Arte
e Arquitetura da Mesopotâmia
1.INTRODUÇÃO
Arte e
arquitetura da Mesopotâmia, foi o conjunto de obras realizadas
pelas civilizações do antigo Oriente Médio que habitaram a
região compreendida entre os rios Tigres e Eufrates, atual
Iraque, desde a pré-história até o século VI a.C. As terras
baixas da Mesopotâmia abarcam a planície fértil, porém seus
habitantes tiveram que enfrentar o perigo das invasões, as
extremas temperaturas atmosféricas, os períodos de seca, as
violentas tormentas e os ataques das feras. Sua arte reflete, ao
mesmo tempo, sua adaptação e seu medo destas forças naturais,
assim como suas conquistas militares. Estabeleceram núcleos
urbanos nas planícies, cada um dominado por um templo, que foi o
centro do comércio e da religião, até que foi desbancado em
importância pelo palácio real. O solo da Mesopotâmia
proporcionava o barro para o adobe, material de construção mais
importante desta civilização. Os mesopotâmicos também fizeram
a cozedura da argila para obter terracota, com a qual fizeram
cerâmica, esculturas e tábuas para a escrita. Conservaram-se
poucos objetos de madeira. Na escultura, empregaram ainda
basalto, arenito, diorita, alabastro e alguns metais, como o
bronze, o cobre, o ouro e a prata, bem como o nácar e as pedras
preciosas nos trabalhos mais finos e de incrustação. Pedras
como lápis-lazúli, jaspe, alabastro e hematitas foram
igualmente usadas nos selos cilíndricos, marca pessoal usada em
correspondências e documentos. A arte da Mesopotâmia abrange
uma tradição de 4.000 anos que, em estilo e iconografia, é
aparentemente homogênea. De fato, foi criada e mantida pelas
ondas de povos invasores, diferentes tanto étnica como
lingüisticamente. Até a conquista pelos persas, no século VI
a.C., cada um desses grupos fez sua própria contribuição à
arte mesopotâmica. O povo sumério foi o primeiro a controlar a
região e desenvolveu a arte, seguidos pelos acádios, os
babilônios e os assírios. O controle político mesopotâmico e
suas influências artísticas se estenderam às culturas
vizinhas, chegando inclusive, em certas ocasiões, a regiões
tão distantes como a costa sírio-palestina, de modo que também
os motivos artísticos dessas áreas longínquas influíram nos
centros mesopotâmicos. Além disso, os demais povos que
invadiram o local recolheram tradições artísticas
mesopotâmicas.
2.O
PERÍODO PRÉ-HISTÓRICO
Os
períodos neolítico e calcolítico da arte mesopotâmica
(c. 7000 a.C.-c. 3500 a.C.), anteriores à
aparição definitiva da escrita, são designados pelo nome de
seus depósitos arqueológicos: no norte, Hassuna, onde têm sido
achadas algumas moradas e cerâmicas pintadas; Samarra, cujos
desenhos abstratos e figurativos das cerâmicas parecem ter
significado religioso; e Tell Halaf, onde se fez cerâmicas
decoradas e estatuetas de mulheres sentadas, interpretadas como
deusas da fertilidade. No sul, os primeiros períodos recebem as
denominações de El-Obeid (c. 5500-c. 4000 a.C.)
e antigo e médio Uruk (c. 4000-c. 3500 a.C.). A
cultura de El-Obeid se caracteriza pela cerâmica brilhante
decorada em negro encontrada na localidade, ainda que existam
exemplos posteriores em Ur, Uruk, Eridu e Uqair. Também surgiram
nessa época os zigurates, ou torres escalonadas, típicas
construções religiosas da Mesopotâmia.
