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Renascimento

O Renascimento (ou Renascença), como o próprio nome indica, significa o revivescimento de algo que se considerava morto. Os cristãos já empregavam essa expressão quando aludiam à ressurreição dos mortos, por ocasião do Juízo Final. Entretanto, no caso específico do Renascimento Cultural do início dos Tempos Modernos, o termo ganhou outro significado: o de ressurgimento da cul­tura clássica (greco-romana).

O Renascimento Cultural não foi um acontecimento isolado. Ele faz parte de uma ampla gama de transforma­ções culturais, econômicas, sociais, políticas e religiosas que caracterizaram a transição do feudalismo para o capitalismo. Nesse sentido, o Renascimento pode ser entendido como um elemento de ruptura, no plano cultu­ral, com a estrutura medieval.

Como manifestação de uma nova visão de mundo, o Renascimento deslocou o centro de interesses do plano religioso, típico da Idade Média, para o campo profano ou secular (isto é, fora do âmbito da Igreja). Os renascentis­tas voltaram sua atenção para o mundo e para a realidade humana, não mais se atendo apenas ao sobrenatural e ao divino. O novo enfoque estava ligado ao humanismo, que, embora fosse um termo utilizado originalmente para designai" o conhecimento de Humanidades (disciplinas ligadas à Antiguidade Clássica), frequentemente é inter­pretado como o estudo e a glorificação do ser humano.

O humanismo foi o veículo por meio do qual os renascentistas tomaram consciência de seu tempo. E, por constituir a parte essencialmente intelectual do Renasci­mento, o humanismo se tomou um de seus mais impor­tantes elementos definidores.

Fatores do Renascimento Italiano

A nova cultura artística despontou em primeiro lugar nas cidades italianas, em consequência de vários fatores. Um deles foi o precoce desenvolvimento do pré-capitalismo na região, no início da Baixa idade Média, através de grandes empreendi­mentos comerciais. Paralelamente, a burguesia italiana adqui­riu características sociais definidas, formando uma aristocracia do dinheiro. O individualismo econômico burguês proporcio­nou as condições psicológicas e materiais indispensáveis à emancipação dos espíritos em todos os ramos da cultura, ou seja, ao Renascimento.

Formou-se, assim, o gosto burguês pelas artes e letras; famílias abastadas e eclesiastas puderam subvencionar artistas e intelectuais através do mecenato, como fizeram os Médicis de Florença, os Sforzas de Milão, os Gonzagas de Mântua e, em Roma, os papas Nicolau V, Júlio II e Leão X.

O fluxo comercial, iniciado já na Idade Média, propiciou o contato direto das cidades italianas com as civilizações bizanti­na e muçulmana, o que, por sua vez, possibilitou ao Ocidente aproximar-se da cultura grega, por eles conservada e divulga­da.

A sobrevivência da tradição clássica nas cidades italianas, onde os monumentos eram visíveis por toda parte, foi outro fator artístico importante.

Finalmente a fragmentação política da Itália em cidades-estado e em cortes principescas engajadas numa forte rivali­dade deu à arte acentuada expressão, criando as condições necessárias para o desenvolvimento da cultura renascentista.

Veja mais em: Renascimento Italiano.

A difusão do Renascimento

Os artistas e intelectuais europeus consideravam a arte renascentista italiana um modelo ideal a ser seguido. Influen­ciados pelos novos elementos estéticos, viajavam constante­mente às cidades italianas — transformadas em grandes cen­tros culturais —, onde permaneciam.

Nesse processo de difusão cultural, a imprensa também ocupou lugar de destaque, por propagar as novas ideias.

O fluxo comercial italiano preponderante até meados do século XVI possibilitou o total intercâmbio entre intelectuais europeus e a cultura italiana.
 

Países Baixos

Nos Países Baixos, a penetração da estética renascentista foi lenta e difícil. Na pintura, a preocupação com a arte nacional desde o início do século XV fez os artistas voltarem-se mais para os problemas religiosos do que para o neoplatonismo. Assim, os irmãos Van Eyck propuseram uma pintura inscrita na linha do realismo minucioso ainda dominado pelas formas góticas.

