Arte
Bizantina
Chama-se
Arte Bizantina aquela produzida na parte leste do antigo Império
Romano. Constantinopla, sua capital, foi fundada em 330 d.C. e
caiu sob o jugo do Império Turco em 1453 (marcando a passagem
histórica da Idade Média para a Idade Moderna). Entretanto, uma
arte propriamente bizantina não começou exatamente quando da
divisão do Império Romano em duas partes, tampouco acabou logo
após a tomada de Constantinopla. Durante os primeiros anos do
Império do leste, a arte podia ser considerada ainda romana,
desenvolvendo-se com outras características posteriormente. Da
mesma forma, os padrões artísticos do Império Bizantino
puderam ser observados até aproximadamente o século XVI. Além
disso, outras povos que não pertenciam propriamente aos
domínios do Império Bizantino assimilaram esses padrões, como
os eslavos. Pode ser dividida em dois períodos distintos: a arte
Bizantina dos primeiros tempos, que vai aproximadamente do
século IV ao século VIII, e a arte bizantina mais tardia, que
vai mais ou menos do século IX ao século XV. O ponto de ruptura
entre esses dois modelos artísticos foi dado pela ação dos
iconoclastas, que terminou em 843. No século VIII foi
desencadeada uma luta contra a reprodução de imagens por Leão
Isáurico (Leão II, 675 -741). Seus sucessores acabaram
intensificando cada vez mais a luta contra os ícones, depredando
com mosaicos, afrescos e perseguindo aqueles que cultuavam
imagens. Eles acabaram por destruir grande parte da produção
artística do primeiro período por motivos
religiosos-filosóficos. Seu poder foi forte no Império até o
século IX. A partir daí vemos o ressurgimento da arte bizantina
com novas conquistas. A temática da arte Bizantina, de uma forma
geral, é religiosa: eventos bíblicos, a vida dos santos. Era
função do artista representar as crenças teológicas. Devido a
forte importância das imagens, que funcionavam como verdadeiras
pontes de contato entre o homem e o divino (ícones), os artistas
deveriam seguir fielmente as tradições. Qualquer inovação ou
falha na representação de uma imagem com função tão
importante poderia mesmo ser considerada como desrespeito à
Igreja. Portanto, não era exigido do artista criatividade,
originalidade, ou seu traço pessoal, sendo que pouquíssimos
mestres bizantinos são conhecidos hoje. Mesmo quando a arte
destinava-se a prestar homenagem ao Imperador, podia ser
observado um fundo religioso, uma vez que, seguindo a tradição
oriental, o Imperador era considerado como a emanação da figura
divina na Terra. Um aspecto importante de toda essa observação
na preservação das tradições foi a conseqüente preservação
também de traços da arte grega e romana, um dos últimos
redutos de sobrevivência desses padrões na Idade Média, antes
da Europa passar a revalorizá-las durante o Renascimento.
Diferenciava-se da arte clássica, por sua vez, principalmente na
exaltação do divino e não do homem como faziam os antigos. Por
essas características, percebe-se que era mais apropriada a arte
em grande escala, para melhor exaltar o poder que deveriam
representar. Os mosaicos talvez sejam os mais famosos trabalhos
em arte do Império. Entretanto, também havia a arte realizada
em pequenos objetos, como trabalhos têxteis, jóias, trabalhos
em metais e principalmente a iluminação de manuscritos.
PRIMEIRO
PERÍODO DA ARTE BIZANTINA
Nesse
primeiro período, temos a figura do Imperador Justiniano, O
Grande (527 - 565) como líder de uma das épocas de maior
desenvolvimento da arte Bizantina. O Imperador era conhecido por
patrocinar a atividade, além de sua força política e militar.
