[Continuação]
11.SUPREMATISMO
E CONSTRUTIVISMO RUSSO
Dois
grupos russos também chegaram à arte abstrata no início do
século XX. Por volta de 1913, os pintores Kasimir Malevitch e El
Lissitzky iniciaram um movimento denominado suprematismo, e os
escultores Vladimir Tatlin e Aleksandr Rodchenko fundaram um
movimento conhecido como construtivismo. Os suprematistas, como
Kandinsky, acreditavam que a arte abstrata podia transmitir uma
conotação religiosa. Em 1915, Malevitch pintou um quadrado
negro em um fundo branco que expôs no canto de uma sala, o local
tradicional dos ícones russos. Segundo Malevitch, o termo
suprematismo visava provocar a "supremacia do
sentimento puro". O quadrado simbolizava a sensação e o
fundo significava o nada. A intenção de Malevitch era
representar a essência pura do próprio sentimento, e não um
sentimento relacionado a uma experiência específica, como a
fome, a tristeza ou a felicidade. Os construtivistas buscavam uma
arte que fosse abstrata, porém de fácil compreensão. Suas
esculturas valorizavam as propriedades materiais dos objetos,
como a textura e a forma. Influenciados pelas técnicas de
colagem e de construção de Picasso, Tatlin criou esculturas sem
usar as técnicas tradicionais de entalhe ou modelagem. Enquanto
que entalhar exige a remoção de materiais para revelar uma
forma esculpida, a construção é um processo aditivo através
do qual o artista combina materiais comuns como o metal e a
madeira para dar forma a uma escultura. Ao contrário de Picasso,
Tatlin jamais pintava ou alterava seus materiais, preferindo
deixar que suas superfícies intocadas transmitissem sua
verdadeira natureza. Em sua proposta para um Monumento à
Terceira Internacional (1919-1920, modelo em madeira, Museu
Estadual Russo, São Petersburgo), Tatlin projetou uma enorme
estrutura de metal que celebraria a fundação do novo estado
soviético. Sua intenção era de que ela fosse mais alta que a
Torre Eiffel, em Paris, e que tivesse elementos giratórios
internos que iriam abrigar departamentos governamentais, onde
alguns girariam uma vez por dia, outros uma vez por mês e
outros, ainda, uma vez por ano. Esse monumento de pouquíssima
praticidade jamais foi construído, mas é um exemplo das várias
tendências da arte contemporânea: sua inclinação a expressar
ideais utópicos, a experimentar novos materiais e técnicas e a
acabar com os limites entre as belas-artes e a engenharia.
12.DE
STIJL
Em 1917,
os pintores holandeses Piet Mondrian e Theo van Doesburg fundaram
um grupo artístico conhecido como De Stijl (O estilo). Além
deles, faziam parte do grupo o pintor Bart van der Leck, o
escultor Georges van Tongerloo e o arquiteto Gerrit Rietveld.
Como os suprematistas e construtivistas, muitos dos artistas do
De Stijl estavam comprometidos com a idéia da arte abstrata e
com a perspectiva que atribuía à arte um objetivo que ia além
do simplesmente decorativo. Eles sentiam que a arte podia alterar
a natureza da sociedade e criar um novo tipo de ambiente humano.
A Composição em vermelho, amarelo e azul (1937-1942, Tate
Gallery, Londres), de Mondrian, revela a tendência do De Stijl
de reduzir a pintura a seus elementos mais essenciais. Linhas
pretas horizontais e verticais dividem a tela branca em
retângulos e alguns deles são pintados de vermelho, amarelo ou
azul. A superfície da pintura não revela nada impulsivo ou
intuitivo, tudo parece, embora nem sempre seja, planejado
anteriormente na mente do artista. Com a intenção de fazer suas
obras parecerem impessoais e mecanizadas, os artistas do De Stijl
imitaram os cubistas e futuristas ao acreditarem que uma nova
sociedade pudesse ser construída através da rejeição da
individualidade e da adoção de um desejo coletivo. Apesar da
geometria retilínea de Mondrian estar a quilômetros de
distância das imagens dinâmicas e apocalípticas de Kandinsky,
os dois artistas se dedicaram a conceber arte abstrata e
acreditavam que ela poderia transmitir significados filosóficos.
Exatamente como Kandinsky via suas obras abstratas transmitirem
um sentido de espiritualidade, Mondrian via as grades
assimétricas de suas composições como metáforas do
equilíbrio de forças opostas: o homem e a natureza, o
indivíduo e a sociedade e assim por diante. Essas idéias eram
tão centrais na obra de Mondrian que ele acreditava que suas
composições funcionariam como fundamento para a arquitetura e a
decoração de interiores, uma perspectiva que Rietveld e outros
arquitetos colocaram em prática posteriormente.
