[Continuação]
ESPOROZOÁRIOS
A
classe dos esporozoários (Sporozoasida) pertencem ao
reino dos protozoários (Protista, sub-reino
Protozoa) e possuem como características:
- Forma piriforme,
arredondada ou amebóide;
- Representantes
obrigatoriamente de vida parasitária;
- Flagelos e
cílios ausentes;
- Oocistos com
esporozoítos infectantes. Produzem cistos brancos nos
tecidos dos peixes. Essas formações são freqüentemente
visíveis sem ampliação ótica;
- O diagnóstico
pode ser obtido pela colocação de um cisto dissecado,
em uma lâmina de microscopia, esmagando-o em seguida com
uma lamínula. A estrutura dos zoósporos irá auxiliar na
identificação.
As
principais espécies encontradas são:
Henneguya
sp
Formam
cistos primariamente nas brânquias (onde irão interferir com
a respiração) e nas nadadeiras. Esses organismos produzem
esporos distintos, longos e de "cauda dupla".
Plistophora
hyphessobryconis
Provocam
a "doença do neon-tetra". Esses organismos infectam
e destroem a musculatura, provocando o aparecimento de áreas
de necrose esbranquiçadas, aparentes através da pele. Essa
doença ocorre em outros peixes, além dos neon-tetra. Os cistos
(pansporoblastos) contém numerosos esporos ovais, bastantes
característicos.
FUNGOS
Fungos
são um grande grupo de organismos nucleados semelhantes aos
vegetais, mas estando ausente a clorofila, e a diferenciação
de seus tecidos em raízes, caule e folhas. Quando observado
na superfície de um peixe, a infecção fúngica assemelha-se
com uma massa de algodão branca. Esta massa, chamada de micélio,
é composta de filamentos, conhecidos como hifas, que podem
ou não serem ramificadas. Os fungos usam a mateira orgânica
como fonte de nutrientes, geralmente vivendo associado com
outra forma de vida.
Os
fungos em peixes são geralmente um episódio secundário, acometendo
animais previamente debilitados invadindo ferimentos causados
por outras enfermidades, tanto traumáticas, infecciosa ou
parasitárias.
O mais
comumente fungo isolado em peixes é Saprolegnia sp.
O diagnóstico é feito pela observação das lesões clínicas
típicas, e pela presença de elementos miceliais nas montagens
para exame microscópico do material das lesões.
O tratamento
é realizado a base de banhos de verde malaquita.
ALGAS
Oodinium
ou Ammyloodinium (dinoflageladas)
Este
agente causa a "doença aveludada". Os peixes afetados
apresentam em sua superfície uma cobertura aveludada branca
ou escura. As brânquias geralmente estão infectadas. O parasito
tem forma variável de 40 a 100 microns, desde esférica até
a de um cilindro, e usualmente contém grânulos altamente refrateis.
O ciclo
de vida deste parasita inicia-se com a liberação por um cisto
maduro (tomonte) de cerca de 250 muito finos, algas nadadoras
unicelulares chamadas dinosporideos. Este tomonte pode estar
fixo no muco do hospedeiro ou no fundo do aquário. A divisão
das células dentro do tomonte ocorre em 3 a 6 dias dependendo
da temperatura da água. Os dinosporideos precisam achar um
hospedeiro para se alimentarem em no máximo 48 horas. Como
os peixes estão constantemente bombeando água por suas guelras,
este tecido respiratório é o mais freqüentemente parasitado.
Após se fixarem, os dinosporideos tornam-se cistos (trofontes)
e enviam filamentos (rizoitos) para os tecidos do hospedeiro
para absorver nutrientes. Em alguns dias, estes filamentos
se degeneram e o parasita torna-se um tomonte. Ocorre divisão
celular interna e liberação de novos dinosporídeos.
O tratamento
é feito com a manutenção dos peixes em banho com sulfato de
cobre por dez dias. A reinfecção é um problema comum e pode
estar associado a habilidade do parasito de colonizar o intestino.
TREMATODEOS
MONOGENÉTICOS
Os
peixes podem carrear grande número de vermes parasitários
diminutos em seus corpos, brânquias e nadadeiras. Estes parasitos
podem multiplicar-se sobre o peixe sem a necessidade de hospedeiros
intermediários, sendo denominados tremátodes monogenéticos.
Sua ocorrência é comum e podem ocorrer pesadas infecções com
altas taxas de mortalidade. São facilmente transmissíveis
a outros peixes pelo contato, e através da água.
