AIDS
A Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados
de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado
de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores
de São Francisco ou Nova York, que apresentavam sarcoma de
Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento
do sistema imune, o que levou à conclusão de que se tratava
de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente
infecciosa e transmissível.
AGENTE ETIOLÓGICO
Em 1983, o HIV-1
foi isolado de pacientes com AIDS pelos pesquisadores na França
e nos EUA, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated
Vírus ou Vírus Associado à Linfadenopatia) e HTLV-III
(Human T-Lymphotrophic Vírus ou Vírus T-Linfotrópico
Humano tipo lll) respectivamente nos dois países. Em 1986,
foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus,
com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2.
Nesse mesmo ano, um comitê internacional recomendou o termo
HIV (Human Immunodeficiency Vírus ou Vírus da Imunodeficiência
Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar
seres humanos. O HIV é um retrovírus. Pertence ao grupo dos
retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que necessitam, para
multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa,
responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA,
que pode, então, integrar-se ao genoma do hospedeiro. Embora
não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1 e 2, sabe-se
que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está
presente em primatas não-humanos, na África. Aparentemente,
o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há poucas décadas;
alguns trabalhos científicos recentes sugerem que isso tenha
ocorrido entre os anos 40 e 50. O vírus da Imunodeficiência
símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos,
é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma
origem comum. Por esses fatos, supõe-se que o HIV tenha origem
africana. O HIV é bastante lábil no meio externo, sendo inativado
por uma variedade de agentes físicos (calor) e químicos (hipoclorito
de sódio, glutaraldeído). Em condições experimentais controladas,
as partículas virais intracelulares parecem sobreviver no
meio externo por até, no máximo, um dia, enquanto que partículas
virais livres podem sobreviver por 15 dias, à temperatura
ambiente, ou até 11 dias, a 37ºC.
CICLO VITAL DO
HIV NA CÉLULA HUMANA
- ligação de glicoproteínas
virais (gp120) ao receptor específico da superfície celular
(principalmente linfócitos T-CD4);
- fusão do envelope do vírus
com a membrana da célula hospedeira;
- liberação do "core"
do vírus para o citoplasma da célula hospedeira;
- transcrição do RNA viral
em DNA complementar, dependente da enzima transcriptase
reversa;
- transporte do DNA complementar
para o núcleo da célula, onde pode haver integração no
genoma celular (provírus), dependente da enzima integrase,
ou a permanência em forma circular, isoladamente;
- o provírus é reativado,
e produz RNA mensageiro viral, indo para o citoplasma
da célula;
- proteínas virais são produzidas
e quebradas em subunidades, por intermédio da enzima protease;
- as proteínas virais produzidas
regulam a síntese de novos genomas virais, e formam a
estrutura externa de outros vírus que serão liberados
pela célula hospedeira; e
- o vírion recém-formado
é liberado para o meio circundante da célula hospedeira,
podendo permanecer no fluído extracelular, ou infectar
novas células.
A interferência
em qualquer um destes passos do ciclo vital do vírus impediria
a multiplicação e/ou a liberação de novos vírus. Atualmente
estão disponíveis comercialmente drogas que interferem em
duas fases deste ciclo: a fase 4 (inibidores da transcriptase
reversa) e a fase 7 (inibidores da protease).
FORMAS DE TRANSMISSÃO
As principais
formas de transmissão do HIV são: sexual, sangüínea (em receptores
de sangue e em usuários de drogas injetáveis, ou UDI) e vertical
(da mãe para o filho, durante a gestação, parto ou por aleitamento).
Além dessas formas, mais freqüentes, também pode ocorrer a
transmissão ocupacional.
SEXUAL
A principal forma
de exposição em todo o mundo é a sexual, sendo que a transmissão
heterossexual, nas relações sem o uso de preservativo é considerada
pela OMS como a mais freqüente. Nos países desenvolvidos,
a exposição ao HIV por relações homossexuais ainda é a responsável
pelo maior número de casos, embora as relações heterossexuais
estejam aumentando proporcionalmente como uma tendência na
dinâmica da epidemia. Os fatores que aumentam o risco de transmissão
do HIV em uma relação heterossexual são: alta viremia, Imunodeficiência
avançada, relação anal receptiva, relação sexual durante a
menstruação e presença de outra DST, principalmente as ulcerativas.
