Ciclo
da Mitose
INTRODUÇÃO
A reposição de células mortas do organismo e
o aumento do número de células durante o período de
crescimento é dado por um processo de divisão celular
denominado mitose. Neste trabalho será explicado
detalhadamente como se dá esse processo e a explicação de
suas respectivas fases: prófase, metáfase, anáfase e
telófase.
MITOSE ou CARIOCINESE (mito = tecer ; kinesis
= movimento)
A mitose está sempre presente nos organismos
e pode ser considerada como processo fundamental da divisão
celular dos seres vivos. É um mecanismo que garante uma
distribuição de coleções idênticas de genes para as células
formadas: uma célula diplóide &ndash que possui cromossomo
aos pares, ou 2n se divide em duas células-filhas também
diplóides.
Nos procariontes, como as bactérias, esta
distribuição é relativamente simples. O DNA bacteriano se
duplica, enquanto o citoplasma se estrangula em duas partes,
ficando cada uma delas com uma das cópias.
Nos eucariontes, o material genético se
modifica durante a divisão, passando na forma de filamentos
de cromatina espalhados no nucleoplasma para a forma
compacta de cromossomos. O processo pode ser observado ao
microscópio comum e em algumas células dura vinte minutos;
em outras, pode durar algumas horas. Algumas células muito
especializadas, como as células musculares e nervosas, param
de se dividir quando estão totalmente maduras.
Existem mecanismos, ligados à natureza
química do glicocálix, que controlam a divisão celular.
A mitose é estudada em quatro fases:
prófase - fase preparatória, a mais longa;
metáfase - fase de ordenação dos cromossomos; anáfase
- fase de separação dos cromossomos; telófase - fase
da divisão celular.
Prófase
(pro = antes). Inicia-se com mudanças físico-químicas no
citoplasma, passando água deste para o interior do núcleo,
tornando-o mais volumoso e menos denso. Entra em atividade o
centro celular que evolui e acaba por originar dois outros,
funcional e estruturalmente iguais.
Esse fato é a primeira indicação efetiva que
a célula vai dividir-se. Os dois centro celulares iniciam um
movimento de aproximação e afastamento, deslocando-se nas
proximidades do núcleo.
Após, eles migram cada um, para um dos pólos
da célula (é a migração polar). À medida que se verifica a
migração dos centros celulares, começa, por entre eles, a
formação de finas fibrilas citoplasmáticas protéicas (estas
fibrilas são constituídas por moléculas de proteínas ligadas
por pontes de enxofre) que, em conjunto formarão o fuso
acromático, que se estende de um pólo a outro da célula, há
o surgimento do áster, este é um feixe de microtúbulos que
surge em cada pólo da célula.
Sendo que o aparelho mitótico é o conjunto
formado pelo áster e pelo fuso acromático.Pela hidratação do
núcleo, facilitada pela permeabilidade da carioteca, diminui
a viscosidade da cariolinfa e o volume do núcleo aumenta,
facilitando, posteriormente, a movimentação dos cromossomos.
A essa altura, os cromossomos tornam-se
visíveis como delgados filamentos espiralados, de diâmetros
irregulares e desdobrados longitudinalmente em duas
cromátides, unidas pelo centrômero; o nucléolo está visível,
tendendo a diminuir de tamanho e desaparecer até o final da
fase.
No início da divisão, quando os filamentos de
cromatina aparecem enovelados, na forma de cromossomo, eles
já estão duplicados (foram duplicados na interfase).
Contudo, a região conhecida como centrômero demora um pouco
mais para se duplicar. Dessa forma, os cromossomos
resultantes da duplicação permanecem algum tempo presos pelo
centrômero.
Enquanto permanecem assim, cada cromossomo
recebe o nome de cromátide, e o conjunto das duas cromátides
presas pelo centrômero são cópias exatamente iguais do
filamento inicial de cromatina. Ao longo da prófase, os
filamentos de cromatina sofrem um progressivo enrolamento,
tornando-se suficientemente condensados para serem
visualizados ao microscópio óptico sob a forma de
cromossomos. Os nucléolos desaparecem (seus grãos se
espalham no citoplasma e dão origem aos ribossomos).
Prometáfase:
Alguns defendem a existência , após a prófase, de uma fase
denominada prometáfase. Ela seria um curto período de
transição da prófase para metáfase. As transformações deste
período, na maioria das vezes, englobada, são a
desintegração da membrana nuclear (ela incorpora-se ao
retículo) e a conseqüente "queda" dos cromossomos no
citoplasma. Estes então se dirigem à região equatorial da
célula, aonde vão se prender as fibras do fuso por meio de
seus centrômeros.
Metáfase
(meta = depois). Cada cromossomo sofre uma contração
nuclear; diminui o número de espirais, o diâmetro aumenta e
torna-se regular, uma conseqüência do acúmulo de DNA.
Algumas fibrilas do fuso acromático, denominam-se fibras
cromossômicas, prendem-se ao centrômero dos cromossomos por
uma estrutura denominada cinetócoro; outras fibrilas
estendem-se de um centro celular a outro (são as fibras
contínuas), sem contactarem com os cromossomos.
