Briófitas
e Pteridófitas
As briófitas são características de ambientes terrestre
úmido, embora algumas apresentem adaptações que permitem a
ocupação dos mais variados tipos de ambientes, resistindo
tanto à imersão, em ambientes totalmente aquáticos, como a
desidratação quando atuam como sucessores primários na colonização,
por exemplo, de rochas nuas ou mesmo ao congelamento em regiões
polares. Apresenta-se, entretanto sempre dependentes da água,
ao menos para o deslocamento do anterozóide flagelado até
a oosfera. Esta Divisão não possui representante marinha.
As pteridofitas
são normalmente usadas como plantas ornamentais, sendo o emaranhado
das raízes dos fetos arborescentes utilizados como substrato
para o cultivo de orquídeas. O tronco da samambaiaçu é utilizado
para fazer xaxim. Algumas pteridófitas são usadas como vermífugos.
Tradicionalmente usadas na culinária oriental, alguns brotos
de samambaia têm ação comprovadamente cancerígena.
BRIÓFITAS
Essa Divisão
compreende vegetais terrestres com morfologia bastante simples,
conhecidos popularmente como "musgos" ou "hepáticas".
São organismos eucariontes, pluricelulares, onde apenas os
elementos reprodutivos são unicelulares, enquadrando-se no
Reino Plantae, como todos os demais grupos de plantas terrestres.
OBS: bryon
(grego)-musgo; e phyton (grego)-planta.
-
Possuem
clorofila a e b;
-
Possuem
amido como polissacarídeo de reserva;
-
As células
possuem parede (composta por celulose);
-
Presença
de cutícula;
-
Ciclo de
vida diplobionte heteromórfico, esporófito parcial ou
completamente dependente do gametófito;
-
Reprodução
o orgânica;
-
Esporófito
não ramificado, com um único esporângio terminal;
-
Gametângio
e esporângios envolvidos por camada de células estéreis.
As briófitas
são características de ambientes terrestre úmido, embora algumas
apresentem adaptações que permitem a ocupação dos mais variados
tipos de ambientes, resistindo tanto à imersão, em ambientes
totalmente aquáticos, como a desidratação quando atuam como
sucessores primários na colonização, por exemplo, de rochas
nuas ou mesmo ao congelamento em regiões polares. Apresenta-se,
entretanto sempre dependentes da água, ao menos para o deslocamento
do anterozóide flagelado até a o osfera. Estas Divisões não
possuem representantes marinhas.
As briófitas
são diplobionte, apresentando alternância de gerações heteromórfica
entre gametófito ramificado, fotossintetizante e independente
e esporófito não ramificado e ao menos parcialmente dependente
do gametófito.
A partir da
meiose ocorrida em estruturas especiais do esporófito surgem
os esporos que ao germinarem originam os gametófitos. Os esporos
podem originar diretamente a planta que produzirá as estruturas
reprodutivas, normalmente eretas ou originar primeiro uma
fase filamentosa, com filamento unisseriado, ramificado, com
paredes transversais oblíquas ao eixo longitudinal (protonema),
que dará origem à parte ereta.
Os gametófitos
podem ser divididos em rizóides, filídios e
caulídios. Os mais simples não apresentam diferenciação
entre filídio e caulídio e geralmente são prostrados, sendo
denominados talosos, enquanto aqueles onde se distinguem
essas estruturas, normalmente eretos, são denominados folhosos.
No ápice dos
gametófitos surgem estruturas de reprodução características,
denominados arquegônios, onde se diferencia o gameta
feminino (oosfera) e anterídios, onde se diferenciam
os gametas masculinos (anterozóides).
Nas briófitas
o zigoto germina sobre a planta mãe e o esporófito resultante
permanece ligado a ela durante toda a sua vida, apresentando
dependência parcial ou total.
