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  Matérias :: Artes

 

  Autoria: Clarice Merino


 


[Continuação]

Arquitetura Chinesa

Há maior preocupação em manter um estilo que se mostra eficaz por séculos do que inovar: na conservadora arquitetura chinesa as formas arquitetônicas permanecem imutáveis através dos séculos. Os estilos pouco variam através dos milênios. Os regulamentos de edificações da época da dinastia Chou (1122-256 a.C.) vigoram ainda hoje, com poucas modificações, e é a partir desses documentos que se pode reconstituir a arquitetura antiga, uma vez que, em virtude da pouca resistência do material utilizado nas construções, como a madeira, não se tem exemplos dessa arquitetura. Um dos exemplos mais antigos da arquitetura chinesa é a Muralha da China (228 a.C.), construída pelos imperadores tártaros da dinastia Ch’in, tem cerca de 2.400 Km de extensão e torres de vigilância. O Pagode (templo chinês) deriva aparentemente de formas arquitetônicas indianas. A multiplicidade dos tetos na estupa indiana repete-se no pagode e também define a estrutura de madeira, ainda que se possam encontrar exemplos em materiais mais pesados. Os templos e palácios eram construídos em madeira com base de pedra, as paredes, sem função estrutural, servem de fechamento e decoração, e os telhados sempre recurvados. O P’ai lou chinês, assim como o torii japonês, arco construído em memória dos mortos, também deriva do portal da estupa indiana. A arquitetura chinesa é totalmente integrada à natureza e é o reflexo de sua filosofia e religião. A cidade de Pequim tem sido a capital da China desde 1271, com algumas interrupções. Durante todo esse tempo, imperadores construíram palácios, santuários e jardins. A Cidade Proibida, como é chamada, começou a ser construída na dinastia Ming (1368-1644) e abriga, no interior de suas muralhas vermelhas, os pavilhões oficiais e as habitações do imperador e de sua corte, essas construções sofreram reformas e ampliações durante os séculos XVII à XIX, depois arruinou-se e só foi resgatada a partir de 1949 por Mao Tsé-Tung. Jardins requintados com pinheiros de mais de quinhentos anos, recantos melancólicos de vastos pátios entre imponentes paredes silenciosas, as entradas são guardadas por grandes leões estilizados, dragões enroscam-se nas escadas, rampas, muros e tronos, tartarugas e aves fênix aparecem, tudo organizado de maneira impressionante e equilibrada. Todo o conjunto é hoje um museu. Em 1959 para comemorar o 10º aniversário da República Popular, são realizadas algumas obras, entre elas, a da praça da Paz Celestial (Tian An Men), que fica em frente à Cidade Proibida, e é uma das maiores praças do mundo, com quarenta hectares de área, no centro de Pequim. Outra obra que complementa a nova urbanização de Pequim é a Avenida Chagan (Paz Prolongada) com mais de cem metros de largura e 16 Km de comprimento. Além da Cidade Proibida, existem na capital monumentos importantes como: o Templo do Céu, conjunto de edifícios e jardins construídos em 1420; o parque de Peihai, onde se criou um pequeno morro para implantar um pagode branco, em 1652; entre outros.

