SEXUALIDADE NA
ADOLESCÊNCIA
A gravidez
na adolescência é multicausal e sua etiologia está
relacionada a uma série de aspectos que podem ser agrupados
em:
1.1-
FATORES
BIOLÓGICOS
Estão
envolvidos desde a diminuição da idade menarca (primeira
menstruação) até, o aumento do número de adolescentes na
população geral. Sabe-se que as adolescentes engravidam mais
e mais a cada dia e em idades cada vez mais precoces.
Note-se que a idade da menarca tem se adiantado em torno de
quatro meses por década no nosso século, sendo que a idade
média para que ocorra é de 12,5 a 13,5 anos. Evidentemente,
quanto mais precocemente ocorrer a menarca , mais exposta
estará a adolescente.
Gestação: é
nas classes econômicas mais desfavorecidas onde há maior
abandono e promiscuidade, maior desinformação, menor acesso
aos meios de anticoncepcionais, que está a grande incidência
da gestação na adolescência.
1.2- FATORES
DE ORDEM FAMILIAR
o contexto
familiar tem relação direta com a época que se inicia a
atividade sexual. Assim sendo, as adolescentes que iniciam a
vida sexual precocemente ou engravidam nesse período,
geralmente vem de famílias cujas mães também iniciaram a
vida sexual precocemente ou engravidaram durante a
adolescência.
1.3-FATORES SOCIAIS
as atitudes
individuais são influenciadas tanto pela família quanto pela
sociedade. E a sociedade tem passado por profundas mudanças
em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade
na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez
na adolescência. Portanto, tabus, inibições e estigmas estão
diminuindo e consequentemente a atividade sexual e a
gravidez aumentando.
1.4-MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS
métodos
anticoncepcionais são aqueles que impedem o encontro do
espermatozóide com o óvulo, evitando, desse modo, a
gravidez. Existem os que impedem a ovulação e os que evitam
a penetração dos espermatozóides no útero.
·
Pílula anticoncepcional
– é um comprimido de hormônio sintético, que deve ser
ingerido durante 21 dias no mês, a fim de inibir a ovulação.
O método é quase 100% seguro, para evitar a gravidez, mas
requer disciplina, pois respeita o ciclo feminino e deve ser
seguido de acordo com a orientação médica.
·
Camisinha
– é o preservativo
masculino, invólucro de fina borracha que deve ser colocada
no pênis, antes do seu primeiro contato com a vagina. Além
de impedir que o espermatozóide fecunde o óvulo, funciona
também como uma barreira de proteção contra doenças
sexualmente transmissíveis ( AIDS, sífilis, gonorréia e
outras ).
·
Diafragma
– trata-se de um preservativo feminino, uma capinha de
borracha que deve ser introduzida, antes da relação sexual,
na parte mais profunda da vagina, a fim de cobrir a entrada
do colo do útero e impedira entrada dos espermatozóides. Só
deve ser retirado oito horas depois.
·
Espermicida
– tipo de creme ou espuma, contendo substâncias químicas
capazes de destruir os espermatozóides. É colocado no fundo
da vagina, antes da relação sexual. Só se torna, realmente,
eficaz, quando combinado com outros métodos, como o
diafragma, por exemplo.
·
DIU
– é um dispositivo intra-uterino, uma pequena haste de cobre
ou silicone, que, introduzida pelo médico dentro do útero,
impede que o espermatozóide fecunde o óvulo. É eficaz, mas
só pode ser colocado em mulheres que já tiveram filhos.
·
Método natural
– este método, o único aceito pela igreja católica, consiste
em abster-se de relações sexuais durante o período fértil da
mulher, isto é, quando o óvulo maduro esta pronto para ser
fecundado como o ciclo é de, aproximadamente, 28 dias, esse
período localiza-se bem no meio do mês entre as
menstruações. Os médicos não recomendam às adolescentes,
cujo ciclo ainda é irregular.
·
Coito interrompido
– consiste em interromper o ato sexual antes da ejaculação
masculina. Não é garantido para a gravidez nem o contágio de
doenças sexuais.
Estudos
mostram que os adolescentes conhecem métodos
anticoncepcionais, mas, como suas relações sexuais são
esporádicas, não tem prática do seu uso correto. Mais do que
nunca, é importante o diálogo de pais, educadores e médicos
com os jovens.
A utilização
de métodos anticoncepcionais não ocorre de modo eficaz na
adolescência, e isso se deve a vários fatores:
1 – A negação
da possibilidade de engravidar.
