Crocodilo
Os crocodilianos
são os mais evoluídos dos répteis atuais. Incluem entre
os crocodilianos, além dos crocodilos, também os oligatores,
os jacarés e os gaviais.
Anatomia
dos répteis
Sua anatomia interna é semelhante a das aves. São animais
vertebrados e rastejantes (réptil vem do latim reptare =
rastejar). Os crocodilos possuem 4 dedos nas patas traseiras.
Engolem tudo por inteiro e fazem digestão com sucos gástricos.
O tubo digestivo termina no cloaca, saída única para a qual
confluem os condutos do aparelho excretor e reprodutor.
Possuem dois pulmões, que são bolsas com paredes internas
pregueadas e irrigadas por numerosos vasos sangüíneos. Estranha
é a respiração: poucos movimentos na caixa torácica.
Têm quatro cavidades no coração, e os sentidos são bem desenvolvidos.
Por não serem seus aparelhos respiratórios e circulatórios
tão evoluídos como os das aves e mamíferos, os répteis nunca
têm oxigênio suficiente para atender à demanda dos tecidos
de seu corpo. Logo, a temperatura deles - variável - depende
do ambiente. Seu sistema nervoso não consegue regular o
calor do corpo em certo nível, por isso são chamados animais
de "sangue frio".
Em matéria de inteligência, os répteis ocupam o 3.º lugar
na escala animal, depois dos mamíferos e aves. O padrão
do cérebro é semelhante ao dos peixes e anfíbios.
Os crocodilos distinguem-se em 13 espécies de Crocodylus.
No Brasil, ocorrem várias espécies conhecidas pela designação
comum do jacaré.
Diferenças
entre crocodilo e jacaré
Para estabelecer a diferença entre um verdadeiro crocodilo
e os diversos tipos de jacarés, é preciso olhar de perto,
de modo que muita gente prefere ficar sem saber. Na verdade,
a não ser pelo tamanho, a diferença não é muita. Possuem
30 ou 40 dentes, e no crocodilo, o quarto dente de cada
lado da mandíbula inferior se encaixa num chanfro da mandíbula
superior, permanecendo visível mesmo de boca fechada. Já
no jacaré, o mesmo dente se esconde num buraco da mandíbula
superior, sumindo de vista ao fechar a boca.
Filhotes
É na areia que as fêmeas na maioria das espécies põem seus
ovos, que são mais ou menos do tamanho de ovos de gansa
e são chocados pelo calor do sol. Depois de 7 a 8 semanas,
nascem os filhotes com 20 a 25 cm, que passam a se desenvolver
rapidamente. Tempos depois, o crescimento passa num ritmo
mais lento. O filhote recém-nascido, está perfeitamente
formado na hora de sair da casca.
Proteções
naturais
O crocodilo e o jacaré têm revestimento de placas córneas
muito duras, ao longo do dorso e da cauda, formando um serrilhado.
Não mudam de pele, mas as partes velhas e gastas são substituídas
por outras. Além de sua blindagem natural, o crocodilo conta
ainda com a sua cauda para se defender e atacar, quando
preciso. Achatada em ambos os lados, como um remo, e muito
musculosa, permite-lhe não só deslocar-se rapidamente na
água, como também dar violentas rabanadas.
Suas placas ósseas, chamadas osteodermos, formam uma espécie
de armadura que os protege com eficiência.
Vida
de crocodilo
São predadores e têm poucos inimigos naturais, alimentam-se
de presas animais vivas ou mortas. O crocodilo só ataca
figuras humanas quando provocado ou quando sua fome ultrapassa
todos os limites. Enterram-se no barro para hibernar ou
estivar. São ovíparos e chegam à maturidade sexual por volta
dos dez anos de idade.
Os crocodilídeos são dos poucos que ainda hoje conservam
a maior parte dos traços físicos de seus antepassados. O
Protosuchus, crocodilo pré-histórico de 200 milhões de anos
atrás, era tão grande, que não hesitava em atacar e devorar
até os imensos dinossauros. Mas seus descendentes têm dimensões
bem mais modestas. O maior exemplar já encontrado media
cerca de 10 metros de comprimento e seu corpo tinha quase
4 metros de circunferência. Era um crocodilo do tipo estuarino.
Sua carcaça foi encontrada em Bengala, na Índia.
