Big Bang
Teoria mais
aceita sobre a origem do Universo, enunciada em 1948 pelo
cientista russo naturalizado norte-americano George Gamow
(Guiorgui Gamov). Segundo ela, o Universo teria nascido
entre 13 e 20 bilhões de anos atrás, a partir de uma concentração
de matéria e energia extremamente densa e quente. Como hoje
se observa que as galáxias estão todas se afastando umas das
outras, os físicos são levados à conclusão de que houve um
instante no passado distante em que elas estavam bem próximas.
No limite, nesse momento, o tamanho do Universo seria zero.
Aí, toda a matéria contida nele estaria espremida num único
ponto, de tal modo concentrada que sua temperatura seria infinita.
Esse ponto deve ter sido o começo dos tempos, pelo qual tem
início a expansão das galáxias, que os cosmologistas descrevem
como uma explosão, ou seja, o Big Bang.
Formação do Universo - Desde sua formação, o Universo
vem se expandindo e resfriando. No primeiro milionésimo de
segundo, ele contém somente uma mistura de partículas subatômicas,
como os quarks e os elétrons, que são as formas de matéria
mais fundamentais conhecidas. Essa primeira etapa da história
da matéria é muito breve, pois os quarks, que se movem inicialmente
a velocidades próximas à da luz, logo se desaceleram em razão
da redução da temperatura e, por isso, deixam de existir como
partículas livres. Eles se associam uns aos outros para formar
os prótons e os nêutrons. Assim, entre 1 e 10 minutos de idade
do Cosmo ocorre um evento extraordinário, que é a chamada
nucleossíntese primordial. É que já não resta nenhum quark,
apenas prótons, que servem de núcleo atômico para o átomo
de hidrogênio, o mais simples que há, e bolotas feitas de
dois prótons e dois nêutrons, que são os núcleos de hélio,
o segundo átomo mais simples. Toda a massa do Universo é agora
constituída desses dois núcleos na proporção de 75% de hidrogênio
e 25% de hélio. Ainda hoje, como uma reminiscência desse passado
longínquo, são esses os dois principais elementos químicos
mais abundantes existentes. Mais de 90% de tudo o que há no
Cosmo é hidrogênio ou hélio. A terceira fase da história começa
cerca de 300 mil anos depois, com a união dos elétrons aos
núcleos atômicos para formar os primeiros átomos completos.
Com isso, ocorre outro fato importante, que é separação entre
a luz e a matéria. A luz, que até então estava espremida entre
elétrons e núcleos e, por isso, era obrigada a acompanhar
a expansão cósmica no mesmo ritmo que eles, passa, daí para
a frente, a caminhar livremente. O Universo torna-se transparente
e os fótons, que são partículas de luz, já quase não interagem
com os átomos. Muitos deles vagueiam pelo espaço e podem,
atualmente, ser capturados pelos telescópios. São o brilho
"fóssil" do Big Bang. Por fim, o quarto período
da saga cósmica acontece aproximadamente um bilhão de anos
depois do instante zero, com os átomos agregando-se para formar
as primeiras galáxias.
Expansão do Universo - Baseado em sua Teoria da Relatividade
Geral (1916), o físico Albert Einstein desenvolveu as Equações
Cosmológicas, que descrevem a evolução do Universo. Em 1922,
o físico e matemático russo Alexander Friedmann (professor
de Gamow) descobre uma solução para as Equações Cosmológicas
correspondentes a um Universo em expansão. Em 1929, a descoberta
da expansão das galáxias, pelos astrônomos Edwin Hubble (1889-1953)
e Milton Humason (1891-1972), atesta a expansão do Cosmo e
permite estabelecer a Lei de Hubble. Segundo ela, as outras
galáxias se afastam da nossa galáxia, a Via Láctea, numa velocidade
proporcional a sua distância da Terra.
Uma evidência do Big Bang, descoberta em 1965 por Arno
Penzias (1933-) e Robert Wilson (1936-), é seu brilho "fóssil",
resultado da separação entre átomos e luz há cerca de 13 bilhões
de anos. Essa radiação permanece no espaço e, embora já não
tenha a forma de luz visível, pode ser captada como um ruído
de microondas. Seu nome é radiação de fundo cósmica. Pela
sua descoberta, Penzias e Wilson ganham o Prêmio Nobel de
Física em 1978. Em 1990, o satélite Cosmic Background Explorer
(Cobe), lançado pela Nasa (Administração Nacional de Aeronáutica
e Espaço), faz um mapeamento das regiões onde há essa energia.
Uma das grandes questões da cosmologia moderna é a
determinação mais precisa da taxa de expansão do Universo.
As mais recentes observações astronômicas, obtidas no final
de 1998, indicam que seu ritmo de expansão está aumentando
cerca de 5% a 6% a cada bilhão de anos. O valor dessa taxa
foi definido com grande precisão por duas grandes equipes,
dirigidas pelos norte-americanos Saul Perlmutter e Brian Schmidt.