Os Esporófitos
nunca são ramificados e apresenta diferentes graus de complexidade
segundo o grupo a que pertencem, podendo ser divididos em
pé, seta e cápsula. O pé apresenta-se
imerso no tecido do gametófito e é responsável pela absorção
de substâncias. Sustentado pela seta encontra-se o esporângio
terminal, denominado cápsula, apresentando um envoltório de
tecido externo com função de proteção, sendo os esporos diferenciados
por meiose a partir de camadas internas (tecido esporógeno).
Em certos casos, quando a cápsula apresenta deiscência transversal,
observa-se um opérculo que se destaca para permitir a passagem
dos esporos. A cápsula pode estar parcial ou totalmente coberta
pela caliptra que é formada por restos do tecido do
arquegônio transportados durante o desenvolvimento do esporófito,
e fornece uma proteção adicional. O esporófito, embora sempre
dependente do gametófito pode, em certas classes de Bryophyta
(Anthocerotae e Musci), realizar fotossíntese, ao menos durante
o início do seu desenvolvimento.
As
briófitas podem apresentar três tipos de reprodução
1. Gamética:
Em condições adequadas de umidade, os anterozóides pequenos
e biflagelados são liberados pelo rompimento da parede do
anterídio, enquanto as células do canal do arquegônio rompem-se,
liberando um fluido que direciona os anterozóides até a oosfera,
havendo então a fecundação;
2. Espórica:
A liberação dos esporos ocorre através de movimentos higroscópicos
dos dentes do peristômio. Esses movimentos são devidos a variação
da umidade do ar;
3. Vegetativa
- 4 formas de reprodução:
-
Fragmentação:
desenvolvimento de fragmentos do talo em outro indivíduo.
-
Gemas
(ou propágulos): estruturas especialmente diferenciadas,
com forma definida, que darão origem a um novo indivíduo.
As gemas são produzidas dentro de estrutas em forma de
taça denominadas conceptáculos.
-
Aposporia:
desenvolvimento do esporófito em gametófito sem que ocorra
meiose. Normalmente ocorre a partir de um fragmento da
seta cuja regeneração origina um gametófito. Pode resultar
na formação de organismos poliplóides.
-
Apogamia:
desenvolvimento do gametófito em esporófito sem que haja
fecundação. Pode ocorrer não apenas a partir de gametas,
mas também de filídios ou do própio protonema.
Na Antigüidade,
o termo "muscus" era utilizado por estudiosos gregos
e romanos englobando, além das briófitas propriamente ditas,
os líquens e algumas algas, plantas vasculares e mesmo invertebrados.
Embora na Renascença
alguns autores tenham estudado gêneros de interesse médico,
Dillenius (1741) em sua obra "Historia Muscarum"
foi o primeiro autor a estudar esses organismos de forma mais
compreensiva. No entanto, o trabalho interpreta erroneamente
a cápsula (esporângio) como antera e os esporos como grãos
de pólen. Em função disso, Linnaeus (1753) em "Species
Plantarum" classifica as briófitas como próximas a angiospermas.
A interpretação
correta das estruturas encontradas nesses vegetais, não apenas
referntes ao esporófito, mas também ao ciclo de vida, a função
de anterídios e arqugônios foi dada por Hedwig (1801), permitindo
o estabelecimento de bases mais corretas para sua classificação.
Atualmente
briófitas são separadas pela maioria dos autores em 3 classes,
Hepaticae, Anthoceotae e Musci (eg. Schofield, 1985). Outros
autores tratam essas três classes como Divisões.
É constituída
por cerca de 300 gêneros e 10.000 espécies.
- Classe Anthocerotae:
anthos (grego)-flor.
É constituída
por apenas gêneros e 300 espécies.
- Classe Musci:
muscus (latim)-musgo.
É constituída
por cerca de 700 gêneros e 14.000 espécies.
PTERIDÓFITAS
EVOLUÇÃO PARA
PTERIDÓFITAS -- Um grupo vegetal com características peculiares
surgiu a partir do Siluriano (400ma), ocupando a região de
transição entre a água e a terra: as psilófitatas (Psilophytatae).