13.NOVA
OBJETIVIDADE
Após a
destruição sem precedentes causada pela Primeira Guerra Mundial
(1914-1918), alguns artistas perderam sua fé na arte abstrata.
Muitos deles passaram a acreditar que ela parecia fútil e
superficial em um momento em que milhões de pessoas morriam,
cidades inteiras sofriam com a escassez de alimentos, a
corrupção política florescia e os soldados mutilados na guerra
retornavam. Na Alemanha, os artistas pertencentes a um movimento
conhecido como Neue Sachlichkeit (Nova objetividade) acreditavam
que, para abordar esses problemas, a arte não deveria se
dissociar da experiência da vida quotidiana, perseguir ideais
filosóficos abstratos ou investigar a psicologia individual de
seu criador. Esses artistas, entre eles George Grosz e Otto Dix,
defendiam uma volta a modos de representação mais tradicionais,
além de um comprometimento direto com as questões sociais e
políticas urgentes da época. O Vendedor de fósforos (1920,
Staatsgalerie, Stuttgart), de Dix, por exemplo, rejeita o
cubismo, o expressionismo e a abstração em favor de um tipo de
representação de compreensão mais imediata. Ao abordar o
tratamento insensível concedido a soldados que tinham arriscado
suas vidas por sua pátria, essa pintura mostra um soldado
mutilado vendendo fósforos em uma rua enquanto é claramente
ignorado pelos passantes. Dix sabia que o tratamento oferecido
aos veteranos de guerra dependia de sua classe social. Assim, sua
pintura não apenas denunciava a guerra de um modo geral, mas
também as tensões sociais específicas que dividiam a Alemanha
na época.
14.DADAÍSMO
O
massacre da Primeira Guerra Mundial afetou os artistas de
maneiras diferentes. Alguns sentiram, como Mondrian, que o
crescimento do ser humano dependia da criação de um modo de
vida impessoal e mecanizado, enquanto que outros concordavam com
Dix, acreditando que ele dependia de se chamar atenção para os
problemas políticos. Outros chegaram à conclusão de que a
própria idéia de crescimento do ser humano era uma ilusão sem
sentido. Para esse grupo, a maior lição da guerra, se é que
houve alguma, foi a falência da razão, da política, da
tecnologia e até mesmo da própria arte. A partir dessa
premissa, vários artistas e poetas criaram o dadaísmo, um
movimento cujo nome propositadamente não significava nada e
cujos membros ridicularizavam qualquer coisa que se relacionasse
à cultura, política ou estética. Inicialmente centralizado em
Zurique, na Suíça, o dadaísmo se espalhou mais tarde por
Berlim, Paris e Nova York. Entre seus adeptos estavam o poeta e o
artista alemães Hugo Ball e Kurt Schwitters, o poeta e o artista
romenos Tristan Tzara e Marcel Janco, o artista americano Man Ray
e os artistas franceses Jean Arp, Marcel Duchamp e Francis
Picabia. Os dadaístas se opunham à concepção de arte ou de
poesia criando colagens a partir de sucata velha. Também
escreviam poemas satíricos usando palavras aleatórias. Alguns
dos artifícios criativos mais comuns dos dadaístas eram o acaso
e a eventualidade. A fonte (1917, Museu de Arte Moderna, Nova
York), de Marcel Duchamp, foi uma das primeiras obras dadaístas
particularmente influente. Trata-se de um urinol, produzido em
massa, que foi transformado em obra de arte simplesmente por ter
sido exposto em uma galeria e por ter recebido um novo título.
Duchamp queria ridicularizar as concepções tradicionais sobre
arte, criatividade e beleza. O artista apesar de Duchamp
ter sempre negado ser um artista não criava mais obras de
perfil estético baseadas em inspiração ou talento, mas
selecionava objetos do uso cotidiano pré-fabricados. E ainda que
esses objetos, que Duchamp considerava acabados e prontos para o
uso, fossem originalmente funcionais, ele negava sua função
utilitária ao inseri-los em um novo contexto uma galeria
ou um museu e ao mudar seus títulos.
15.SURREALISMO
A
crítica radical à arte e à razão feita pelos dadaístas teve
um efeito forte sobre um movimento artístico e literário criado
em 1924, o surrealismo. Os surrealistas, porém, queriam dar uma
conotação mais positiva à mensagem pessimista do dadaísmo. Se
inspiravam na obra de Freud, que argumentava que a mente humana
se dividia entre o consciente e o inconsciente inacessível, onde
os desejos, sentimentos e pensamentos mais profundos de uma
pessoa estão reprimidos. Os surrealistas procuraram alcançar
esses desejos e sentimentos particulares através de imagens
oníricas, de associações aleatórias de palavras e da arte.
