Animais
Silvestres
INTRODUÇÃO
Existem
mais peixes no mundo em termos de número de espécies ou de
indivíduos do que animais de qualquer outro grupo de vertebrado.
Seu número total de indivíduos supera a soma de todos os indivíduos
de todas as espécies vertebradas juntas, o que não deve causar
surpresa uma vez que quase 80% da superfície da Terra é coberta
por água.
Os
peixes e vertebrados semelhantes a peixes podem ser classificados
em quatro classes:
Agnatha:
peixes desprovidos de mandíbula como ciclóstomos, lampréias
e peixes-bruxa. Cerca de 50 espécies;
Placodermi:
peixes primitivos com mandíbulas;
Chondrichthyes:
peixes cartilaginosos como os tubarões, raias e quimeras.
Cerca de 530 espécies;
Osteichthyes:
peixes ósseos ou peixes de nadadeiras raiadas. Cerca de 20.000
espécies.
Como
grupo, os peixes apresentam tamanhos bastantes variados. O
maior é o tubarão baleia, Rhineodon typus, que pode
atingir mais de quinze metros de comprimento. O menor peixe
conhecido é uma espécie de gobião encontrada nas Ilhas Filipinas,
Pandaka pygmea, com um pouco mais de oito milímetros
de comprimento. A maioria dos peixes se encontra no mar, sendo
chamadas de peixes marinhos, mas há muitas espécies
que são encontradas na água doce. Quando estas são estritamente
confinadas `a água doce recebem a denominação de peixes
primários de água doce. Outras espécies podem penetrar
no mar ou em água salobra, por curtos períodos de tempo, e
são chamadas de peixes secundários de água doce. Existem
ainda, as espécies diádromas, que migram regularmente
entre a água doce e salgada, em certos períodos de seu ciclo
de vida, tais como o salmão do Pacífico e as enguias de água
doce. Estima-se que 58,2% das espécies viventes de peixes
são marinhas e 41,8% são de água doce. Destas, 33,1% são primárias,
8,1% são secundárias e 0,6% são espécies diádromas.
De
todas estas espécies de peixes, cerca de 400 tem sido tradicionalmente
mantidas em aquários e tanques como animais de estimação,
sendo alguns acompanhado a própria história do mundo ocidental
como no caso do Carassius auratus, o Kingio ou "peixinho
dourado" que teve sua primeira citação de coloração vermelha
no ano de 970. O sua criação era comum na China em 1500, sendo
levados para Portugal algumas vezes durante o século seguinte
e para a Holanda em 1728, tornando-se atualmente um dos mais
populares peixes mantidos em aquários em todo o mundo. O Kingio
original é vermelho-ouro na superfície dorsal, vermelho a
dourado nos lados tornando-se bronze amarelado no abdome,
e podem viver por até 30 anos. A reprodução seletiva tem originado
uma variedade de cores e diversidade de formas nesta espécie.
A determinação do sexo de jovens peixinhos dourados é difícil,
mas é simples em adultos reprodutivos: a fêmea tem um abdome
distendido quando ocorre o amadurecimento das ovas, e no macho,
observa-se os "tubérculos nupciais" na cabeça, opérculo
e nadadeiras peitorais.
CARACTERÍSTICAS
ESPECIAIS
SISTEMA
CIRCULATÓRIO
O
sistema circulatório dos peixes é essencialmente um sistema
simples, em que o sangue não oxigenado passa pelo coração.
