Biomassa
no Brasil
A agroindústria
inclui a produção de energia a partir da biomassa, área em
que o Brasil é líder mundial. A liderança se deve à competitividade
do País na produção de açúcar, área em que tem o menor custo
de produção do mundo - segundo a Associação das Indústrias
de Açúcar e de Álcool do Estado de São Paulo (AIAA) -, e aos
resultados alcançados pelo Proálcool, conforme demonstram
os gráficos de Produção de Álcool e de Produção de Açúcar.
O setor faturou US$ 8,9 bilhões em 1995 e gerou 1 milhão de
empregos.
O complexo sucro-alcooleiro
passa por uma reestruturação em função dos problemas com o
fornecimento de álcool no final da década de 80, que acarretou
a quebra de confiança do consumidor neste tipo de combustível.
Durante toda a década de 90 a participação das vendas de carro
a álcool nas vendas totais vem caindo, chegando a um inexpressivo
0,08% em 1998. Com isso, o período recente foi marcado pela
redução do consumo de álcool e pela expansão da produção de
açúcar para exportação, como pode ser verificado no gráfico
sobre Produção e exportação de açúcar no Brasil. Um dos pontos
mais graves desta redução é a ociosidade de uma ampla rede
de distribuição de álcool combustível, com 26 mil postos em
todo o país, causada pela maior participação do álcool anidro
(para mistura com a gasolina) em relação ao hidratado, que
é comercializado por este sistema.
Nos anos 90, açúcar
e álcool deixaram de ser produzidos de forma complementar
e passaram a disputar recursos, tanto agrícolas como industriais.
A redefinição deste segmento da agroindústria irá depender
de dois fatores: dos ganhos de produtividade do produtor (estimados
em 3% ao ano nos últimos dez anos, o que é bastante significativo)
e da política de utilização do álcool anidro na mistura com
gasolina. Esta utilização é tecnicamente considerada a mais
adequada para reduzir os níveis alarmantes de poluição ambiental
causada por automóveis. A indefinição das políticas atuais
tem como conseqüência a formação de um enorme estoque de passagem.
O setor carregou na passagem de 1998 para 1999 estoques de
2 bilhões de litros de álcool, grande parte concentrados em
São Paulo.
Um ponto importante
a favor da indústria está em sua capacidade de produzir excedentes
de bagaço para co-geração de energia elétrica. Estima-se que
em períodos de seca seja possível gerar algo entre 6 mil e
20 mil Mwh a custos compatíveis com os da hidroeletricidade.Quanto
à importância do setor na geração de empregos, esta tende
a diminuir com o aumento da mecanização. Estimativas do Instituto
de Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura de São Paulo
apontam entre 17% e 19% a área de cana mecanizada no estado
em relação à área potencialmente mecanizada. Este percentual
tem se mantido estável na década de 90, indicando que o setor
continua tendo importância na geração de empregos rurais,
estimados em 1,1 milhão, entre empregos temporários e permanentes.