Arquitetura Egípcia

O Antigo Império é o mais longo e mais importante período da civilização egípcia, durou quase mil anos (3200 a.C. - 2052 a.C.), nele foram criadas as primeiras leis civis e religiosas, sua identidade artística e a escrita hieroglífica. A primeira metade do império é marcada pelo isolamento do Egito em relação aos outros povos, o que contribuiu para a sedimentação de sua cultura. A partir de 3650 a.C. inicia a época chamada das pirâmides e a ela pertencem os faraós da III à VI dinastias. O primeiro faraó da III dinastia foi Djoser, que construiu o primeiro grande edifício de pedra: a pirâmide escalonada de Sakkara, no mesmo local onde se encontram as construções funerárias mais antigas do Egito, em frente à Mênfis. Com o crescimento da cidade, a necrópole também cresce, primeiro em direção sul até Dashur, depois em direção ao norte até Gizé. A IV começa com o faraó Snefru, pai do famoso faraó Quéops, ele desenvolveu o método para construção de pirâmides de faces lisas, sua pirâmide foi construída em Dashur, mas foi superada pela magnificência dos faraós seguintes: Quéops, Quéfrem e Miquerinos, construtores do complexo de Gizé ao norte de Mênfis. O Antigo Império termina com o período chamado Primeiro Intermediário (2190 a 2000) das dinastias VII à X. Por volta do ano 2000 a.C. a capital é transferida para Tebas. O Novo Império é marcado pela arquitetura religiosa, são notáveis os templos de Amon-Ra em Karnak (por volta de 1570-1070 A.C.), de Horus em Edfu e outros. A arquitetura doméstica pode ser analisada a partir das casas desenterradas em Tel el Amarna, que serviam aos artesãos contratados pelo faraó Aknaton (1500 a.C.). Embora as casas fossem construídas em alvenaria e não em pedra como nas grandes construções, inclusive no caso do faraó, tinham a significação essencial da arquitetura egípcia, dela se originam todas as formas arquitetônicas egípcias. O mais famoso faraó egípcio, Ramsés II da XIX dinastia, reinou de 1290 a 1223 a.C.. Algumas de suas construções são: o Rameseum de Tebas, parte do templo de Luxor, e a sala hipostila do templo de Karnak. Afirma-se que ele mandou apagar o nome de outros faraós para colocar o próprio nas construções que mandou reconstruir.

Arquitetura Espanhola

A arquitetura espanhola até o século XVIII é determinada pela influência de diversos povos que lutaram pela conquista da península ibérica. A romanização da península é marcada por grandes obras como teatros, aquedutos como o de Segóvia e pontes como a de Alcântara. Com a queda do império romano, parte do território é ocupado por povos árabes, que não deixam de dar sua contribuição para a arquitetura espanhola, como é o caso do castelo de Alhambra em Granada, assim como a Sinagoga de Santa Maria la Blanca em Toledo, que posteriormente será transformada em catedral cristã, promovendo grande fusão de estilos. Durante o século XIII, o estilo gótico francês invade a Espanha como pode ser conferida na catedral de Segóvia, que até o século XVI não havia sido concluída. A maioria dos prédios construídos no século XVI assumiam estruturas renascentistas, porém a ornamentação das fachadas, numa fusão do gótico, do mouro e do renascentista, formam um estilo espanhol distinto, denominado Plateresque, como a fachada da universidade de Salamanca. Com o advento dos descobrimentos, a Espanha renascentista torna-se poderosa e rica, fato que se reflete na arquitetura, que toma dimensões e aparências que não haviam sido experimentadas até então. O imperador Carlos V constrói seu palácio em 1526, e encomenda a Pedro Machuca um projeto baseado na simplicidade dos palácios romanos. A interpretação religiosa das formas italianas pode ser vista nos clássicos pilares da catedral de Granada. Essa tendência clássica culmina com a arte de Juan Herrera, autor do projeto do Monastério Escorial, para Felipe II. Nos séculos XVII e XVIII o barroco italiano reage ao purismo de Herrera. Deve-se citar a obra de Fernando de Casas e Novoa como a catedral de Santiago de Compostela. O neoclassicismo encontra colaboradores em Calezas e Rodrigues, que são parcialmente responsáveis pela igreja de São Francisco el Grande em Madrid, enquanto a interpretação do rococó é vista na obra de Hipólito Rovira, como no palácio do Marquês de Dos Aguas, em Valência. Rovira é também o vencedor do concurso para reurbanização de Barcelona, porém seu projeto não foi executado, mas sim o projeto de Idelfonse Cerdá que tanto caracteriza a cidade de Barcelona, com suas quadras que conservam uma área não construída no interior. Próximo ao fim do século XIX e começo do século XX, Antônio Gaudi nega a funcionalidade com uma arquitetura surrealista e inesperada, realizando com maestria sua arte inspirada na natureza, dando vida às massas e formas com suas cores e detalhes. Suas obras são extraordinárias como a Casa Milà, o parque Guell e a bizarramente espetacular igreja da Sagrada Família que se encontra em obras até os dias de hoje.