Daí, ele é bombeado para as brânquias, oxigenado e então,
distribuído para para o corpo. O coração possui quatro câmaras,
mas somente duas delas (o átrio e o ventrículo) correspondem
às quatro câmaras (átrios pares e ventrículos pares) dos vertebrados
superiores. A primeira câmara do coração de um peixe, ou câmara
receptora, é chamada de seio venoso. Tem uma parede fina como
a câmara seguinte, o átrio, para qual o sangue passa. Do átrio,
o sangue passa para o ventrículo, que tem paredes espessas,
e é bombeado para fora, passando do cone arterioso para a
aorta ventral. O sangue da aorta ventral vai para a região
branquial para ser oxigenado, passando pelos vasos brânquiais
aferentes, depois disso, sai das brânquias através das alças
coletoras eferentes e vai para a aorta dorsal. O sistema venoso
é constituído pela veia cardinal comum, que entra no seio
venoso de cada lado do corpo do peixe, sendo constituída pela
fusão das cardinais anteriores e posteriores. O sangue da
cabeça é coletado pelas cardinais anteriores e o sangue dos
rins e das gônadas é coletado pelas cardinais posteriores.
As veias abdominais laterais pares, que recebem o sangue da
parede do corpo e dos apêndices pares, também entram na veias
cardinais comuns. O sistema porta-renal é formado pela veia
caudal e pelas duas veias porta-renais, situadas lateralmente
aos rins. O sangue da região caudal passa da veia caudal para
as veias porta-renais e entra nos capilares dos rins. O sistema
porta-hepático coleta o sangue do estômago e do intestino
e devolve-o ao fígado, de onde, depois de atravessar uma série
de sinusóides, ele passa para o seio venoso por meio das veias
hepáticas pares.
SISTEMA
RESPIRATÓRIO
O
sistema respiratório com brânquias internas é uma característica
dos peixes. As brânquia formadas por lamelas branquiais são
constituídas por pregas finas, recobertas por epitélio respiratório
que se situa sobre redes vasculares ligadas aos arcos aórticos,
de modo que o dióxido de carbono do sangue pode ser trocado
por oxigênio dissolvido na água. Estas trocas gasosas ocorrem
durante os movimentos de bombeamento da água por ação muscular
em dois momentos: expansão da cavidade oro-faringea com aspiração
de água ,e num segundo momento, abertura dos ossos operculares
liberando a passagem da água.
A quantidade
de oxigênio disponível na água é 20 vezes menor do que a disponível
no ar atmosférico (1 litro de ar = 210 mmO2 , e 1 litro de
água = 10,29 mmO2). O aumento da temperatura diminui a solubilidade
do oxigênio na água, trazendo problemas de anóxia para os
peixes de regiões tropicais, onde o aumento de temperatura
da água também aumenta o seu metabolismo
Na
maioria dos peixes ósseos, um pulmão primitivo transformou-se
numa bexiga natatória ou órgão hidrostático, que pode ou não
estar ligado ao esôfago por meio de uma conexão dorsal. Por
intermédio de glândulas, a quantidade de gás na bexiga natatória
pode ser aumentada ou diminuída, de modo a manter o corpo
em vários níveis dentro da água.
LOCOMOÇÃO
A
locomoção dos peixes é feita a partir dos movimentos de suas
nadadeiras. Geralmente existem nadadeiras pares peitorais
e pélvicas, uma ou duas nadadeiras dorsais medianas ímpares,
uma nadadeira anal ventral mediana e uma nadadeira caudal
NITRIFICAÇÃO
E A "SINDROME DO AQUÁRIO NOVO"
O excesso
de nitrogênio ingerido pela maioria dos peixes com nadadeiras
raiadas é excretado na forma de amônia por difusão pelas guelras
e urina junto com grande quantidade de água. Para garantir
esta excreção sem desidratar o peixe necessita ingerir um
grande volume de água. Quando a espécie de peixe é de água
doce, não haverá nenhum problema, mas quando pertence a uma
espécie de água marinha, a ingestão de água salgada pode saturar
o meio interno de eletrólitos. As espécies de peixes mais
antigas, como os tubarões, que sempre permaneceram na água
marinha, desenvolveram um artifício para manterem sua homeostase:
no fígado a amônia tóxica é combinada com dióxido de carbono
e transformada em uréia. A uréia, que não é tóxica pode ser
acumulada no organismo, aumentando sua carga iônica, e evitando
a entrada de eletrólitos do meio aquático, sendo posteriormente
excretada pelos rins.
