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  Matérias :: Artes

 

  Autoria: Clarice Merino


 



Arquitetura

A arquitetura é a arte vinculada à harmonização estética de espaços interiores e formas exteriores de edificações. Além dos princípios de simetria e proporção dos quais a arquitetura é servida, a arquitetura também se preocupa com a própria finalidade utilitária do espaço criado: a funcionalidade e a estética também devem formar um conjunto harmonioso.

Arquitetura Mesopotâmica

A arquitetura mesopotâmica compreende o período que vai da pré-história até o século VI a.C. na região atual do Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, o que deu origem ao nome mesopotâmia (entre rios). Os Sumérios das épocas mais remotas, utilizavam materiais como junco e argila para suas construções, que não resistiram ao tempo. Por volta do ano 5000 a.C. passa-se a utilizar tijolos e com isso desaparecem as estruturas de madeira, porém no plano construtivo permanece a influência do junco, como nas aberturas das fachadas, algumas casas têm base de pedra, como em Hassuna. Escavações revelaram, na primitiva Eridu, um templo de planta retangular dividido por paredes, onde haviam um nicho para uma imagem e um altar para oferendas. Esse templo é o precursor das construções religiosas de planta retangular, construídas nos anos seguintes. Por volta de 3000 a.C. os templos passam a ser implantados em altas plataformas, utiliza-se então o tijolo cozido em forno para se fazer uma construção em degraus. Surge, assim, o Zigurate, forma típica da arquitetura templária mesopotâmica, algumas vezes com plantas circulares, como o zigurate de Nimrud, a famosa Torre de Babel citada na Bíblia, em Babilônia. Outros exemplos são os zigurates de ‘Aqarquf, e o do deus da lua Nanna em Ur. A intenção do projeto era servir como base para que os padres e reis pudessem estar mais perto de seu deus ou para que os deuses pudessem descer para terra. Quase sempre o zigurate era implantado dentro de um espaço murado, juntamente com outros templos também de tijolos. Possuíam planta simples, um santuário rodeado de câmaras, raramente continham pátio interno, como no templo de Ishtar Kititum, em Ischali. Sua ornamentação era feita nas paredes e nos muros com frisos e baixo-relevo, cujos temas eram religiosos ou de animais. Por volta do ano 1600 a.C. os cassitas invadem o reino Babilônico, assim como os elemitas por volta de 1150 a.C.. Ambos vindos do oeste, esses povos adaptam-se à antiga cultura e passam a reproduzi-la. A então capital Hatusas era protegida por muralhas de quatro quilômetros, com altas torres e portões emoldurados por esfinges esculpidas. Nesse período, as paredes dos templos são decoradas com afrescos e as casas tinham seus aposentos voltados para um pátio central, para receber iluminação. O mais importante período assírio dá-se por volta do ano 1000 a.C., os templos voltam a ser construídos como na época sumeriana, agora com portais imensos, ladeados por enormes animais alados. Os palácios de dimensões absurdas chegavam a ter duzentos quartos com pátios internos, um grande templo e outros menores, além de outras residências, como a do rei Sargon II (722-705) em Khorsabad, assim como Sennacherib (705-681), que construiu seu palácio em Nimrud, e Ashurbanipal em Nineve. A partir de 612 a.C., os babilônicos conquistam nova hegemonia e se dedicam a reconstruir sua antiga capital, destruída pelo assírio Sennacherib. A reconstrução inclui o período governado por Nabucodonosor II, construtor de uma das sete maravilhas do mundo antigo, Os Jardins Suspensos da Babilônia. O fim do reinado babilônico coincide com o fim do período mesopotâmico. A reconstrução da antiga capital suméria de Ur, entre os anos de 556 e 539, onde reconstrói-se inclusive seu zigurate, é o último feito dos babilônicos.

