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Arquitetura Brasileira

A história da arquitetura brasileira é restrita aos cinco séculos após a descoberta, pois o período pré-cabralino não temos como reconstituir.

A arquitetura indígena é baseada nas convicções mágicas que tinham tanto para a moradia quanto para o conjunto urbano. A disposição geométrica de uma aldeia visa funcionalidade, mas também é orientada pelo gosto. Uma aldeia circular, com orientação norte-sul, tendo como eixo a casa central servindo de passagem e como espaço de reuniões, seu conceito é a “aldeia do além” : assim, o arco da existência supera o tempo e o trânsito terreno em função do infinito. Esta filosofia governa os atos de viver, as expressões plásticas e mais ainda a poesia, compondo uma cultura bem definida.

Já os portugueses começam da estaca zero, os pioneiros improvisavam-se construtores para levantar moradias e entrincheiramento a fim de se defenderem dos índios e de outros brancos. Na necessidade da conquista e manutenção do espaço cria-se um sistema feudal e organizam-se os arraiais, como no caso de Salvador uma cidade cercada por muros de taipa, essa técnica, embora precária quando bem mantida, perpetua-se ao longo dos séculos. Em cada uma das regiões ocupadas recursos locais são utilizados na construção, como a carnaúba no Piauí que ainda hoje é utilizada.

Até a primeira metade deste século grande parte das casas no Recife eram construídas como no século do descobrimento. A “casa-fortaleza”, como era denominada, utilizava pedra, cal, pau-a-pique e era telhada e avarandada. Não se tem amostras mas sabe-se através dos documentos que obedeciam às prescrições da Coroa ao conceder-se uma sesmaria. Com o crescimento das vilas, os construtores começam a procurar materiais mais resistentes e passam a utilizar a pedra. A primeira obra em pedra parece ter sido a torre de Olinda, construída por seu primeiro donatário (Duarte Coelho).

A grande produção desta época é de fortalezas e o número de arquitetos é grande, porém a maioria ocultos. A arquitetura “arte” foi preocupação dos missionários, pois sabiam da importância da construção das Igrejas na catequese. Esta arquitetura toma vulto com a chegada de Francisco Dias e Luís Dias, assim como Grandejean de Montiny, no século XIX e Le Corbusier no século XX. Deve-se notar aqui as conquistas holandesas, os batavos muito produziram com alta qualidade e fazem com que Recife torne-se a cidade mais importante da colônia, porém não se misturam com os produtores da insipiente arte local. É com a ajuda de Pieter Post, arquiteto incluído na expedição de Nassau, que se realizam um conjunto de obras urbanísticas e arquitetônicas notáveis.

É nesta época que o barroco começa a dar sinais de vida, e as Igrejas buscam construir com luxo, enquanto o povo continuará a viver da maneira mais simples até os anos setecentos. A prosperidade da arquitetura religiosa deve-se, também, à instituição das Irmandades que construíam suas igrejas, às vezes, rivalizando com as Ordens. Os artistas eram disputados e razoavelmente retribuídos.

Nosso barroco floresce de maneira torta e não é comparável aos outros movimentos no mundo, pode-se dizer que é mais parecido com o alemão do que com o italiano. A arquitetura civil é inexpressiva e servia, praticamente, a fins religiosos. Quase todos os arquitetos brasileiros da primeira metade do século XVIII, constroem igrejas de nave octogonal, a primeira, construída entre 1714 e 1730, é a de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, muito importante por representar uma evolução em relação às igrejas portuguesas ou mesmo qualquer igreja da época. Outras Igrejas brasileiras de plano octogonal são: a igreja paroquial de Antônio Dias (1727); a Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto (1727), ambas atribuídas a Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; igreja do Pilar em Ouro Preto (1720); igreja de São Pedro dos Clérigos de Recife (1728-1782), de Manoel Ferreira Jácome; igreja da Conceição da Praia em Salvador, projetada por Manoel Cardoso Saldanha, que foi a última de importância construída na Bahia, também a última de plano octogonal a ser erguida, tanto no Brasil quanto em Portugal.

Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais passa a dominar a arquitetura religiosa em igrejas como: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (1757-1770); a de São Pedro dos Clérigos, em Mariana (1771) e a Capela do Rosário de Ouro Preto. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho principal escultor e arquiteto da época deixou vasta obra, adepto do estilo rococó, soube integrar melhor do que ninguém a arquitetura e a escultura, a decoração rebuscada à sobriedade da arquitetura religiosa portuguesa. Ele modifica a estrutura do altar suprimindo o baldaquim ou elevando-o até a abóbada. A igreja de São Francisco em Ouro Preto foi inteiramente projetada, construída e decorada por Aleijadinho num espaço de vinte e oito anos entre 1766 e 1794, o que explica sua extraordinária unidade. Sua capela-mor é uma das obras mais importantes de Aleijadinho.