A influência clássica era bastante nítida nos trabalhos do
período. Entretanto, trata-se de uma época de difícil estudo
uma vez que poucas obras sobreviveram. Uma das maiores obras de
Justiniano foi a reconstrução da Igreja de Hagia Sophia. A
Igreja, construída por Constantino, tinha sido destruída em 532
por facções políticas rivais. Isidorus de Miletus e Anthemius
de Tralles eram os arquitetos responsáveis pela obra. A alta
abóbada da igreja (55 m), com seus 33 m em diâmetros é uma das
características mais marcantes do templo. Além disso,
espacialmente podem ser notadas combinações de elementos das
primeiras igrejas cristãs com elementos presentes nas
construções de basílicas. A Basílica de São Apolinário em
Classe, construída no século VI, é outra boa amostra de um
templo bizantino, especialmente por conter em seu interior um
belo mosaico, tipo de pintura que alcançou notável
expressividade na Arte Bizantina. Mostra o santo em oração numa
paisagem estilizada, algumas ovelhas, Moisés, Elias, uma cruz
com a minúscula cabeça de Cristo na intersecção de seus dois
lados e a Mão de Deus. O Mosaico foi decifrado como simbolizando
a Transfiguração de Cristo. Um dado interessante da arte
Bizantina é ver um mesmo tema tratado de maneiras distintas nas
várias regiões do Império. Isso acaba por provar que apesar do
respeito às tradições, típico dessa arte, ela não se
mostrava fechada às variações de estilos em suas diferentes
regiões. A iluminação de manuscritos é a manifestação
artística que permite uma boa observação da arte Bizantina,
uma vez que muitos deles conseguiram chegar até nós. Tanto como
no ocidente, essa atividade é bastante representativa da arte do
Império Romano oriental na Idade Média. Apresentava muitas
variações, que podem corresponder às diferentes localidades de
origem desses manuscritos. Podem ser encontradas desde páginas
inteiras ilustradas às iluminações somente no meio de um
texto. As ilustrações de manuscritos gregos parecem terem sido
as preferidas pelos artistas. Os retratos dos autores presentes
nas obras também seguiam a tradição da arte grega. Um bom
exemplo pode ser dado pela representação de São Marcos nos
Evangelhos Rossano, pertencente à Catedral de Rossano, sul da
Itália. Outro manuscrito grego ilustrado foi Gênesis de Viena,
hoje na Biblioteca Nacional de Viena. Os textos são pequenos e
as ilustrações pormenorizadas, podendo uma mesma iluminação
apresentar mais de um evento, com a repetição de personagens.
Conforme já foi dito, a ação dos iconoclastas acabou por
destruir grande parte da arte bizantina. Entretanto, no reino da
Imperatriz Irene (787 -813) e a partir de 843 (Imperatriz
Theodora) pode ser observada a restauração do culto aos ícones
e um novo período de ouro da arte Bizantina.
SEGUNDO
PERÍODO DA ARTE BIZANTINA
Após
843, começa uma nova era de ouro da arte Bizantina, com a
restauração dos ícones. O Império Bizantino de então já é
bem menor do que aquele governado por Justiniano, devido a perda
de territórios para os árabes ou para a dinastia Carolíngia. O
termo Renascença Macedônia pode ser usado também para designar
a arte do período, uma vez que ela continha inúmeras
referências clássicas. A denominação também baseia-se no
fato dessa época ser o começo de uma dinastia iniciada por
Basil I (867 - 886), o Macedônio. Na arquitetura não houve
nenhuma construção que superasse em esplendor a Hagia Sophia,
uma vez que predominava nessa época construções mais modestas.
Exemplos de construções desse período são a Nea (destruída)
e as demais igrejas em formas de quincunce (uma abóbada central
rodeada de quatro pequenas abóbadas), nas regiões de Salonika,
por exemplo. A Igreja de San Marco, em Veneza, tem clara
inspiração na arte bizantina da época de Justiniano, mostrando
como esses valores estéticos acabaram por atingir o oeste. Com
seus mosaicos e esculturas, influenciou a maneira como o ocidente
assimilaria a arte do leste. A Catedral de Pisa, construída pelo
arquiteto Busketos, que mistura elementos romanescos aos
bizantinos, é outro bom exemplo da expansão da arte bizantina.
Na pintura, os ícones são grandes destaques. De profunda
importância religiosa para a cultura do Império, as
representações de entidades divinas, em especial os vários
santos, eram adorados tanto por poderem estabelecer a ligação
entre o plano humano e o divino, como pelas figuras em si. Os
mosaicos são outro importante meio decorativo usado na arte
bizantina. Normalmente no interior de igrejas, possuíam rica
simbologia, representando Cristo, a Virgem, a Criança, os
profetas, os apóstolos, os santos. Havia ainda imagens mostrando
as principais festas do ano litúrgico bizantino. A iluminação
de manuscritos continua sendo atividade importante na arte do
Império. De uma forma geral, temos várias amostras da arte
bizantina dessa segunda época de ouro. No caso dos manuscritos
isso é ainda mais verdadeiro, tendo sobrevivido vários deles.
Aspectos da arte clássica costumam estar bastante ressaltados,
como a referência à mitologia grega. Paris Psalter, de Psalms,
que retrata episódios do Velho Testamento, é um bom exemplo
desses manuscritos. Um dos últimos exemplos de pintura bizantina
pode ser dado pela Kariye Camii em Chora, Igreja do Salvador .
Realizada já no século XIV, mostra a resistência da Igreja
Bizantina que, mesmo com as tentativas de destruição promovidas
pelo papado e as cruzadas, ainda se mostrava vigorosa. Quanto às
esculturas, não há muitos exemplos de esculturas monumentais,
prevalecendo sua utilização na decoração arquitetônica ou
esculturas em pequena escala, como altares portáteis.
Acredita-se que a arte bizantina foi de fundamental importância
para o início da Renascença Italiana, assimilada tanto pelo
contato comercial com o país latino, como pelo espólio
realizado pelas Cruzadas.