Arquitetura Gótica

A arquitetura gótica nasce na França, no gótico aparece o arcobotante, que possibilitou a grande altura de algumas catedrais góticas. Uma de suas características mais marcantes é a ogiva, mesmo suas abóbadas são ogivais. Suas catedrais são decoradas com motivos da flora e da fauna e com monstros (gárgulas). Produto da cultura cristã, reflete a mentalidade da Idade Média e da doutrina teocêntrica. A abadia de Saint-Denis iniciada em 1132 é a primeira realização da arquitetura gótica. No século XII, são construídas as catedrais francesas de Sens, Senlis, Noyon, Laon, Notre-Dame de Paris, que tem em comum um segundo piso nas naves laterais, o que nas igrejas românicas chamava-se tribuna, que visava dar maior sustentabilidade à abobada central. Em 1194 começa a se construir a catedral de Chartres, que junto com Reims e Amiens caracterizam uma evolução no gótico, onde a tribuna é substituída pelo trifório, que cabe apenas uma pessoa. Amiens, a maior e uma das mais belas catedrais góticas, começou a ser edificada no início do século XIII e antes do final do século estava quase concluída, pode-se considerar um tempo curto para tal empreendimento. A primeira das igrejas de Amiens foi destruída por um incêndio em 1218 e sua reconstrução se dá a partir do ano 1236. O projeto de Amiens é realmente surpreendente, compõe-se de três naves, um amplo transepto e a nave composta do altar-mor que é rodeado por sete capelas, sendo a central mais profunda, em Reims são apenas cinco, e em Paris são também sete, porém todas iguais. A estrutura da catedral sugere extrema leveza, seus pilares são constituídos por colunas dispostas em diagonal. Amiens também se destaca por seus vitrais, perfeitamente integrados, que representam uma evolução na apropriação da luz. Em sua fachada verificam-se três características das igrejas da época: acima dos portais encontra-se o friso vazado, feito com uma arcada ogival; logo acima do friso está um conjunto de estátuas que representam monarcas franceses, característica única do gótico francês; e a enorme rosácea envidraçada que fica entre as duas torres. A ornamentação de sua fachada com elementos iconográficos é tão vasta que já foi chamada de “a Bíblia de Amiens”. Na Espanha, já em 1220, inicia-se a construção da catedral de Burgos e a de León em 1280, mais tardias são as construções de Sevilha (1401-1506) e a de Toledo, igreja de São João dos Reis. A mistura do gótico com elementos mouriscos, produz em Toledo e na Andaluzia o estilo mudéjar, que será desenvolvido durante os séculos XIV e XV, caracterizado pelas abobadas em estalactite e pela ornamentação rebuscada. A Inglaterra também sofre influência do gótico francês, verifica-se em catedrais como a de Lincoln (1192 a 1233), a de Salisbury (1220-1266) e a de Winchester (1371-1460), que apresenta o estilo perpendicular que marca o fim do gótico na Inglaterra. No gótico inglês a arquitetura militar encontra seu apogeu, como se pode ver nos fortes de Harlech, Conway e Pembroke. A Alemanha oferece maior resistência à entrada da influência francesa, porém em 1248 tem início a construção da catedral de Colônia que é puramente gótica, a partir de então o estilo se firma em toda Alemanha e influenciará a Áustria e a Hungria. Na Itália a influência gótica é menor, porém são consideradas obras-primas os castelos de Ferrara e Bari ou o Palazzo Vecchio, em Florença. Em Veneza o gótico se mistura com o estilo bizantino, gerando um estilo curioso como se pode verificar no famoso Cà-d’oro, construído entre 1421 e 1437.