Arquitetura Austríaca

A Áustria apresenta-se como um antigo centro de civilizações. Essa condição foi, em parte, determinada por sua localização geográfica; no passado situava-se no coração da Europa, na interseção de importantes vias de três grandes civilizações: a romana, a germânica e a eslava. A civilização austríaca começa a se formar com os romanos e os celtas. Os romanos formam a província de Noricum, marcando o início de um período de prosperidade que duraria aproximadamente um século. Grande parte das atuais cidades austríacas provém de acampamentos romanos dessa época. Durante os anos seguintes a região passou a ser invadida por germânicos, hunos e húngaros, até que no ano de 955, com a derrota e expulsão dos últimos húngaros, na batalha de Lechfeld, estabeleceu-se a nação austríaca. Sobre a arquitetura pré-românica na Áustria, pouco se sabe. O período subseqüente, chamado de romanesco, apresenta um estilo interessante, essencialmente cristão, mistura de elementos provenientes da Bavária (como as basílicas), da Lombardia (as artes decorativas), Alemanha e França. As mais preservadas edificações desse período são as catedrais de Gurk, na Coríntia e de Seckau, na Estíria. O período Gótico (séculos XIII a XV) veio trazer, não apenas um novo estilo arquitetônico, mas também um novo modo de vida. O estilo foi introduzido pelas ordens mendicantes e pelos monges cistercienses; os primeiros trouxeram o gótico italiano e os últimos, o gótico Francês. A peculiaridade do gótico austríaco são as chamadas Hallenkirchen, igrejas com duas ou três naves com aproximadamente o mesmo tamanho; o maior exemplo é a catedral de St. Stephen em Viena, a maior e mais importante construção gótica da Áustria. No início do renascimento, a Áustria vinha se destacando nas artes plásticas (Escola do Danúbio); porém, com o crescimento do protestantismo, avesso às artes pictóricas, essa área entrou em declínio, levando a igreja católica e o governo a convocar artistas italianos. O mesmo ocorreu com a arquitetura, que durante esse período passou simplesmente a representar a tradição italiana com influência da atmosfera austríaca. Um bom exemplo dessa fase é a catedral de Salsburgo. No final do século XVII, com o fim da ameaça turca, houve uma retomada nas construções. O Barroco (1656 - 1730) representa o auge da arquitetura austríaca; seus maiores exponentes foram os arquitetos Johann Bernhard Fischer von Erlach (1656 - 1723) e seu rival Johann Lucas von Hildebrandt (1668 - 1745). Fischer foi o responsável pela introdução de elementos estrangeiros, particularmente italianos, no estilo austríaco; como pode ser visto no projeto da Biblioteca Nacional Austríaca, entre outros. Hildebrandt, que em 1723 sucedeu Fischer no cargo de arquiteto da corte, se destaca por suas configurações espaciais diferenciadas e decoração detalhada. Sua obra mais importante é o Belvedere, palácio de verão do príncipe Eugene, em Viena. Uma variação típica do barroco austríaco é o estilo conhecido por Teresiano, semelhante ao rococó francês, surgido durante o reinado de Maria Theresia (1740 - 1780), estilo presente no interior do palácio de Schön Brunn. Durante a segunda metade do século XIX, a monarquia austro-húngara começa a se tornar um estado moderno sob o reinado de Francis Joseph I; o que faz com que Viena passe a ser o centro de uma unidade econômica multinacional. A cidade torna-se também um dos pólos do historicismo mundial através de uma reestruturação urbana em grande escala que fez surgir uma grande quantidade de prédios de diversos estilos, atraindo arquitetos de todo mundo. No final do século XIX Otto Wagner (1841 - 1918) juntamente com Adolf Loss (1870 - 1933) abandonam o historicismo e criam um novo estilo funcional que viria a ser o idioma do novo século, conhecido por estilo século XX. A mais importante obra desse estilo são as residências operárias em Viena (1915). A Áustria registra uma participação importante no desenvolvimento das linguagens arquitetônicas européias, adotando soluções estrangeiras e adaptando-as de acordo com seus próprios princípios artísticos.

