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  Matérias :: Biologia :: Material didático

  Autoria: Jefferson Alves Fontes


 


Planária

Vermes de corpo mole pertencentes ao filo Platyhelmintes, classe Turbellaria, ordem Seriata, subordem Tricladida, com várias famílias ocorrentes, sendo os gêneros mais comuns a Bipalium, Orthodemus e Geoplana. Não há distinção entre a cabeça e o resto do corpo. O animal é achatado dorso-ventralmente e quanto maior for o tamanho, maior o grau de achatamento. Não apresentam cutícula sobre a pele e, por isso estão sujeitas a dessecação. Ao invés disso está presente uma camada de cílios e glândulas mucosas. Em geral, a coloração é escura, sendo principalmente os matizes de preto, marrom e cinza. O tamanho é bastante variável, sendo de alguns milímetros a até mais de 60 cm. São hermafroditas, ou seja, o mesmo indivíduo apresenta os sexos masculino e feminino. São animais comumente tropicais, mas com algumas espécies viventes em regiões temperadas. Há poucos estudos a respeito da biologia do animal. São vermes terrestres, confinados a ambientes muito úmidos, escondendo-se embaixo de troncos e do folhiço. É um animal de hábitos noturnos, escondendo-se durante o dia para evitar a dessecação e saindo à noite para se alimentar. A dieta é baseada em outros invertebrados terrestres e rastejantes, como caracóis-de-jardim (Bradybaena similaris), minhocas (gêneros da família Enchitraeidae) e tatuzinhos-de-jardim (isópodos terrestres). A boca serve tanto para a ingestão como para a egestão do alimento, já que o ânus está ausente. Geralmente a boca está localizada na superfície ventral do corpo. O alimento é capturado vivo. A planária enrola-se na presa e envolve-a com uma substância viscosa prendendo-a ao substrato por meio de órgãos adesivos. Eles então ingerem a presa inteira por meio de sucção ou de bombeamento. Algumas espécies apunhalam a presa com o pênis, que termina num estilete duro e se projeta pela boca. São animais rastejantes e utilizam os cílios presentes na superfície do corpo para dar força de propulsão. Algumas também utilizam as ondulações musculares para se locomoverem. As ondas transversais de contração passam ao longo do corpo, elevando e abaixando a superfície ventral. A reprodução pode se dar de maneira assexuada através de fissão transversal ou sexuadamente pela reprodução cruzada. A reprodução assexuada por fissão transversal ocorre de maneira simples e freqüente. Em determinada época o animal apenas se parte, em geral, atrás da boca e a separação é dependente da locomoção. A parte posterior do animal se fixa ao substrato enquanto que a metade anterior continua a mover-se para frente até que o verme repentinamente se quebra em dois. Cada parte se regenera e forma dois indivíduos novos e pequenos. A reprodução sexuada se dá de maneira cruzada entre dois indivíduos. Mesmo sendo hermafrodita, a autofecundação é muito difícil. Quando dois vermes se encontram as extremidades anteriores se entrelaçam e ocorre a introdução recíproca do pênis. Sempre um dos vermes fica com o dorso voltado para o substrato. Após a introdução do pênis, os animais permanecem imóveis nesta posição por aproximadamente 40 - 50 minutos (já foi observado uma cópula com até 2 horas de duração em exemplares grandes). Após algum tempo após a cópula (de 5 a 49 dias) ocorre a postura dos casulos que são envoltos em uma espuma branca que os prende ao substrato. A eclosão dos casulos se dá em tempo variável, em torno de 18 a 43 dias (em média 29 dias) dependendo da umidade e da temperatura. Nascem indivíduos com aproximadamente 0,3 a 0,4 cm de comprimento.

 
 

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