Jerônimo Bosch (1450-1516), outro exemplo de inde­pendência da estética italiana, criou um mundo fantástico de formas e seres que exprimiam as inquietudes e fantasmas do fim da Idade Média. Outro exemplo do triunfo da arte nacional foram as obras de Peter Brueghel, o Velho (1525-1569), que, ao retratar cenas camponesas e alegorias, traduziu sua insatis­fação diante da pátria dividida.

A maior expressão do humanismo evangélico nos Países Baixos e em toda Europa foi Desidério Erasmo (1460-1536), nascido em Roterdam. Influenciado inicialmente por John Colet e por Lefèvre d'Etaples, encontrou nas Cartas de São Paulo uma concepção da vida cristã livre, rejeitando as cerimônias e as prá­ticas.

Em 1500, publicou Adágios, mostrando que a sabedoria humana deve ajudar o homem a compreender as leis divinas. Nas obras Elogio da Loucura e Manual do Cavalheiro Cristão, Erasmo expôs a conduta ideal do cristão, confirmando que a verdade só é encontrada no evangelho, isto é, na filosofia pura e simples de Cristo. Fez também uma tradução do Novo Testa­mento (1516), tentando aproximar-se mais do original. Con­denou a erudição dos nominalistas e dos tomistas, que só se envolviam em disputas interpretativas e filosóficas.

Erasmo tornou-se o artista mais proeminente do humanismo evangélico, influenciando profundamente Martinho Lutero, sem, entretanto, concordar com o ideal revolucionário do reformador.

Espanha e Portugal

Embora Espanha e Portugal estivessem ligados política e economicamente à Itália, não aceitavam totalmente os novos valores do Renascimento, reagindo contra os conceitos de Erasmo e contra o paganismo artístico.

Na Espanha, a arquitetura renascentista alcançou sua maior expressão na imensidão do monastério do Escoriai, de Juan Herrera. A literatura notabilizou-se com Lope de Vega (1562-1635), autor de inúmeros poemas líricos e peças tea­trais de enredo vigoroso e grande dramaticidade, como A Ju­dia de Toledo. No campo literário, destacou-se ainda Miguel de Cervantes (1547-1616), autor de D. Quixote, obra em que a sátira e o grotesco se concentram na luta contra a sobrevivên­cia dos ideais medievais, perseguidos pelo protagonista. En­quanto a cavalaria mostra-se irreal e decadente, o pragmatis­mo e o racionalismo mordaz de Sancho Pança associam-se ao capitalismo; os dois personagens, o cavaleiro e seu armador, vinculam-se à consciência de Cervantes frente à transição do feudalismo para o capitalismo.

Domenico Theotocopoulos, El Greco (1540-1614), ligou-se, na pintura, ao classicismo romano e, posteriormente, ao maneirismo de Tintoreto e da Contra-Reforma. Dentre as suas obras, destaca-se A Morte do Conde Orgaz.

O renascimento português alcançou sua maior expressivida­de com Luís de Camões (1524-1580), autor de vastíssimo tra­balho escrito em forma de sonetos, odes, elegias, sátiras e co­médias. Sua obra máxima foi o poema épico Os Lusíadas, que narra a viagem de Vasco da Gama às índias, transformada numa epopéia nacional, o herói é uma entidade abstrata e Portugal é visto coletivamente na exaltação do "peito ilustre lusitano".

Inglaterra e Alemanha

As novas tendências foram tardias também na Inglaterra embora recebessem a proteção da monarquia Tudor.

O renascimento inglês destacou-se mais na literatura. Thomas More (1478-1530), autor de Utopia, em muito con­tribuiu para o pensamento humanista e influenciou Erasmo, que exprimiu os mesmos ideais. Nesta obra, descreve um país imaginário onde os habitantes e as leis se distinguem por uma humanidade e um requinte extraordinários. O desejo incontrolável e a tirania inexistem diante da perpétua paz.