Os centríolos já estão ocupando pólos
opostos na célula. Os cromossomos duplicados estão presos
pelo centrômero às fibras do fuso acromático, ocupando a
região mediana da célula. Os cromossomos alinhados nessa
região formam a chamada placa equatorial, com as
cromátides-irmãs (as que se prendem no mesmo centrômero)
voltadas uma para cada pólo da célula. Essa é a fase de
maior visualização dos cromossomos, por isso é chamada fase
do cariótipo, para facilitar o estudo cromossômico, a
divisão celular pode ser interrompida na metáfase, por
substâncias como a colchinina e vimblastina, que impedem a
polimerização das proteínas do fuso mitótico.
Anáfase
(Ana = para cima). Os centrômeros finalmente
se dividem, permitindo a separação das cromátides, que são
arrastadas para pólos opostos da célula (metacinese), pelo
encurtamento dos filamentos do fuso. As cromátides, agora
cromossomos-filhos, afastam-se em direção aos centros
celulares opostos, com as extremidades dos braços voltadas
para o plano mediano da célula. No deslocamento dos
cromossomos-filhos agem simultaneamente duas forças: tração,
por parte das fibras cromossômicas, devido ao encurtamento
das fibrilas por perda das moléculas protéicas; impulsão por
parte das fibras contínuas.
Enquanto estes fatos ocorrem, inicia-se o
estrangulamento citoplasmático de fora para dentro. A
igualdade das cromátides-irmãs e a posição que ocupavam na
metáfase garantem uma distribuição idêntica de material
genético para os dois pólos e, conseqüentemente, para as
duas células que vão se formar, assim no final dessa fase,
em cada pólo há número de cromossomos igual ao que havia na
célula que iniciou a divisão, embora agora com apenas um
filamento cada um. Tem início a desespiralização dos
cromossomos.
Telófase (telo = final). A chegada dos
cromossomos filhos aos pólos da célula marca o início da
telófase. Uma vez nos pólos, inicia-se a desespiralização
dos cromossomos, que se transformam em massas de cromatina.
Estas são circundadas por cisternas do retículo
endoplasmático, que depois se soldam umas às outras dando
origem a novas membranas nucleares.
Os cromossomos desespiralizados estão
dispostos em 2 conjuntos, um em cada pólo. O núcleo também
ressurge. Os nucléolos reaparecem sendo formados a partir da
zona SAT de certos cromossomos. As fibras de áster e do fuso
desaparecem. Finalmente, verifica-se, em células animais,
que na região equatorial da célula a membrana nuclear se
invagina formando um sulco de divisão, e, à medida que se
aprofunda, aumenta o estrangulamento nessa região, ocorre a
separação das 2 células-filhas.
É a citodierése (plasmodierése ou citocinese)
. Esse estrangulamento ocorre de fora para dentro, razão
pelo qual, a citocinese animal é dita centrípeta. Durante a
citocinese há distribuição dos componentes citoplasmáticos
às células filhas em quantidades aproximadamente iguais.
Assim, ao final da mitose surgem 2 células-filhas com o
mesmo número de cromossomos que a célula-mãe, embora não
visível no final da divisão, pois o núcleo de cada uma já se
encontra no estado interfásico.
Bloqueio da Mitose
Certos agentes físicos e químicos são capazes
de inibir a mitose. Alguns desses inibidores são usados no
tratamento do câncer, pois inibem a proliferação de células
cancerosas.
Há dois tipos de inibidores da mitose:
inibidores da síntese de DNA e inibidores do fuso.
Entre as substâncias químicas capazes de
inibir a síntese de DNA, podem ser citados o iperita ou gás
de mostarda e o 5-fluoracilo. Os raios X são agentes físicos
que inibem a síntese de DNA.
A inibição da formação do fuso é feita por
uma substância química denominada colchinina. Ela, ao ser
adicionada a uma célula em início da divisão, permita que
esta progrida somente até a metáfase. As radiações são
capazes de destruir as ligações entre os cromossomos e o
centrômero. Com isso, os cromossomos não migram aos pólos,
sendo bloqueada a divisão.
Variações no Teor de DNA e na Ploidia
(Quantidade de Cromossomos).
Durante o ciclo mitótico celular, ocorrem
modificações na quantidade de DNA da célula, mas não na
quantidade de cromossomos. Para se evitar confusões na
quantidade de filamentos de cromatina e a quantidade de
cromossomos, a contagem de cromossomos se baseia na
quantidade de centrômeros.
A variação na quantidade de DNA durante o
ciclo celular obedece ao seguinte gráfico:
Já a ploipidia (quantidade de lotes
cromossômicos) tem outro comportamento.
Ressalte-se que a mitose pode ocorrer em
células n, 2n, 3n, etc. Todas originam duas células filhas
com o mesmo número de cromossomos.
