Esquistossomose
1.INTRODUÇÃO
Esquistossomose,
doença causada pela infecção, em seres humanos, de vermes
trematódeos pertencentes ao gênero Schistosoma. Também chamada
bilharziose, é muito difundida nos países tropicais e subtropicais,
onde se calcula que haja entre 150 milhões e 200 milhões
de pessoas infectadas. A doença raramente aparece nos países
temperados, embora os vermes estejam presentes. Os helmintos
apresentam um ciclo vital complexo: os adultos parasitam
um mamífero, em geral o homem, e as larvas vivem em algumas
espécies de caracóis do gênero Biomphalaria. Os ovos eliminados
pelo hospedeiro transformam-se em larvas imaturas, chamadas
miracídios, na água fresca. Essas larvas invadem os caramujos,
transformando-se em larvas maduras, chamadas cercárias,
e voltando à água. Nesse estágio, penetram na pele do mamífero,
migrando pelos vasos sangüíneos até os capilares. Alcançada
essa etapa, põem ovos, provocando diversos sintomas conforme
sua localização: reações inflamatórias locais, quadros obstrutivos
e hemorragias, entre outros.
2.EFEITOS
NOS SERES HUMANOS
Há três
espécies de esquistossomas que produzem doenças graves:
Schistosoma haematobium, S. mansoni e S. japonicum, encontradas
nos trópicos e no Oriente. Há ainda cerca de oito espécies
que produzem apenas irritações na pele, conhecidas como
coceira de banhista, em pessoas que se banham
nos lagos do centro-norte dos Estados Unidos, especialmente
em Michigan e Wisconsin, e do Canadá, especialmente em Manitoba.
O esquistossoma egípcio, S. haematobium, foi descrito pela
primeira vez pelo médico alemão Theodor Bilharz em 1851.
É o agente da esquistossomose vesical. O macho adulto tem
cerca de 1,5 cm de comprimento; a fêmea é um pouco maior.
As cercárias entram pela pele ou mucosas da pessoa que se
banha em águas infestadas e instalam-se na bexiga, onde
causam uma grave reação inflamatória, provocando hemorragias,
dor e sangue na urina. A espécie S. japonicum é encontrada
no Extremo Oriente e responsável pela esquistossomose arteriovenosa;
a espécie S. mansoni é encontrada nos trópicos e responsável
pela esquistossomose intestinal. Ambas obstruem os vasos
sangüíneos que passam pelo fígado e pelo intestino, provocando
uma distensão das veias, particularmente as do esôfago (varizes
do esôfago). Essas varizes se rompem, causando hemorragia
grave. O Brasil é um dos maiores focos endêmicos da esquistossomose
intestinal. O parasita S. mansoni está presente em rios
de Minas Gerais e do Nordeste e calcula-se em 6 milhões
o número de brasileiros infectados.
3.PREVENÇÃO
E TRATAMENTO
A profilaxia
da esquistossomose é difícil. Alguns resultados têm sido
obtidos com o controle dos caramujos hospedeiros, através
da aplicação de substâncias químicas como o sulfato de cobre,
compostos à base de arsênico e pentadorofenato de cobre
e de sódio. A esquistossomose não tratada freqüentemente
resulta em morte. Até 1982, nenhuma das diversas drogas
usadas para tratar pessoas infectadas era completamente
eficaz e todas tinham graves efeitos colaterais. A partir
daquele ano, uma nova droga, o praziquantel, passou a ser
utilizada, mostrando-se bastante eficaz contra as três espécies
causadoras da doença, sem provocar efeitos colaterais. Tomado
oralmente, numa só dose, ou em várias doses num só dia,
o praziquantel aumenta a permeabilidade da membrana celular
do verme aos íons de cálcio, provocando contrações e paralisia
de sua musculatura.