Entre os artistas que buscavam maneiras de ter acesso ao
inconsciente encontravam-se André Breton, André Masson e Yves
Tanguy, da França; René Magritte, da Bélgica; Joan Miró e
Salvador Dalí, da Espanha; e Max Ernst, da Alemanha. Dois
estilos distintos surgiram dentro do surrealismo. Alguns
artistas, como Dalí e Magritte, tentaram criar imagens oníricas
ao retratar objetos de forma precisa, mas fazendo justaposições
de maneira irracional. Um exemplo dessa estratégia é A
persistência da memória (1931, Museu de Arte Moderna, Nova
York), de Dalí. Nessa pintura, relógios de bolso pendem,
amolecidos, de um galho morto, enquanto insetos, um tampo de mesa
e um rosto distorcido se encontram em uma paisagem árida que
leva a penhascos e um litoral. A combinação desses elementos
incoerentes sugere uma alternativa, ou uma sub-realidade,
conforme o nome do movimento indica. Outros surrealistas tentaram
deixar que a mão passeasse sobre a superfície da tela sem
nenhum controle consciente, uma técnica por eles denominada
automatismo. Eles concluíram que, se fosse possível diminuir o
controle do consciente, o inconsciente poderia começar a se
manifestar. As linhas da pintura passariam a ser motivadas não
mais pelo consciente, que segue convenções sociais e
treinamento, mas pelo forte armazenamento de emoções escondidas
no inconsciente. O automatismo teve início junto aos surrealista
parisienses, como Picabia, Arp e Masson, mas na década de 1940
ganhou forte adesão em Nova York e em Montreal, no Canadá. A
obra Pânico (1963, Museu Nacional de Arte Moderna, Paris), de
André Masson, é mais abstrata que as imagens oníricas de
Dalí, ainda que convide o observador a examinar suas
superfícies complexas em busca de pistas visuais que levem a
significados ocultos. Talvez Masson não tenha tido a intenção
de transmitir esses significados, mas acreditava que eles deviam
estar relacionados a suas emoções e desejos mais íntimos.
16.A
ESCULTURA NA EUROPA
Apesar
de muitos escultores do século XX terem se vinculado a vários
movimentos, como o cubismo e o construtivismo, outros tenderam a
abrir seus próprios caminhos. Constantin Brancusi, um romeno que
estabeleceu residência em Paris, contribuiu para as primeiras
abstrações ao simplificar as formas até seu ponto mais
elementar. Além disso, em peças como O pássaro no espaço
(1919, Museu de Arte Moderna, Nova York), Brancusi poliu a
superfície de bronze da escultura até obter um acabamento com
bastante reflexo, contrastando o metal liso com as texturas da
base de pedra e do pedestal de madeira. Em outras palavras, cada
material ganhou importância própria e passou a ser valorizado
por suas características. Nem toda escultura moderna, contudo,
foi dedicada à abstração. Os surrealistas, como o escultor
suíço Méret Oppenheim, preferiram representar objetos
utilitários da vida cotidiana usando combinações de materiais
inesperados. Em Objeto, Café-da-manhã envolto em pele, (1936,
Museu de Arte Moderna, Nova York), Oppenheim envolveu uma xícara
de chá e uma colher com pele de animal. Ainda que combinações
surpreendentes como essa sejam típicas do surrealismo, sua obra
é particularmente perturbadora, pois manipula os observadores,
fazendo-os imaginar como seria sentir ou pôr na boca uma colher
envolta em pele, levando-os a ter uma experiência desagradável
que compromete sentidos múltiplos. O escultor suíço Alberto
Giacometti também era vinculado ao surrealismo, do qual fez
releituras ambíguas e encantadas. Suas primeiras obras foram
influenciadas por esculturas africanas do povo dan, da Libéria e
da Costa do Marfim. As formas de Giacometti poderiam ser vistas
tanto como representações do corpo humano, quanto como objetos
utilitários. Ao final da década de 1940 e na de 1950,
Giacometti afastou-se dos trocadilhos visuais do surrealismo e
começou a criar figuras extremamente magras e alongadas, com
superfícies irregulares e ásperas. O Homem atravessando a rua
(1949, Kunsthaus, Zurique, Suíça) é uma dessas peças, com
suas imagens rígidas de seres humanos sendo isolados tanto de
seu ambiente quanto de outros indivíduos. O inglês Henry Moore
foi outro escultor cujas obras oscilaram entre as referências de
imagens e a abstração. A forma feminina reclinada estava entre
seus temas mais comuns, como em Figura reclinada (1938, Tate
Gallery, Londres). Essa obra combina o tema do nu reclinado da
arte ocidental com a tradição asteca de representar figuras
horizontais. Moore ousou com a anatomia humana ao fazer buracos
profundos na imagem e, desse modo, transformou a forma em algo
mais abstrato, chamando atenção para cores e formas
perceptíveis através dessas áreas perfuradas. A forma
orgânica e ondulada da figura remete à linguagem curvilínea do
surrealismo e brinca com a semelhança entre as curvas da forma
feminina e as ondulações da terra, reforçando a idéia de
fertilidade que em geral é associada às duas coisas.