Arquitetura Bizantina

A arte bizantina é o resultado da fusão da cultura helênica com a oriental, que criou identidade própria. Como raros são os exemplos da arquitetura remota, é através das basílicas, construídas a partir do ano 330, que se pode analisar a arquitetura bizantina, caracterizada pela abundante utilização de mosaicos e das cúpulas que aparecem no século VI. O centro criativo é Bizâncio, porém a difusão da arte bizantina se estende pela Ásia Menor, Grécia, Países Balcânicos, Rússia e Itália. Sua produção floresce a partir do período de Constantino, século IV, e dura até o século XII. Exemplos remanescentes das primeiras obras bizantinas são: a basílica de São João (463), a basílica dos santos Sérgio e Baco (527-36), e Santa Sofia, todas em Constantinopla. Tem plano básico simples, coberturas em cúpula sobre plantas quadradas. O exemplo máximo de sua arquitetura é Santa Sofia, construída em apenas cinco anos (entre 532 e 537) por Justiniano, no mesmo local onde existia uma antiga basílica. Sobre uma estrutura de tijolos e argamassa pousa uma enorme cúpula achatada, sustentada por quatro enormes pilares que, unidos, formam quatro grandes arcos. As naves laterais estão voltadas para o espaço central, ampliando a perspectiva para além das colunas. Causa enorme efeito a orientação da luz que ilumina seu revestimento de mármore, seus mosaicos, suas colunas e capitéis. Nela se verificam a contraposição dos espaços cheios, dos vazios e das cúpulas, características da arquitetura bizantina. Na Itália o maior centro da arte bizantina, entre os séculos IV e VII, está em Ravena, muito pelo esforço da imperatriz Gala Plácida, que ali chega por volta do ano 430, é o mausoléu de Gala Plácida a obra mais conhecida da arquitetura antiga ravenense, data do século V, e foi construído com materiais simples como tijolo cozido, com planta em cruz. Seu pequeno e aconchegante espaço interior é ricamente decorado com mosaicos. No início do século VI, por influência do bárbaro Teodorico, simpatizante da arquitetura bizantina, são construídos o templo de Santo Apolinário Novo, o batistério dos arianos e o mausoléu do rei. A experiência bizantina em Ravena termina com a magnífica construção de São Vital, cuja planta central deriva tanto das soluções clássicas romanas como dos exemplos encontrados em Constantinopla. Sofre também influência bizantina as cidades: Milão, como se verifica na basílica de São Lourenço e nos mosaicos de Santo Aquilino e São Vítor; Roma, bem representada pelos mosaicos de Santa Inês; e as cidades adriáticas de Perenzo e Grado.

