Logística Reversa
INTRODUÇÃO
A logística reversa é a área da logística
que trata dos aspectos de retornos de produtos, embalagens
ou materiais ao seu centro produtivo. Apesar de ser um tema
extremamente atual, esse processo já podia ser observado há
alguns anos nas indústrias de bebidas, com a reutilização de
seus vasilhames, isto é, o produto chegava ao consumidor e
retornava ao seu centro produtivo para que sua embalagem
fosse reutilizada e voltasse ao consumidor final. Esse
processo era contínuo e aparentemente cessou a partir do
momento em que as embalagens passaram a ser descartáveis.
Contudo, empresas incentivadas pelas Normas ISO 14000 e
preocupadas com a gestão ambiental, também conhecida como
"logística verde", começaram a reciclar materiais e
embalagens descartáveis, como latas de alumínio, garrafas
plásticas e caixas de papelão, entre outras, que passaram a
se destacar como matéria-prima e deixaram de ser tratadas
como lixo. Dessa forma, podemos observar a logística reversa
no processo de reciclagem, uma vez que esses materiais
retornam a diferentes centros produtivos em forma de matéria
prima.
CUSTOS
Segundo LACERDA (in CEL 2000), os
processos de logística reversa têm trazido consideráveis
retornos para as empresas. O reaproveitamento de materiais e
a economia com embalagens retornáveis têm trazido ganhos que
estimulam cada vez mais novas iniciativas e esforços em
desenvolvimento e melhoria nos processos de logística
reversa. Também não podemos ignorar os custos que o processo
de logística reversa pode acarretar para as empresas, quando
não é feito de forma intencional, isto é, na citação acima
percebemos que a logística reversa é utilizada em prol da
empresa, transformando materiais, que seriam inutilizados,
em matéria-prima, reduzindo assim, os custos para a empresa.
Acontece que o contrário também pode acontecer, e é o que
notamos com mais freqüência, isto é, materiais que voltam
aos seus centros produtivos devido às falhas na produção,
pedidos emitidos em desacordo com aquilo que o cliente
queria, troca de embalagens, etc.Este tipo de processo
reverso da logística acarreta custos adicionais, muitas
vezes altos para as empresas, uma vez que processos como
armazenagem, separação, conferência e distribuição serão
feitos em duplicidade, e assim como os processos, os custos
também são duplicados.
CONCORRÊNCIA
LACERDA (in CEL 2000) defende que os
clientes valorizam empresas que possuem políticas de retorno
de produtos, pois isso, garante-lhes o direito de devolução
ou troca de produtos. Este processo envolve uma estrutura
para recebimento, classificação e expedição de produtos
retornados, bem como um novo processo no caso de uma nova
saída desse mesmo produto. Dessa forma, empresas que possuem
um processo de logística reversa bem gerido tendem a se
sobressair no mercado, uma vez que podem atender aos seus
clientes de forma melhor e diferenciada de seus
concorrentes.
LOGÍSTICA VERDE E QUESTÕES AMBIENTAIS
Preocupadas com questões ambientais, as
empresas estão cada vez mais acompanhando o ciclo de vida de
seus produtos. Isto se torna cada vez mais claro quando
observamos um crescimento considerável no número de empresas
que trabalham com reciclagem de materiais. Um exemplo dessa
preocupação é o projeto Replaneta, que consiste em coleta de
latas de alumínio e garrafas PET, para posterior reciclagem,
e que tem como bases de sustentação para o sucesso do
negócio a automação e uma eficiente operação de logística
reversa (MALINVERNI, 2002.). As novas regulamentações
ambientais, em especial as referentes aos resíduos, vêm
obrigando a logística a operar nos seus cálculos com os
"custos e os benefícios externos". E, em função disto,
entende-se que a logística verde pode ser vista como um novo
paradigma no setor. De acordo com ALCOFORADO (2002), a
logística verde ou ecológica age em conjunto com a logística
reversa, no sentido de minimizar o impacto ambiental, não só
dos resíduos na esfera da produção e do pós-consumo, mas de
todos os impactos ao longo do ciclo de vida dos produtos.
LOGÍSTICA REVERSA NO BRASIL
No Brasil ainda não existe nenhuma
legislação que abranja esta questão, e por isso o processo
de logística reversa está em difusão e ainda não é encarado
pelas empresas como um processo "necessário" , visto que a
maioria das empresas não possui um departamento específico
para gerir essa questão; assim, algumas Resoluções são
utilizadas, como, por exemplo, a Conama nº258, de 26/08/99,
que estabelece que as empresas fabricantes e as importadoras
de pneus ficam obrigadas a coletar e a dar destinação final,
ambientalmente adequada, aos pneus inservíveis,
proporcionalmente às quantidades fabricadas e importadas
definidas nesta Resolução, o que praticamente obriga as
empresas desse segmento a sustentarem políticas de logística
reversa. BARBIERI e DIAS (2002). Este conceito está em
constante crescimento no Brasil e no mundo, e fica claro que
as empresas, cada vez mais, têm se preocupado em considerar
os custos adicionais e as reduções de custos que este
processo pode ocasionar.
CONCLUSÃO
Na verdade, todas as empresas trabalham
com o conceito de logística reversa, porém nem todas encaram
esse processo como parte integrante e necessária para o bom
andamento ou para o aumento nos custos das empresas. Apenas
utilizam o processo e não dispensem maior importância e nem
investem em pesquisas para o mesmo. Uma empresa que recebe
um produto como fruto de devolução por qualquer motivo já
está aplicando conceitos de logística reversa, bem como
aquela que compra materiais recicláveis para transformá-los
em matéria-prima novamente. Esse interessante processo pode
ser visto pelas empresas com enfoques diferentes, ou seja,
para algumas, esse processo trará benefícios diversos, a
começar pela redução de custos, enquanto que para outras
pode ser um grande problema, pois representa custos que
precisam ser controlados. No segundo caso, observamos que,
nas empresas onde o processo de logística reversa representa
custos, existe uma grande preocupação com o processo, para
que ele seja extremamente controlado, a fim de que esses
custos sejam reduzidos, uma vez que a extinção do processo
de logística reversa numa empresa é praticamente impossível.
BIBLIOGRAFIA
http://www.logweb.com.br/artigos/arquivo/art0001703.htm,
Acessado em 28 nov. 2003
LACERDA, Leonardo. Logística Reversa, uma
visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais.
Centro de Estudos em Logística - COPPEAD - UFRJ - 2202.
www.cel.coppead.efrj.br
MALINVERNI, Cláudia. Tomra Latasa: A
logística da reciclagem. Revista Tecnologística, São Paulo,
Ano VIII, nº 80. Julho 2002.
BARBIERI, José Carlos., DIAS, Marcio.
Logística Reversa como instrumento de programas de produção
e consumo sustentáveis. Revista Tecnologística, São Paulo,
Ano VI, nº 77. Abril 2002.