Gyrodactylus
Geralmente
encontrado sobre o corpo e nadadeiras, mas podendo também
afetar as brânquias. Esses parasitos tem cerca de 0,8mm e
podem ser identificados pela falta de máculas oculares, por
um único par de grandes ganchos, e por serem vivíparos. Os
indivíduos ainda não expelidos podem ser vistos no interior
dos vermes vivos.
As
infecções inaparentes são comuns. Os parasitas alimentam-se
de sangue e epitélio. Quando presentes as lesões incluem hemorragia
localizada, produção de muco e ulcerações localizadas. Infecções
secundárias por bactérias (Aeromonas, Flexibacter)
são comuns.
Dactylogyrus
Uma
espécie de trematodeos comumente encontrada nas brânquias,
possuem quatro máculas oculares e são vivíparos. Os vermes
adultos medem cerca de 200 microns, tendo tanto gônadas masculinas
e femininas, e podendo ocorrer a auto fecundação. O peixe
parasitado apresenta movimentos acelerados dos opérculos,
dispnéia com respiração próxima à superfície, e esfrega-se
ao substrato. Quando presente em número suficiente, os parasitas
causarão hiperplasia e destruição do epitélio, resultando
em asfixia.
O tratamento
para tremátodes monogenéticos incluem banhos com formaldeido,
água salgada (para peixes de água doce) e organofosforados.
TREMATODEOS
DIGENÉTICOS
Trematodes
digenéticos em peixes podem ocorrer como formas adultas no
trato digestivo ou, mais comumente, como estágios intermediários
encistados nos tecidos. É raro encontrar peixes tropicais
como hospedeiros finais de formas adultas de parasitas nos
intestinos, mas freqüentemente servem como hospedeiro intermediário
secundário . Na maioria dos casos uma ave que se alimenta
de peixes e que elimina ovos de parasitas para a água. Os
ovos evoluem para miracídeos que penetram em uma espécie específica
de caramujo. Após o desenvolvimento nos caramujos, as procercárias
são espelidas e penetram nos peixes. Aqui se desenvolvem em
metacercarias dentro de cistos.
Formas
larvais do gênero Neascus são freqüentemente observadas
em peixes tropicais coco pintas pretas de 2 a 3mm na pele
de peixes. Estas pintas pretas representam uma reação melanínica
ao redor da metacercaria encistada.
COPÉPODOS
(CRUSTÁCEOS)
Os
parasitas copépodes são comuns, incomodam bastante, e são
de difícil controle. Há crustáceos de água doce e marinhos.
Algumas espécies não parasitas servem como hospedeiros intermediários
para certos helmintos. Alguns copépodes introduzem-se profundamente
na pele, não sendo incomodados por agentes químicos.
Argulus
Comumente
referido como "piolho dos peixes". Os organismos
possuem uma forma achatada, com aspecto de pires, podendo
ser observados rastejando rapidamente sobre o corpo do peixe
parasitado. Quando imóvel, o parasita assemelha-se a uma escama.
O exame cuidadoso dos indivíduos irá revelar a presença se
patas articuladas e duas grandes ventosas discóides para aderência,
o que dá aos organismos a aparência de possuírem dois olhos.
Quando presos ao peixe, os parasitos alimentam-se de sangue
e fluidos corpóreos. Mesmo peixes maiores podem morrer, se
o parasitismo for intenso.
Achetheres
Comuns
nas guelras de peixes, onde seus corpos de cores claras destacam-se,
em agudo contraste com o vermelho-escuro dos filamentos branquiais.
Nesse crustáceo, as patas desaparecem; duas formações bucais
modificaram-se, redundando em um par de apêndices curvos,
que se pode fusionar nas extremidades, com isso aderindo o
parasito às brânquias. Esses parasitos consomem sangue branquial,
sendo uma séria ameaça par o peixe.
Lernaea
Também
conhecido como verme-âncora. O local de aderência tem a área
circunvizinha inflamada, desenvolvendo freqüentemente infecções
bacterianas ou fúngicas secundárias. O parasita fica tão firmemente
aderido aos seus hospedeiros, que deve-se tomar precauções
quando da remoção dos organismos. Após a aderência das formas
juvenis, os apêndices da cabeça modificam-se, de modo que
o parasito fica assemelhado a uma âncora, em sua extremidade
anterior. Essas protusões ramificantes impedem a retirada
do parasito. Esse organismo freqüentemente é fator primário
nas infecções bacterianas.