Arquitetura Brasileira

A história da arquitetura brasileira é restrita aos cinco séculos após a descoberta, pois o período pré-cabralino não temos como reconstituir. A arquitetura indígena é baseada nas convicções mágicas que tinham tanto para a moradia quanto para o conjunto urbano. A disposição geométrica de uma aldeia visa funcionalidade, mas também é orientada pelo gosto. Uma aldeia circular, com orientação norte-sul, tendo como eixo a casa central servindo de passagem e como espaço de reuniões, seu conceito é a “aldeia do além” : assim, o arco da existência supera o tempo e o trânsito terreno em função do infinito. Esta filosofia governa os atos de viver, as expressões plásticas e mais ainda a poesia, compondo uma cultura bem definida. Já os portugueses começam da estaca zero, os pioneiros improvisavam-se construtores para levantar moradias e entrincheiramento a fim de se defenderem dos índios e de outros brancos. Na necessidade da conquista e manutenção do espaço cria-se um sistema feudal e organizam-se os arraiais, como no caso de Salvador uma cidade cercada por muros de taipa, essa técnica, embora precária quando bem mantida, perpetua-se ao longo dos séculos. Em cada uma das regiões ocupadas recursos locais são utilizados na construção, como a carnaúba no Piauí que ainda hoje é utilizada. Até a primeira metade deste século grande parte das casas no Recife eram construídas como no século do descobrimento. A “casa-fortaleza”, como era denominada, utilizava pedra, cal, pau-a-pique e era telhada e avarandada. Não se tem amostras mas sabe-se através dos documentos que obedeciam às prescrições da Coroa ao conceder-se uma sesmaria. Com o crescimento das vilas, os construtores começam a procurar materiais mais resistentes e passam a utilizar a pedra. A primeira obra em pedra parece ter sido a torre de Olinda, construída por seu primeiro donatário (Duarte Coelho). A grande produção desta época é de fortalezas e o número de arquitetos é grande, porém a maioria ocultos. A arquitetura “arte” foi preocupação dos missionários, pois sabiam da importância da construção das Igrejas na catequese. Esta arquitetura toma vulto com a chegada de Francisco Dias e Luís Dias, assim como Grandejean de Montiny, no século XIX e Le Corbusier no século XX. Deve-se notar aqui as conquistas holandesas, os batavos muito produziram com alta qualidade e fazem com que Recife torne-se a cidade mais importante da colônia, porém não se misturam com os produtores da insipiente arte local. É com a ajuda de Pieter Post, arquiteto incluído na expedição de Nassau, que se realizam um conjunto de obras urbanísticas e arquitetônicas notáveis. É nesta época que o barroco começa a dar sinais de vida, e as Igrejas buscam construir com luxo, enquanto o povo continuará a viver da maneira mais simples até os anos setecentos. A prosperidade da arquitetura religiosa deve-se, também, à instituição das Irmandades que construíam suas igrejas, às vezes, rivalizando com as Ordens. Os artistas eram disputados e razoavelmente retribuídos. Nosso barroco floresce de maneira torta e não é comparável aos outros movimentos no mundo, pode-se dizer que é mais parecido com o alemão do que com o italiano. A arquitetura civil é inexpressiva e servia, praticamente, a fins religiosos. Quase todos os arquitetos brasileiros da primeira metade do século XVIII, constroem igrejas de nave octogonal, a primeira, construída entre 1714 e 1730, é a de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, muito importante por representar uma evolução em relação às igrejas portuguesas ou mesmo qualquer igreja da época. Outras Igrejas brasileiras de plano octogonal são: a igreja paroquial de Antônio Dias (1727); a Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto (1727), ambas atribuídas a Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; igreja do Pilar em Ouro Preto (1720); igreja de São Pedro dos Clérigos de Recife (1728-1782), de Manoel Ferreira Jácome; igreja da Conceição da Praia em Salvador, projetada por Manoel Cardoso Saldanha, que foi a última de importância construída na Bahia, também a última de plano octogonal a ser erguida, tanto no Brasil quanto em Portugal. Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais passa a dominar a arquitetura religiosa em igrejas como: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (1757-1770); a de São Pedro dos Clérigos, em Mariana (1771) e a Capela do Rosário de Ouro Preto. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho principal escultor e arquiteto da época deixou vasta obra, adepto do estilo rococó, soube integrar melhor do que ninguém a arquitetura e a escultura, a decoração rebuscada à sobriedade da arquitetura religiosa portuguesa. Ele modifica a estrutura do altar suprimindo o baldaquim ou elevando-o até a abóbada. A igreja de São Francisco em Ouro Preto foi inteiramente projetada, construída e decorada por Aleijadinho num espaço de vinte e oito anos entre 1766 e 1794, o que explica sua extraordinária unidade. Sua capela-mor é uma das obras mais importantes de Aleijadinho. A transferência da Corte de Dom João VI para o Brasil provoca mudanças sensíveis na arquitetura. Em 1816 chega ao Rio de Janeiro a chamada Missão Francesa incumbida, por Dom João, da educação artística do povo brasileiro. Liderada por Lebreton, a missão trouxe como arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny (1776-1850), que introduziu o Neoclassicismo e fez adeptos. A primeira obra, que foi encomendada a ele, foi a da Academia de Belas-Artes, edifício cujas obras paralisadas durante anos, por ocasião da morte do Conde da Barca, responsável pela vinda de Grandjean. tal fato faz com que o arquiteto passe a dedicar-se a outros projetos, como o edifício da Praça do Comércio, já demolido, a Alfândega, o antigo Mercado da Candelária e várias residências, além de ter sido o primeiro professor de arquitetura do Brasil. Atuaram também nesta época os arquitetos José da Costa e Silva, Manuel da Costa e o Mestre Valentim da Fonseca e Silva, autor da ornamentação do passeio público do Rio de Janeiro. Já no começo do século, o Art Nouveau e o Art Deco aparecem de forma restrita, principalmente em São Paulo, e seu expoente máximo é Victor Dubugras, que faleceu em 1934. A Semana de Arte Moderna de 1922 e a sequente revolução de 1930 são a alavanca da arquitetura moderna no Brasil. Já em 1925 o arquiteto Gregori Warchavchik publicou seu Manifesto da Arquitetura Funcional. É interessante notar que a Casa Modernista que Warchavchik construiu em São Paulo, em 1928, é anterior à construção da Casa das Rosas, da Av. Paulista. Le Corbusier, arquiteto modernista francês, visitou o Brasil pela primeira vez em 1929 e realizou conferências no Rio e em São Paulo; chegou a propor um plano de urbanização para o Rio de Janeiro que não foi executado. Provavelmente o seria, não fosse a Revolução que colocou Getúlio Vargas no poder e Júlio Prestes no exílio. Mas a revolução traz vantagens para a arquitetura: Lúcio Costa torna-se diretor da Escola Nacional de Belas Artes, para onde chama Warchavchik. Por motivos políticos, sua gestão não dura um ano, mas não sem frutos. Cedo uma nova geração de arquitetos surgia: Luiz Nunes, os irmãos M.M.M. Roberto, Aldo Garcia Roza, entre outros. Em 1935, é realizado o concurso para o prédio do Ministério da Educação no Rio de Janeiro, cujo primeiro prêmio foi para um projeto puramente acadêmico; porém, por decisão do Ministro Gustavo Capanema, o projeto passa para as mãos de Lúcio Costa, que reúne uma equipe com outros concorrentes, entre eles Oscar Niemeyer. Le Corbusier faz nova visita ao Brasil para opinar sobre o projeto do concurso e também para discutir o projeto da Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Lúcio Costa deixou, em 1939, a chefia da equipe que construía o Ministério da Educação e em seu lugar assume Oscar Niemeyer, no início de uma carreira brilhante, que tem seu apogeu juntamente com Lúcio Costa, com a construção de Brasília, vinte anos mais tarde. No mesmo ano de 1939, acontece a Exposição Internacional de Nova York, onde o Pavilhão do Brasil, obra de Lúcio e Oscar, causa furor. A arquitetura brasileira dá sinais de vida mundialmente. Niemeyer constrói o conjunto da Pampulha em Belo Horizonte durante a prefeitura de Juscelino Kubitschek, que depois o leva para Brasília, onde realizará um conjunto de obras notáveis juntamente com o plano geral de Lúcio Costa. Oscar Niemeyer também esteve à frente da equipe que construiu o parque do Ibirapuera em São Paulo entre 1951 e 1955. No Ibirapuera, o paisagismo é de Roberto Burle Marx, que tem vasta obra a ser apreciada e é o maior expoente dessa arte no país. Em 1954, foi construído o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy. Outro arquiteto modernista de grande importância é Villanova Artigas, autor, entre outras obras, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Artigas, que esteve exilado por causa do regime militar, quando retornou ao Brasil, viu-se obrigado a fazer uma prova de admissão para poder lecionar na faculdade que ele mesmo projetara, prova que ficou registrada em forma de livro. Não é possível, neste breve esforço, abranger toda a produção arquitetônica contemporânea, porém não podemos deixar de citar aqui a grande obra de Lina Bo Bardi, mulher de Pietro Maria Bardi, autora de projetos como o do SESC Pompéia, em São Paulo ou o do MASP (Museu de Arte de São Paulo), cuja arrojada estrutura foi uma imposição do terreno. O projeto deveria conservar o antigo belvedere, e a solução encontrada por Lina foi construir um prédio sustentado apenas por quatro pilares nas extremidades do terreno, uma vez que o túnel da Av. 9 de julho, que passa por baixo do terreno, não permitia outra conformação. O resultado é uma grande caixa de vidro suspensa, envolta em dois pórticos, formados pelos pilares somados às vigas de sustentação da cobertura. Seu vão livre, de setenta e dois metros em concreto protendido, é uma aventura a ser apreciada.

