Aberrações cromossômicas
As aberrações
cromossômicas podem ser numéricas ou estruturais e envolver
um ou mais autossomos, cromossomos sexuais ou ambos. As aberrações
cromossômicas numéricas incluem os casos em que há aumento
ou diminuição do número do cariótipo normal da espécie humana,
enquanto as aberrações cromossômicas estruturais incluem os
casos em que um ou mais cromossomos apresentam alterações
de sua estrutura.
Aberrações Numéricas
dos Cromossomos
As aberrações
numéricas dos cromossomos são classificadas em dois grandes
grupos:
-
Há um aumento
ou diminuição de um ou mais pares de cromossomos, mas
não de todos
A maioria dos pacientes aneuplóides apresenta trissomia
(três cromossomos em vez do par normal de cromossomo)
ou, menos freqüente, monossomia (apenas um representante
de um cromossomo).
O mecanismo cromossômico mais comum da aneuploidia é a
não-disjunção meiótica, uma falha da separação de um par
de cromossomos durante uma das duas divisões meióticas.
As conseqüências da não-disjunção durante a meiose I e
a meiose II são diferentes:
Quando o erro
ocorre na Meiose I, os gametas apresentam um representante
de ambos os membros do par de cromossomos ou não possuem
todo um cromossomo.
Quando o erro
ocorre na Meiose II, os gametas anormais contém duas cópias
de um cromossomo parental ( e nenhuma cópia do outro)
ou não possuem um cromossomo.
Muito embora
as aneuploidias sejam mais freqüentemente decorrentes
de erros meióticos, deve-se ter sempre em mente a possibilidade
delas resultarem de perda cromossômica ou de falta de
disjunção das cromátides durante a primeira divisão mitótica
do zigoto, ou durante a segmentação de um dos blastômeros.
Em outras palavras, os indivíduos que manifestam aneuploidias
podem ser conseqüência de acontecimentos pós-zigóticos.
-
Euploidias
A alteração é multiplo exato do número haplóide (n).
A sobrevivência
de um indivíduo totalmente euplóide é impossível, e quase
todos os casos de triploidia (3n) ou de tetraploidia (4n)
somente foram observados em abortos espontâneos. Raros
foram os casos que chegaram a termo e, mesmo assim, eram
de natimortos ou de morte neonatal
A triploidia
provavelmente resulta de falha de uma das divisões da
maturação no ovócito ou, geralmente, no espermatozóide.
Os tetraplóides
sempre são 92, XXXX ou 92, XXYY, resultantes em geral
de uma falha da conclusão de uma divisão por clivagem
inicial do zigoto.
TRISSOMIAS AUTOSSÔMICAS
Síndrome de Down
A Sindrome
de Down ou trissomia do 21, é sem dúvida o distúrbio cromossômico
mais comum e a mais comum forma de deficiência mental congênita.
Geralmente pode ser diagnosticada ao nascimento ou logo depois
por suas características dismórficas, que variam entre os
pacientes, mas produzem um fenótipo distintivo.
Os pacientes apresentam
baixa estatura e o crânio apresenta braquicefalia, com o occipital
achatado. O pavilhão das orelhas é pequeno e dismórfico. A
face é achatada e arredondada, os olhos mostram fendas palpebrais
e exibem manchas de Brushfield ao redor da margem da íris.
A boca é aberta, muitas vezes mostrando a língua sulcada e
saliente.
As mãos são curtas
e largas, freqüentemente com uma única prega palmar transversa
("prega simiesca").
Os pés mostram
um amplo espaço entre o primeiro e o segundo dedos.
Trissomia do
18
A maioria dos
pacientes apresentam com a trissomia do cromossomo 18 apresenta
trissomia regular sem mosaicismo, isto é , cariótipo 47, XX
ou XY, +18. Entre os restantes, cerca de metade é constituída
por casos de mosaicismo e outro tanto por situações mais complexas,
como aneuploidias duplas, translocações.
As manifestações
da trissomia do 18 sempre incluem retardamento mental e atraso
do crescimento e, às vezes malformações graves no coração.
O crânio é excessivamente alongado na região occipital. O
pavilhão das orelhas é dismórfico, com poucos sulcos. A boca
é pequena. O pescoço é curto. Há uma grande distância intermamilar.
Os genitais externos são anômalos. O dedo indicador é maior
do que os outros e flexionado sobre o dedo médio. Os pés têm
as plantas arqueadas. As unhas costumam ser hipoplásticas.
Trissomia do
13
A trissomia
do 13 é clinicamente grave e letal em quase todos os casos
que sobrevivem até 6 meses de idade. O cromossomo extra provém
de não-disjunção da meiose I materna e cerca de 20% dos casos
resultam de uma translocação não-balanceada.
O fenótipo inclui
malformações graves do sistema nervoso central como arrinencefalia.
Um retardamento mental acentuado está presente. Em geral há
defeitos cardíacos congênitos e defeitos urigenitais. Com
freqüência encontram-se fendas labial e palatina, anormalidades
oculares, polidactilia, punhos cerrados e as plantas arqueadas.
SÍNDROMES DE DELEÇÃO
AUTOSSÔMICA
Síndrome do Miado
do Gato (5p-)
Há uma deleção
do braço curto do cromossomo 5. Tal síndrome recebeu esse
nome em virtude do choro típico dos pacientes afetados, o
qual lembra o miado de gatos. Outras características são hipotonia
muscular, microcefalia, pavilhão das orelhas dismórficos,
pregas epicântricas, malformações dos membros.
DISTÚRBIOS DOS
CROMOSSOMOS SEXUAIS
As anormalidades
dos cromossomos sexuais, a exemplo das anormalidades autossômicas,
podem ser numéricas ou estruturais e apresentar-se em todas
as células ou na forma de mosaico.
ANEUPLOIDIA DOS
CROMOSSOMOS SEXUAIS
Síndrome de Klinefelter
(47, XXY)
A Síndrome
caracteriza-se pela presença do cariótipo 47, XXY ou em mosaicos.
Os pacientes são
altos e magros, com membros inferiores relativamente longos.
Após a puberdade os sinais de hipogonadismo se tornam óbvios.
Os testículos permanecem pequenos e os caracteres sexuais
secundários continuam subdesenvolvidos.
Síndrome 47,
XYY
É um dos cariótipos
mais frequentemente observados. Despertou grande interesse
após observar-se que a proporção era bem maior entre os detentos
de uma prisão de segurança máxima, sobretudo entre os mais
altos, do que na população em geral.
Trissomia do
X (47, XXX)
As mulheres
com trissomia do X não são fenotipicamente anormais. Nas células
47, XXX, dois dos cromossomos X são inativados e de replicação
tardia. Quase todos os casos resultam de erros na meiose materna.
Algumas mulheres
com trissomia do X são identificadas em clínicas de infertilidade
e outras em instituições para retardados mentais, mas provavelmente
muitas permanecem sem diagnóstico.
Síndrome deTurner
(45, X e variantes)
As meninas
com esta Síndrome são identificadas ao nascimento ou antes
da puberdade por suas características fenotípicas distintivas.
A constituição
cromossômica mais freqüente é 45,X sem um segundo cromossomo
sexual, X ou Y.
As anormalidades
envolvem baixa estatura, disgenesia gonadal, pescoço alado,
tórax largo com mamilos amplamente espaçados e uma freqüência
elevada de anomalias renais e cardiovasculares.