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Almeida Garret

João Baptista da Silva Leitão, verdadeiro nome de Almeida Garret, nasceu no Porto, em 1799. Em 1809, por ocasião das invasões francesas, antes que as tropas napoleônicas entrassem na cidade do Porto, sua família refugiou-se na propriedade que possuía nos Açores.

Em 1816, de volta ao continente, matricula-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Em 1821, a família adota o sobrenome Almeida Garrett.

Com a revolta de Vila Franca, em 1823, Almeida Garrett é preso. Exila-se na Inglaterra com a esposa Luisa Midosi, com quem havia se casado no ano anterior.

Durante o tempo que passou na Inglaterra, leu Shakespeare, Walter Scott e outros autores ingleses, e entrou em contato com o movimento romântico. Em 1824, foi para a França, onde escreveu “Camões” (1825) e “Dona Branca” (1826). Esses poemas são considerados as primeiras obras do Romantismo português.

Retrato de Almeida Garret
Almeida Garret (1799-1854).

Em 1826, com o fim do absolutismo em Portugal, Garrett é anistiado e volta a Portugal. Foi colaborador do jornal diário O Português (1826-1827) e fundou sozinho o semanário O Cronista (1826). Em 1828, porém, dom Miguel, o rei absolutista, retoma ao poder. Almeida Garrett deixa novamente Portugal e volta para a Inglaterra, onde permanece até 1832. Nesse ano, ao lado de Alexandre Herculano (1810-1877) e Joaquim Antonio de Aguiar (1792-1874), junta-se às tropas liberais como voluntário. Toma parte na expedição que desembarca nas praias do Mindelo e entra no Porto.

Com a vitória dos liberais e a capitulação de dom Miguel, retoma a Portugal. Antes, porém, permanece por um curto período na Bélgica, como cônsul-geral e encarregado de negócios. Nesse período, lê Schiller, Goethe e Herder, tomando contato com o romantismo alemão.

De volta a Portugal, exerce cargos políticos. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal, atualmente Teatro Nacional dona Maria II, em Lisboa.

A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto sua obra. Revolucionário nos anos 1820 e 1830, distinguiu-se posteriormente como frequentador dos salões mundanos. Foi um homem de muitos amores, os quais transfigurava em suas obras.

Separado da esposa em 1836, passou a viver com Adelaide Pastor até a morte dela em 1841. Dessa relação nasce uma filha, cuja ilegitimidade o preocupou muito. Segundo alguns autores, essa preocupação aparece na personagem Maria, de sua obra Frei Luís de Sousa (1844).

Em 1846, publica Viagens na minha terra. Nesse mesmo ano, sua musa passou a ser Rosa Montufar Infante, a viscondessa da Luz, inspiradora do forte tom romântico de seu livro de poemas Folhas caídas (1853). Em 1851, recebeu o título de visconde. Faleceu em Lisboa no dia 9 de dezembro de 1854.

Além de ser considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, Almeida Garrett foi o mais completo dos autores românticos portugueses, pois escreveu obras nos mais diferentes gêneros: poesia, prosa e teatro.

Por: Paulo Magno Torres