Arquitetura Grega

A civilização que antecede a grega é a cretense, que durou de 1800 a 1100 a.C., e construíram cidades e palácios, como o de Cnosso. Suas casas tinham vários andares, tetos planos e piso de pedra. O surgimento da cultura grega dá-se após o período que vai do fim do século XIII e começo do século VIII a.C., período marcado pela obscuridade, também chamado “Idade Média Grega”, quando acontece a dissolução da cultura miceno-cretense, devido a crises internas e invasões, principalmente pelas invasões dóricas, por volta do ano 1200 a.C., que provoca a dispersão do povo pelo mediterrâneo, ocupando as regiões costeiras, que acabam por originar na Jônia cidades como Éfeso e Mileto. Preocupados em exaltar a beleza e o calor da vida, ao contrário de outros povos que cultuavam o além-túmulo, os gregos construíam com fins públicos, pela realização da coletividade, ou religiosos, onde o homem continua sendo a medida das coisas, até mesmo pela qualidade humana de suas divindades. A conformação cidade-estado confere, aos centros helênicos, autonomia criativa. Atenas é regida por princípios de liberdade, democracia e individualismo, ao contrário de Esparta, estruturada no militarismo e em regimes totalitários. Por volta do ano 750 a.C. começa a primeira onda migratória em direção ao ocidente, para a Sicília e a costa da Itália, a chamada Magna Grécia. É ainda no período arcaico que se dá o nascimento do templo grego, trata-se agora de uma construção sólida, que utiliza pedra e mármore, e ergue-se sobre uma plataforma com degraus (estilobata), com planta retangular e volume horizontal, tinha uma sala principal chamada cela, onde ficava a estátua de um deus ou uma deusa. A estrutura, externa, é composta por fileiras de colunas. Marca da arquitetura grega, essas colunas eram cuidadosamente desenhadas, na parte central sua circunferência é maior do que na base e na parte superior ainda menor. Seguiram três tipos de ordens: a dórica, a jônica e a coríntia. O templo grego conserva uma característica de suas origens. O fato de ser um edifício onde o espaço é mais exterior do que interior, não se destina a abrigar os fiéis, é por assim dizer a casa de um deus, os fiéis o contemplam no conjunto e sobem até ele levando oferendas e sacrifícios, porém não permanecem no seu interior. O Partenon, de ordem dórica, projetado por Ictino e Calícrates, foi erguido na acrópole de Atenas, eleva-se sobre a cidade num terreno de menos de 300m de comprimento por 130m no ponto mais largo; nele, melhor do que em qualquer outro, verifica-se a composição grega dos cheios e vazios, do ritmo da luz e sombra. Em seu frontão encontrava-se a escultura de Fídias, que retratava o nascimento de Atenéia e a disputa entre Atenéia e Posídon. Fídias também é o autor da obra que ocupou a cela do templo, Athena Parthenos, em ouro e marfim, que não mais existe. No ano 407, uma estrutura complexa, que reúne um conjunto de lugares sagrados, ergue-se o Erection de ordem jônica, onde se encontra um novo elemento, o balcão aéreo, sustentado por seis estátuas com figuras femininas, as Cariátides, que, com sua graça, suavizam a construção. No fim do período clássico na século IV, a arquitetura continua a se desenvolver e a inovar, como na realização dos teatros, onde a geometria funcional e estética define de forma definitiva o anfiteatro, com arquibancadas escavadas, íngremes e de forma semicircular e com palco circular ou semicircular, que tem um cenário natural, como o teatro de Dionísio em Atenas, e o de Delfos. Outra inovação do século IV é o aparecimento da ordem coríntia, derivada da ordem jônica, que será desenvolvida no período helenístico e também na arquitetura romana. O período helenístico inicia-se em 323 a.C. com a morte de Alexandre Magno, e com a dissolução do império macedônio, conquistado por Alexandre, na sua luta contra os persas. A fundação de Alexandria cria um novo polo da cultura helenística. Na arquitetura, o emprego das ordens é livre, às vezes com combinações, e com amplo desenvolvimento da ordem coríntia, como no templo do Zeus Olímpico ou no monumento votivo de Líscrates de planta circular, ambos em Atenas. Outras inovações no campo técnico e no conceito de monumentalidade podem ser verificadas no grande templo-altar de Zeus (180 a.C.) em Pérgamo, que foi reconstruído no Museu de Berlim, já que quase tudo se perdeu da magnífica Alexandria.