Essa é a espécie de crocodilos que atinge maior tamanho.
Ao chegar à idade adulta, um estuarino de boa saúde tem
aproximadamente 3 metros de comprimento. Ele não pára de
crescer: quanto mais velho, mais cumprido fica. O mesmo
acontece com o crocodilo do Nilo, que também se torna bem
grandinho com o passar do tempo.
No Novo Mundo esses répteis não crescem tanto e, talvez
seja por isso, que ninguém os chama de crocodilos. Nos EUA,
dão-lhes o nome de Alligators. Na América Central e do Sul,
são conhecidos por Caimans. No Brasil, o nome jacaré designa
várias espécies:
Jacaré-Açu - É o maior de todos e vive na Amazônia;
Jacaretinga ou Jacaré-de-Óculos - Cujos olhos são rodeados
por listras;
Jacaré-de-Papo-Amarelo - Encontrado com freqüência na região
que vai do rio São Francisco até o sul do país.
Todos esses jacarés americanos são muito parecidos entre
si, sendo que o maior deles é o Caimans palpebrosus, que
vive na América do Sul e nunca atinge além de 1,30 metro
de comprimento.
Crocodilo
e sua vida nas águas
O crocodilo passa grande parte da vida submerso. Consegue
isso graças ao formato de sua cabeça e à disposição de suas
narinas, que ficam numa pequena saliência, no topo do focinho.
Seus olhos também se destacam sobre a cabeça, o que lhe
permite disfarçar-se em árvore flutuante e continuar de
sentinela, quando está caçando. Durante um mergulho, os
olhos do crocodilo são protegidos por uma membrana transparente,
uma espécie de terceira pálpebra.
Embora suas patas curtas lhe permitam mover-se com muita
agilidade e rapidez em terra, o crocodilo nunca se afasta
muito da água, pois possui patas fracas para ficar muito
tempo fora da água.
O crocodilo costuma ficar estendido na areia das margens
dos rios, tomando sol.
Caça
O crocodilo vive até os 80 anos, mas infelizmente não consegue
a paz para desfrutar da vida longa, via de regra, os caçadores
levam a melhor e mesmo espécies mais valentes acabam seus
dias em vitrines, sob a forma de bolsas, calçados, cintos
e carteiras.
Em certas regiões, os nativos nem precisam de armas. Entram
na água com um pequeno pedaço de pau com as pontas aguçadas
e, na hora em que o réptil chega perto e abre a boca, encaixam
o bastão entre suas mandíbulas. Assim, quando o crocodilo
tenta fechar a boca, a estaca se crava profundamente. O
bicho se debate desesperadamente, mas seus movimentos frenéticos
para desvencilhar-se da armadilha são inúteis. Pouco a pouco,
vai perdendo sangue e forças, e se torna presa fácil.
Durante o dia, dificilmente se apanha um crocodilo - que
é bicho arisco e malicioso. À noite, porém, ele se torna
confiado; e o caçador, munido de uma lanterna, pode iluminá-lo:
seus olhos têm a propriedade de refletir a luz. Tornam-se
dois olhos-de-gato que servem de guia para que o caçador
coloque bem o tiro, que deve acertar entre os olhos, para
matar depressa e não estragar a pele, cujo valor é grande.
O estranho é que os crocodilos não parecem associar o facho
luminoso ao perigo: continuam boiando calmamente, por vezes,
rumo à própria destruição.
Simbiose
(vida em comum)
Se a boca de um crocodilo não é, certamente, um lugar acolhedor,
uma pequena ave nas margens dos rios africanos dispensa
qualquer problema. É a ave "Curado" (Pluviailis
aegyptus), que penetra tranqüilamente na boca do animal,
sem que este lhe cause qualquer dano. Esta ave vai prestar
serviços ao crocodilo: elimina os restos de alimentos que
se acumulam nos dentes, obtendo assim alimentação para si,
farta e fácil. Em contrapartida, o crocodilo se vê livre,
com grande alívio, dos sanguessugas e outros parasitas que
lhe infestam a gengiva.
Classificação
científica
Os crocodilos pertencem aos gêneros Crocodilus, Osteolaemus
e Tomistoma, incluídos na família dos Crocodilídeos (Crocodilidae),
ordem dos Crocodilianos (Crocodilia).