17.A
ARTE CONTEMPORÂNEA APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Ainda
que a Europa tenha sido o centro reconhecido da arte
contemporânea na primeira metade do século XX, hoje a maioria
dos críticos concorda que após a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945), houve um deslocamento para os Estados Unidos. Nos
anos 20 e 30, muitos artistas americanos, inclusive Charles
Demuth, Arthur Dove, Marsden Hartley e John Marin, tentaram
adotar elementos do cubismo ou do futurismo em suas obras. Mas
esses movimentos eram originalmente europeus e foram considerados
essencialmente estranhos aos Estados Unidos. Na década de 1930,
alguns artistas norte-americanos revoltaram-se contra as
influências européias na arte americana. O Gótico americano,
de Grant Wood, é uma obra típica de um movimento conhecido como
regionalismo, cujo objetivo era valorizar o tipicamente
americano, usando um estilo que evitasse qualquer referência ao
modernismo europeu. Para outros artistas norte-americanos, os
arroubos regionalistas somente poderiam prejudicar a arte.
18.ABSTRACIONISMO
Durante
o final da década de 1940, um movimento chamado abstracionismo
começou a se desenvolver nos Estados Unidos sob a influência de
idéias surrealistas, especialmente o desejo de alcançar o
inconsciente através da técnica do automatismo. Os
abstracionistas enfatizaram o processo da pintura, ao permitirem
que evidências dos gestos do artista permanecessem visíveis na
superfície da tela. Jackson Pollock, Franz Kline, Willem de
Kooning, Robert Motherwell e Hans Hofmann se encontravam entre os
líderes desse movimento. As pinturas do abstracionismo, como a
Autumn Rhythm (1950, Museu Metropolitano de Arte, Nova York), de
Pollock, dão uma impressão de espontaneidade e energia física
jamais vista. Também criaram composições onde as marcas
visuais estão dispostas de maneira a eliminar o centro de
atenção visual. Além do surrealismo, o abstracionismo também
sofreu influência das idéias de Kandinsky quanto às
semelhanças entre a arte e a música abstratas e a capacidade da
arte abstrata de transmitir conteúdo significativo e emocional.
Outros abstracionistas, como Mark Rothko, Adolph Gottlieb,
Clyfford Still, Ad Reinhardt e Barnett Newman, escolheram uma
abordagem diferente. Ao invés de enfatizarem o ato de pintar,
criaram imagens compostas de grandes extensões de cores e de
formas simplificadas. Barnett Newman, por exemplo, usou uma
única listra vertical para dividir uma área colorida que, do
contrário, seria sólida em seu Onement I (1948, Museu de Arte
Moderna, Nova York). A imagem parece simples, mas ele a enxergava
como um símbolo da vulnerabilidade da humanidade (a listra)
perante a natureza (a área). Outro grupo de abstracionistas, que
também utilizava a técnica dos planos cromáticos, misturava o
interesse de Pollock pela gravidade e pela pintura salpicada com
o interesse de Rothko e Newman pelo efeito visual das cores. Os
americanos Helen Frankenthaler, Morris Louis e Kenneth Noland
diluíam a tinta acrílica para obter a mesma fluidez da
aquarela. Aplicado à tela, o pigmento criava a chamada pintura
manchada. Em Point of Tranquillity (1960, Museu Hirschhorn,
Washington, D.C.), Louis dobrou e inclinou a tela, fazendo com
que a gravidade guiasse as cores líquidas pela superfície. Com
essa técnica, o artista abriu mão intencionalmente de um certo
controle sobre o resultado de sua obra.
