Dadaísmo
O
Dadaísmo foi um movimento originado em 1915 na cidade de Zurique
(cidade que durante a Primeira Grande Guerra Mundial conservou-se
neutra). Negava todas as tradições sociais e artísticas, tinha
como base um anarquismo niilista e o slogan de Bakunin a
destruição também é criação. Contrários à burguesia
e ao naturalismo, identificado como a penetração
psicológica dos motivos do burguês, buscavam a
destruição da arte acadêmica e tinham grande admiração pela
arte abstrata. O acaso era extremamente valorizado pelos
dadaístas, bem como o absurdo. Tinha tendências claramente
anti-racionais e irônicas. Procurava chocar um público mais
ligado a valores tradicionais e libertar a imaginação via
destruição das noções artísticas convencionais. Acredita-se,
ainda, que seu pessimismo venha de uma reação de desilusão
causada pela Primeira Guerra Mundial. Apesar de sua curta
durabilidade - no período entre guerras, praticamente havia sido
esquecido - e das críticas realizadas ao movimento,
fundamentalmente baseadas em sua ausência de vocação
construtiva, teve grande importância para a arte do século XX.
Fez parte de um processo, observado nesse século, de
libertação da arte de valores preestabelecidos e busca de
experiências e formas expressivas mais apropriadas à expressão
do homem moderno e de sua vida. Originou-se de um grupo composto
por artistas como Tristan Tzara, Hans Harp, Richard Hülsenbeck,
Marcel Janko, Hugo Ball e Hans Richter que se encontravam em
cafés de Zurique. A idéia inicial era a realização de um
espetáculo internacional de Cabaré que contava com músicas
diversas, recitais de poesia e exposição de obras. A maneira
como surgiu o nome do evento é sugestiva: por acaso Ball e
Hülsenbeck abriram um dicionário de alemão-francês e acabaram
se deparando com a palavra dada, que foi posteriormente adotada
pelo grupo e pelo movimento que daí surgiria. A brochura
Cabaret Voltaire, a inauguração da Galeria
Dada em 1917 e as revistas Dada, seguidas de
livros sobre o movimento, ajudaram a popularizá-lo. Sua
provocação, ativismo e conceito de simultaneidade (realizar ao
mesmo tempo diversas apresentações, como a leitura de poemas
distintos) muito deve aos futuristas, entretanto, não possuía o
otimismo e a valorização da tecnologia que esse último
movimento tinha. O dadaísmo costuma ser bastante identificado
aos ready-mades de Duchamp, como os urinóis elevados à
categoria de obras de arte ou outras proezas do artista, como o
acréscimo de bigodes à Mona Lisa. Os poemas non-sense, as
máquinas sem função de Picabia, que zombavam da ciência, ou a
produção de quadros com detritos, como Merzbilder, de
Schwitters, são outras obras características do dadaísmo.
Além disso, o dadaísmo, desde o começo, pretendia ser um
movimento internacional nas artes. Picabia era o artista que
acabou por fazer a ponte entre o dadaísmo europeu e o americano,
tornando-se, juntamente com Duchamp e Man Ray, uma das principais
figuras do dadaísmo forte em Nova York. A revista Dada
291 era publicada nessa cidade americana, além de
Barcelona e Paris, outras cidades por onde o movimento
espalhara-se. Berlim, Colônia e Hanover eram outros importantes
focos Dada. (Na Alemanha, o movimento ganhou características
mais próximas de protesto social que de movimento artístico). O
dadaísmo forneceu grande inspiração para movimentos
posteriores, como o surrealismo, derivado dele, a Arte
Conceitual, o Expressionismo Abstrato e a Pop Art americana.