Endomarketing
Pode-se definir
endomarketing como o conjunto de ações focadas no público
interno e que tem como objetivo maior conscientizar
funcionários e chefias para a importância do atendimento de
excelência ao cliente.
O termo e conceito
que ele traz implícito não têm sido aceitos com muita
tranqüilidade pelo mercado por pelo menos duas razões, uma
de caráter corporativo e outra essencialmente filosófica,
ideológica ou doutrinária.
Os especialistas,
sobretudo os profissionais de Relações Públicas, julgam que
o endomarketing não é nada mais do que uma forma diferente
de expressar (e praticar) a comunicação interna e que se
trata de uma alternativa (nem tão sutil) de garantir aos
profissionais de marketing a entrada em um novo campo de
trabalho.
Disputas
corporativas à parte, é necessário atentar para a outra
razão, ao que parece mais relevante, porque remete ao âmago
da questão: a extensão do conceito de cliente (fala-se agora
em cliente interno para tipificar o funcionário de uma
empresa ou organização) introduz uma nova perspectiva (será
realmente boa?) na relação com o público interno. É que o
conceito de cliente traz subjacente a idéia de um
relacionamento comercial, de compra e venda, que,
necessariamente, não se aplica à convivência entre
determinados públicos. Na sedução do cliente, muitas vezes
se utiliza de estratégias em que a transparência e a ética
não são favorecidas, o que, convenhamos, se já não é
saudável na relação entre uma empresa e os consumidores
(estamos entrando definitivamente na era do consumo
responsável), menos ainda o é, quando se contemplam os
empregados de uma organização. Talvez fosse mais apropriado
pensar o funcionário como um parceiro , estimulando a sua
participação e, mais ainda, delegando a ele parte importante
no processo de tomada de decisões.
Num primeiro
momento, a difusão do conceito de endomarketing (e de
cliente interno) desempenhou um papel importante, chamando a
atenção para a importância do público interno, mas, como
toda idéia ou teoria importada, acabou criando embaraços
para uma cultura empresarial (a brasileira) que,
felizmente, ainda se apóia em valores como a cordialidade, a
solidariedade e o afeto (é verdade que outros traços desta
cultura também agrega alguns problemas, particularmente para
a gestão empresarial moderna). Ou seja: no fundo, o
endomarketing não " emplacou", pelo menos enquanto atrelado
ao conceito importado, ainda que sobreviva em função das
campanhas associadas ao incremento da qualidade e da
produtividade, também inspiradas em teorias e estratégias
geradas lá fora.
Na
prática, tem sido utilizado, agora sim, como sinônimo mesmo
de comunicação interna e, aí, perdeu (ainda bem) todo o
sentido original. Melhor assim porque chegou a ser utilizado
como uma forma de domesticação de funcionários para o
atendimento ao cliente, o que , para muitas empresas,
funciona como uma grande hipocrisia, na medida em que a
direção jamais chegou a assumir uma conduta exemplarmente
ética. Funcionários submissos, prestativos e risonhos
acrescentam pouco, se a intenção é apenas estimular as
vendas. A responsabilidade social não pode se resumir a
estas ações: a empresa precisa efetivamente se comprometer.