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  Matérias :: Biologia :: Material didático

  Autoria: Mislene Miguez


 


[Continuação]

ESPOROZOÁRIOS

A classe dos esporozoários (Sporozoasida) pertencem ao reino dos protozoários (Protista, sub-reino Protozoa) e possuem como características:

  • Forma piriforme, arredondada ou amebóide;
  • Representantes obrigatoriamente de vida parasitária;
  • Flagelos e cílios ausentes;
  • Oocistos com esporozoítos infectantes. Produzem cistos brancos nos tecidos dos peixes. Essas formações são freqüentemente visíveis sem ampliação ótica;
  • O diagnóstico pode ser obtido pela colocação de um cisto dissecado, em uma lâmina de microscopia, esmagando-o em seguida com uma lamínula. A estrutura dos zoósporos irá auxiliar na identificação.

As principais espécies encontradas são:

Henneguya sp

Formam cistos primariamente nas brânquias (onde irão interferir com a respiração) e nas nadadeiras. Esses organismos produzem esporos distintos, longos e de "cauda dupla".

Plistophora hyphessobryconis

Provocam a "doença do neon-tetra". Esses organismos infectam e destroem a musculatura, provocando o aparecimento de áreas de necrose esbranquiçadas, aparentes através da pele. Essa doença ocorre em outros peixes, além dos neon-tetra. Os cistos (pansporoblastos) contém numerosos esporos ovais, bastantes característicos.

FUNGOS

Fungos são um grande grupo de organismos nucleados semelhantes aos vegetais, mas estando ausente a clorofila, e a diferenciação de seus tecidos em raízes, caule e folhas. Quando observado na superfície de um peixe, a infecção fúngica assemelha-se com uma massa de algodão branca. Esta massa, chamada de micélio, é composta de filamentos, conhecidos como hifas, que podem ou não serem ramificadas. Os fungos usam a mateira orgânica como fonte de nutrientes, geralmente vivendo associado com outra forma de vida.

Os fungos em peixes são geralmente um episódio secundário, acometendo animais previamente debilitados invadindo ferimentos causados por outras enfermidades, tanto traumáticas, infecciosa ou parasitárias.

O mais comumente fungo isolado em peixes é Saprolegnia sp. O diagnóstico é feito pela observação das lesões clínicas típicas, e pela presença de elementos miceliais nas montagens para exame microscópico do material das lesões.

O tratamento é realizado a base de banhos de verde malaquita.

 

ALGAS

Oodinium ou Ammyloodinium (dinoflageladas)

Este agente causa a "doença aveludada". Os peixes afetados apresentam em sua superfície uma cobertura aveludada branca ou escura. As brânquias geralmente estão infectadas. O parasito tem forma variável de 40 a 100 microns, desde esférica até a de um cilindro, e usualmente contém grânulos altamente refrateis.

O ciclo de vida deste parasita inicia-se com a liberação por um cisto maduro (tomonte) de cerca de 250 muito finos, algas nadadoras unicelulares chamadas dinosporideos. Este tomonte pode estar fixo no muco do hospedeiro ou no fundo do aquário. A divisão das células dentro do tomonte ocorre em 3 a 6 dias dependendo da temperatura da água. Os dinosporideos precisam achar um hospedeiro para se alimentarem em no máximo 48 horas. Como os peixes estão constantemente bombeando água por suas guelras, este tecido respiratório é o mais freqüentemente parasitado. Após se fixarem, os dinosporideos tornam-se cistos (trofontes) e enviam filamentos (rizoitos) para os tecidos do hospedeiro para absorver nutrientes. Em alguns dias, estes filamentos se degeneram e o parasita torna-se um tomonte. Ocorre divisão celular interna e liberação de novos dinosporídeos.

O tratamento é feito com a manutenção dos peixes em banho com sulfato de cobre por dez dias. A reinfecção é um problema comum e pode estar associado a habilidade do parasito de colonizar o intestino.

 

TREMATODEOS MONOGENÉTICOS

Os peixes podem carrear grande número de vermes parasitários diminutos em seus corpos, brânquias e nadadeiras. Estes parasitos podem multiplicar-se sobre o peixe sem a necessidade de hospedeiros intermediários, sendo denominados tremátodes monogenéticos. Sua ocorrência é comum e podem ocorrer pesadas infecções com altas taxas de mortalidade. São facilmente transmissíveis a outros peixes pelo contato, e através da água.