Arquitetura Chinesa

Há maior preocupação em manter um estilo que se mostra eficaz por séculos do que inovar: na conservadora arquitetura chinesa as formas arquitetônicas permanecem imutáveis através dos séculos. Os estilos pouco variam através dos milênios. Os regulamentos de edificações da época da dinastia Chou (1122-256 a.C.) vigoram ainda hoje, com poucas modificações, e é a partir desses documentos que se pode reconstituir a arquitetura antiga, uma vez que, em virtude da pouca resistência do material utilizado nas construções, como a madeira, não se tem exemplos dessa arquitetura. Um dos exemplos mais antigos da arquitetura chinesa é a Muralha da China (228 a.C.), construída pelos imperadores tártaros da dinastia Ch’in, tem cerca de 2.400 Km de extensão e torres de vigilância. O Pagode (templo chinês) deriva aparentemente de formas arquitetônicas indianas. A multiplicidade dos tetos na estupa indiana repete-se no pagode e também define a estrutura de madeira, ainda que se possam encontrar exemplos em materiais mais pesados. Os templos e palácios eram construídos em madeira com base de pedra, as paredes, sem função estrutural, servem de fechamento e decoração, e os telhados sempre recurvados. O P’ai lou chinês, assim como o torii japonês, arco construído em memória dos mortos, também deriva do portal da estupa indiana. A arquitetura chinesa é totalmente integrada à natureza e é o reflexo de sua filosofia e religião. A cidade de Pequim tem sido a capital da China desde 1271, com algumas interrupções. Durante todo esse tempo, imperadores construíram palácios, santuários e jardins. A Cidade Proibida, como é chamada, começou a ser construída na dinastia Ming (1368-1644) e abriga, no interior de suas muralhas vermelhas, os pavilhões oficiais e as habitações do imperador e de sua corte, essas construções sofreram reformas e ampliações durante os séculos XVII à XIX, depois arruinou-se e só foi resgatada a partir de 1949 por Mao Tsé-Tung. Jardins requintados com pinheiros de mais de quinhentos anos, recantos melancólicos de vastos pátios entre imponentes paredes silenciosas, as entradas são guardadas por grandes leões estilizados, dragões enroscam-se nas escadas, rampas, muros e tronos, tartarugas e aves fênix aparecem, tudo organizado de maneira impressionante e equilibrada. Todo o conjunto é hoje um museu. Em 1959 para comemorar o 10º aniversário da República Popular, são realizadas algumas obras, entre elas, a da praça da Paz Celestial (Tian An Men), que fica em frente à Cidade Proibida, e é uma das maiores praças do mundo, com quarenta hectares de área, no centro de Pequim. Outra obra que complementa a nova urbanização de Pequim é a Avenida Chagan (Paz Prolongada) com mais de cem metros de largura e 16 Km de comprimento. Além da Cidade Proibida, existem na capital monumentos importantes como: o Templo do Céu, conjunto de edifícios e jardins construídos em 1420; o parque de Peihai, onde se criou um pequeno morro para implantar um pagode branco, em 1652; entre outros.