Um dos maiores nomes do teatro universal surgiu no fim do século XVI: William Shakespeare (1564-1616). Autor de co­médias e sonetos, destacou-se, entretanto, nas tragédias, que constituem a parte mais importante da sua vastíssima obra. Exaltando heróis, personalidades importantes, reis, príncipes, generais, políticos e governantes, as tragédias enfoca principal­mente a decadência a que são arrastados, e que culmina com a morte. Shakespeare alcançou a plena maturidade literária em Hamlet, obra pessimista, crítica, de profunda análise psicologia, retratando as paixões na crueza da realidade. O autor criou personagens imortais, tão reais que se tornaram arquétipos do comportamento humano: Romeu e Julieta, Otelo, Macbeth, rei Lear, Tito Andrônico, Júlio César e Coriolano.

Na Alemanha, o desenvolvimento dos ideais renascentistas e a influência italiana foram limitados pela divisão política e religiosa do país e se destacaram mais na pintura, com Albert Dürer (1471-1528) e Hans Holbein, o Jovem (1497-1543).

Albert Dürer, influenciado inicialmente pelo gótico, sofreu, depois das viagens à Itália, influência marcante dos artistas ita­lianos Mantegna Bellini e Leonardo da Vinci. Destacam-se, entre suas obras, O Apocalipse. Os quatro Apóstolos e A Vida das Virgens, demonstrando a profunda religiosidade devida a sua conversão ao luteranismo.

Hans Holbein, o Jovem, inicialmente influenciado pela arte italiana, instalou-se na Inglaterra, onde se tornou o artista da corte de Henrique VIII. O desenho e o retrato marcados pelo mais puro realismo caracterizam seus trabalhos; entre os princi­pais: Erasmo, Henrique VIII e Jane Seymour, esposa daquele rei.


França

Em princípios do século XVI, a arte gótica ainda sobrevivia na França. No entanto a paixão dos grandes senhores pelo luxo e pelas artes, aliada às guerras dos franceses na Itália, que cul­minaram com o domínio efêmero de Milão, permitiram à arte italiana entrar no país.

Durante o reinado de Francisco I, a arte italiana foi culti­vada em obediência a um plano de grande envergadura, com patrocínio real. O rei, embora apoiando os artistas nacionais, mandou vir para seu serviço arquitetos italianos que elabora­ram, junto com arquitetos franceses, grandes projetos, entre os quais destacam-se os castelos de Chambord, Fontainebleau e Saint Germain e a remodelação do Louvre por Pierre de Lescot, afastando-se das influências italianas.

A literatura da Renascença notabilizou-se pela forte eru­dição humanista, como a de Guilherme Budé e Jacques Lefèvres D'Etaples, ao lado do lirismo pessoal de Ronsard. Porém foi com Rabelais e Montaigne que apareceram as maiores ex­pressões da literatura renascentista francesa.

Rabelais, em 1534, escreveu sua obra máxima, Gargântua e Pantagruel, em que a sátira é instrumento de crítica à Igreja, à escolástica e aos costumes sociais. Em Rabelais predo­mina o humanismo, simultâneo à confiança na ciência, na soli­dariedade humana e em Deus, que se torna, necessariamente, um Deus-verdade.

Montaigne, em 1580, escreveu Ensaios, expressando sua filosofia cética a qualquer dogma ou verdade definitiva. Esta obra apresenta características mais barrocas que renascentistas.
 

Conclusão

O Renascimento foi um movimento de renovação ge­ral que atingiu a Filosofia, as Artes e as Ciências, no início da Idade Moderna. Resultou das transformações econômicas, sociais, políticas e até religiosas da época, bem como da presença clássica em território italiano. Da Itália, difundiu-se por toda a Europa Ocidental e Central, adequando-se às peculiaridades de cada país.

Dessa forma, o Renascimento deve ser enquadrado no conjunto das transformações ocorridas na Europa durante a transição do feudalismo para o capitalismo. Foi uma revolução cultural, integrada nas demais revoluções que marcaram o começo dos Tempos Modernos.

Quadro do renascimento
Criação de Eva - Michelângelo

 

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