Arquitetura Islâmica

A partir da Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina em 622), em um intervalo de aproximadamente cem anos, o islamismo cria um dos maiores impérios que já se viu. Estendia-se pela Síria, Egito, Iraque, Pérsia, Ásia Menor, parte do norte da África, Espanha e Sicília. A diversidade dos povos que o compunham determinou o aparecimento de diversos estilos, porém com uma estética própria. A construção típica da arquitetura islâmica é a mesquita, espaço destinado à congregação dos fiéis para a oração. Seu plano básico é simples, compreende: um grande pátio (zam) com um chafariz central (sabil), para abluções; uma grande sala (baram), que por seu formato longitudinal utiliza muitas colunas, orientada para Meca, a parede do fundo (qibla) tem no centro um nicho (mirhab) e ao lado do mirhab ergue-se um púlpito (mimbar). Outra característica marcante são os minaretes ou almenaras, torres de onde o almuadem convoca os fiéis. Na síria encontram-se os exemplos mais importantes da primeira etapa da arte islâmica, época da dinastia oméia (661-750). Na então capital Damasco, ocupam a grande basílica de São João e a transformam em mesquita, assim como em Jerusalém a mesquita de al - Aqsa e junto a ela a Cúpula da Rocha. Nelas verifica-se a influência dos modelos bizantinos, como a abobada de pingentes, a arcada contínua e os mosaicos intrincados. Da Pérsia sassânida deriva grande parte da arquitetura islâmica, já nesta primeira etapa inicia-se a construção de palácios com influências sassânidas, o uso do tijolo na construção das abóbadas, a decoração geométrica, o arco pontiagudo e a ornamentação em estalactite. São desta época o palacete de Qusair Amra, nas margens do Mar Morto, o palácio de Qasr al - Hair, entre Palmira e Damasco, e o grande palácio de Khirbat al - Mafdjar. A sede islâmica muda-se para Bagdad (Iraque) e lá floresce em cidades como Rakka, século VIII, e Samarra, século IX, com mesquitas como a de Mutawakkil (847-861), quase totalmente destruída. São desta época grandes palácios como os de Uhaydir e Balkuwara. No Egito a mesquita mais antiga é a de Amr, século VII, em Fustat, a qual já demonstra influência mesopotâmica em virtude da transferência para Bagdad. O general turco Ahmad ibn Tulun torna o Egito independente por algum tempo, seu legado é a mesquita que leva seu nome, a qual é inspirada na mesquita de Samarra e demonstra influência das construções espanholas. No século X tem início a dinastia dos fatímidas, que criam uma nova capital ao norte de Fustat, a origem da atual Cairo, al - Qahirah. Em 1012 terminou-se a segunda grande mesquita fatímida, a do sultão al - Hakim. A partir do século IX, a arte mesopotâmica perde influência em detrimento da arte persa. Na Pérsia a arquitetura monumental é derivada da antiga arte iraniana, lá surge o liwam (câmara abobadada), que pode ser visto na mesquita de Ispahan. Suntuosos palácios são erguidos, como o de Ispahan, onde é feita uma decoração com faiança policromada, um azulejo primitivo. Na Índia a arquitetura islâmica também se adapta às formas tradicionais, durante a dinastia mongul (XVI - XVII) são construídas obras esplêndidas como os palácios de Delhi, Agra, Fatehpur, Sikri, Lahore e Udaipur, que eram divididos em partes públicas e privadas. As mesquitas são de influência persa. Mas é na arquitetura mortuária que se encontra o maior esplendor da arquitetura islâmica indiana, como o de Mahmud, em Bijapur, mas sobretudo pelo famoso Taj Mahal, erguido pelo imperador Shah Jahan entre 1631 e 1633 em memória de sua esposa Mumtaz-i-Mahal. Exemplo da arquitetura islâmica africana é a mesquita de Kairouan, Tunísia, construída em 670 e reconstruída em 836. Lá surge uma nova forma, a maksoura, espaço coberto com uma cúpula e fica em frente ao mirhab. Esta arquitetura reflete-se na arquitetura espanhola (Sevilha, La Giralda), onde as mais belas casas e palácios são obras de arquitetura mourisca como em Alhambra, Granada.

