Arte
Colonial Portuguesa
Arte
colonial portuguesa foi o processo expansionista de Portugal teve
efeitos diversos: do desinteresse dos artistas pelo
"exótico" - foi o flamengo Francisco Henriques, e não
Grão-Vasco, quem pintou o índio brasileiro na "Adoração
dos Magos" de Viseu, em 1503 - à exportação do gótico
nacional para o Marrocos e os arquipélagos de Madeira e Açores.
Só com os grupos sociais em convívio e interação surgem
formas originais de hibridismo artístico. Como as da arte
afro-portuguesa (Serra Leoa, Costa do Marfim) representadas por
frágeis peças de mesa ou de cerimônia esculpidas em marfim por
artesãos negros sobre desenhos levados por portugueses ou moldes
metálicos. Síntese do gótico tardio com a arte africana, as
manifestações artísticas afro-portuguesas foi um episódio
breve (1470-1530). É na Índia - onde o artesanato de luxo
atingia alta qualidade - que esta mestiçagem melhor se elaborou,
aproveitando-se das compras, ida de artistas a Portugal,
criação de oficinais ou controle cristão das modalidades
decorativas locais. Após 1540, com a fixação portuguesa em Diu
e Baçaim, antecessora de Bombaim, a arte indo-portuguesa toma
impulso, adquirindo características próprias que se manifestam,
principalmente, nas artes portáteis: tecidos, mobiliário,
jóias, imaginárias de marfim usadas a bordo das naus. Cerca de
200 anos depois, a arte indo-portuguesa entra em decadência nas
fórmulas repetidas do Barroco luso-indiano. A arquitetura
monumental faz de Goa a "Roma do Oriente" com a
construção das igrejas da Sé (1560, maior catedral
portuguesa), e da igreja dos Teatinos, 1657, uma cópia do
Vaticano. No Extremo Oriente (Málaga, junto a Cingapura,
feitoria do Sirião, Birmânia,1612), as grandes obras cabem aos
missionários do padroado português. Entre elas, a cidade de
Nagasaki (1580), na ilha de Kyushu (Japão); a igreja de S.
Paulo, em Macau, com fachada barroca jesuítica (1602) e a
difusão da pintura renascentista no Japão onde a arte namban -
de Namban-Jin, bárbaros do Sul, designação que os nipônicos
davam aos portugueses - floresce em quadros, biombos e peças de
laca que perduram mesmo após a sua proibição pelo Japão
(1639). Mais cobiçada era a grande produção da China. A
porcelana Ming, levada para Portugal em cargas enormes, originou
a Companhia das Índias, exemplo da adaptação oriental ao gosto
europeu e de um diálogo estético que possibilitou a formação
de uma arte luso-chinesa. O caso do Brasil é muito diferente. As
primeiras obras duráveis - capela da Casa da Torre de Garcia d'
Ávila (1560-70), alguns fortes (Montserrat, 1585; Reis Magos,
1597) e casas jesuíticas (Olinda, 1575 e Rio de Janeiro, 1585) -
fiéis aos protótipos lusos quinhentistas, dão lugar a obras
mais elaboradas. Entre elas, a Sé de Olinda, 1590, e mosteiros
de ordens mais ricas como a de São Bento, no Rio de Janeiro,
obra do engenheiro Francisco Frias de Mesquita, 1617, e a igreja
dos Jesuítas, atual Sé de Salvador, Bahia, 1657, cópia de uma
igreja de Santarém. Estas edificações já assimilam técnicas
da escultura negra e da arte nativa, com participação em suas
construções de artistas locais, entre eles, o pintor Eusébio
de Matos, irmão do poeta Gregório de Matos e autor da sacristia
da Sé de Salvador. Só após o período de prosperidade mineira
explode, na última década do séc. XVII, a verdadeira arte
local. Ao Barroco Nordestino, ainda mal estudado e mais próximo
da metrópole, sucede-se o Barroco Mineiro já personalizado,
evoluindo para o Rococó no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas
Gerais, Bahia e Norte do país onde a época pombalina faz surgir
os fortes de Macapá e Príncipe da Beira, em 1776. Como dizia
Mário Chicó, é no Brasil que se encontra o mais autêntico
barroco português, e a figura de Antônio Francisco Lisboa, o
Aleijadinho (estátuas de Congonhas do Campo, Minas Gerais,
1796-1805), é o primeiro grito de independência brasileiro, um
fato sem paralelo no Oriente português.