como catalisador para o
processo de aprendizagem.
Ø
Aumenta a satisfação dos
funcionários da linha de frente através do envolvimento,
aumento de sua autoridade e um senso de domínio sobre o
trabalho.
Ø
Testa o rigor das metas
operacionais internas.
Ø
Vence a natural descrença dos
funcionários da linha de frente sobre a possibilidade de
melhoria do desempenho.
Ø
Cria uma visão externa para a
empresa.
Ø
Aumenta o nível organizacional
de máximo.