A transferência da Corte de Dom João VI para o Brasil provoca mudanças sensíveis na arquitetura. Em 1816 chega ao Rio de Janeiro a chamada Missão Francesa incumbida, por Dom João, da educação artística do povo brasileiro. Liderada por Lebreton, a missão trouxe como arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny (1776-1850), que introduziu o Neoclassicismo e fez adeptos. A primeira obra, que foi encomendada a ele, foi a da Academia de Belas-Artes, edifício cujas obras paralisadas durante anos, por ocasião da morte do Conde da Barca, responsável pela vinda de Grandjean. tal fato faz com que o arquiteto passe a dedicar-se a outros projetos, como o edifício da Praça do Comércio, já demolido, a Alfândega, o antigo Mercado da Candelária e várias residências, além de ter sido o primeiro professor de arquitetura do Brasil. Atuaram também nesta época os arquitetos José da Costa e Silva, Manuel da Costa e o Mestre Valentim da Fonseca e Silva, autor da ornamentação do passeio público do Rio de Janeiro.

Já no começo do século, o Art Nouveau e o Art Deco aparecem de forma restrita, principalmente em São Paulo, e seu expoente máximo é Victor Dubugras, que faleceu em 1934. A Semana de Arte Moderna de 1922 e a sequente revolução de 1930 são a alavanca da arquitetura moderna no Brasil. Já em 1925 o arquiteto Gregori Warchavchik publicou seu Manifesto da Arquitetura Funcional. É interessante notar que a Casa Modernista que Warchavchik construiu em São Paulo, em 1928, é anterior à construção da Casa das Rosas, da Av. Paulista. Le Corbusier, arquiteto modernista francês, visitou o Brasil pela primeira vez em 1929 e realizou conferências no Rio e em São Paulo; chegou a propor um plano de urbanização para o Rio de Janeiro que não foi executado. Provavelmente o seria, não fosse a Revolução que colocou Getúlio Vargas no poder e Júlio Prestes no exílio. Mas a revolução traz vantagens para a arquitetura: Lúcio Costa torna-se diretor da Escola Nacional de Belas Artes, para onde chama Warchavchik. Por motivos políticos, sua gestão não dura um ano, mas não sem frutos. Cedo uma nova geração de arquitetos surgia: Luiz Nunes, os irmãos M.M.M. Roberto, Aldo Garcia Roza, entre outros.

Em 1935, é realizado o concurso para o prédio do Ministério da Educação no Rio de Janeiro, cujo primeiro prêmio foi para um projeto puramente acadêmico; porém, por decisão do Ministro Gustavo Capanema, o projeto passa para as mãos de Lúcio Costa, que reúne uma equipe com outros concorrentes, entre eles Oscar Niemeyer. Le Corbusier faz nova visita ao Brasil para opinar sobre o projeto do concurso e também para discutir o projeto da Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Lúcio Costa deixou, em 1939, a chefia da equipe que construía o Ministério da Educação e em seu lugar assume Oscar Niemeyer, no início de uma carreira brilhante, que tem seu apogeu juntamente com Lúcio Costa, com a construção de Brasília, vinte anos mais tarde. No mesmo ano de 1939, acontece a Exposição Internacional de Nova York, onde o Pavilhão do Brasil, obra de Lúcio e Oscar, causa furor.

A arquitetura brasileira dá sinais de vida mundialmente. Niemeyer constrói o conjunto da Pampulha em Belo Horizonte durante a prefeitura de Juscelino Kubitschek, que depois o leva para Brasília, onde realizará um conjunto de obras notáveis juntamente com o plano geral de Lúcio Costa. Oscar Niemeyer também esteve à frente da equipe que construiu o parque do Ibirapuera em São Paulo entre 1951 e 1955. No Ibirapuera, o paisagismo é de Roberto Burle Marx, que tem vasta obra a ser apreciada e é o maior expoente dessa arte no país.

Em 1954, foi construído o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy. Outro arquiteto modernista de grande importância é Villanova Artigas, autor, entre outras obras, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Artigas, que esteve exilado por causa do regime militar, quando retornou ao Brasil, viu-se obrigado a fazer uma prova de admissão para poder lecionar na faculdade que ele mesmo projetara, prova que ficou registrada em forma de livro.

Não é possível, neste breve esforço, abranger toda a produção arquitetônica contemporânea, porém não podemos deixar de citar aqui a grande obra de Lina Bo Bardi, mulher de Pietro Maria Bardi, autora de projetos como o do SESC Pompéia, em São Paulo ou o do MASP (Museu de Arte de São Paulo), cuja arrojada estrutura foi uma imposição do terreno. O projeto deveria conservar o antigo belvedere, e a solução encontrada por Lina foi construir um prédio sustentado apenas por quatro pilares nas extremidades do terreno, uma vez que o túnel da Av. 9 de julho, que passa por baixo do terreno, não permitia outra conformação. O resultado é uma grande caixa de vidro suspensa, envolta em dois pórticos, formados pelos pilares somados às vigas de sustentação da cobertura. Seu vão livre, de setenta e dois metros em concreto protendido, é uma aventura a ser apreciada.


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