 

Gyrodactylus

Geralmente encontrado sobre o corpo e nadadeiras, mas podendo também afetar as brânquias. Esses parasitos tem cerca de 0,8mm e podem ser identificados pela falta de máculas oculares, por um único par de grandes ganchos, e por serem vivíparos. Os indivíduos ainda não expelidos podem ser vistos no interior dos vermes vivos.

As infecções inaparentes são comuns. Os parasitas alimentam-se de sangue e epitélio. Quando presentes as lesões incluem hemorragia localizada, produção de muco e ulcerações localizadas. Infecções secundárias por bactérias (Aeromonas, Flexibacter) são comuns.

 

Dactylogyrus

Uma espécie de trematodeos comumente encontrada nas brânquias, possuem quatro máculas oculares e são vivíparos. Os vermes adultos medem cerca de 200 microns, tendo tanto gônadas masculinas e femininas, e podendo ocorrer a auto fecundação. O peixe parasitado apresenta movimentos acelerados dos opérculos, dispnéia com respiração próxima à superfície, e esfrega-se ao substrato. Quando presente em número suficiente, os parasitas causarão hiperplasia e destruição do epitélio, resultando em asfixia.

O tratamento para tremátodes monogenéticos incluem banhos com formaldeido, água salgada (para peixes de água doce) e organofosforados.

 

TREMATODEOS DIGENÉTICOS

Trematodes digenéticos em peixes podem ocorrer como formas adultas no trato digestivo ou, mais comumente, como estágios intermediários encistados nos tecidos. É raro encontrar peixes tropicais como hospedeiros finais de formas adultas de parasitas nos intestinos, mas freqüentemente servem como hospedeiro intermediário secundário . Na maioria dos casos uma ave que se alimenta de peixes e que elimina ovos de parasitas para a água. Os ovos evoluem para miracídeos que penetram em uma espécie específica de caramujo. Após o desenvolvimento nos caramujos, as procercárias são espelidas e penetram nos peixes. Aqui se desenvolvem em metacercarias dentro de cistos.

Formas larvais do gênero Neascus são freqüentemente observadas em peixes tropicais coco pintas pretas de 2 a 3mm na pele de peixes. Estas pintas pretas representam uma reação melanínica ao redor da metacercaria encistada.

 

COPÉPODOS (CRUSTÁCEOS)

Os parasitas copépodes são comuns, incomodam bastante, e são de difícil controle. Há crustáceos de água doce e marinhos. Algumas espécies não parasitas servem como hospedeiros intermediários para certos helmintos. Alguns copépodes introduzem-se profundamente na pele, não sendo incomodados por agentes químicos.

Argulus

Comumente referido como "piolho dos peixes". Os organismos possuem uma forma achatada, com aspecto de pires, podendo ser observados rastejando rapidamente sobre o corpo do peixe parasitado. Quando imóvel, o parasita assemelha-se a uma escama. O exame cuidadoso dos indivíduos irá revelar a presença se patas articuladas e duas grandes ventosas discóides para aderência, o que dá aos organismos a aparência de possuírem dois olhos. Quando presos ao peixe, os parasitos alimentam-se de sangue e fluidos corpóreos. Mesmo peixes maiores podem morrer, se o parasitismo for intenso.

 

Achetheres

Comuns nas guelras de peixes, onde seus corpos de cores claras destacam-se, em agudo contraste com o vermelho-escuro dos filamentos branquiais. Nesse crustáceo, as patas desaparecem; duas formações bucais modificaram-se, redundando em um par de apêndices curvos, que se pode fusionar nas extremidades, com isso aderindo o parasito às brânquias. Esses parasitos consomem sangue branquial, sendo uma séria ameaça par o peixe.

 

Lernaea

Também conhecido como verme-âncora. O local de aderência tem a área circunvizinha inflamada, desenvolvendo freqüentemente infecções bacterianas ou fúngicas secundárias. O parasita fica tão firmemente aderido aos seus hospedeiros, que deve-se tomar precauções quando da remoção dos organismos. Após a aderência das formas juvenis, os apêndices da cabeça modificam-se, de modo que o parasito fica assemelhado a uma âncora, em sua extremidade anterior. Essas protusões ramificantes impedem a retirada do parasito. Esse organismo freqüentemente é fator primário nas infecções bacterianas.