Arquitetura Egípcia

O Antigo Império é o mais longo e mais importante período da civilização egípcia, durou quase mil anos (3200 a.C. - 2052 a.C.), nele foram criadas as primeiras leis civis e religiosas, sua identidade artística e a escrita hieroglífica. A primeira metade do império é marcada pelo isolamento do Egito em relação aos outros povos, o que contribuiu para a sedimentação de sua cultura. A partir de 3650 a.C. inicia a época chamada das pirâmides e a ela pertencem os faraós da III à VI dinastias. O primeiro faraó da III dinastia foi Djoser, que construiu o primeiro grande edifício de pedra: a pirâmide escalonada de Sakkara, no mesmo local onde se encontram as construções funerárias mais antigas do Egito, em frente à Mênfis. Com o crescimento da cidade, a necrópole também cresce, primeiro em direção sul até Dashur, depois em direção ao norte até Gizé. A IV começa com o faraó Snefru, pai do famoso faraó Quéops, ele desenvolveu o método para construção de pirâmides de faces lisas, sua pirâmide foi construída em Dashur, mas foi superada pela magnificência dos faraós seguintes: Quéops, Quéfrem e Miquerinos, construtores do complexo de Gizé ao norte de Mênfis. O Antigo Império termina com o período chamado Primeiro Intermediário (2190 a 2000) das dinastias VII à X. Por volta do ano 2000 a.C. a capital é transferida para Tebas. O Novo Império é marcado pela arquitetura religiosa, são notáveis os templos de Amon-Ra em Karnak (por volta de 1570-1070 A.C.), de Horus em Edfu e outros. A arquitetura doméstica pode ser analisada a partir das casas desenterradas em Tel el Amarna, que serviam aos artesãos contratados pelo faraó Aknaton (1500 a.C.). Embora as casas fossem construídas em alvenaria e não em pedra como nas grandes construções, inclusive no caso do faraó, tinham a significação essencial da arquitetura egípcia, dela se originam todas as formas arquitetônicas egípcias. O mais famoso faraó egípcio, Ramsés II da XIX dinastia, reinou de 1290 a 1223 a.C.. Algumas de suas construções são: o Rameseum de Tebas, parte do templo de Luxor, e a sala hipostila do templo de Karnak. Afirma-se que ele mandou apagar o nome de outros faraós para colocar o próprio nas construções que mandou reconstruir.

Arquitetura Espanhola

A arquitetura espanhola até o século XVIII é determinada pela influência de diversos povos que lutaram pela conquista da península ibérica. A romanização da península é marcada por grandes obras como teatros, aquedutos como o de Segóvia e pontes como a de Alcântara. Com a queda do império romano, parte do território é ocupado por povos árabes, que não deixam de dar sua contribuição para a arquitetura espanhola, como é o caso do castelo de Alhambra em Granada, assim como a Sinagoga de Santa Maria la Blanca em Toledo, que posteriormente será transformada em catedral cristã, promovendo grande fusão de estilos. Durante o século XIII, o estilo gótico francês invade a Espanha como pode ser conferida na catedral de Segóvia, que até o século XVI não havia sido concluída. A maioria dos prédios construídos no século XVI assumiam estruturas renascentistas, porém a ornamentação das fachadas, numa fusão do gótico, do mouro e do renascentista, formam um estilo espanhol distinto, denominado Plateresque, como a fachada da universidade de Salamanca. Com o advento dos descobrimentos, a Espanha renascentista torna-se poderosa e rica, fato que se reflete na arquitetura, que toma dimensões e aparências que não haviam sido experimentadas até então. O imperador Carlos V constrói seu palácio em 1526, e encomenda a Pedro Machuca um projeto baseado na simplicidade dos palácios romanos. A interpretação religiosa das formas italianas pode ser vista nos clássicos pilares da catedral de Granada. Essa tendência clássica culmina com a arte de Juan Herrera, autor do projeto do Monastério Escorial, para Felipe II. Nos séculos XVII e XVIII o barroco italiano reage ao purismo de Herrera. Deve-se citar a obra de Fernando de Casas e Novoa como a catedral de Santiago de Compostela. O neoclassicismo encontra colaboradores em Calezas e Rodrigues, que são parcialmente responsáveis pela igreja de São Francisco el Grande em Madrid, enquanto a interpretação do rococó é vista na obra de Hipólito Rovira, como no palácio do Marquês de Dos Aguas, em Valência. Rovira é também o vencedor do concurso para reurbanização de Barcelona, porém seu projeto não foi executado, mas sim o projeto de Idelfonse Cerdá que tanto caracteriza a cidade de Barcelona, com suas quadras que conservam uma área não construída no interior. Próximo ao fim do século XIX e começo do século XX, Antônio Gaudi nega a funcionalidade com uma arquitetura surrealista e inesperada, realizando com maestria sua arte inspirada na natureza, dando vida às massas e formas com suas cores e detalhes. Suas obras são extraordinárias como a Casa Milà, o parque Guell e a bizarramente espetacular igreja da Sagrada Família que se encontra em obras até os dias de hoje.