Sabe-se hoje que as úlceras resultantes de infecções sexualmente
transmissíveis como cancro mole, sífilis e herpes genital,
aumentam muito o risco de transmissão do HIV.
SANGÜÍNEA
A transmissão
sangüínea associada ao uso de drogas injetáveis é um meio
muito eficaz de transmissão do HIV, devido ao uso compartilhado
de seringas e agulhas. A transmissão mediante transfusão de
sangue e derivados é cada vez menos relevante nos países industrializados
e naqueles que adotaram medidas de controle da qualidade do
sangue utilizado, como é o caso do Brasil.
VERTICAL
A transmissão
vertical, decorrente da exposição da criança durante a gestação,
parto ou aleitamento materno, vem aumentando devido à maior
transmissão heterossexual. A transmissão intra-uterina é possível
em qualquer fase da gravidez; porém é menos freqüente no primeiro
trimestre. As infecções ocorridas nesse período não têm sido
associadas a malformações fetais. O risco de transmissão do
HIV da mãe para o filho pode ser reduzido em até 67% com o
uso de AZT durante a gravidez e no momento do parto, associado
à administração da mesma droga ao recém-nascido por seis semanas.
A transmissão pelo leite materno é evitada com o uso de leite
artificial ou de leite humano processado em bancos de leite,
que fazem aconselhamento e triagem das doadoras.
OCUPACIONAL
A transmissão
ocupacional ocorre quando profissionais da área da saúde sofrem
ferimentos com instrumentos pérfuro-cortantes contaminados
com sangue de pacientes portadores do HIV. Os fatores de risco
já identificados como favorecedores deste tipo de contaminação
são: a profundidade e extensão do ferimento a presença de
sangue visível no instrumento que produziu o ferimento, o
procedimento que resultou na exposição e que envolveu a colocação
da agulha diretamente na veia ou artéria de paciente portador
de HIV e, finalmente, o paciente fonte da infecção mostrar
evidências de Imunodeficiência avançada, ser terminal ou apresentar
carga viral elevada.
OUTRAS POSSÍVEIS
FORMAS DE TRANSMISSÃO
Embora o vírus
tenha sido isolado de vários fluidos corporais, como saliva,
urina, lágrimas, somente o contato com sangue, sêmen, secreções
genitais e leite materno têm sido implicados como fontes de
infecção. O risco da transmissão do HIV por saliva foi avaliado
em vários estudos laboratoriais e epidemiológicos. Esses estudos
demonstraram que a concentração e a infectividade dos vírus
da saliva de indivíduos portadores do HIV é extremamente baixa.
Até o momento, não foi possível evidenciar, com segurança,
nenhum caso de infecção por HIV adquirido por qualquer das
seguintes vias teóricas de transmissão: contato interpessoal
não-sexual e não-percutâneo (contato casual), picadas de insetos,
fontes ambientais (aerossóis, por exemplo) e objetos inanimados
(fômites), além de instalações sanitárias. Não foi possível
evidenciar qualquer multiplicação do HIV em artrópodes após
inoculação intra-abdominal, intratorácica ou após repasto
de sangue infectado. Outros estudos demonstraram ausência
de replicação do HIV em linhagens celulares derivadas de artrópodes.
Conclui-se que formas alternativas de transmissão são altamente
improváveis, e que a experiência cumulativa é suficientemente
ampla para se assegurar enfaticamente que não há qualquer
justificativa para restringir a participação de indivíduos
infectados nos seus ambientes domésticos, escolares, sociais
ou profissionais.
PREVENÇÃO E CONTROLE
As principais
estratégias de prevenção empregadas pelos programas de controle
envolvem: a promoção do uso de preservativos, a promoção do
uso de agulhas e seringas esterilizadas ou descartáveis, o
controle do sangue e derivados, a adoção de cuidados na exposição
ocupacional a material biológico e o manejo adequado das outras
DST.