19.DESENVOLVIMENTOS
DO PÓS-GUERRA NA EUROPA
À
medida em que o abstracionismo evoluía na América, outros
movimentos semelhantes surgiam na Europa. O Art informel, termo
usado para distinguir a abstração gestual da abstração
geométrica na Europa, está relacionado em primeiro lugar ao
artista francês Pierre Soulages, além de Hans Hartung Wols,
dois artistas que nasceram na Alemanha, mas trabalharam na
França. Assim como os abstracionistas, esses artistas
enfatizavam o gesto do pintor, a pincelada, além das qualidades
físicas da tinta, especialmente sua textura. Assim, procuravam
dar a impressão de pura espontaneidade, sem preparação
artística ou cálculos. Dentro do art informel havia um grupo
chamado tâchistes (da palavra francesa tâche, que significa
"mancha" ou "borrão"). O poeta e pintor
belga Henri Michaux e o pintor francês Georges Matthieu estavam
entre os tâchistes mais importantes. As telas grandes de
Matthieu misturavam cores intensas com um estilo abstrato que
tomava como base as linhas, a pincelada e o interesse pela
caligrafia asiática. Matthieu concebeu suas obras rapidamente,
às vezes até mesmo em público, valorizando a liberdade do
artista para pintar sem idéias preconcebidas e sem atingir um
resultado previsível. Alguns críticos associavam essa qualidade
com o existencialismo. A preocupação com a textura física é
evidente no art informel e no tâchisme e também aparece nas
obras do pintor francês Jean Dubuffet. Mas, ao contrário de
seus colegas que também produziam arte abstrata, Dubuffet
enfocava a figura humana e se inspirava na arte das crianças,
dos loucos e de outros que ele acreditava desprovidos de
influencias culturais corruptoras. Denominou seu estilo de art
brut (em francês, arte bruta) e, desde então, esse termo é
utilizado para se fazer referência à arte de Dubuffet. Assim
como muitos artistas contemporâneos anteriores, ele procurava
inspiração em fontes alheias à tradição ocidental. Rejeitava
a idéia de que a arte devesse ser esteticamente agradável ou,
apenas, ilustrar a realidade visual. Seu estilo de desenho,
deliberadamente seco, enfatizava um processo de criação lento e
difícil. Desse modo, rejeitava a facilidade e a impulsividade
dos pintores abstratos em favor de uma arte mais primitiva, crua
e bruta.
20.A
ESCULTURA ABSTRATA
O
escultor americano Alexander Calder começou a criar obras de
arte ao fazer experiências com formas e movimentos abstratos nas
décadas de 1920 e de 1930, ao ser influenciado pelas formas
mecânicas do construtivismo russo e pelas composições de
Mondrian. Mas sua contribuição mais inovadora foi o móbile,
uma escultura abstrata feita em metal, cujos componentes estavam
em equilíbrio e dispostos de forma a permitir um movimento
natural. Assim, o artista incorporou o princípio da casualidade
à obra, permitindo que a natureza ventos ou correntes de
ar movimentasse-as de maneira imprevisível. Calder
produziu esculturas móveis da década de 1930 até a de 1970.
Outro escultor que rompeu os limites estabelecidos das categorias
artísticas foi o americano David Smith. Em suas obras da década
de 1930 até o início da de 1950, misturou objetos com formas
abstratas, a fluidez do traço com a solidez da forma esculpida e
a opacidade do metal com a transparência de seu traço. Suas
obras não parecem ter um centro de atenção visual e, sendo
assim, aplica-se à elas o princípio da composição encontrado
no abstracionismo. Em obras posteriores, como Cubi XIX (1964,
Tate Gallery, Londres), Smith passou da abstração orgânica
para a geométrica, soldando formas cúbicas com um equilíbrio
precário. Manteve uma mistura de elementos da escultura e da
pintura ao lustrar e polir a superfície de metal de Cubi XIX, um
processo que deixou marcas de caligrafia curvas e produziu um
sentido de espontaneidade na execução da obra do artista. As
esculturas em madeira de Louise Nevelson também refletiam as
composições completamente estampadas características do
abstracionismo. Nevelson pegava objetos comuns, colocava-os
dentro de molduras geométricas dispostas firmemente e os pintava
de uma única cor, em geral, preto. Ao transformar esses objetos
comuns em obra de arte, neutralizou suas identidades e funções
originais. A cor única unia os vários elementos, até mesmo
enquanto despertava atenção para a variedade de formas. Ainda
que muitas de suas peças ficassem apoiadas no chão, suas obras
posteriores tornaram-se cada vez mais dinâmicas, ficando presas
à parede. Um exemplo de suas obras é a Obscuridade total
(1962), caixas de madeira que contêm, em seu interior, grande
variedade de objetos também de madeira.
21.O
RETORNO DO DADAÍSMO
Ainda
que o abstracionismo seja amplamente identificado com a arte dos
Estados Unidos da década de 1940 em diante, no final dos anos
1950 os artistas americanos Robert Rauschenberg e Jasper Johns
quiseram reiniciar o diálogo entre a arte e os objetos comuns,
que já havia sido iniciado pelo movimento dadaísta.
Rauschenberg inventou a combinação, uma forma artística que,
como o próprio nome indica, combinava a pintura com objetos
reais. Essas obras se encontravam em uma posição intermediária
ente a pintura e a escultura, entre a arte de elite e a cultura
popular. Misturavam a aplicação altamente pessoal e gestual da
tinta típica do abstracionismo, com o lixo descartado da cultura
ocidental, assim como com objetos do cotidiano, como fotos e
recortes de jornal. Da mesma forma, Johns jogava com os opostos.