Evoluíram a partir de algas semelhantes a clorofíceas com
talos complexos, alternância de gerações e meristemas apicais.
Foram as primeiras plantas terrestres a apresentarem vasos
condutores de seiva e estômatos apesar de ainda não possuírem
raízes verdadeiras. Para resolver o problema de sustentação
em terra firme, cada célula desenvolveu um preenchimento com
lignina em sua parede celular que lhe possibilitou maior resistência.
A primeira planta, Rhynia, possuía meio metro de altura
e era completamente desprovida de folhas. Seu caule era subterrâneo
do tipo rizoma, apresentando rizóides. Era composta por talos
cilíndricos em cuja extremidade se encontrava o esporófito.
Estes talos possuíam cutícula e estômatos.
Com relação
à origem das primeiras plantas vasculares encontramos explicações
que diferem da simples evolução direta a partir das algas
verdes. ATSATT (1988) sugere que esta origem pode estar em
simbioses de algas verdes e fungos (liquens). A origem pode
estar em um parasitismo por fungos que rapidamente se transformou
em mutualismo e terminou por uma aquisição por parte da planta
hospedeira do genoma fungal. Assim as plantas vasculares evoluíram
com as várias contribuições do genoma fungal que levou a especialização
de várias células. O corpo do vegetal seria, então, um mosaico
onde seriam encontradas várias células de algas e fungos adicionados
de várias formas intermediárias. WF Lamboy, desenvolveu um
modelo onde afirma que algumas evoluções que ocorreram nas
Angiospermas foram consequências da transferência de genes
de fungos parasitas ou simbióticos para suas plantas hospedeiras.
As possibilidades
de um ser parasita passar a fazer parte do organismo do hospedeiro
já foi comprovada em laboratório por K.W. Jeon e M.S. Jeon
em 1989. Trabalhando com Amoebae proteus, uma ameba
e Tetrahymena, uma bactéria, eles verificaram que a endosimbiose
que se iniciou como parasitismo, se transformou em um componente
citoplasmático importante em um curto período de tempo (cinco
anos). Se levarmos em consideração que a evolução pode ser
um processo relativamente lento, as possibilidades de surgimento
dessas relações e em conseqüência as variações delas decorrentes
são realmente fantásticas.
Os primeiros
representantes das pteridófitas se originaram já no Devoniano.
São vegetais criptógamos vasculares e cormófitas. Traduzindo
isto quer dizer: são vegetais que não apresentam flores, possuem
vasos condutores de seiva e o aparelho vegetativo com raiz,
caule e folhas bem desenvolvidas. Assim como as briófitas
apresentam alternância de gerações, entretanto, a fase duradoura
é representada pelo esporófito e a fase transitória é representada
pelo gametófito que recebe o nome de protalo, haplóide.
A fecundação
ocorre sempre com a participação da água. O protalo é uma
estrutura, geralmente, pequena, verde e em forma de lâmina
vivendo acima do solo. Em alguns casos ele pode ser saprófita
e ser encontrado dentro do solo, sendo neste caso incolor.
Não importando sua forma ele tem um período de vida curto
não ultrapassando algumas semanas (em situações especiais
caso não haja a fecundação o protalo pode viver durante anos).
São encontradas
nos mais variados ambientes desde ambientes desérticos até
ambientes aquáticos, podendo ser, também, epífitas. Seu tamanho
pode variar bastante podendo ser pequenas como a aquática
Salvinia até espécies arborescentes como a samambaiaçu,
Cyathea com mais de 5m.
Algumas pteridófitas
apresentam diferenciação em suas folhas. Assim um tipo de
folha se encarrega das funções vegetativas, sendo neste caso
chamada de trofófilo e um segundo tipo que se encarrega, além
das funções vegetativas das funções reprodutivas, sendo chamada
esporófilo. A esse fenômeno dá-se o nome de heterofilia.
A folha, o
caule e a raiz são bem desenvolvidos sendo esta última protegida
pela coifa. Todos com vasos condutores.
