Arte
e Arquitetura do Egito
1.INTRODUÇÃO
Egito,
Arte e arquitetura do, edifícios, pinturas, esculturas e artes
aplicadas do antigo Egito, da pré-história à conquista romana
no ano 30 a.C. A história do Egito foi a mais longa de
todas as civilizações antigas que floresceram em torno do
Mediterrâneo, estendendo-se, quase sem interrupção, desde
aproximadamente o ano 3000 a.C. até o século IV d.C. A
natureza do país desenvolvido em torno do Nilo, que o
banha e fertiliza, em quase total isolamento de influências
culturais exteriores produziu um estilo artístico que mal
sofreu mudanças ao longo de seus mais de 3.000 anos de
história. Todas as manifestações artísticas estiveram,
basicamente, a serviço do estado, da religião e do faraó,
considerado como um deus sobre a terra. Desde os primeiros
tempos, a crença numa vida depois da morte ditou a norma de
enterrar os corpos com seus melhores pertences, para assegurar
seu trânsito na eternidade. A regularidade dos ciclos naturais,
o crescimento e a inundação anual do rio Nilo, a sucessão das
estações e o curso solar que provocava o dia e a noite foram
considerados como presentes dos deuses às pessoas do Egito. O
pensamento, a cultura e a moral egípicios eram baseados num
profundo respeito pela ordem e pelo equilíbrio. A arte pretendia
ser útil: não se falava em peças ou em obras belas, e sim em
eficazes ou eficientes. O intercâmbio cultural e a novidade
nunca foram considerados como algo importante por si mesmos.
Assim, as convenções e o estilo representativos da arte
egípcia, estabelecidos desde o primeiro momento, continuaram
praticamente imutáveis através dos tempos. Para o espectador
contemporâneo a linguagem artística pode parecer rígida e
estática. Sua intenção fundamental, sem dúvida, não foi a de
criar uma imagem real das coisas tal como apareciam, mas sim
captar para a eternidade a essência do objeto, da pessoa ou do
animal representado.
2.PERÍODO
PRÉ-DINÁSTICO
Os
primeiros povoadores pré-históricos assentaram-se sobre as
terras ou planaltos formados pelos sedimentos que o rio Nilo
havia depositado em seu curso. Os objetos e ferramentas deixados
pelos primeiros habitantes do Egito mostram sua paulatina
transformação de uma sociedade de caçadores-catadores
seminômades em agricultores sedentários. O período
pré-dinástico abrange de 4000 a.C. a 3100 a.C.,
aproximadamente.
3.ANTIGO
IMPÉRIO
Durante
as primeiras dinastias, construíram-se importantes complexos
funerários para os faraós em Abidos e Sakkara. Os hieróglifos
(escrita figurativa), forma de escrever a língua egípcia,
encontravam-se então em seu primeiro nível de evolução e já
mostravam seu caráter de algo vivo, como o resto da decoração.
Na III dinastia, a capital mudou-se para Mênfis e os faraós
iniciaram a construção de pirâmides, que substituíram as
mastabas como tumbas reais. O arquiteto, cientista e pensador
Imhotep construiu para o faraó Zoser
(c. 2737-2717 a.C.) uma pirâmide em degraus de pedra e
um grupo de templos, altares e dependências afins. Deste
período é o famoso conjunto monumental de Gizé, onde se
encontram as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. A
escultura caracterizava-se pelo estilo hierático, a rigidez, as
formas cúbicas e a frontalidade. Primeiro, talhava-se um bloco
de pedra de forma retangular; depois, desenhava-se na frente e
nas laterais da pedra a figura ou objeto a ser representado.
Destaca-se, dessa época, a estátua rígida do faraó Quéfren
(c. 2530 a.C.). A escultura em relevo servia a dois
propósitos fundamentais: glorificar o faraó (feita nos muros
dos templos) e preparar o espírito em seu caminho até a
eternidade (feita nas tumbas). Na cerâmica, as peças ricamente
decoradas do período pré-dinástico foram substituídas por
belas peças não decoradas, de superfície polida e com uma
grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de
objetos de uso cotidiano. Já as jóias eram feitas em ouro e
pedras semipreciosas, incorporando formas e desenhos, de animais
e de vegetais. Ao finalizar a VI dinastia, o poder central do
Egito havia diminuído e os governantes locais decidiram fazer as
tumbas em suas próprias províncias, em lugar de serem
enterrados perto das necrópoles dos faraós a quem serviam.
Desta dinastia data a estátua em metal mais antiga que se
conhece no Egito: uma imagem em cobre (c. 2300 a.C.) de
Pepi I (c. 2395-2360 a.C.).