A duração da etapa do ciclo mitótico varia
bastante de uma célula para outra. Observe alguns exemplos,
expresso em horas:
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G1
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S
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G2
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Mitose
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Mucosa intestinal de rato
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9
|
7
|
1 a 5
|
1
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Meristema
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5 a 15
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10 a 30
|
3 a 9
|
2 a 6
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Fibroblastos em cultura
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6
|
8
|
5
|
1 a 2
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Mesmo as fases da mitose têm duração
variável:
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Prófase
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Metáfase
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Anáfase
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Telófase
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Ovo de drosófila
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4
min. |
30
seg. |
1
min. |
50 seg.
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Fibroblasto de frango
|
45 min.
|
6 min.
|
2 min.
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10 min.
|
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Célula de fígado de rato
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4 horas
|
10 min.
|
30 min.
|
30 min.
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Constância Específica do Número de
Cromossomos
Em todas as células de um mesmo organismo,
observa-se a constância o número, dimensões e estrutura dos
cromossomos.
Os organismos são constituídos por um
conjunto somático diplóide de cromossomos (2n), resultantes
da união de gametas portadores de um conjunto haplóide (n)
de cromossomos. Os cromossomos são distribuídos regularmente
pela mitose somática, mantendo constante seu número em todas
as células do organismo.
Os gametas como células integrantes do
organismo, também deveriam ter 2n cromossomos. Se assim
fosse, pela fecundação (união de gametas masculinos e
femininos), resultariam uma célula ovo ou zigoto com o dobro
(4n) de cromossomos. Desta forma os cromossomos, iriam sendo
duplicados em cada geração, deixando de haver a constância
específica do número de cromossomos. Esta situação é
inadmissível porque, em poucas gerações, o número de
cromossomos aumentaria gradativamente e seria material
impossível, aos mesmos, caberem no núcleo, a não ser que
este aumentasse muito de tamanho, o que não ocorre.
Se o número de cromossomos da célula de um
organismo for 2n (diplóide), nas células germinais, esse
número é reduzido à metade n (haplóide). Os gametas, com a
metade dos cromossomos normais da espécie (n), unindo-se,
dão origem a uma célula ovo 2n que, por mitoses sucessivas,
originará todas as células do organismo, todas 2n
cromossomos.
O organismo humano possui células 2n (46
cromossomos) que, por divisões mitóticas, continuam
originando sempre células 2n (46 cromossomos). Se duas
destas células pertencentes a organismos de sexos diferentes
se unissem pela fecundação, resultaria o ovo com 4n
cromossomos (92 cromossomos).
Em cada geração o número de cromossomos
duplicar-se-ía!
Para que não ocorra esta duplicação, durante
a formação das células germinais, o número de cromossomos é
reduzido à metade (n = 23 cromossomos) através da divisão
redutora ou meiose.
Pela fecundação (união de gametas n = 23
cromossomos) resulta uma célula (2n = 46 cromossomos) que,
por mitoses sucessivas, origina todas as células do
organismo, sempre 2n = 46 cromossomos.
Observação:
·A mitose tem duração variável de uma há
algumas horas dependendo da espécie da célula e das
condições do ambiente, podendo chegar mesmo a 24 horas de
duração. Sendo que a temperatura ambiental pode acelerar,
retardar ou mesmo bloquear o processo mitótico.
·No caso do homem, em particular,
temperaturas muito reduzidas ou superiores a 45º C bloqueiam
a mitose.
·A descrição do processo mitótico é indireta,
baseando-se na observação de células mortas.,
convenientemente preparadas.
·Caracteriza-se por modificações nucleares
(cariodierése) e por alternações citoplasmáticas
(citodierése) (que ocorrem simultaneamente).
·A mitose pode ser bloqueada com o emprego de
certas substâncias como, por exemplo, a colchinina. Tal
substância impede a formação do fuso e migração dos
cromossomos-filhos para os pólos da célula. Isto quer dizer
que a divisão paralisa na metáfase. Isto é feito por
pesquisadores a fim de estudar o cariótipo da célula.
·A mitose em células animais é astral (há
centríolos) e nos vegetais superiores é anastral (não se
observa centríolos).
·Durante a metáfase, nas células vegetais os
cromossomos se dispõem em toda a região equatorial formando
uma coroa.
·Em tecidos que estão em crescimento
verificam-se mitoses sucessivas.
·Alguns autores dividem a fase a mitose em
mais uma fase, a prometáfase, que seria uma fase
complementar da prófase que se caracteriza especificamente
pelo desaparecimento da carioteca.
CONCLUSÃO
O processo de mitose compreende uma divisão
que tem por objetivo de uma célula mãe, a formação de duas
células filhas idênticas com o mesmo número de cromossomos
que a célula que a criou. Durante a mitose foi observado,
neste trabalho, que há mecanismos que podem interromper o
processo. Existem também diferenças de tempos do processo,
que depende da temperatura do ambiente e sobretudo o tipo de
célula cujo processo mitótico está sendo realizado.
BIBLIOGRAFIA
Tratado de Fisiologia Médica