PRESERVATIVOS
Os preservativos
masculinos e femininos são a única barreira comprovadamente
efetiva contra o HIV, e o uso correto e consistente deste
método pode reduzir substancialmente o risco de transmissão
do HIV e das outras DST.
ESPERMICIDAS
Os produtos espermicidas
à base de nonoxinol-9 são capazes de inativar o HIV e agentes
de outras DST "in vitro", e poderiam ter
um papel importante na redução da transmissão sexual do HIV,
se usados em associação com os preservativos. Entretanto segurança
e eficácia dos espermicidas atualmente disponíveis, não estão
bem estabelecidas.
PREVENÇÃO EM USUÁRIOS
DE DROGAS INJETÁVEIS (UDI)
Desde 1986, ficou
claro que os UDI representavam um grupo focal particularmente
importante, devido ao risco específico de ocorrência de epidemias
de HIV nesta população, e ao potencial de representarem a
interface através da qual a infecção por HIV se difundiria
para a população heterossexual não usuária de drogas e consequentemente
para as crianças. A disseminação da infecção pelo HIV entre
UDI em muitos países com características diferentes, levantou
importantes questões sobre a natureza do comportamento dos
dependentes, e da possibilidade de modificá-lo mediante intervenções
preventivas, de modo a reduzir a transmissão do HIV. Houve
ceticismo inicial acerca da eficácia de ações educativas nessa
população. O temor de que a estratégia de redução de danos,
baseadas na facilitação do acesso a equipamento estéril de
injeções pudesse levar ao aumento da população de usuários
de drogas injetáveis, não se concretizou. Há atualmente evidências
suficientes para concluir que foi possível reduzir o nível
epidêmico da transmissão do HIV em locais onde programas inovadores
de saúde pública foram iniciados precocemente. Os elementos
desses programas de prevenção incluem orientação educativa,
disponibilidade de testes sorológicos, facilitação de acesso
aos serviços de tratamento da dependência de drogas, acesso
a equipamento estéril de injeção, além de ações que se desenvolvem
na comunidade de usuários de drogas a partir da intervenção
de profissionais de saúde e/ou agente comunitários, recrutados
na própria comunidade. Em relação às mudanças comportamentais,
demonstrou-se que os UDI podem ser sensíveis às ações preventivas
e capazes de reduzir a freqüência das situações de risco.
EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL
Embora alguns
tipos de exposição acidental, como o contato de sangue ou
secreções com mucosas ou pele íntegra teoricamente possam
ser responsáveis por infecção pelo HIV, os seus riscos são
insignificantes quando comparados com a exposição percutânea,
através de instrumentos pérfuro-cortantes. Fatores como prevalência
da infecção pelo HIV na população de pacientes, grau de experiência
dos profissionais de saúde no cuidado desse tipo de paciente,
uso de precauções universais (luvas, óculos de proteção, máscaras,
aventais, etc.), bem como a freqüência de utilização de procedimentos
invasivos, podem também influir no risco de transmissão do
HIV. O meio mais eficiente para reduzir tanto a transmissão
profissional-paciente quanto a paciente-profissional, baseia-se
na utilização sistemática das normas de biossegurança, na
determinação dos fatores de risco associados, e na sua eliminação,
bem como na implantação de novas tecnologias da instrumentação
usadas na rotina de procedimentos invasivos.
TESTES DIAGNÓSTICOS
Os testes para
detecção da infecção pelo HIV podem ser divididos basicamente
em quatro grupos: detecção de anticorpos, detecção de antígenos,
cultura viral e amplificação do genoma do vírus. As técnicas
rotineiramente utilizadas para o diagnóstico da infecção pelo
HIV são baseadas na detecção de anticorpos contra o vírus.
Estas técnicas apresentam excelentes resultados e são menos
dispendiosas, sendo de escolha para toda e qualquer triagem
inicial. Porém detectam a resposta do hospedeiro contra o
vírus, e não o próprio vírus diretamente. As outras três técnicas
detectam diretamente o vírus ou suas partículas. São menos
utilizadas rotineiramente, sendo aplicadas em situações específicas,
tais como: exames sorológicos indeterminados ou duvidosos,
acompanhamento laboratorial de pacientes, mensuração da carga
viral para controle de tratamento, etc.
