Estrutura
dos Planetas
Se o conhecimento
das atmosferas planetárias, diretamente acessíveis à observação,
é ainda muito incompleto, a estrutura interna constitui objeto
de teorias hipotéticas estabelecidas indiretamente. Somente
no caso da Terra a estrutura interna é observada diretamente,
pelo estudo das ondas sísmicas. Com o início da exploração
humana na Lua, o estudo sísmico do satélite foi iniciado,
podendo-se prever a sua extensão aos planetas. A composição
química planetária só é conhecida com referência às atmosferas,
embora a teoria possa indicar modelos que devem obedecer os
planetas em regiões mais profundas.
Astros de massa pequena como os planetas
não podem ser luminosos, pois a energia liberada pela contração
gravitacional é insuficiente para elevar a temperatura ao
valor necessário ao início das reações nucleares; as pressões
internas são insignificantes para provocar a degenerescência
de um gás de elétrons.
O estudo da estrutura dos planetas baseia-se,
principalmente, no conhecimento da densidade média, do momento
de inércia em relação ao eixo de rotação, e do achatamento,
que permitem indicar a maior ou menor concentração de massa
no núcleo. Os valores das constantes físicas (tabela)
mostram a nítida diferença entre os planetas telúricos e os
grandes planetas. Nos primeiros, que têm maior densidade,
a concentração de massa no núcleo não é tão notável como nos
grandes planetas, de menor densidade.
Supondo que a composição química dos planetas
telúricos seja a mesma, a estrutura de cada um deles será
determinada unicamente por sua massa. Os modelos estabelecidos
para Vênus e Marte indicam que existem zonas de descontinuidade,
como ocorre com a Terra, separando camadas de densidades diferentes,
e um núcleo muito denso de natureza metálica. Para Mercúrio,
o modelo telúrico seria, entretanto, mais homogêneo, como
acontece com a Lua.
A estrutura dos grandes planetas, deduzida
de sua baixa densidade média e grande achatamento, indica
que a massa concentra-se em um pequeno núcleo, envolvido por
uma atmosfera formada por mistura de gases, onde predominam
o hidrogênio e o hélio. Há, nessas atmosferas, nítidas mudanças
de fase, resultando a liquefação desses gases na baixa atmosfera,
em virtude da alta pressão. O núcleo rochoso e metálico é
insignificante em relação ao envoltório de elementos leves.