Arquitetura Moderna

A arquitetura moderna é o reflexo das grandes inovações técnicas que começam a surgir já no fim do século XIX. Com a revolução industrial passa-se a utilizar o ferro de maneira nunca antes vista nas construções. Materiais como o aço e o concreto armado dão aos arquitetos possibilidades inéditas de criação, o que faz com que este estilo se torne completamente diferente de tudo que se viu até então. São engenheiros os pioneiros na utilização das novas técnicas como nos arranha-céus de Chicago ou na famosa Torre Eiffel de Paris. A fundação da escola Bauhaus de Weimar, por Walter Gropius (1883-1969), é de suma importância para o desenvolvimento da arquitetura moderna. Dentro do conceito da Bauhaus o artista não era diferente do bom artesão e é a partir desse pensamento que surge um artista até antes desconhecido, o desenhista industrial. A escola foi fechada por ordens de Hitler, não antes de resgatar para a arquitetura sua posição de arte maior, seus artistas, pelo menos grande parte deles, transferem-se para os Estados Unidos, onde darão prosseguimento à sua arte. O que melhor caracteriza a arquitetura moderna é a utilização de formas simples, geométricas, e desprovida de ornamentação, valoriza-se o emprego dos materiais em sua essência como o concreto aparente, em detrimento do reboco e da pintura. As diferenciações apresentadas nessa arquitetura variam quase de arquiteto para arquiteto, podendo-se notar semelhanças regionais, como é o caso de Frank Lloyd Wright (1867-1959), Walter Gropius, Le Corbusier (1887-1965), Oscar Niemeyer (1907-), Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969), Alvar Aalto (1898-1976), que apresentam características claramente distintas e próprias. A grosso modo, pode-se dividir os arquitetos em dois grupos: os organicistas, encabeçados por Frank L. Wright, que dizia que o edifício, assim como um organismo vivo, precisa crescer a partir de seu meio, deve partir da função para a forma, ao se olhar para uma construção desse tipo é muito fácil saber a que se destina. A obra mais famosa de Wright é a Casa da Cascata, em Bear Run. A casa está implantada sobre a cascata, que pode ser desfrutada de seu interior. É impressionante a integração da casa com a natureza; já os funcionais da escola de Le Corbusier subordinam a função à forma, porém, nos dois tipos, a forma está em harmonia com a função. Le Corbusier é o autor do Le Modulor, conjunto de estudos que visa mesurar o homem e suas atividades, criando assim o conceito de ergonomia, o desenvolvimento de seu pensamento faz com que ele proponha a casa como “máquina de morar”. Sua genialidade pode ser verificada na capela de Ronchamp, na França. A maior e mais complexa invenção do homem, a cidade, passa agora a ser projetada de forma integral, e não há nada mais notável do que a construção das cidades de Chandigarh, na Índia, por Le Corbusier e Brasília, no Brasil, por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa (1902-).