Em Bandeira (1958, Museu de Arte Moderna, Nova York), por
exemplo, pintou uma réplica de um objeto bastante conhecido, a
bandeira americana. Sua obra parodiava o desejo abstracionista de
liberdade de expressão ao usar a forma predeterminada e o
padrão decorativo da bandeira. Assim, ele arruinou o formato da
bandeira através da concepção da superfície áspera e
irregular da pintura, obtida da mistura de jornais amassados com
a tinta. Para completar o círculo, essa superfície texturizada
faz com que o observador se recorde das pinceladas das obras
abstracionistas. Além disso, Johns escolheu representar um
objeto que é tão plano quanto uma pintura, levando o espectador
a especular se trata-se de uma pintura de uma bandeira, uma
bandeira propriamente dita ou ambas as coisas.
22.MINIMALISMO
As
listras da bandeira de Johns influenciaram de forma marcante
Frank Stella, um artista cujo estilo ajudou a dar início a um
movimento completamente diferente: a arte minimalista. Ele
eliminou qualquer referência a objetos do cotidiano, mas manteve
o conceito de repetição que há nas bandeiras de Johns. Em The
Marriage of Reason and Squalor (1959, Museu de Arte Moderna, Nova
York), pintou um padrão de listras finas em tecido, brancas e
simétricas e precisamente mensuradas em uma tela preta, usando a
repetição como sua maneira de compor a imagem. Uma vez que
tivesse definido uma unidade modular (a listra), simplesmente
repetia essa unidade por toda a tela. Abandonou o método
tradicional de compor a pintura, em que o artista adiciona aos
poucos elementos que dão equilíbrio à imagem, e adotou um
método através do qual a pintura virtualmente pinta a si mesma.
Ao ser perguntado quanto ao conteúdo de sua obra, Stella
respondeu: "O que você vê é o que você vê",
querendo dizer que a experiência visual da obra era o aspecto
mais significativo, e que as tentativas de inferir qualquer
significado não eram o ponto essencial da questão. Outra figura
chave no movimento minimalista foi o escultor Donald Judd. Como
Stella, usou em suas esculturas o artifício minimalista da
repetição. Muitas dessas obras consistem em séries de caixas
idênticas e intercambiáveis, feitas de materiais industriais
como o aço e plexiglas. Além disso, Judd eliminou todo o
conteúdo emocional de sua obra ao passar para engenheiros e
artesãos a tarefa de construir suas esculturas. Outros artistas
minimalistas importantes foram os americanos Carl Andre, Robert
Morris e Dan Flavin.
23.ARTE
POP
O
movimento da arte pop da década de 1960 se inspirou nos objetos
do cotidiano usados por Johns e Rauschenberg. Os artistas pop,
como os americanos Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes
Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselman, estabeleceram um
forte vínculo entre a arte da elite e a cultura popular. Em
Whaam! (1963, Tate Gallery, Londres), Lichtenstein produziu um
tipo de arte a partir de um tema jamais associado à elite: as
histórias em quadrinhos. Lichtenstein reproduziu as tiras de
histórias, inclusive os pontos mecânicos criados pelo processo
de impressão. Mas o aspecto mais original na imagem de
Lichtenstein foi o fato de que, uma vez separados, os quadrinhos
já não contavam mais uma história. Fora de contexto, a imagem
tinha sua própria força abstrata. Além disso, os pontos
impressos à máquina ganharam uma nova nitidez ao serem pintados
a mão por Lichtenstein. Andy Warhol preferiu adotar outra
estratégia. Como Judd, freqüentemente delegava a execução de
suas peças a assistentes. Em sua Bomba atômica (1965, Saatchi
Collection, Londres) e em peças semelhantes que mostram batidas
de carro e cadeiras elétricas, Warhol reproduziu repetidamente
imagens chocantes retiradas de um jornal. Essas obras
demonstraram como a repetição, possibilitada pelas técnicas de
reprodução mecânica, às vezes pode deixar o público
insensível em relação ao conteúdo de uma imagem.
24.NOVAS
FORMAS DE ARTE
Nas
décadas de 1960 e de 1970, vários movimentos surgiram para
tentar libertar a arte da influência do mercado artístico,
sistema no qual as obras de arte se transformavam em mercadorias
para serem compradas e vendidas como investimento financeiro. Um
grupo de artistas, às vezes chamado de pós-minimalista, queria
criar formas que tivessem um período de vida curto demais para
serem vendidas. O escultor Richard Serra, por exemplo, jogou
chumbo derretido em um canto da Galeria Leo Castelli, em Nova
York, para uma série de obras chamada Splashing (1968). Seu
objetivo não era apenas produzir uma arte efêmera, que não
fosse vendável, mas também expressar as propriedades inerentes
do metal líquido, que passaram a ser visíveis apenas quando
esse material entrou em atividade. Os artistas Robert Smithson,
Michael Heizer, Walter De Maria e Nancy Holt também se engajaram
no movimento de incorporar as forças da natureza à uma obra de
arte. Esses artistas decidiram levar suas obras para o ar livre e
criar o que ficou conhecido como earthworks (ver Arte e
arquitetura dos Estados Unidos). Ao invés de pincéis ou lápis,
usavam máquinas de terraplanagem e outros equipamentos para
transformar a terra em formas esculturais gigantescas. A obra
Spiral Jetty (1970), de Smithson, por exemplo, era uma gigantesca
espiral de terra, pedra e cristais salinos que se estendia nas
margens do Grande Lago Salgado, em Utah. Essa obra não era
apenas grande demais para ser comprada ou vendida, como também
vulnerável às forças da natureza, como a chuva, o vento e a
erosão.