Arquitetura Gótica

A arquitetura gótica nasce na França, no gótico aparece o arcobotante, que possibilitou a grande altura de algumas catedrais góticas. Uma de suas características mais marcantes é a ogiva, mesmo suas abóbadas são ogivais. Suas catedrais são decoradas com motivos da flora e da fauna e com monstros (gárgulas). Produto da cultura cristã, reflete a mentalidade da Idade Média e da doutrina teocêntrica. A abadia de Saint-Denis iniciada em 1132 é a primeira realização da arquitetura gótica. No século XII, são construídas as catedrais francesas de Sens, Senlis, Noyon, Laon, Notre-Dame de Paris, que tem em comum um segundo piso nas naves laterais, o que nas igrejas românicas chamava-se tribuna, que visava dar maior sustentabilidade à abobada central. Em 1194 começa a se construir a catedral de Chartres, que junto com Reims e Amiens caracterizam uma evolução no gótico, onde a tribuna é substituída pelo trifório, que cabe apenas uma pessoa. Amiens, a maior e uma das mais belas catedrais góticas, começou a ser edificada no início do século XIII e antes do final do século estava quase concluída, pode-se considerar um tempo curto para tal empreendimento. A primeira das igrejas de Amiens foi destruída por um incêndio em 1218 e sua reconstrução se dá a partir do ano 1236. O projeto de Amiens é realmente surpreendente, compõe-se de três naves, um amplo transepto e a nave composta do altar-mor que é rodeado por sete capelas, sendo a central mais profunda, em Reims são apenas cinco, e em Paris são também sete, porém todas iguais. A estrutura da catedral sugere extrema leveza, seus pilares são constituídos por colunas dispostas em diagonal. Amiens também se destaca por seus vitrais, perfeitamente integrados, que representam uma evolução na apropriação da luz. Em sua fachada verificam-se três características das igrejas da época: acima dos portais encontra-se o friso vazado, feito com uma arcada ogival; logo acima do friso está um conjunto de estátuas que representam monarcas franceses, característica única do gótico francês; e a enorme rosácea envidraçada que fica entre as duas torres. A ornamentação de sua fachada com elementos iconográficos é tão vasta que já foi chamada de “a Bíblia de Amiens”. Na Espanha, já em 1220, inicia-se a construção da catedral de Burgos e a de León em 1280, mais tardias são as construções de Sevilha (1401-1506) e a de Toledo, igreja de São João dos Reis. A mistura do gótico com elementos mouriscos, produz em Toledo e na Andaluzia o estilo mudéjar, que será desenvolvido durante os séculos XIV e XV, caracterizado pelas abobadas em estalactite e pela ornamentação rebuscada. A Inglaterra também sofre influência do gótico francês, verifica-se em catedrais como a de Lincoln (1192 a 1233), a de Salisbury (1220-1266) e a de Winchester (1371-1460), que apresenta o estilo perpendicular que marca o fim do gótico na Inglaterra. No gótico inglês a arquitetura militar encontra seu apogeu, como se pode ver nos fortes de Harlech, Conway e Pembroke. A Alemanha oferece maior resistência à entrada da influência francesa, porém em 1248 tem início a construção da catedral de Colônia que é puramente gótica, a partir de então o estilo se firma em toda Alemanha e influenciará a Áustria e a Hungria. Na Itália a influência gótica é menor, porém são consideradas obras-primas os castelos de Ferrara e Bari ou o Palazzo Vecchio, em Florença. Em Veneza o gótico se mistura com o estilo bizantino, gerando um estilo curioso como se pode verificar no famoso Cà-d’oro, construído entre 1421 e 1437.