TESTES DE DETECÇÃO
DE ANTICORPOS
ELISA (teste imunoenzimático),
Western-blot, Imunofluorescência indireta e Radioimunoprecipitação.
Outros testes para detecção de anticorpos: um grande número
de testes rápidos para estudos de campo, triagens de grandes
populações e para decisões terapêuticas em situações de emergência
vêm sendo desenvolvidos, geralmente baseados em técnicas de
aglutinação em látex e hemaglutinação.
TESTES DE DETECÇÃO
DE ANTÍGENO VIRAL
Pesquisa de Antígeno
p24: este teste quantifica a concentração da proteína viral
p24 presente no plasma ou no sobrenadante de cultura de tecido.
Embora esta proteína esteja presente no plasma de pacientes
em todos os estágios da infecção pelo HIV, sua maior prevalência
ocorre antes da soroconversão e nas fases mais avançadas da
doença.
TÉCNICAS DE CULTURA
VIRAL
Cultura de células
mononucleares de sangue periférico para isolamento do HIV,
Cultura quantitativa de células e Cultura quantitativa de
plasma.
TESTES DE AMPLIFICAÇÃO
DO GENOMA DO VÍRUS
Análise quantitativa
direta da carga viral através de técnicas baseadas na amplificação
de ácidos nucleicos. Os resultados devem ser interpretados
da seguinte maneira: Carga viral abaixo de 10.000 cópias de
RNA por ml: baixo risco de progressão ou de piora da doença;
Carga viral entre 10.000 e 100.000 cópias de RNA por ml: risco
moderado de progressão ou de piora da doença; Carga viral
acima de 100.000 cópias de RNA por ml: alto risco de progressão
ou de piora da doença.
ASPECTOS CLÍNICOS
A infecção pelo
HIV pode ser dividida em quatro fases clínicas: 1) infecção
aguda; 2) fase assintomática, também conhecida como latência
clínica; 3) fase sintomática inicial ou precoce; e 4) AIDS.
INFECÇÃO AGUDA
A infecção aguda,
também chamada de síndrome da infecção retroviral aguda ou
infecção primária, ocorre em cerca de 50% a 90% dos pacientes.
Seu diagnóstico é pouco realizado devido ao baixo índice de
suspeição, sendo, em sua maioria, retrospectivo. O tempo entre
a exposição e os sintomas é de cinco a 30 dias. A história
natural da infecção aguda caracteriza-se tanto por viremia
elevada, como por resposta imune intensa. Existem evidências
de que a imunidade celular desempenha papel fundamental no
controle da viremia na infecção primária. Os sintomas aparecem
durante o pico da viremia e da atividade imunológica. As manifestações
clínicas podem variar, desde quadro gripal até uma síndrome
mononucleose-like. Além de sintomas de infecção viral,
como febre, adenopatia, faringite, mialgia, artralgia, rash
cutâneo maculopapular eritematoso, ulcerações muco-cutâneas
envolvendo mucosa oral, esôfago e genitália, hiporexia, adinamia,
cefaléia, fotofobia, hepatoesplenomegalia, perda de peso,
náuseas e vômitos; os pacientes podem apresentar candidíase
oral, neuropatia periférica, meningoencefalite asséptica e
síndrome de Guillain-Barré. Os sintomas duram, em média, 14
dias, sendo o quadro clínico autolimitado. A ocorrência da
síndrome de infecção retroviral aguda clinicamente importante
ou a persistência dos sintomas por mais de 14 dias parecem
estar relacionadas com a evolução mais rápida para AIDS.