25.A
PERFORMANCE
O
movimento de performance surgiu no início da década de 1960 com
o objetivo de acabar com as forças de mercado controladoras da
arte e inspirado pelas performances dadaístas existentes há
aproximadamente 40 anos. Allan Kaprow, Vito Acconci, Chris Burden
e Carolee Schneeman foram alguns dos artistas que criaram os
happenings. Essas apresentações ou eventos sem ensaio, onde
quase sempre se esperava a participação da platéia, tinham
como objetivo romper as fronteiras entre a arte e a vida
cotidiana. Na Alemanha, um grupo de artistas internacionais que
se autodenominava Fluxus tinha objetivos semelhantes. O Fluxus
foi fundado em 1961 pelo artista americano George Maciunas, o
americano de origem coreana Nam June Paik e o artista alemão
Wolf Vostell. Joseph Beuys, um escultor e artista performático
alemão, foi um dos membros mais importantes do Fluxus. Dentro do
espírito do dadaísmo, suas demonstrações eram quase sempre
intencionalmente absurdas, como a sua sugestão de que o Muro de
Berlim deveria ganhar alguns centímetros de altura para ficar
mais proporcional, ou a sua tentativa de fundar partidos
políticos para os animais. Em How to Explain Pictures to a Dead
Hare (1965), Beuys amarrou um pedaço de feltro na sola de um dos
pés e um pedaço de metal na outra. Em seguida cobriu a cabeça
com uma folha dourada e começou a dar explicações sobre obras
de arte a uma lebre morta que embalava nos braços. Por trás
desses evidentes absurdos, existiam questões mais sérias, que
discutiam quais eram os limites entre a vida e a morte, entre o
ser humano e os animais, o racional e o irracional e, finalmente,
entre a arte e a platéia.
26.ARTE
CONCEITUAL
Os
artistas performáticos iniciaram o processo de separação entre
a arte e a criação de um objeto físico. O movimento da arte
conceitual adotou esse impulso em sua conclusão lógica. Em
meados da década de 1960, os artistas conceituais começaram a
produzir obras de arte indistingüíveis das idéias
responsáveis por sua existência. A obra One and Three Chairs
(1970, Museu de Arte Moderna, Nova York), do artista conceitual
americano Joseph Kosuth, é um exemplo do que ele denominava
"arte como idéia como idéia". Kosuth justapôs uma
cadeira de verdade, uma foto de uma cadeira e uma definição por
escrito do termo cadeira retirada de um dicionário e, com isso,
chamou atenção para a distinção entre realidade e
representação e entre representação e linguagem. Outros
artistas conceituais queriam que sua arte tivesse mais conteúdo
político do que apenas filosófico. Em Direito à vida (1979,
acervo particular), o artista alemão Hans Haacke reproduziu uma
conhecida propaganda de xampu que mostrava uma jovem com cabelo
brilhante. Abaixo da reprodução, Haacke afixou o regulamento do
fabricante em relação aos riscos que as funcionárias próximas
à época de entrar em trabalho de parto sofriam ao serem
expostas a substâncias químicas tóxicas. Esse regulamento
isentava a empresa de responsabilidade caso essas mulheres
gerassem filhos com deficiências. Também declarava que essas
mulheres tinham o direito de pedir demissão, de aceitar
exercerem outras funções na mesma empresa, mas que pagavam
salários mais baixos, ou de serem esterilizadas. A legenda de
Haacke repetia o nome da empresa e adicionava o comentário
sarcástico: "Onde as mulheres têm escolha".
27.FOTO-REALISMO
Enquanto
as performances, os trabalhos que usavam terra e a arte
conceitual pareciam indicar o fim da arte como objeto físico
permanente, o movimento do foto-realismo defendia a volta a
técnicas e temas mais tradicionais. Os pintores foto-realistas
Chuck Close, Don Eddy, Richard Estes, Audrey Flack e Ralph
Goings e o inglês Malcolm Morley pintaram obras sobre
fotografias. A obra Phil (1969, Museu Whitney de Arte Americana,
Nova York), de Close, é um enorme retrato do compositor
americano Philip Glass. Mas a fotografia jamais reproduz o mundo
exatamente como ele é. A curvatura da lente da máquina
fotográfica deformou levemente o formato do rosto, a ponta do
nariz e certos fios do cabelo aparecem fora de foco e outras
distorções sutis também aparecem na obra. Ao invés de
corrigir essas imperfeições, Close as registrou da forma mais
exata possível em sua pintura. O foto-realismo era um novo tipo
de realismo. Não era tanto uma representação quanto uma
representação da representação, um reconhecimento óbvio do
papel da máquina fotográfica como instrumento intermediário
entre a realidade e o artista. Escultores como Duane Hanson e
John De Andrea criaram imagens humanas tridimensionais vinculadas
fortemente ao foto-realismo. Mais do que usar a máquina
fotográfica, eles faziam moldes diretamente do corpo humano.