A amônia
liberada pelos peixes fica no meio aquático, e quando acumulada,
pode intoxica-los. O processo natural de eliminação desta
amônia chama-se nitrificação. A nitrificação é um processo
microbiano, no qual a amônia é convertida a nitrato, em um
processo de duas etapas. Espécies bacterianas do gênero Nitrossomonas
oxidam a amônia (sob a forma do íon amoníaco, NH4+) a nitrito
(NO2), e as espécies de Nitrobacter oxidam o nitrito
a nitrato (NO3). A nitrificação é um processo natural, de
ocorrência constante no solo e na água, como parte principal
do ciclo do nitrogênio. A amônia constitui 80% dos produtos
nitrogenados de excreção do peixe. A nitrificação é o mais
eficiente método de remoção da amônia (altamente tóxica) do
ambiente do peixe. Em um aquário estabilizado ou "condicionado",
as bactérias nitrificantes podem oxidar a amônia a nitrito
e nitrato tão eficientemente que mesmo em caso de densidade
populacionais muito elevadas, os níveis de amônia e nitrito
permanecem extremamente baixos. As concentrações de nitrato,
entretanto, irão aumentar regularmente no ecossistema relativamente
artificial que é o aquário, pois não poderá haver plantas
suficientes no ambiente, de modo que todo o nitrato produzido
seja utilizado. Este não é, entretanto, um problema da maior
monta, pois o nitrato é não-tóxico para os peixes; concentrações
de até 4.000 ppm não os afetarão. As concentrações apreciáveis
de nitrato no aquário irá acarretar o indesejável efeito colateral
de estimular o crescimento de algas. As concentrações de nitrato
são facilmente controladas pela mudança de aproximadamente
25% da água do aquário, a cada 3-4 semanas.
A "sindrome
do aquário novo" é provavelmente responsável por uma
mortandade mais elevada de peixes tropicais, a cada ano, que
qualquer doença infecciosa isolada. Esta sindrome ocorre quando
demasiada quantidade de peixes é colocado em um aquário não
condicionado. O aquário, nessas condições, não possui um número
significativo de bactérias nitrificantes para oxidar a amônia
tão rapidamente quanto a sua excreção pelo peixe. Quando isto
acontece, a concentração de amônia rapidamente aumenta, podendo
matar os peixes. Nos peixes intoxicados pela amônia exibem
sinais de hipóxia, observando-se a hiperplasia e fusão das
lamelas branquiais, resultando em deficiência respiratória.
Os
níveis elevados de amônia estimulam, então, o crescimento
de certas espécies de Nitrossomonas, que rapidamente
oxidam NH4 em nitrito. Esse metabólito, por sua vez, é também
extremamente tóxico (1ppm) para os peixes; provavelmente terminará
por extinguir todos os peixes remanescentes no aquário. O
mecanismo de intoxicação por nitritos é similar ao do monóxido
de carbono, ligando-se à hemoglobina e, uma vez combinados,
impedem o transporte de oxigênio. Assim, os peixes intoxicados
por nitritos exibem sinais de carência de oxigênio, vindo
finalmente a morrer por asfixia. As altas concentrações de
nitrito estimulam o crescimento de espécies de bactéria Nitrobacter,
que passa a oxidar o nitrito a nitrato. Neste ponto, o aquário
estará condicionado, e deverá facilmente suportar muitos peixes.
O tempo decorrente entre o momento em que os peixes são colocados
em um aquário não condicionado, e o início da mortalidade
pela "sindrome do aquário novo" varia diretamente
com a velocidade de produção de amônia, que por seu turno,
é determinado pelo número e tamanho dos peixes, sendo geralmente
entre 2 a 4 semanas após a montagem do aquário.
O tratamento
pode ser feita pela troca de 25% da água do aquário diariamente,
até que o processo de nitrificação tenha se estabelecido.