2- O encontro
do contraceptivo pelos pais, seria prova explícita da vida
sexual a ativa da adolescente.
3- A atividade
sexual, é tida como eventual, não justificando o seu uso
continuado.
II –
REPERCUSSÕES DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
A adolescência
caracteriza-se por um período de descoberta do mundo, dos
grupos de amigos, de uma vida social mais ampla. Assim, a
gravidez pode vir a interromper. Na adolescente, esse
processo de desenvolvimento próprio da idade, fazendo-a
assumir responsabilidades e papéis de adulta antes da hora,
já que dentro em pouco se verá obrigada a dedicar-se aos
cuidados maternos. O prejuízo é duplo: nem adolescente
plena, nem adulta inteiramente capaz. A adolescência é
também uma fase em que a personalidade da jovem está se
formando e, por isso mesmo, é naturalmente instável. Se é
fundamental que a mãe seja referência para formação da
personalidade de seu bebê, os transtornos psíquicos da mãe
poderão vira afetar a criança.
Ao engravidar,
a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos
de transformação da adolescência como os da gestação. Isto,
nesta fase, representa uma sobrecarga de esforços físicos e
psicológicos tão grande que para ser bem suportada
necessitaria apoiar-se num claro desejo de ser mãe. Porém,
geralmente não é o que acontece: as jovens se assustam e
angustiam-se ao constatar que lhes aconteceu algo imprevisto
e indesejado. Só este fato torna necessário que seja alvo de
cuidados materiais e médicos apropriados, de solidariedade
humana e amparo afetivo especiais. A questão é que, na
maioria dos casos, essas condições também não existem.
Muitas vezes,
a dificuldade de contar o fato para a família ou até mesmo
constatar a gravidez faz com que as adolescentes iniciem
tardemente o pré-natal o que possibilita a ocorrência de
complicações e o aumento do risco de terem bebês prematuros
e de baixo peso. Além disso, não é raro acontecer, em
seqüência, uma segunda gravidez indesejada na jovem mãe. Daí
a importância adicional do pré-natal como fonte segura de
orientação.
Viver ao mesmo
tempo a própria adolescência, cuidar da gestação e, mais
tarde, do bebê, não é tarefa fácil. E a vida torna-se ainda
mais difícil para a adolescente grávida que estuda e
trabalha. Igualmente essa situação não difere com relação
ao jovem adolescente que se torna pai: ele se vê envolvido
na dupla tarefa de lidar com as transformações próprias da
adolescência e as da paternidade, que requerem trabalho,
estudo, educação do filho e cuidados com a esposa ou
companheira.
Sobre a
adolescente
Obstétricas
A gravidez na
adolescência apresenta alto índice de complicações, quando
comparada com as demais. Para se ter uma idéia da
importância deste problema, sabe-se que um sexto dos óbitos
que correm nesta faixa etária são devidos às complicações
obstétricas.
Educacionais
A jovem mãe
tem quase sempre a interrupção de sus estudos quer seja
definitiva ou temporariamente. Isto acarretará perdas de
oportunidades e piora na qualidade de vida no futuro.
Nutricional
Está provado
que uma gravidez que ocorra antes de se completar o
desenvolvimento biológico, faz com que se soldem as
cartilagem de conjugação ( responsável pelo crescimento),
prejudicando a estrutura final da adolescente. Além disso,
na adolescência há uma maior necessidade de sais minerais,
vitaminas, proteínas etc. e o feto por sua vez necessita de
um aporte muito grande destes elementos “prejudicando” o
desenvolvimento materno.
Emocionais
Devido a sua
habilidade emocional e imaturidade as adolescentes sofrem
alterações psicológicas que acabam por tornar mais violentos
sentimentos já presentes anteriormente, ou seja,
hostilidade, depressão e ansiedade. Por exemplo, o número de
suicídios aumenta e muito mais nas adolescentes grávidas,
quando comparado às não grávidas.
Sobre a
criança
Aumentam o
número de recém nascidos de baixo peso, prematuros, doenças
respiratórias e traumas obstétricos.
Não há dúvidas
que a criança que nasce advinda de uma mãe adolescente,
corre maior número de riscos tanto físicos imediatos, quanto
psico sociais que se manifestam a longo prazo.
A mãe
freqüentemente abandona o filho, ou o entrega a doação
sujeitando-o freqüentemente a maus tratos.