 

TRATAMENTO E DOSAGENS

Rotas de administração:

BANHO: refere-se ao tratamento no qual a droga é dissolvida na água onde o peixe está nadando. O tratamento usualmente dura de 15 minutos a 24 horas. A dosagem é geralmente baseada no volume de água e não na biomassa do peixe.

MERGULHO: refere-se ao tratamento no qual o peixe é submerso numa solução por um período de 1 segundo até 15 minutos. O volume de água é usualmente menos que aquele no tratamento de banho e a concentração da droga é freqüentemente alta.

BANHO INDEFINIDO: a medicação é adicionada ao aquário ou tanque e usualmente não há troca de água ou retirada dos peixes.

INJEÇÃO: o antibiótico é dado por injeção com agulha hipodérmica e seringa. As vias podem ser subcutânea, intradermica, intramuscular, intravenosa e intraperitonial.

ORAL: a medicação é misturada com a alimentação. Usualmente há a incorporação da droga numa dieta gelatinosa. Para grandes peixes, a medicação pode ser colocada em um pedaço de alimento e então a sua ingestão pode ser feito a força.

TÓPICA: o antibiótico é aplicado diretamente na lesão.

 

MEDICAMENTOS MAIS UTILIZADOS

DROGA DOSE INDICAÇÃO
Cloreto de sódio

(não iodado)

2,5g por litro Em baixos níveis, o sal aumentara a vitalidade dos peixes e inibira o crescimento de muitos parasitas
Verde Malaquita 1,0 g. em 500 ml de água (solução estoque). Dose de 1 a 2 ml por litro  
Formalina 6 ml de Formalina a 1% por litro durante 15 a 30 minutos  
Verde malaquita + Formalina 1,4 g. de verde malaquita isento de zinco em 3.800 ml de formalina (solução estoque). Dose de 1 ml para 50 litros em dias alternados por no minímo 3 aplicações. Efetiva para protozoários externos, fungos externos, algas dinoflageladas e tremátodes monogenéticos
Enrofloxacina 5-10 mg/Kg IM ou IP cada 48 horas por 15 dias; ou

2,5-5 mg/litro como banho por 5 horas repetido a cada 24 horas por 5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos

 
Oxitetraciclina 20-50mg/litro como banho de 5-24 horas, repetido cada 24 horas por 5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos; ou

25mg/Kg IM ou IP cada 24 horas por 5-7 dias; ou

 
Clorafenicol 50 mg por litro; ou

20-40 mg/Kg IM ou IP cada 48 horas por 15 dias (usar luvas para segurança)

Tratamento tópico ou sistêmico  
Metronidazole 400mg/litro como banho de 5 a 12 horas, repetido cada 24 horas por 3 dias consecutivos Bom para anaeróbios e alguns flagelados  
Sulfametoxazol + trimetoprim 30mg/Kg PO a cada 24 horas por 10-14 dias; ou

20mg/litro como banho de 5-12 horas, repetido cada 24 horas por 5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos.

Muito efetivo como tratamento de banho.  

 

(continuação medicamentos mais utilizados)

DROGA DOSE INDICAÇÃO
Nitrofurazona 20mg/litro como banho de 5 horas, repetido cada 24 horas por 5-7 dias. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos.  
Pomada de sulfadiazina de prata Aplicar diretamente sobre a ferida a cada 12 horas. Manter a área afetada fora d&rsquoágua por 30-60 segundos para absorção do medicamento.
Sulfadiazina 100 a 250 mg por litro Tratamento tópico
Sulfato de Kanamicina 50-100 mg/litro como banho de 5 horas, repetir cada 72 horas por 3 tratamentos. Trocar 50-75% da água entre os tratamentos. Tratamento tópico
Sulfato de cobre 0,1 a 0,2 ppm Para Oodinium

 

BIBLIOGRAFIA

WALLACH, J.D. & BOEVER, W.J. Diseases of exotic animals, W.B. Saunders Co.,1983

MOE, M.A Jr. The marine aquarium handbook, Green Turtle, 1992

GRATZEK, J.B., SHOTTS, E. B. and DAWE, D.L. Infectious diseases end parasites of

freshwater ornamental fish. In: GRATZEK, J.B. (ed) Aquariology &ndash Fish diseases

& water chemistry, Treta Press, 1992.

 
 

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