Esse procedimento irá efetivamente diluir os agentes tóxicos,
causando uma acentuada melhoria na condição dos peixes. A
prevenção pode ser alcançada por três métodos simples:
Introdução
lenta e gradual de peixes em um novo aquário. Esse método
manterá baixos os picos de concentração da amônia e nitrito,
dentro dos limites de tolerância dos peixes.
Colocação
de algumas pedras do fundo de um aquário bem condicionado,
e livre de doenças, no novo aquário. As bactérias nitrificantes
aderem à superfície das pedras, e o procedimento irá, essencialmente,
inocular os nitrificantes no aquário. Os peixes, todavia,
deverão ainda ser introduzidos cuidadosamente.
Estimulação
artificial do processo de condicionamento pela adição de sais
de amônia e nitrito ao novo aquário. Haverá, em conseqüência,
estimulação para o crescimento de bactérias nitrificantes.
Pela monitoração dos concentrações de amônia, nitrito e nitrato,
pode-se determinar quando o aquário estará condicionado e
apto a receber os peixes.
DOENÇAS
INFECCIOSAS
Peixes
tropicais são altamente susceptíveis a uma variedade de doenças
infecciosas. O agente etiologico da maioria desta doenças
são bactérias gram negativas com mobilidade. Os principais
sintomas e seus possíveis agentes etiológicos estão listados
abaixo:
|
Lesão
ou sinal
|
Possível
diagnóstico
|
|
Emaciação |
Muitos
estados patológicos causam emaciação, entretanto dois
agentes em particular devem ser suspeitos: Ichtyosporidium
phoferi (um fungo que provoca infecção sistêmica)
e espécies de Mycobacterium, que causam tuberculose
nos peixes. |
|
Distensão
abdominal
(hidropsia)
e/ou
escamas
eriçadas
|
Septicemia
bacteriana, usualmente provocada por Aeromonas liquefaciens.
A ação de um agente viral também é suspeitada. |
|
Exoftalmia |
Um
sinal bastante inespecífico, associado com diversas
doenças (mas comumente com septicemia bacteriana). |
|
Nadadeiras
rotas |
Sinal
inespecífico. Má qualidade da água, presença de ectoparasitas
(Flexibacter columnaris). |
|
Lesões
brancas com aspecto de algodão |
Infecção
por fungo, usualmente, Saprolegnia sp (S.
parasitica) ou espécies de Achtya ou Aphanomyces.
Diagnóstico pela evidência de elementos miceliais nos
raspados. |
|
Manchas
ou nódulos brancos |
Ectoparasitismo.
Diagnóstico no exame de raspado de tegumento e fragmento
de nadadeiras (protozoário, esporozoário). |
|
Áreas
esbranquiçadas sob a pele |
Esporozoários
(Plistophora). |
|
Crescimentos
esbranquiçados verrucosos na pele ou nadadeiras |
Infecção
viral linfocística (pox vírus com hipertrofia dos fibroblastos). |
|
Úlceras
avermelhadas |
Aeromonas
é um invasor secundário, que pode quase que invariavelmente
ser cultivado, entretanto, o problema primário pode
ser o ectoparasitismo ou injúria mecânica. |
SEPTICEMIA
E ENTERITE
Uma
forma aguda desta doença em peixes tropicais tem sido atribuída
a Paracolobactrum aerogenoides, uma bacilo gram negativo.
Peixes dourados expostos ao agente tem mortalidade de 100%
em 19 horas. Os sinais clínicos são depressão e enterite.
Ocasionalmente, como resultado da enterite, ocorrera o prolapso
anal nos estágios terminais. Na necropsia, observa-se um intestino
delgado atônico distendido por muco de coloração amarelado.
As lesões tendem a ser mais marcadas na porção distal dos
intestinos. Os vasos do mesentério e do fígado estarão congestos,
e o baço pode estar aumentado de volume até cinco vezes o
seu tamanho normal.