FASE ASSINTOMÁTICA
Na infecção precoce
pelo HIV, também conhecida como fase assintomática, o estado
clínico básico é mínimo ou inexistente. Alguns pacientes podem
apresentar uma linfoadenopatia generalizada persistente, "flutuante"
e indolor. Portanto, a abordagem clínica nestes indivíduos
no início de seu seguimento prende-se a uma história clínica
prévia, investigando condições de base como hipertensão arterial
sistêmica, diabetes, DPOC, doenças hepáticas, renais, pulmonares,
intestinais, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose
e outras doenças endêmicas, doenças psiquiátricas, uso prévio
ou atual de medicamentos, enfim, situações que podem complicar
ou serem agravantes em alguma fase de desenvolvimento da doença
pelo HIV. A história familiar, hábitos de vida, como também
uma avaliação do perfil emocional e psicossocial do paciente,
seu nível de entendimento e orientação sobre a doença são
extremamente importantes. No que diz respeito à avaliação
laboratorial nesta fase, uma ampla variedade de alterações
podem estar presentes. Os exames laboratoriais de rotina recomendados
são: Hemograma completo, Sorologia para sífilis, Sorologia
para os vírus da hepatite, Sorologia para toxoplasmose, Sorologia
para citomegalovírus (CMV) e herpes, Radiografia de tórax,
PPD (derivado protéico purificado), Papanicolaou e Perfil
imunológico e carga viral
FASE SINTOMÁTICA
INICIAL
Sudorese noturna:
é queixa bastante comum e tipicamente inespecífica entre os
pacientes com infecção sintomática inicial pelo HIV. Pode
ser recorrente e pode ou não vir acompanhada de febre. Nessa
situação deve ser considerada a possibilidade de infecção
oportunista, particularmente tuberculoses, lançando-se mão
de investigação clínica e laboratorial específicas.
Fadiga: também é freqüente manifestação da infecção sintomática
inicial pelo HIV e pode ser referida como mais intensa no
final de tarde e após atividade física excessiva. Fadiga progressiva
e debilitante deve alertar para a presença de infecção oportunista,
devendo ser sempre pesquisada.
Emagrecimento: é um dos mais comuns entre os sintomas gerais
associados com infecção pelo HIV, sendo referido em 95-100%
dos pacientes com doença em progressão. Geralmente encontra-se
associado a outras condições como anorexia. A associação com
diarréia aquosa o faz mais intenso.
Diarréia: consiste em manifestação freqüente da infecção pelo
HIV desde sua fase inicial. Determinar a causa da diarréia
pode ser difícil e o exame das fezes para agentes específicos
se faz necessário. Quando a identificação torna-se difícil
ou falha, provas terapêuticas empíricas podem ser lançadas,
baseando-se nas características epidemiológicas e clínicas
do quadro.
Sinusopatias: sinusites e outras sinusopatias ocorrem com
relativa freqüência entre os pacientes com infecção pelo HIV.
A forma aguda é mais comum no estágio inicial da doença pelo
HIV. Febre, cefaléia, sintomas locais, drenagem mucopurulenta
nasal fazem parte do quadro.
Candidíase Oral e Vaginal (inclusive a recorrente): a candidíase
oral é a mais comum infecção fúngica em pacientes portadores
do HIV e apresenta-se com sintomas e aparência macroscópica
característicos. A forma pseudomembranosa consiste em placas
esbranquiçadas removíveis em língua e mucosas que podem ser
pequenas ou amplas e disseminadas. Já a forma eritematosa
é vista como placas avermelhadas em mucosa, palato mole e
duro ou superfície dorsal da língua. A queilite angular, também
freqüente, produz eritema e fissuras nos ângulos da boca.
Mulheres HIV+ podem apresentar formas extensas ou recorrentes
de candidíase vulvo-vaginal, com ou sem acometimento oral,
como manifestação precoce de Imunodeficiência pelo HIV, bem
como nas fases mais avançadas da doença.
Leucoplasia Pilosa Oral: é um espessamento epitelial benigno
causado provavelmente pelo vírus Epstein-Barr, que clinicamente
apresenta-se como lesões brancas que variam em tamanho e aparência,
podendo ser planas ou em forma de pregas, vilosidades ou projeções.
Ocorre mais freqüentemente em margens laterais da língua,
mas podem ocupar localizações da mucosa oral: mucosa bucal,
palato mole e duro.
Gengivite: a gengivite e outras doenças periodontais pode
manifestar-se de forma leve ou agressiva em pacientes com
infecção pelo HIV, sendo a evolução rapidamente progressiva,
observada em estágios mais avançados da doença, levando a
um processo necrotizante acompanhado de dor, perda de tecidos
moles periodontais, exposição e seqüestro ósseo.