Para fazer Artist and His Model (1980, acervo particular), De
Andrea usou moldes feitos a partir do corpo de um modelo e do seu
próprio, que depois pintou para criar uma reprodução com
detalhes precisos. Mas, apesar da fantástica ilusão de
realidade, De Andrea deixou de pintar o pé do modelo. A cor da
pele pode ser percebida pelo espectador apenas quando ele olha do
pé para a perna e depois para o corpo. Essa omissão de De
Andrea nega a verdade inicial da obra e lembra o mito de
Pigmalião, o artista que se apaixonou por sua escultura de tal
forma que os deuses lhe concederam seu desejo e deram vida à
obra.
28.NEO-EXPRESSIONISMO
Nas
décadas de 1970 e 1980, o retorno à arte figurativa tomou um
aspecto mais pessoal com o neo-expressionismo. Na Itália,
Alemanha e Estados Unidos os neo-expressionistas usaram as mesmas
pinceladas vigorosas dos artistas expressionistas, mas pintaram a
forma humana de novas maneiras. Os artistas italianos, como
Francesco Clemente, Sandro Chia e Enzo Cucchi, exploraram
assuntos como a mitologia clássica e outros tópicos ignorados
por muito tempo pelo modernismo. Na Alemanha, o
neo-expressionismo permitiu que os artistas criassem suas obras a
partir de seu passado cultural. As primeiras manifestações do
expressionismo no Die Brücke e no Der Blaue Reiter foram
essencialmente alemãs. Ao mesmo tempo, pintores alemães como
Anselm Kiefer e Georg Baselitz puderam usar a linguagem visual
dos primeiros expressionistas para abordar questões difíceis
sobre o passado da Alemanha nazista (ver Nazismo), ignorados por
pintores abstratos das décadas anteriores. Os
neo-expressionistas americanos Julian Schnabel, Eric Fischl,
David Salle e outros usaram a representação figurativa de
muitas maneiras diferentes. Fischl representou cenas sinistras da
vida nos bairros. Schnabel pintou sobre materiais pouco
convencionais, como veludo preto e louça de barro quebrada e
Salle fez referências à obras variadas que iam de pinturas
holandesas do século XVII e desenhos animados de Walt Disney
até obras expressionistas abstratas. A obra de Salle parecia
rejeitar a idéia de originalidade que tinha sido tão importante
para os primeiros modernistas.
29.PLURALISMO
O uso
indiscriminado de Salle de estilos artísticos anteriores é um
aspecto de um fenômeno maior conhecido como pós-modernismo. É
problemático definir esse termo de significado tão amplo pois
este depende de uma definição de modernismo convincente, sendo
poucos os acadêmicos que chegaram a um acordo sobre o que é
realmente o modernismo. Além do empréstimo de estilos, o
pós-modernismo inclui inconsistências, ironias, alegorias,
impurezas, referências à linguagem e significados ambíguos.
Muito já se discutiu no âmbito acadêmico quanto ao fato dessas
estratégias terem sido completamente novas ou elementos
fundamentais do modernismo. Estilos concorrentes coexistiram
durante os anos 1980 e 1990, período descrito como pluralista.
Aparentemente, o único elo de ligação entre a maioria dos
artistas era a crença contínua na arte como algo impossível de
ser completamente definido. Essa diversidade pode ser vista nas
obras do artista americano Jenny Holzer, que criou letreiros
eletrônicos, nas do americano de origem coreana Nam June Paik,
que construiu torres a partir de aparelhos de televisão e nas
dos americanos Keith Haring e Jean-Michel Basquiat, que
transformaram o grafite em arte. Alguns artistas começaram a
usar programas de computador para criar obras de arte que
questionam a própria existência da arte. Em uma instalação de
1997 do artista americano Peter Halley no Museu de Arte Moderna
de Nova York, os espectadores usaram computadores para alterar as
imagens e as cores que o artista tinha escolhido. A obra levantou
várias questões fundamentais: o que é a obra de arte? É a
imagem na tela? Impressão? Programa de computador? Se o programa
for interativo, quem, então, é o artista? Ou a palavra
artista já não é mais adequada? Essas são algumas
das importantes questões que a arte do século XX não
respondeu.