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Aluísio Azevedo

Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu no Maranhão, em 1857, e morreu em Buenos Aires, em 1913. Trabalhou em jornais como caricaturista, no início de sua carreira. Posteriormente, passou a atuar como diplomata.

Deixou o Maranhão e viveu muitos anos no Rio de Janeiro. Escreveu desde romances folhetinescos de qualidade inferior até consideráveis obras-primas. Mesmo assim, Azevedo desiludiu-se com a literatura, abandonando-a para dedicar-se exclusivamente à diplomacia.

Características

Talvez Aluísio Azevedo tenha sido o escritor brasileiro que mais evidenciou a influência das teorias cientificistas do final do século XIX, principalmente o determinismo, o evolucionismo e o socialismo.

Retrato de Aluísio AzevedoAs ações de suas personagens são, em grande medida, determinadas por situações exteriores, como o meio ambiente e fatores hereditários. Já a animalização e a sexualização delas indicam familiaridade com as ideias evolucionistas de Charles Darwin.

Finalmente, pelo retrato feito da miséria em que viviam as classes trabalhadoras do Rio de Janeiro, fica nítida a opção do autor por valores do socialismo.

Recusando a tendência realista de explorar caracteres psicológicos individuais, Aluísio optou por mostrar o movimento da multidão, transformando, muitas vezes, espaços coletivos em personagens de seus romances. Nessa linha, revelou excelente domínio na criação de diversas personagens de uma mesma narrativa. Compôs, assim, admiráveis cenas coletivas e amplos painéis de ação.

Outro aspecto a valorizar a obra deste escritor é a fidelidade do registro da época não só pelos tipos humanos reproduzidos, mas também pela “fotografia” dos ambientes físicos da cidade (Rio de Janeiro).

Na obra de Aluísio Azevedo, é possível localizarem-se alguns temas mais ou menos recorrentes, como a crítica ácida ao preconceito racial contra o negro; a ação exploratória do comerciante português sobre o brasileiro, sem assumir qualquer compromisso social com o Brasil, já que o objetivo desses portugueses era enriquecer e voltar para Portugal; a denúncia do corporativismo do clero católico; e a cultura provinciana dos brasileiros de fora da corte (Rio de Janeiro).

Obra

O maranhense Aluísio Azevedo é autor de uma obra bastante irregular. Necessitando manter-se financeiramente a partir do jornalismo e da literatura, produziu uma obra romântica, ao gosto do público, e de gosto artístico duvidoso (A Mortalha de Alzira e Uma Lágrima de Mulher, por exemplo).

Paralelamente, tentou empreender uma obra mais corajosa e trabalhada esteticamente, pautada relos moldes naturalistas. De um grande projeto inicial, que pretendia produzir vários romances que analisassem toda a sociedade brasileira, conseguiu escrever apenas O Mulato (1881), Casa de Pensão (1883) e O Cortiço (sua melhor obra, de 1890).

Antes de resolver dedicar-se à literatura, trabalhara como caricaturista em jornais políticos e humorísticos. Em 1895, abandonou a pena e entrou para a carreira diplomática, servindo o Brasil em Vigo, Nápoles, Tóquio e Buenos Aires, onde morreu.

Além de romances, escreveu e produziu peças de teatro (sobretudo em parceria com o irmão Artur Azevedo), escreveu contos, crônicas e novela policial.

Por: Paulo Magno da Costa Torres

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