Úlceras Aftosas: em indivíduos infectados pelo HIV é comum
a presença de úlceras consideravelmente extensas, resultantes
da coalescência de pequenas úlceras em cavidade oral e faringe,
de caráter recorrente e etiologia não definida. Resultam em
grande incômodo produzindo odinofagia, anorexia e debilitação
do estado geral com sintomas constitucionais acompanhando
o quadro.
Herpes Simples Recorrente: a maioria dos indivíduos infectados
pelo HIV é co-infectada com um ou ambos os tipos de vírus
herpes simples, sendo mais comum a evidência de recorrência
do que infecção primária. Geralmente a apresentação clínica
dos quadros de recorrência é atípica ao comparar-se aos quadros
em indivíduos imunocompetentes, no entanto, a sintomatologia
clássica pode manifestar-se independente do estágio da doença
pelo HIV.
Herpes Zoster: de modo similar ao que ocorre com o HSV em
pacientes com doença pelo HIV, a maioria dos adultos foi previamente
infectada pelo vírus varicela zoster, desenvolvendo episódios
de herpes zoster freqüentes.
Trombocitopenia: na maioria das vezes é uma anormalidade hematológica
isolada com um número normal ou aumentado de megacariócitos
na medula óssea e níveis elevados de imunoglobulinas associadas
a plaquetas. Clinicamente, os pacientes podem apresentar somente
sangramentos mínimos como petéquias, equimoses e ocasionalmente
epistaxes.
DOENÇAS OPORTUNISTAS
São doenças que
se desenvolvem em decorrência de uma alteração imunitária
do hospedeiro. As doenças oportunistas associadas à AIDS são
várias, podendo ser causadas por vírus, bactérias, protozoários,
fungos e certas neoplasias: Vírus: Citomegalovirose, Herpes
simples, Leucoencafalopatia Multifocal Progressiva; Bactérias:
Micobacterioses (tuberculose e complexo Mycobacterium avium-intracellulare),
Pneumonias, Salmonelose; Fungos: Pneumocistose, Candidíase,
Criptococose, Histoplasmose; Protozoários: Toxoplasmose, Criptosporidiose,
Isosporíase; Neoplasias: sarcoma de Kaposi, linfomas não-Hodgkin,
neoplasias intra-epiteliais anal e cervical.
TRATAMENTO
Existem, até o
momento, duas classes de drogas liberadas para o tratamento
anti-HIV:
INIBIDORES DA
TRANSCRIPTASE REVERSA
São drogas que
inibem a replicação do HIV bloqueando a ação da enzima transcriptase
reversa que age convertendo o RNA viral em DNA:
Nucleosídeos:
Zidovudina (AZT) cápsula; Zidovudina (AZT) injetável; Zidovudina
(AZT) solução oral; Didanosina (ddI) comprimido e dose; Zalcitabina
(ddC) comprimido e dose; Lamivudina comprimido e dose; Estavudina
(d4T) cápsula e dose; e Abacavir comprimidos e dose.
Não-nucleosídeos:
Nevirapina comprimido e dose; Delavirdina comprimido e dose;
e Efavirenz comprimido e dose.
Nucleotídeo: Adefovir
dipivoxil: comprimido e dose.
INIBIDORES DA
PROTEASE
Estas drogas agem
no último estágio da formação do HIV, impedindo a ação da
enzima protease que é fundamental para a clivagem das cadeias
protéicas produzidas pela célula infectada em proteínas virais
estruturais e enzimas que formarão cada partícula do HIV:
Indinavir cápsula e dose; Ritonavir cápsula e dose; Saquinavir
cápsula e dose; Nelfinavir cápsula e dose; e Amprenavir cápsula
e dose. Terapia combinada é o tratamento anti-retroviral com
associação de duas ou mais drogas da mesma classe farmacológica,
ou de classes diferentes. Outros estudos evidenciaram redução
na emergência de cepas multirresistentes quando da utilização
da terapêutica combinada. A terapia anti-retroviral é uma
área complexa, sujeita a constantes mudanças. As recomendações
deverão ser revistas periodicamente, com o objetivo de incorporar
novos conhecimentos gerados pelos ensaios clínicos.