Arquitetura Grega

A civilização que antecede a grega é a cretense, que durou de 1800 a 1100 a.C., e construíram cidades e palácios, como o de Cnosso. Suas casas tinham vários andares, tetos planos e piso de pedra. O surgimento da cultura grega dá-se após o período que vai do fim do século XIII e começo do século VIII a.C., período marcado pela obscuridade, também chamado “Idade Média Grega”, quando acontece a dissolução da cultura miceno-cretense, devido a crises internas e invasões, principalmente pelas invasões dóricas, por volta do ano 1200 a.C., que provoca a dispersão do povo pelo mediterrâneo, ocupando as regiões costeiras, que acabam por originar na Jônia cidades como Éfeso e Mileto. Preocupados em exaltar a beleza e o calor da vida, ao contrário de outros povos que cultuavam o além-túmulo, os gregos construíam com fins públicos, pela realização da coletividade, ou religiosos, onde o homem continua sendo a medida das coisas, até mesmo pela qualidade humana de suas divindades. A conformação cidade-estado confere, aos centros helênicos, autonomia criativa. Atenas é regida por princípios de liberdade, democracia e individualismo, ao contrário de Esparta, estruturada no militarismo e em regimes totalitários. Por volta do ano 750 a.C. começa a primeira onda migratória em direção ao ocidente, para a Sicília e a costa da Itália, a chamada Magna Grécia. É ainda no período arcaico que se dá o nascimento do templo grego, trata-se agora de uma construção sólida, que utiliza pedra e mármore, e ergue-se sobre uma plataforma com degraus (estilobata), com planta retangular e volume horizontal, tinha uma sala principal chamada cela, onde ficava a estátua de um deus ou uma deusa. A estrutura, externa, é composta por fileiras de colunas. Marca da arquitetura grega, essas colunas eram cuidadosamente desenhadas, na parte central sua circunferência é maior do que na base e na parte superior ainda menor. Seguiram três tipos de ordens: a dórica, a jônica e a coríntia. O templo grego conserva uma característica de suas origens. O fato de ser um edifício onde o espaço é mais exterior do que interior, não se destina a abrigar os fiéis, é por assim dizer a casa de um deus, os fiéis o contemplam no conjunto e sobem até ele levando oferendas e sacrifícios, porém não permanecem no seu interior. O Partenon, de ordem dórica, projetado por Ictino e Calícrates, foi erguido na acrópole de Atenas, eleva-se sobre a cidade num terreno de menos de 300m de comprimento por 130m no ponto mais largo; nele, melhor do que em qualquer outro, verifica-se a composição grega dos cheios e vazios, do ritmo da luz e sombra. Em seu frontão encontrava-se a escultura de Fídias, que retratava o nascimento de Atenéia e a disputa entre Atenéia e Posídon. Fídias também é o autor da obra que ocupou a cela do templo, Athena Parthenos, em ouro e marfim, que não mais existe. No ano 407, uma estrutura complexa, que reúne um conjunto de lugares sagrados, ergue-se o Erection de ordem jônica, onde se encontra um novo elemento, o balcão aéreo, sustentado por seis estátuas com figuras femininas, as Cariátides, que, com sua graça, suavizam a construção. No fim do período clássico na século IV, a arquitetura continua a se desenvolver e a inovar, como na realização dos teatros, onde a geometria funcional e estética define de forma definitiva o anfiteatro, com arquibancadas escavadas, íngremes e de forma semicircular e com palco circular ou semicircular, que tem um cenário natural, como o teatro de Dionísio em Atenas, e o de Delfos. Outra inovação do século IV é o aparecimento da ordem coríntia, derivada da ordem jônica, que será desenvolvida no período helenístico e também na arquitetura romana. O período helenístico inicia-se em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno, e com a dissolução do império macedônio, conquistado por Alexandre, na sua luta contra os persas. A fundação de Alexandria cria um novo polo da cultura helenística. Na arquitetura, o emprego das ordens é livre, às vezes com combinações, e com amplo desenvolvimento da ordem coríntia, como no templo do Zeus Olímpico ou no monumento votivo de Líscrates de planta circular, ambos em Atenas. Outras inovações no campo técnico e no conceito de monumentalidade podem ser verificadas no grande templo-altar de Zeus (180 a.C.) em Pérgamo, que foi reconstruído no Museu de Berlim, já que quase tudo se perdeu da magnífica Alexandria.


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