Kanamicina
ou sulfadiazina adicionada no aquário podem ser eficazes,
juntamente com medidas de limpeza e higiene por parte do proprietário,
já que demostrou-se a patogenidade deste agente ao homem e
outros mamíferos
ASCITE
(DROPSY)
A forma
infecciosa com ascite é causada pela Aeromonas liquefaciens,
um bacilo gram negativo com mobilidade. Os sinas clínicos
incluem eritema difuso da pele. Com a evolução do doença o
abdome distende-se duas a três vezes do normal com fluido
ascítico.
Peixes
maiores podem ser tratados individualmente pela administração
intramuscular de Clorafenicol. Banhos por oito horas com clorafenicol
podem também auxiliar espécimes menores.
DOENÇA
RENAL
Esta
doença em peixes foi inicialmente atribuída a um bacilo gram
positivo, Moraxella sp. Os peixes afetados apresentam
petéquias na pele e pequena áreas de necrose focal nos rins.
Na cavidade peritonial observa-se fluido rosa.
Microscopicamente,
há uma granulação generalizada. Fibrose generalizada nas vísceras
e anastomoses perivasculares dos vasos intestinais caracterizam
a doença. Corpúsculos de inclusão de tamanho variado são freqüentemente
observados nas células acinares pancreáticas. As pequenas
inclusões são eosinofílicas e as maiores são basofílicas.
Isto sugere uma etiologia viral juntamente com uma granulação
bacteriana. Não há tratamento indicado.
TUBERCULOSE
Causada
pelo Mycobacterium piscium, M. platypoecilus, e M.
fortuitum, ocorre em várias espécies de peixe mantidos
em aquários. Estes agentes são bacilos alcool-ácido resistentes,
gram negativos e não móveis. Crescem otimamente na temperatura
de 30ºC e param sua multiplicação a 37ºC.
Os
peixes afetados são anoréticos e rapidamente perdem peso.
Apresentam exoftálmia, ulceras cutâneas, descoloração e deformidades
esqueléticas. Alguns peixes afetados podem demonstrar fotofobismo.
Lesões macroscópicas incluem focos necróticos cinzas que freqüentemente
se coalescem formando massas similares a neoplasias. O diagnóstico
é feito pela demonstração de bacilos álcool-ácido resistentes
nos granulomas ou ulcerações.
Não
há tratamento satisfatório, e deve-se tomar muito cuidado
na manipulação de peixes infectados já que esta doença é transmissível
ao homem.
DOENÇA
COLUMNARIS
A mais
comum doença de pele, não parasita, em peixes de aquário é
a doença columnaris. Esta doença é causada por um bacilo gram
negativo Flexibacter columnaris, que invade a epiderme,
formando inicialmente uma mancha cinza bem delimitada. As
lesões evoluem para ulceras. As nadadeiras tornam-se desgastadas
e as brânquias áreas de necrose focal. Espécies de Corynebacterium
podem estar associadas ao F. columnaris.
Devido
as técnicas especiais de cultivo para o isolamento do agente
em laboratório, o diagnóstico é realizado numa montagem úmida
em lâmina da lesão, onde o agente pode ser observado como
um longo e fino bacilo. Tratamento a base de clorafenicol
é efetivo.
PODRIDÃO
DAS NADADEIRAS
A infecção
ocorre secundariamente a lesão física, estresse por causas
psicológicas, superpopulação, desnutrição ou baixa qualidade
da água, iniciando-se pela proliferação do epitélio das nadadeiras,
com seu engrossamento e opacidade. As lesões invariavelmente
iniciam-se da borda distal e avançam lentamente proximalmente.
As bactérias Haemophilus piscium e Aeromonas sp
tem sido incriminadas como possíveis agentes. Tratamento
com clorafenicol é eficaz.
ULCERAS
CUTÂNEAS
As
ulcerações cutâneas ocorrem com certa freqüência em peixes
de aquário. Os agentes etiológicos incluem: Nocardia asteroides,
Aeromonas sp, Mycobacterium piscium e Ichthyobonus
hoferi. Os três primeiros agentes são bactérias e o ultimo
é um fungo patogênico que pode ser diagnosticado por montagens
úmidas da lesão.