4.MÉDIO
IMPÉRIO
Mentuhotep
II, faraó da XI dinastia, foi o primeiro faraó do novo Egito
unificado do Médio Império (2134-1784 a.C.). Criou um novo
estilo ou uma nova tipologia de monumento funerário,
provavelmente inspirado nos conjuntos funerários do Antigo
Império. Na margem oeste do Tebas, até o outro lado do Nilo, no
lugar denominado de Deir el Bahari, construiu-se um templo no
vale ligado por um longo caminho real a outro templo que se
encontrava instalado na encosta da montanha. Formado por uma
mastaba coroada por uma pirâmide e rodeado de pórticos em dois
níveis, os muros foram decorados com relevos do faraó em
companhia dos deuses. A escultura do Médio Império se
caracterizava pela tendência ao realismo. Destacam-se os
retratos de faraós como Amenemés III e Sesóstris III. O
costume entre os nobres de serem enterrados em tumbas
construídas em seus próprios centros de influência, em vez de
na capital, manteve-se vigente. Ainda que muitas delas estivessem
decoradas com relevos, como as tumbas de Asuán, no sul, outras,
como as de Beni Hassan e El Bersha, no Médio Egito, foram
decoradas exclusivamente com pinturas. A pintura também decorava
os sarcófagos retangulares de madeira, típicos deste período.
Os desenhos eram muito lineares e mostravam grande minúcia nos
detalhes. No Médio Império, também foram produzidos
magníficos trabalhos de arte decorativa, particularmente jóias
feitas em metais preciosos com incrustação de pedras coloridas.
Neste período aparece a técnica do granulado e o barro vidrado
alcançou grande importância para a elaboração de amuletos e
pequenas figuras.
5.NOVO
IMPÉRIO
O Novo
Império (1570-1070 a.C.) começou com a XVIII dinastia e
foi uma época de grande poder, riqueza e influência. Quase
todos os faraós deste período preocuparam-se em ampliar o
conjunto de templos de Karnak, centro de culto a Amon, que se
converteu, assim, num dos mais impressionantes complexos
religiosos da história. Próximo a este conjunto, destaca-se
também o templo de Luxor. Do Novo Império, também se destaca o
insólito templo da rainha Hatshepsut, em Deir el Bahari,
levantado pelo arquiteto Senemut (morto no ano de 1428 a.C.)
e situado diante dos alcantilados do rio Nilo, junto ao templo de
Mentuhotep II. Durante a XIX Dinastia, na época de Ramsés II,
um dos mais importantes faraós do Novo Império, foram
construídos os gigantescos templos de Abu Simbel, na Núbia, ao
sul do Egito. A escultura, naquele momento, alcançou uma nova
dimensão e surgiu um estilo cortesão, no qual se combinavam
perfeitamente a elegância e a cuidadosa atenção aos detalhes
mais delicados. Tal estilo alcançaria a maturidade nos tempos de
Amenófis III. A arte na época de Akhenaton refletia a
revolução religiosa promovida pelo faraó, que adorava Aton,
deus solar, e projetou uma linha artística orientada nesta nova
direção, eliminando a imobilidade tradicional da arte egípcia.
Deste período, destaca-se o busto da rainha Nefertiti
(c. 1365 a.C.). A pintura predominou então na
decoração das tumbas privadas. A necrópole de Tebas é uma
rica fonte de informação sobre a lenta evolução da tradição
artística, assim como de excelentes ilustrações da vida
naquela época. Durante o Novo Império, a arte decorativa, a
pintura e a escultura alcançaram as mais elevadas etapas de
perfeição e beleza. Os objetos de uso cotidiano, utilizados
pela corte real e a nobreza, foram maravilhosamente desenhados e
elaborados com grande destreza técnica. Não há melhor exemplo
para ilustrar esta afirmação do que o enxoval funerário da
tumba (descoberta em 1922) de Tutankhamen.
6.ÉPOCA
TARDIA
Em
Madinat Habu, perto de Tebas, na margem ocidental do Nilo,
Ramsés III, o último da poderosa saga de faraós da XX
dinastia, levantou um enorme templo funerário
(1198-1167 a.C.), cujos restos são os mais conservados na
atualidade. O rei assírio Assurbanipal conquistou o Egito,
convertendo-o em província assíria até que Psamético I
(664-610 a.C.) libertou o país da dominação e criou uma
nova dinastia, a XXVI, denominada saíta. Desse período,
destacam-se os trabalhos de escultura em bronze, de grande
suavidade e brandura na modelagem, com tendência a formas
torneadas. Os egípcios tiveram então contato com os gregos,
alguns dos quais haviam servido em seu exército como
mercenários, e também com os judeus, através de uma colônia
que estes tinham no sul, perto de Asuán. A conquista do país
por Alexandre Magno, em 332 a.C., e pelos romanos, no ano
30 a.C., introduziu o Egito na esfera do mundo clássico,
embora persistissem suas antigas tradições artísticas.
Alexandre (fundador da cidade de Alexandria, que se converteu num
importante foco da cultura helenística) e seus sucessores
aparecem representados em relevo nos muros dos templos como se
fossem autênticos faraós e num claro estilo egípcio, e
não clássico. Os templos construídos durante o período
ptolomaico (helênico) repetem os modelos arquitetônicos
tradicionais do Egito.