Lasar
Segall
Lasar
Segall (1891 - 1957) nasceu na comunidade judaica de Vilna,
Lituânia, tendo mudado para o Brasil em 1923 e posteriormente
adquirido cidadania brasileira. Durante sua carreira, seu estilo
sofreu várias influências, mas alguns temas recorrentes em sua
obra já aparecem desde as primeiras produções, como o universo
judaico, a perseguição aos povos (em especial os judeus) e a
ênfase na figura humana. Em seus primeiros trabalhos podem ser
notadas inspirações cubistas e impressionistas. Entretanto, em
1910, tendo se mudado para Dresden, onde viveu até 1921, absorve
a forte influência expressionista da cidade que havia sido
berço do grupo Die Brücke (a Ponte), adotando a deformação e
a síntese em suas pinturas. Durante esse período em Dresden, a
Alemanha passa por grave crise e forte agitação social e
artística. Segall toma parte na mobilização do país,
priorizando em suas representações as figuras desprivilegiadas
socialmente. Trata-se de uma geração expressionista mais
desesperançada pela realidade social que aquela que dá origem
ao movimento. As figuras humanas são perdidas, especialmente
deformadas nos pés, mãos e cabeças. Auto Retrato
II, de 1919, com forte influência das máscaras africanas,
é ilustrativo dessa fase. Cabe ressaltar que o expressionismo de
Segall é considerado um expressionismo construído,
uma vez que a deformação nunca foi levada às últimas
conseqüências e há uma inclinação para a busca de ordem. Os
desenhos - que limitam as cores - ainda são de grande
importância para Segall (após chegar ao Brasil, sua pintura vai
progressivamente dando menor ênfase ao desenho e privilegiando
mais as cores). São dessa fase em Dresden telas como
Aldeia Russa, de 1912, Eternos
Caminhantes de 1919 e o álbum Bubu, de 1921.
Após uma estadia em Berlim entre 1921 e 1923, muda-se para o
Brasil em 1923, impressionando-o muito o cenário, as cores e o
povo do país que marcaria, a partir de então, profundamente sua
obra. Afirma ter descoberto a cor e a luz no país. Mesmo quando
de sua curta volta à Europa, entre 1928 e 1932, realiza várias
telas a partir das lembranças brasileiras, como os negros, as
plantas tropicais, as favelas. É ainda durante esse período que
começa a esculpir, misturando a pintura e a escultura em obras
como Duas Mulheres, de 1929 ou Dois Nus,
de 1930. Por outro lado, é por seu intermédio que o Brasil
passa a ter maior contato com o expressionismo (suas obras são
as primeiras telas expressionistas a serem aqui exibidas). Acaba
por juntar-se aos artistas brasileiros que buscavam uma
revolução na arte através do movimento modernista, atuando
como grande influência para eles. Em 1932, já é um dos
fundadores da Sociedade pró Arte Moderna (existente até 1935).
Rapidamente passa a ser admirado por personalidades do modernismo
brasileiro como Mário de Andrade e Oswald de Andrade (para quem
inclusive realizou ilustrações de obras, como Poesias
Reunidas). Continua suas experiências com a pintura e a
escultura, principalmente utilizando-se de paisagens, retratos e
naturezas-mortas. Jovem de Cabelos Compridos, de
1942, é um exemplo da junção dessas técnicas. Com a Segunda
Guerra Mundial, o artista, que sempre teve inclinação para a
temática social, dedica-se ainda mais à produção de obras
dramáticas, demonstrando o destino trágico de grupos humanos.
São exemplos desse tipo de telas grandiosas Pogrom,
de 1937 e Navio de Emigrantes, 39/41. Seus últimos
trabalhos caracterizam-se por uma maior serenidade e forte
presença harmoniosa e sutil da luz e da cor, como demonstram
Floresta Crepuscular, de 1956, ou Rua de
Erradias I, também de 1956. Livros e edições de revistas
brasileiras e estrangeiras foram dedicados à sua obra, além de
filmes e documentários. Após sua morte, sua casa e estúdio
acaba virando sede do Museu Lasar Segall, dedicado ao artista.