Arquitetura Pré- Colombiana

O mais importante aspecto a se considerar na arte pré-colombiana é o fato de suas civilizações terem vivido seu tempo em total isolamento dos valores culturais e espirituais difundidos por outras civilizações. Suas manifestações mais evoluídas realizam-se em duas grandes áreas: uma, ao norte na região do México, ainda que mais vasta que seus limites atuais; a outra na região que integra o atual Peru. Raras são as interações entre os dois pólos, mundos totalmente independentes. No México a alternância e a fragmentação das civilizações é muito maior do que no Peru, invasões de populações nômades do norte são recorrentes. É na tropical península de Yucatán que será implantada a civilização Maia, que compreendia também a Guatemala e Honduras. Esta é sem dúvida a mais estável e duradoura das civilizações mexicanas. Numa primeira etapa, entre as anos 1000 a.C. e 300 d.C., verifica-se uma evolução lenta e primitiva. A partir de 300 d.C., dá-se o período áureo que se estende até pouco depois do ano 1000, quando a civilização Maia entra em decadência e acaba por integrar-se com outras civilizações dando origem à civilização maia-tolteca, cujos descendentes chegam até a sobreviver à dominação espanhola. Constroem grandes cidades como Uxbal e Kabah, no Yucatán, Palenque, na região de Chiapas, ou Copán em Honduras. Na arquitetura Maia encontram-se dois tipos importantes de construção: a dos templos em forma de pirâmides escalonadas, com grandes escadarias íngremes, que dão acesso ao topo onde pousa o templo, de planta retangular e na maioria apenas um andar. Todo revestido de tijolos, na parte de cima do templo encontram-se frontões esculpidos; a dos palácios em geral de um só andar, as vezes com embasamento e escadaria de acesso, também tem planta retangular e tinham grandes fachadas ornamentadas. Nas duas, encontra-se a falsa abóbada, construída a partir da superposição de pedras, pode ser piramidal ou ogival. A invasão tolteca acontece a partir do século IX, deixam evoluídos exemplos em arquitetura como em Tollan e Xochicalco, templos-pirâmides e templos de colunas-estátuas. Do ano 1000 d.C. em diante, conta-se a fase maia-tolteca que terá como centro criador a cidade de Chichén-Itzà, no Yucatán. São construções desta época a pirâmide de Kukulkan, o templo dos jaguares e o templo de Los Guerreros. Outras civilizações como a zapoteca, cujo período mais expressivo dá-se entre os anos 400 e 1000 d.C., floresce na região do estado de Oaxaca, sua cidade tinha grau de desenvolvimento requintado, com escadarias, um conjunto de templos piramidais e até campo para jogo de pelota. A civilização asteca consegue sua hegemonia entre os anos 1324 e 1521. Tenochtitlán, às margens dos lago Texcoco, é a capital, imensa e imponente, nela templos, palácios, e ricas obras particulares se interligavam. Neste período, as tendências da arte deixadas pelas civilizações precedentes foram trabalhadas à exaustão. Das civilizações que ocuparam a região do Peru, a última a ser implantada antes da exterminadora invasão espanhola, a civilização inca, é sem dúvida a mais significativa do ponto de vista arquitetônico, ocupando a montanhosa região andina, utilizam pedras ciclópicas em suas construções, muito imponentes, porém despojadas e funcionais, onde o único elemento decorativo é a forma trapezoidal das aberturas e nichos. Assim surgem cidades como Cusco e Macchu Picchu, num esforço urbanístico surpreendente.

Arquitetura Renascentista

O Renascimento começou na Itália e se espalhou pela Europa durante os século XV e XVI, é interessante observar que a Itália oferece grande resistência à arquitetura gótica, embora utilize técnicas góticas de construção, como faz o próprio Brunelleschi. É a retomada dos valores clássicos das artes gregas e romanas. A arquitetura renascentista baseia-se na clássica, mas não a copia. O impulso renascentista faz ressurgir o Tratado de Vitrúvio, achado em 1415 em Monte Casino, dele surgem outros tratados como o de Re Aedificatoria (A Arte da Edificação) de Leone Battista Alberti. Quando o arquiteto italiano Filippo Brunelleschi (1377-1446) projetou a catedral de Florença fez uma combinação de elementos clássicos com o método gótico de construção, dando assim início a um estilo novo e promissor. Ao projetar a capela Pazzi, também em Florença, Brunelleschi utiliza a Seção Áurea, que faz com que todo o conjunto esteja em harmonia. Sucessor de Brunelleschi, Donato Bramante (1444-1514) projetou as dimensões gigantescas da basílica de São Pedro em Roma, sua construção é iniciada em 1506, e quem dá prosseguimento a suas obras é Miguel Ângelo (1475-1564), cuja contribuição vai muito além da arquitetura. A basílica também foi trabalhada por Rafael (1483-1520), e posteriormente por Maderno e finalmente por Bernini. Bramante, entre outros projetos, criou um novo tipo de abóbada, que pode ser verificada na igreja de Santa Maria das Graças, além de ter sido mestre de Miguel Ângelo, Bramantino e Alberti entre outros. Leone Battista Alberti (1404-1472), projetou a igreja de Santo André, em Mântua, cuja entrada é em forma de arco do triunfo romano. No renascimento, os projetos de casas particulares tomam grande importância como no caso da Villa Rotonda, projetada por Andrea Palladio (1508-1580), que influenciou muitos arquitetos por séculos. Na França e na Alemanha o renascimento só aparece no final do século XVI, ainda conservando traços da arquitetura gótica. A parte antiga do Louvre, em Lescot, é um exemplo da renascença francesa. Na renascença alemã o destaque fica para os castelos como o Alte Schloss, em Stuttgart. Na Inglaterra o renascimento é introduzido por Inigo Jones (1573-1652), seguidor de Palladio, como se verifica em seu projeto para o Queen’s House em Greenwich, Londres. Podem ser citados como exemplos da renascença inglesa os prédios das universidades de Cambridge e Oxford, embora suas formas sejam claramente góticas. Na Espanha o renascimento encontra seguidores como Juan de Herrera (1530-1597), que projetou o Escorial, próximo a Madrid. O que caracteriza a arquitetura renascentista é o fato de basear suas medidas em relação ao homem, como na arquitetura grega, o homem é a medida de todas as coisas, mas ao contrário da arquitetura romana , que busca a monumentalidade mais do que a escala humana.

