Ácaro
Animal invertebrado
pertencente ao filo Arthropoda, subfilo Chelicerata, classe
Arachnida, ordem Acarina, sendo que os indivíduos da subordem
Astigmata (ou Sarcoptiformes) são os mais conhecidos, principalmente,
o ácaro da sarna (família Sarcoptidae e Psoroptidae). Um outro
ácaro bastante conhecido também é o que ataca os folículos
pilosos da pele, provocando as espinhas, no entanto, este
pertence a subordem Prostigmata, família Demodicidae. Os ácaros
de vida-livre (não parasitas) presentes no solo, pertencem
a subordem Cryptostigmata, família Oribatidae. Em geral, estes
animais são muito pequenos, sendo muito frequente encontrarmos
exemplares um milímetro ou menos de comprimento. O corpo,
assim como o dos carrapatos, perdeu as divisões do corpo ao
longo da evolução, tendo dessa maneira o cefalotótax fundido
ao abdome. Estes aracnídeos apresentam quatro pares de patas
e as antenas estão ausentes. Muitas espécies apresentam pilosidades
com função táctil na superfície do corpo. A coloração é muito
variada, sendo que a maior parte deste animais apresenta tons
de marrom, mas muitos apresentam uma ampla gama de matizes,
como o vermelho, alaranjado, preto, verde e até combinações
de todas estas cores. Não são considerados insetos, mas como
já dito acima, são aracnídeos. São animais cosmopolitas, podendo
ser encontrados até mesmo nas regiões polares, desertos e
fontes de águas termais (onde a temperatura pode ultrapassar
100ºC facilmente). Estes aracnídeos são extremamente abundantes
entre os musgos, folhas caídas, solo, humo, madeira podre
e detritos. Algumas espécies são parasitas de vertebrados
ou invertebrados, como os ácaros da sarna (Sarcoptes scabiei),
ou o da espinha (Demodex sp.). Há também espécies que são
totalmente aquáticas. O sucesso evolutivo destes animais,
com certeza, está relacionada com o pequeno tamanho e a habilidade
de explorar microhabitats e pode ser observado pelo número
de espécies e indivíduos presentes na ordem (25000 espécies
descritas até 1984, sendo que pesquisadores acreditam representar
somente 20% das espécies viventes). Assim como o habitat,
a alimentação também é muito variada. Os carnívoros que vivem
no solo, alimentam-se de minúsculos vermes e artrópodes, incluíndo
larvas de insetos e outros ácaros. Já as espécies herbívoras,
costumam perfurar as células vegetais e então sugar o seu
conteúdo.Há muitas espécies que alimentam-se de fungos e materiais
em decomposição, principalmente os oribatídeos. A espécie
que estão mais próximas do convívio humano, como o Demodex,
alimenta-se da gordura expelida pelo folículo piloso. Outra
espécie muito próxima é o Dermatophagoides, geralmente associada
a poeira das casas e que se alimenta de restos secos da pele
que se desprende de nosso corpo e que constitui uma parcela
da poeira doméstica. E por fim, há os ácaros parasitas que
podem se alimentar dos tecidos vivos do hospedeiro (como é
o caso da sarna) ou das mucosas do trato respiratório. A copulação
pode ocorrer com ou sem a presença do macho por perto, dependendo
da espécie. Na maioria dos ácaros, o macho está presente e
este coloca o abdome debaixo da parte posterior da fêmea até
que possa introduzir o pênis no orifício feminino, depositando
os espermatozóides. Algumas espécies os espermatozóides são
transmitidos de maneira indireta (sem a presença obrigatória
do macho), onde é depositado um espermatóforo (massa de espermatozóides)
no substrato e quando a fêmea o acha, transfere-o para o orifício
feminino. Os ovos podem ser depositados, em certas espécies,
dentro de um casulo. Outras vezes são depositados no solo,
entre o humo ou dentro de canais feitos no hospedeiro, nas
espécies parasitas, como é o caso da sarna. Após um período
de duas a seis semanas eclode uma larva com apenas três pares
de patas (como o carrapato). O quarto par de perna é adquirido
com a primeira muda. São de grande importância econômica,
ja que alimentam-se de uma variedade de coisas. Muitas espécies
alimentam-se de farinha, frutos secos e plantas, causando
grandes prejuízos. Outros, por serem parasitas, atacam o gado
e chegam a prejudicar a pecuária. Por estarem presentes em
grande número e por haver uma diversidade tão grande de espécies,
foi criada uma ciência apenas para o estudo destes animais,
a acarologia.