3.O
PERÍODO PROTODINÁSTICO OU ÉPOCA DO DINÁSTICO ARACAICO
A
primeira época histórica do domínio sumério se estendeu
aproximadamente de 3000 a.C. até 2340 a.C. Ao mesmo
tempo que continuaram as antigas tradições construtivas,
introduziu-se uma nova tipologia arquitetônica: o templo oval,
recinto com uma plataforma central que sustenta um santuário. As
cidades-estado, dirigidas por governantes ou soberanos que não
eram considerados seres divinos, localizavam-se em Ur, Umma,
Lagash (atual Al-Hiba), Kis e Eshnunna (atual Tell Asmar). Muitos
dos objetos feitos nesse período são comemorativos: relevos que
descrevem cenas de banquetes, celebrações de vitórias
militares ou construções de templos. Vários deles, como a
esteira de calcário litográfico do rei Eannatum de Lagash, eram
utilizados, freqüentemente, como limites. Nos selos cilíndricos
talhados, assim como na escultura de metal, os temas mitológicos
são os motivos mais comuns de representação. Num grande relevo
em cobre do templo de El-Obeid (c. 2340 a.C.), uma
águia com cabeça de leão e asas estendidas se lança sobre
dois cervos. As figuras, metade homem, metade touro, foram
motivos destacados. A escultura suméria, geralmente de
alabastro, exibe uma grande variedade de estilos e algumas de
suas formas geométricas são muito expressivas. Incluem figuras
de oferendas, sacerdotes ou governantes, algumas do sexo
feminino. No templo de Abu, em Tell Asmar, foram encontradas 12
delas. Estas esculturas de pedra
(c. 2740 a.C.-2600 a.C.), com seus braços
dispostos diante do peito com as mãos juntas, têm olhos
enormes, redondos e saltados, de olhar fixo, feitos com conchas
marinhas e calcário negro. A arquitetura desse período, em Mari
(atual Tell Hariri, Síria), mostra influências da área
ocidental da Mesopotâmia.
4.O
PERÍODO ACÁDIO
Os povos
semitas acádios alcançaram gradualmente o domínio da zona em
fins do século XXIV a.C. Durante o reinado de Sargon I o Grande,
aproximadamente entre 2335 a.C. e 2279 a.C., estenderam
seu domínio sobre a Suméria, unificando toda a Mesopotâmia.
Ainda que subsistam poucos vestígios de sua arte, os restos
conservados são dotados de excelência técnica e forte energia.
Nas cidades acádias de Sippar, Assur, Eshnunna e Tell Brak e em
sua ainda não encontrada capital, Acad, o palácio era o
edifício mais importante, em substituição ao templo. Uma
magnífica cabeça de cobre de Nínive, que representa,
provavelmente, Naramsin, enfatiza a nobreza dos soberanos
acádios, que assumiram o aspecto de semideuses.
5.O
PERÍODO NEO-SUMÉRIO
Depois
de um século e meio, o império Acádio caiu sob o domínio dos
gutis, povos nômades que não centralizaram seu poder. Isto
permitiu que as cidade sumérias de Uruk, Ur e Lagash se
reorgazissem, iniciando o período neo-sumério ou terceira
dinastia de Ur (c. 2121-2004 a.C.). Em Ur, Eridu,
Nippur e Uruk, foram construídos impressionantes santuários,
que incorporavam zigurates feitos com tijolos e adobe. 6.O
PERÍODO ARCAICO BABILÔNIO OU PERÍODO PALEOBABILÔNICO Após o
declive da civilização suméria, a Mesopotâmia foi uma vez
mais unificada por governantes semitas
(c. 2000-1600 a.C.), como Hamurabi da Babilônia. De
Mari procede a arte mais original desse período, incluindo
arquitetura, escultura, artesanato em metal e pintura mural. Os
pequenos frisos de Mari e de outras cidades mostram cenas da vida
cotidiana, com músicos, lutadores, carpinteiros e camponeses.
Tais representações são muito mais reais que as da solene arte
religiosa ou oficial. Os casitas, de origem mesopotâmica, que
apareceram na Babilônia pouco depois da morte de Hamurabi, no
ano 1750 a.C., substituíram os governantes anteriores até
1600 a.C. e adotaram a cultura e a arte mesopotâmicas. Os
elamitas do oeste do Irã destruíram o reino casita em
1150 a.C. e sua arte parece uma imitação rudimentar dos
primeiros estilos mesopotâmicos.
7.O
IMPÉRIO ASSÍRIO
A
história da arte primitiva assíria data do século XVIII ao XIV
a.C., mas é pouco conhecida. A arte do período assírio médio
ou mesoassírio (1350 a.C. a 1000 a.C.) mostra sua
dependência das tradições estilísticas babilônicas. Os temas
religiosos são apresentados de uma forma solene e as cenas
profanas, de maneira mais naturalista. O zigurate foi a principal
forma de arquitetura religiosa assíria e o uso de tijolos
vitrificados policromáticos, muito comum nessa fase. A arte
assíria genuína teve sua época fulgurante no período
neoassírio ou período assírio tardio (1000-612 a.C.). Com
Assurbanipal II, que converteu a cidade de Nimrud (antiga Calah
da Bíblia) em capital militar. Dentro de seus muros,
encontravam-se a cidadela e as principais construções reais,
como o palácio do noroeste, decorado com esculturas em relevo.