Arquitetura Romana

A arquitetura romana com sua monumentalidade que comunica a grandiosidade do Estado é o símbolo de seu império. A escala das construções é multiplicada, busca-se uma solidez imponente em detrimento da elegância e da escala humana. Aquedutos, estradas pavimentadas, pontes em alvenaria dão a dimensão do espaço ocupado e da evolução urbanística alcançada pelos romanos. Para se entender a estética e a evolução da arte romana deve-se notar que ela é o resultado da somatória de algumas culturas: a primeira forma de urbanização utilizada pelos romanos é a solução Etrusca da cidade cercada por muralhas, com moradias de planta elíptica, sistema de esgoto com canais cobertos, e ruas com traçado ortogonal; a concepção dos templos de Saturno, Bacco e outros no mesmo período de Augusto (43 a.C.- 14 d.C.) são de influência Itálica; já no século I a.C. os templos da praça Argentina, os do Foro Olitório dão mostras da arquitetura grega. Já no ano 13 a.C. a construção do Teatro de Marcelo define uma ordem romana, sua arquibancada não é escavada como no teatro grego e sim sustentada por pilares. Nos anos seguintes de Tibério, Cláudio e Nero segue-se a estética imperial de Augusto, sendo que o grande avanço artístico se dá com os Flávios (Vespasiano, Tito e Domiciano entre 70 e 96 d.C.) época da construção do Coliseu 80 d.C. cuja arquibancada abriga cinquenta mil pessoas. A parte externa da construção é escalonada na sucessão das ordens: tuscânica, jônica e coríntia. A seguir destaca-se o período de Trajano 90-117 d.C. e Adriano 117-136. É durante o governo de Adriano que se constrói uma das mais soberbas obras da Roma Imperial: o Panteon, que foi construído sobre um templo já existente de influência grega, que passa a ser a estrutura interna do templo, um cilindro externo é construído e ele termina numa cúpula aberta no centro, que determina uma iluminação zenital tocante. Obra que evidência a arte de revestir romana com o uso do mármore. As conquistas de Trajano constituem-se a última expansão do império que entra em decadência. Marco Aurélio, Séptimo Severo e Caracala 161- 217 d.C. preocupam-se em manter o império, pois previam-se invasões bárbaras e a expansão do cristianismo. Séptimo Severo é quem inicia a construção das termas de Caracalas, que já foi chamada de arte barroca romana, suas ruínas são ainda hoje uma das visões mais surpreendentes de Roma. Vale ressaltar a importância de Vitrúvio, o maior teórico do classicismo romano, que será seguido em todas as épocas até a completa conversão do Império para o cristianismo na era de Constantino, quando a arte romana encerra seu ciclo.

 

   

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