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  Matérias :: Biologia :: Material didático

  Autoria: André Rafael Tavares


 


Ácaro

Animal invertebrado pertencente ao filo Arthropoda, subfilo Chelicerata, classe Arachnida, ordem Acarina, sendo que os indivíduos da subordem Astigmata (ou Sarcoptiformes) são os mais conhecidos, principalmente, o ácaro da sarna (família Sarcoptidae e Psoroptidae). Um outro ácaro bastante conhecido também é o que ataca os folículos pilosos da pele, provocando as espinhas, no entanto, este pertence a subordem Prostigmata, família Demodicidae. Os ácaros de vida-livre (não parasitas) presentes no solo, pertencem a subordem Cryptostigmata, família Oribatidae. Em geral, estes animais são muito pequenos, sendo muito frequente encontrarmos exemplares um milímetro ou menos de comprimento. O corpo, assim como o dos carrapatos, perdeu as divisões do corpo ao longo da evolução, tendo dessa maneira o cefalotótax fundido ao abdome. Estes aracnídeos apresentam quatro pares de patas e as antenas estão ausentes. Muitas espécies apresentam pilosidades com função táctil na superfície do corpo. A coloração é muito variada, sendo que a maior parte deste animais apresenta tons de marrom, mas muitos apresentam uma ampla gama de matizes, como o vermelho, alaranjado, preto, verde e até combinações de todas estas cores. Não são considerados insetos, mas como já dito acima, são aracnídeos. São animais cosmopolitas, podendo ser encontrados até mesmo nas regiões polares, desertos e fontes de águas termais (onde a temperatura pode ultrapassar 100ºC facilmente). Estes aracnídeos são extremamente abundantes entre os musgos, folhas caídas, solo, humo, madeira podre e detritos. Algumas espécies são parasitas de vertebrados ou invertebrados, como os ácaros da sarna (Sarcoptes scabiei), ou o da espinha (Demodex sp.). Há também espécies que são totalmente aquáticas. O sucesso evolutivo destes animais, com certeza, está relacionada com o pequeno tamanho e a habilidade de explorar microhabitats e pode ser observado pelo número de espécies e indivíduos presentes na ordem (25000 espécies descritas até 1984, sendo que pesquisadores acreditam representar somente 20% das espécies viventes). Assim como o habitat, a alimentação também é muito variada. Os carnívoros que vivem no solo, alimentam-se de minúsculos vermes e artrópodes, incluíndo larvas de insetos e outros ácaros. Já as espécies herbívoras, costumam perfurar as células vegetais e então sugar o seu conteúdo.Há muitas espécies que alimentam-se de fungos e materiais em decomposição, principalmente os oribatídeos. A espécie que estão mais próximas do convívio humano, como o Demodex, alimenta-se da gordura expelida pelo folículo piloso. Outra espécie muito próxima é o Dermatophagoides, geralmente associada a poeira das casas e que se alimenta de restos secos da pele que se desprende de nosso corpo e que constitui uma parcela da poeira doméstica. E por fim, há os ácaros parasitas que podem se alimentar dos tecidos vivos do hospedeiro (como é o caso da sarna) ou das mucosas do trato respiratório. A copulação pode ocorrer com ou sem a presença do macho por perto, dependendo da espécie. Na maioria dos ácaros, o macho está presente e este coloca o abdome debaixo da parte posterior da fêmea até que possa introduzir o pênis no orifício feminino, depositando os espermatozóides. Algumas espécies os espermatozóides são transmitidos de maneira indireta (sem a presença obrigatória do macho), onde é depositado um espermatóforo (massa de espermatozóides) no substrato e quando a fêmea o acha, transfere-o para o orifício feminino. Os ovos podem ser depositados, em certas espécies, dentro de um casulo. Outras vezes são depositados no solo, entre o humo ou dentro de canais feitos no hospedeiro, nas espécies parasitas, como é o caso da sarna. Após um período de duas a seis semanas eclode uma larva com apenas três pares de patas (como o carrapato). O quarto par de perna é adquirido com a primeira muda. São de grande importância econômica, ja que alimentam-se de uma variedade de coisas. Muitas espécies alimentam-se de farinha, frutos secos e plantas, causando grandes prejuízos. Outros, por serem parasitas, atacam o gado e chegam a prejudicar a pecuária. Por estarem presentes em grande número e por haver uma diversidade tão grande de espécies, foi criada uma ciência apenas para o estudo destes animais, a acarologia.

 
 

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