Sargon II, que reinou entre 722 e 705 a.C., criou uma cidade
de planta nova, Dur Sharrukin (atual Jorsabad), que estava
rodeada por uma muralha com sete portas, três delas decoradas
com relevos e tijolos vitrificados. No interior, erguia-se o
palácio de Sargon, um grande templo, as residências e os
templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, que reinou
entre os anos de 705 e 681 a.C., mudou a capital para
Nínive, onde construiu seu próprio palácio, o qual denominou
palácio sem rival. Os assírios adornaram seus
palácios com magníficos relevos esculturais. A arte dos
entalhadores de selos do último período assírio é uma
combinação de realismo e mitologia. Mesmo nas cenas
naturalistas, aparecem símbolos dos deuses. Datam desse
período, em Nimrud e em Jorsabad, fabulosas esculturas de
marfim. Na primeira, foram econtradas milhares de pequenas
figuras de elefantes, que manifestam uma grande variedade de
estilos.
8.AS
ARTES SÍRIA, FENÍCIA E PALESTINA
Por
encontrarem-se a Síria, a Fenícia e a Palestina na rota
terrestre entre a Ásia Menor e a África, a arte antiga destas
regiões mostra a influência dos povos que as conquistaram, as
atravessaram ou comercializaram com seus habitantes. Foram
encontrados selos cilíndricos mesopotâmicos do período
artístico Jemdet Nasr tanto na cidade israelense de Megido como
em Biblos, capital da Fenícia. Posteriormente, os hurritas do
norte da Síria especializaram-se no estalhe desses selos. A
cerâmica, os trabalhos em pedra e os escaravelhos do século
XXIX a.C. foram influenciados pela arte egípcia. As estatuetas
de bronze encontradas em Biblos, assim como os punhais e outras
armas cerimoniais, do início do segundo milênio a.C., são já
marcadamente fenícios. Ainda que os motivos utilizados pelos
artistas locais procedam de mais além do que de sua região
imediata (Creta, Egito, Império Hitita e Mesopotâmia), a
técnica empregada nos objetos artísticos encontrados em Biblos
e Ugarit, com todo seu significado cultural, é especialmente
fenícia. Os ourives fenícios foram adestrados artesãos, porém
a qualidade de seu trabalho dependia da sensibilidade da
clientela. Quiçá graças à competência egípcia, o trabalho
em marfim foi sempre excelente. Os fenícios venderam suas
mercadorias por todo o Oriente Médio e a expansão de sua
iconografia e de seu alfabeto podem ser atribuídos ao fato de
terem sido grandes comerciantes da Antigüidade.
9.O
PERÍODO NEOBABILÔNICO
A
criatividade neobabilônica se manifesta em sua arquitetura,
principalmente na Babilônia, capital do reino, que alcançou seu
máximo esplendor entre 626 a.C. e 539 a.C. Essa enorme
cidade, destruída em 689 a.C. por Senaqueribe, rei da
Assíria, foi reconstruída por iniciativa do rei Nabopolasar e
de seu filho Nabucodonosor II. Esagila, o templo de Marduk, foi
seu edifício mais notável, juntamente com Etemenanki, um
zigurate, aproximadamente de sete andares, conhecido mais tarde
como a Torre de Babel. Também se sobressaía o palácio de
Nabucodonosor II, uma das sete maravilhas do mundo. A Porta de
Istar (c. 575 a.C.) é uma das poucas estruturas
conservadas. O último rei babilônio, Nabônido, cujo reinado se
estendeu entre os anos 556 a.C. e 549 a.C., reconstruiu
a antiga capital suméria de Ur, incluindo o zigurate de Nanna,
que competia em esplendor com o zigurat de Etemenanki, na
Babilônia. No ano de 539 a.C., o reino neobabilônico caiu
sob o domínio de Ciro o Grande, rei aquemênida dos persas.