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  Matérias :: Astronomia :: Planetas

 
  Autoria: Sônia de Fátima Machado


 


Terra

Quando a Terra surgiu, a 4,5 ou 5 bilhões de anos — juntamente com o Sol e os outros planetas do Sistema Solar —, ela era apenas uma pequena massa. Com o tempo, atraiu número cada vez maior de partículas e as comprimiu à medida que aumentava sua força gravitacional. a influência do calor do Sol e a desintegração de elementos radioativos esquentaram gradualmente esta massa, até que em dada época ela começou a esfriar. Durante o processo de aquecimento-resfrimento, apareceram vário compostos químicos; os materiais mais pesados afundaram, formando o núcleo, e os mais leves permaneceram na superfícies, constituindo a crosta.

Depois a Terra se solidificou e esfriou, mas o núcleo manteve elevadas temperaturas e o estado líquido ou semi-líquido. As atividades vulcânicas foram as grandes responsáveis pelo aspecto da crosta e pelo surgimento dos oceanos, pois derramaram grandes quantidades de rochas em fusão e expeliram incalculáveis volumes de água e gases, que constituíram sua atmosfera primitiva. Sua forma é de um globo achatado, sendo definida, por convenção, como um geóide. Seu achatamento é de aproximadamente 1/298: nos pólos o raio terrestre mede 6.356 quilômetros e no equador 6.378. As terras ocupam 149 milhões de quilômetros quadrados (29 % da superfície) e os mares 361 milhões de quilômetros quadrados.

Terceiro planeta na ordem a partir do Sol, a Terra executa ao seu redor um movimento de translação, sobre uma órbita elíptica, à velocidade média de 29,76 km/s. O ponto de sua órbita mais afastado do Sol (a 152 milhões de quilômetros) é denominado afélio, atingido no começo de julho; no início de janeiro a Terra atinge o periélio, o ponto mais próximo do Sol (a 147 milhões de quilômetros). Girando também em torno de si mesma, provocando dias e noites, ela completa uma rotação em 23 horas, 56 minutos e 4,09 segundos. Ao percorrer sua órbita, seu eixo de rotação quase não muda de direção, fenômeno que determina as mudanças de estação. Seu satélite natural — a Lua — é um dos maiores do Sistema Solar.

Embora nenhum mapa do planeta seja perfeito, em razão de sua curvatura e de suas irregularidades, a representação da Terra é relativamente exata. A Cartografia utiliza processos matemáticos, gráficos e mecânicos, para representá-la em mapas e cartas. Estas são feitas através de projeções, que usam um sistema de coordenadas: os paralelos e meridianos. O eixo imaginário determinado pela rotação da Terra passa pelo seu centro, e intercepta sua superfície em dois pontos opostos — os pólos Norte e Sul. A meia distância entre os dois pólos, um plano perpendicular ao eixo delimita a linha do equador, distanciadas um grau uma da outra, formam os paralelos. Os meridiano interceptam a superfície terrestre com planos que passam pelos dois pólos; são 30 meridianos, que compreendem 180 círculos, distantes 1 grau um do outro. Todos os pontos de um paralelo apresentam a mesma latitude; todos os pontos de um meridiano tem a mesma longitude.

A estrutura intera da Terra é constituída por três camadas de espessuras, temperaturas e composições químicas diferentes: a crosta, o manto e o núcleo. A crosta tem espessura média de 35 quilômetros e é composta basicamente por oito elementos químicos: oxigênio (46,6 %), silício (27,7 %), alumínio, ferro, cálcio, sódio, potássio e magnésio.

O manto ocupa aproximadamente 80 % do volume terrestre, aprofundando-se até 2 900 quilômetros; composto em sua maior parte por peridotito (rocha de cor parda), sua temperatura média é de 3 400ºC. O núcleo terrestre, cuja temperatura é de 5 500ºC, não pode ser observado diretamente. As hipóteses que o explicam são baseadas no estudo de meteoritos, que se presume tenham a mesma composição em todo o Sistema Solar. Supõe-se que o núcleo seja constituído, predominantemente, de ferro e níquel (nife). Sua parte externa, situada entre 2 900 e 4 300 quilômetros de profundidade, é composta de ferro em estado de fusão; a parte central seria sólida, possuindo um raio de aproximadamente 1 210 quilômetros.

A hidrosfera é formada por oceanos, rios, lagos e águas próximas às regiões geladas dos pólos, num volume total de 1,589 milhões de quil6ometrso cúbicos. Cerca de 10 % da superfície — pouco mais de 15 milhões de quilômetros quadrados — são ocupados por geleiras; desse total, 98 % estão localizados na Antártida e na Groelândia, e os outros 2 % nos regiões montanhosas, no pólo Norte e nas ilhas adjacentes.

A Terra é envolvida pela atmosfera — várias camadas de ar, cujo peso total é de 5,7 x 1015 (10 elevado a 15) toneladas. Sua camada mais baixa, a troposfera, atinge uma altura de 8 a 15 quilômetros, e encerra três quartos da massa atmosférica. Contém as correntes de ar responsáveis pela maioria dos estados meteorológicos, e concentra a névoa, as nuvens, a poeira, a tempestade e todas as formas vivas.

A estratosfera, que ocupa de 15 a 25 quilômetros, possui em sua parte superior uma camada de ozona, responsável pela absorvição dos mortíferos raios ultravioleta e raios X do Sol. Seguem-se a ela a mesofera e a ionosfera, que começa a 80 quilômetros de altura. A camada superior da atmosfera é a oxosfera, com aproximadamente 1 500 quilômetros. Composta por hélio tenuemente disperso, rodeado por outra camada de hidrogênio que se estende por mais de 6 000 quilômetros antes de se desvanecer no espaço, essa camada contém uma enorme faixa de radiações conhecida pelos nomes de magnetosfera e Cinturão de Van Allen — gigantesca armadilha que aprisiona partículas provenientes do Sol.

A Terra é rodeada por um campo magnético, cujo pólo Norte desloca-se a uma velocidade aproximada de 6 quilômetros por hora, enquanto o pólo magnético Sul movimenta-se ainda mais rapidamente. Segundo estudos de espaço interplanetário, o campo magnético terrestre retém um grande número de prótons e elétrons de alta energia.

 

   

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