Seus representantes
mais relevantes se encontram nas seguintes classes: Lycopsida
(licopodium e selaginela), Equisetatae (composta apenas pelo
gênero Equisetum), e Filicatae (fetos arborescentes, salvinia,
samambaias).
CONCLUSÃO
As
briófitas são organismos multicelulares autótrofos,
de pequeno porte, a grande maioria não ultrapassa 30cm. Vivem
em ambientes úmidos e sombreados; não possuem sistema de vasos
condutores.
As
características gerais são:
I.
A grande maioria das espécies é terrestre de ambiente úmido
e sobreado (musgos, hepáticos anthóceros).
II.
São plantas avasculares (ausência de vasos condutores);
os líquidos são conduzidos por difusão célula a célula.
III.
Ocorrem ainda espécies com a Ricciocarpus natans
que flutua em H2O doce e a Riccia flutuantes
que vivem submersas em água doce.
IV.
O musgo do gênero Shpagnum forma a turfa, que funciona como
adubo na melhoria solo, quando seco e moído pode ser utilizado
como combustível.
As Pteridofitas
são atuais, e as outras divisões existentes foram extintas
no fim do devoniano e se caracteriza como:
-
grande diversidade
de formas e habitat ; caule , em geral , é um rizoma subterrâneo
, exceto em espécies eretas ;
-
Raízes se
formam na porção inferior de um caule aéreo ou na superfície
inferior do rizoma;
-
folhas (
megáfilos ) são chamadas de fronde e apresentam pecíolo
e lâmina , que pode ser inteira ou pinada . A continuação
do pecíolo na lâmina é chamada de raque; fixadas à raque
e mais ou menos opostas umas às outras , estão pares de
folhas chamadas pinas . As frondes jovens são chamadas
de báculos e expandem se por desenrolamento;
-
na maioria
das plantas , as folhas são tanto fotossintetizante quanto
esporófilos
esporófilos apresentam na face abaxial pequenos pontos
escuros chamados soros , que são reuniões de esporângios
. Estes podem ou não estar protegidos por uma película
chamada indúsio;
-
esporângio
eusporangiado : característico de ordens mais primitivas
, seu desenvolvimento ocorre a partir de um grupo de células
do esporófilo e , portanto , a parede do esporângio é
pluriestratificada ;
-
esporângio
leptosporado : desenvolve - se a partir de uma única célula
do esporófilo e , portanto , apresentam parede uniestratificada
;
maioria homosporada , com protalo monóico e exospórico
( aquáticas são heterosporadas , com protalo dióico e
endospórico ) .
ANEXOS
1 / 2
Gametófito
– Resumo das características diferenciais nas três classes
| |
Hepaticae |
Anthocerotae |
Musci |
| estrutura |
Talosos
ou folhosos |
talosos |
folhosos |
| simetria |
Dorsiventral
ou radial |
dorsiventral |
radial |
| rizóides |
unicelulares |
unicelulares |
pluricelulares |
| Cloroplastos
/célula |
vários |
um |
vários |
| protonema |
reduzido |
ausente |
presente |
| Anterídios/arquegônio |
superficiais |
imersos |
superficiais |
Esporófito
– Resumo das características diferenciais nas três classes
|
Hepaticae |
Anthocerotae |
Musci |
| estrutura |
Pequeno,
aclorofilado. |
Grande,
clorofila. |
Grande,
clorofila |
| crescimento |
definido |
contínuo |
definido |
| seta |
presente |
ausente |
presente |
| Forma
da cápsula |
simples |
alongada |
diferenciada |
| Maturação
dos esporos |
simultânea |
gradual |
simultânea |
| Dispersão
dos esporos |
elatérios |
pseudoelatérios |
Dentes
do peristômio |
| columela |
ausente |
presente |
presente |
| deiscência |
Longitudinal/irregular |
longitudinal |
transversal |
| estômatos |
ausente |
presente |
presente |