PROTOZOÁRIOS EXTERNOS
Geralmente
motilidade ciliar;
As
infecções maciças irritam a pele e as brânquias, fazendo com
que o peixe produza quantidades excessivas de muco como mecanismo
de defesa. Esse acréscimo na produção pode tornar deficiente
a respiração branquial, levando a sufocamento;
As
lesões provocadas podem evoluir para infecções bacterianas
secundárias;
Ichtyopthirius
multifiliis "ICTOS" &ndash Cryptocaryon irritans
Causa
a chamada "doença da mancha branca". Ocorre em todo
o mundo e acomete todos peixes de água doce e em condições
limitadas de um aquário são muito virulenta (a doença similar
para peixes marinho é causada pelo Cryptocaryon irritans).
A doença pode ser identificada após alguns dias da introdução
de um novo peixe no aquário. Os sinais clínicos incluem pequenas
manchas ou pintas brancas sobre o corpo, emaciação, asfixia
e morte. Os protozoários Ichtyopthirius são organismos grandes,
unicelulares, móveis, com formato esférico a oval tendo seu
maior diâmetro entre 0,05 &ndash 1mm. Toda sua superfície
é ciliada. Seu macronúcleo possui a forma característica de
ferradura. Os parasitas vivem em cistos na hipoderme onde
seus movimentos rotatórios podem ser observados. Em alguns
casos, a infestação é limitada as brânquias. A partir dos
movimentos rotatórios o parasita se alimenta de partículas
epiteliais e fluidos teciduais do hospedeiro. As manchas e
pintas brancas que são comumente observada, chamadas de terontes
são parasitos ou grupos de parasitas encistados, não suscetíveis
a droga antiprotozoárias. Com o crescimento do protozoário
o teronte aumenta de volume, rompe o libera o parasita, chamado
trofozoito que passa a viver sobre a pele ou brânquias do
peixe. Posteriormente dirige-se ao fundo do aquário, onde
adere-se em objetos como cascalho ou tubulação, encapsula-se
em uma gelatina, O trofozoito aderido sobre mitoses internas,
produzindo numerosos indivíduos jovens ou tomites. Dentro
de um período de 18 a 21 horas (em 23 a 25ºC) de 250 a 1000
de tomites ciliados são produzidos, sendo libertados para
a água. Eles nadam ativamente e caso encontrem algum hospedeiro
penetram na pele e dilatam-se formando cistos e desenvolvendo-se
em novas formas adultas. Caso não encontrem um hospedeiro
morrem em cercas de 48 horas. O ciclo é completado em 10-14
dias em cerca de 22º C até 21 dias para temperaturas mais
baixas.
Como
drogas antiprotozoárias não podem penetrar em terontes encistados,
o tratamento é direcionado a evitar a reinfecção do peixe
pelos tomites. As drogas mais usadas incluem: verde malaquita,
formalina e a mistura de verde malaquita e formalina em peixes
de água doce. Para peixes marinhos é utilizado o sulfato de
cobre.
Em
adição à quimioterapia, outros procedimentos ajudarão a controlar
a infestação. A elevação da temperatura alguns graus acima
da temperatura normal do aquário por vários dias tende a limitar
a infecção por um efeito adverso nos terontes, bem como estimula
a resposta imune do hospedeiro.
A
filtração com diatomáceas tende a reduzir o número de tomites.
A transferência do peixe para uma série de aquário limpos
diariamente por sete dias limitara a reinfecção. Na prática
pode ser usado um único aquário onde a água é mudada diariamente
e que tenha a superfície interna de seus vidros limpas para
remover algum trofozoito.
Epistylus
Parasitos
que apresentam uma longa haste ligada ao peixe; seu corpo
tem a forma de um sino em uma das extremidades, possuindo
um anel circular ciliado, ao alto.
Tetrahimena
Esses
ciliados piriformes são parasitos de vida livre que atacam
peixes debilitados. Estão associados com problemas em "guppies"
nos quais provocam um anel esbranquiçado de necrose em torno
do corpo.
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