TRATAMENTO
E DOSAGENS
Rotas
de administração:
BANHO:
refere-se ao tratamento no qual a droga é dissolvida na água
onde o peixe está nadando. O tratamento usualmente dura de
15 minutos a 24 horas. A dosagem é geralmente baseada no volume
de água e não na biomassa do peixe.
MERGULHO:
refere-se ao tratamento no qual o peixe é submerso numa solução
por um período de 1 segundo até 15 minutos. O volume de água
é usualmente menos que aquele no tratamento de banho e a concentração
da droga é freqüentemente alta.
BANHO
INDEFINIDO: a medicação é adicionada ao aquário ou tanque
e usualmente não há troca de água ou retirada dos peixes.
INJEÇÃO:
o antibiótico é dado por injeção com agulha hipodérmica e
seringa. As vias podem ser subcutânea, intradermica, intramuscular,
intravenosa e intraperitonial.
ORAL:
a medicação é misturada com a alimentação. Usualmente há a
incorporação da droga numa dieta gelatinosa. Para grandes
peixes, a medicação pode ser colocada em um pedaço de alimento
e então a sua ingestão pode ser feito a força.
TÓPICA:
o antibiótico é aplicado diretamente na lesão.
MEDICAMENTOS
MAIS UTILIZADOS
| DROGA |
DOSE |
INDICAÇÃO |
| Cloreto
de sódio
(não
iodado)
|
2,5g
por litro |
Em
baixos níveis, o sal aumentara a vitalidade dos peixes
e inibira o crescimento de muitos parasitas |
| Verde
Malaquita |
1,0
g. em 500 ml de água (solução estoque). Dose de 1 a
2 ml por litro |
|
| Formalina |
6
ml de Formalina a 1% por litro durante 15 a 30 minutos |
|
| Verde
malaquita + Formalina |
1,4
g. de verde malaquita isento de zinco em 3.800 ml de
formalina (solução estoque). Dose de 1 ml para 50 litros
em dias alternados por no minímo 3 aplicações. |
Efetiva
para protozoários externos, fungos externos, algas dinoflageladas
e tremátodes monogenéticos |
| Enrofloxacina |
5-10
mg/Kg IM ou IP cada 48 horas por 15 dias; ou
2,5-5
mg/litro como banho por 5 horas repetido a cada 24
horas por 5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os
tratamentos
|
|
| Oxitetraciclina |
20-50mg/litro
como banho de 5-24 horas, repetido cada 24 horas por
5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos;
ou
25mg/Kg
IM ou IP cada 24 horas por 5-7 dias; ou
|
|
| Clorafenicol |
50
mg por litro; ou
20-40
mg/Kg IM ou IP cada 48 horas por 15 dias (usar luvas
para segurança)
|
Tratamento
tópico ou sistêmico |
|
| Metronidazole |
400mg/litro
como banho de 5 a 12 horas, repetido cada 24 horas por
3 dias consecutivos |
Bom
para anaeróbios e alguns flagelados |
|
| Sulfametoxazol
+ trimetoprim |
30mg/Kg
PO a cada 24 horas por 10-14 dias; ou
20mg/litro
como banho de 5-12 horas, repetido cada 24 horas por
5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos.
|
Muito
efetivo como tratamento de banho. |
|
(continuação
medicamentos mais utilizados)
| DROGA |
DOSE |
INDICAÇÃO |
| Nitrofurazona |
20mg/litro
como banho de 5 horas, repetido cada 24 horas por 5-7
dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos. |
|
| Pomada
de sulfadiazina de prata |
Aplicar
diretamente sobre a ferida a cada 12 horas. |
Manter
a área afetada fora d&rsquoágua por 30-60 segundos
para absorção do medicamento. |
| Sulfadiazina |
100
a 250 mg por litro |
Tratamento
tópico |
| Sulfato
de Kanamicina |
50-100
mg/litro como banho de 5 horas, repetir cada 72 horas
por 3 tratamentos. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos. |
Tratamento
tópico |
| Sulfato
de cobre |
0,1
a 0,2 ppm |
Para
Oodinium |
BIBLIOGRAFIA
WALLACH,
J.D. & BOEVER, W.J. Diseases of exotic animals, W.B. Saunders
Co.,1983
MOE,
M.A Jr. The marine aquarium handbook, Green Turtle, 1992
GRATZEK,
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freshwater
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Fish diseases
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