AIDS
1.INTRODUÇÃO
Síndrome
de Imunodeficiência Adquirida (Aids), estado final da infecção
crônica provocada pelo retrovírus HIV (vírus da imunodeficiência
humana). É uma doença que anula a capacidade do sistema imunológico
de defender o organismo de múltiplos microorganismos, causando,
entre outros problemas, infecções oportunistas graves, como
toxoplasmose, pneumonia e tuberculose pulmonar. Caracteriza-se
por astenia e perda de peso acentuadas, bem como por uma incidência
elevada de certos cânceres, especialmente o sarcoma de Kaposi
e o linfoma de célula B. Transmite-se pelo sangue, por contato
homossexual ou heterossexual e, através da placenta da mãe
infectada ao feto. As transfusões sangüíneas foram uma via
importante de transmissão, antes do desenvolvimento de um
teste confiável para a detecção do vírus no sangue. Um dos
mecanismos principais de transmissão e difusão da doença é
o uso compartilhado, pelos viciados em drogas, de agulhas
contaminadas com sangue infectado. Nos países ocidentais,
o maior número de casos ocorreu por transmissão sexual. O
vírus HIV permanece inativo por um tempo variável, no interior
das células T infectadas, e pode demorar até 10 anos para
desencadear a moléstia.
2.HISTÓRIA
No final
da década de 1970, mortes causadas por infecções oportunistas,
que até então eram observadas em pacientes de transplantes
que tinham recebido medicamentos imunossupressivos, foram
registradas em homens homossexuais. Em 1983, Luc Montagnier
e sua equipe no Instituto Pasteur de Paris isolaram do nódulo
linfático de um homem em risco de desenvolver Aids o que parecia
ser um novo retrovírus humano. Quase simultaneamente, o grupo
de Robert Gallo no Instituto Nacional do Câncer, nos Estados
Unidos, isolou o mesmo retrovírus de pacientes de Aids e de
pessoas que tinham tido contato sexual com vítimas da Aids.
O microorganismo isolado é agora conhecido como HIV. Ao longo
dos anos 80, a doença rapidamente se configurou como uma pandemia,
tornando-se um dos mais graves problemas de saúde pública
no século XX. No final de 1998, a Organização Mundial de Saúde
(OMS) contabilizava 47 milhões de pessoas infectadas pelo
HIV em todo o mundo num período de 20 anos. Destas, 14 milhões
já tinham morrido. Só em 1998, foram registrados 6 milhões
de novos casos de infecção (o que significa 11 contaminações
por minuto) e 2,5 milhões de mortes. Nenhum país tinha conseguido
controlar o avanço do HIV, mas a África Subsaariana era o
epicentro, com 22 milhões do total de portadores do vírus
(34 milhões desde o surgimento da doença). Em oito países
africanos onde a infecção atinge pelo menos 10% da população
adulta (Botsuana, Quênia, Malaui, Moçambique, Ruanda, África
do Sul, Zâmbia e Zimbábue), a Aids fará a expectativa de vida
cair 17 anos nas próximas décadas: de 64 para 47 anos, em
média.
3.DETECÇÃO
E DIAGNÓSTICO
A identificação
do HIV levou ao desenvolvimento de métodos para sua detecção.
O primeiro desses métodos, baseado numa técnica denominada
Elisa, foi criado em 1985. Tem a desvantagem de não detectar
o vírus propriamente dito, apenas os anticorpos que o organismo
produz contra ele. Mas, pela simplicidade de aplicação e o
custo relativamente baixo, é o método mais utilizado. Quando
o resultado é positivo, o teste é refeito, para confirmação,
com o emprego de outros métodos desenvolvidos posteriormente,
e que são capazes de identificar componentes do próprio vírus.
Tais métodos são também empregados quando se desconfia que
o indivíduo foi exposto ao HIV, mas seu sistema imunológico
não teve tempo de produzir os anticorpos contra ele (há um
breve período, geralmente de quatro a oito semanas, após a
exposição ao HIV em que o indivíduo permanece negativo aos
testes sorológicos do tipo Elisa). O mais avançado dos métodos
para detecção direta do vírus é a reação em cadeia de polimerase,
ou PCR, que detecta o próprio ADN viral (ver Ácidos nucléicos).
Ser HIV-positivo (o mesmo que soropositivo ou portador do
HIV) não significa necessariamente que o indivíduo tem Aids.
Uma pessoa pode permanecer HIV-positiva por um longo período
sem desenvolver os sintomas clínicos que definem um diagnóstico
de Aids. Tal definição varia de país para país, mas em geral
está relacionada à presença do HIV no sangue, associada a
uma ou mais infecções oportunistas.
4.TRATAMENTO
Embora
não haja ainda uma cura para a Aids, algumas drogas estão
mostrando significativo impacto na progressão da doença. Foram
inicialmente usadas uma de cada vez, mas seus efeitos eram
transitórios. Passaram então a ser usadas de forma combinada
(o chamado coquetel), o que tem retardado consideravelmente
o aparecimento de infecções oportunistas e prolongado a vida.
Não obstante, tais medicamentos causam muitos efeitos colaterais
e seu alto custo os torna praticamente inacessíveis aos países
pobres, especialmente os africanos, justamente os que exibem
as mais altas taxas de infecção.
5.AIDS
NO BRASIL
Os primeiros
casos de Aids no Brasil foram identificados em 1982, quando
sete pacientes homossexuais foram diagnosticados. Mais tarde,
um desses casos foi reconhecido, retrospectivamente, como
tendo ocorrido em 1980. O vírus provavelmente introduziu-se
no país na década de 1970, tendo se difundido, numa primeira
etapa, nas áreas metropolitanas do centro-sul, alcançando,
na primeira metade da década seguinte, as diversas macrorregiões.
O Brasil é o quarto país do mundo em número de casos notificados:
135.200 casos até maio de 1998. Mas quando se considera a
incidência relativa, isto é, a relação entre o número de casos
e a população, o país, com 97 casos por 100 mil habitantes,
situa-se entre o 40º e o 50º posto no ranking mundial. A maior
incidência é na região Sudeste, com 159 casos por 100 mil
habitantes, contra apenas 25 casos por 100 mil no Norte, a
região de menor incidência.