Anita
Malfatti
Anita
Catarina Malfatti (1896 - 1964) foi uma das principais
personalidades associadas ao início do Modernismo no Brasil. De
acordo com depoimento de Mário de Andrade foi ela, foram
os seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de
revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes
brasileiras. Pelo menos a mim. Embarcou para Berlim com o
objetivo de estudar pintura em 1912, e volta ao Brasil, em 1914,
impressionada com a arte realizada na Europa por essa época (em
especial os Pós-Impressionistas). Nesse mesmo ano viaja para
Nova York onde estuda na Independent School of Arts, de Hermer
Boss, de tendências modernistas. Nessa escola conhece artistas
como Marcel Duchamp. Seus primeiros trabalhos são marcados pela
influência dos principais movimentos de vanguarda europeu do
período, em especial o Cubismo e o Expressionismo. Entretanto,
soube se utilizar dessas formas artísticas revolucionárias
vindas do exterior sem perder a identidade brasileira. Em
dezembro de 1917 realiza uma exposição individual com trabalhos
que pintara até então, obras significativas como: A
Estudante Russa, Mulher de Cabelos Verdes,
O Homem Amarelo, Caboclinha. A economia
de traços, o vigor das formas e cores, a perturbação de
algumas figuras, a grande originalidade e quebra dos padrões a
que o público brasileiro estava acostumado, causaram duas
reações imediatas. De um lado o choque conservador representado
pela agressiva crítica feita por Monteiro Lobato publicada a 20
de dezembro no jornal O Estado de S.Paulo. De outro,
jovens artistas, escritores e poetas que se reuniram em torno de
Anita Malfatti com reações que acabariam por desembocam no
surgimento do Modernismo Brasileiro, que culminou com a Semana de
Arte Moderna de 22 e uma mudança de rumos das artes plásticas
no país. A Propósito da Exposição Malfatti, mais
conhecido como Paranóia ou Mistificação? foi o
nome do artigo de Lobato. Nele, dividia os artistas em dois
tipos, os que vêem normalmente as coisas e fazem arte pura e uma
outra espécie (com a qual identificava Malfatti) formada
pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz
de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas
rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura
excessiva . A partir de observações como essas, que
denunciam o conservadorismo do crítico e seu preconceito contra
tudo aquilo que ameaçasse o naturalismo, Lobato continua sua
cruel crítica a respeito da exposição da Sra. Malfatti
onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude
estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e
companhia. Apesar do apoio de artistas ao redor de Anita
Malfatti, a pintora após essa crítica parece nunca mais ter
conseguido recuperar a força inicial de suas obras. Chegou a
expor na Semana de Arte Moderna de 22, mas suas obras a partir de
1917 já não possuíam o mesmo impacto. Continuou pintando até
o final de sua vida, mas sua importância maior para a História
da Arte Brasileira parece efetivamente concentrado nesse seu
princípio de carreira.