Os
Segredos de Marte
Marte, o planeta
vermelho, é sem dúvida um mundo especial. Há tempos vem despertando
a curiosidade e, principalmente, a imaginação das pessoas.
Não é para menos, ao contrário da Lua, Marte tem atmosfera,
estações do ano e um dia com pouco mais de 24 horas. Melhor
que isso: existe água lá. Hoje toda ela se concentra nas regiões
polares do planeta, abaixo de uma camada de gelo de gás carbônico.
Mas num passado distante, é bem provável que Marte tenha tido
oceanos de água líquida e então, talvez, alguma espécie de
vida tenha se desenvolvido.
Quando tudo começou
No final do século
XIX tinha-se como certo que Marte era o lar de uma civilização
muito mais avançada que a nossa, lutando bravamente pela sua
sobrevivência num planeta onde havia severas mudanças climáticas
e escassez de água. Tudo isso começou com as observações do
astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910). Ao telescópio,
ele notou uma série de linhas finas que uniam áreas escuras
na superfície do planeta, como canais naturais que unem regiões
alagadas. Schiaparelli as chamou de canali. Mas o termo foi
traduzido para o inglês como channel, que significa canal
artificial. Os canais de Marte foram uma "realidade"
por muitos anos, até que, com o aperfeiçoamento dos instrumentos
óticos e o envio de sondas espaciais ao planeta vermelho,
descobriu-se que eles simplesmente nunca existiram. A interpretação
errônea de dados observacionais, aliada ao forte desejo de
encontrarmos vida inteligente, tinham criado os canais e seus
construtores.
O fim do mistério?
Mas nem mesmo
as sondas espaciais que pousaram em Marte foram capazes de
torná-lo um lugar comum. Quando, em meados dos anos 70, a
nave Viking tirou as primeiras fotos em órbita de Marte, uma
curiosa formação geológica trouxe de volta a antiga civilização
marciana. Era incrivelmente semelhante a uma face humana.
E poucos acreditaram em coincidência. Os olhos, o nariz e
a boca lembravam, para uns, até mesmo o rosto de Cristo. Tinha
de ser artificial. As fotos da Viking não tinham concorrentes.
E foi uma longa espera até 1998, quando os instrumentos da
"Mars Global Surveyor", muito mais modernos e sofisticados,
revelaram uma imagem totalmente diferente. Com uma resolução
dez vezes a resolução da melhor imagem da Viking e sobre um
céu de inverno sem nuvens (as fotos da Viking tinham céu nublado)
o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) dos Estados Unidos
revelou ao mundo uma montanha corroída pelos fortes ventos
marcianos... e nenhuma face.
Marte, porém,
continua desafiando nossa inteligência. Em 1727 Jonathan Swift
escreveu em "As Viagens de Guliver" sobre duas luas
do planeta, com períodos de 10 e 21,5 horas, conhecidas pelos
astrônomos de Liliput. Mas foi só em 1877 que Asalph Hall
descobriu Fobos e Deimos, as luas de Marte, cujos períodos
orbitais são 7,5 e 30 horas. Bela precisão para um palpite
de 150 anos.