Contabilidade e Meio Ambiente
RESUMO
O objetivo deste trabalho é estudar e
exemplificar fatos e casos em que o profissional de
contabilidade possa dar sua contribuição para a
cientificidade, contribuindo nas questões ligadas ao meio
ambiente, tanto no que diz respeito a pessoas físicas quanto
a jurídicas uma vez que ambas estão envolvidas num mesmo
contexto. Não intencionamos, entretanto, ferir em nenhum
momento, o principio da entidade.
As questões ambientais têm influência, mais
ou menos direta, sobre as mais diversas áreas de atuações do
Homem e a única maneira de ter informações e controle sobre
essas questões é mediante a integração dos diversos
conhecimentos já adquiridos pelo ser humano, nas mais
variadas profissões.
INTRODUÇÃO
O mundo, dia após dia, passa a
industrializar-se, há muito se foi o tempo em que o artesão,
com seus instrumentos rústicos, era a única fonte de
mercadorias e serviços consumidos pela sociedade.
Hoje, talvez mais do que nunca as produções
em série e em grandes quantidades têm regido os processos de
fabricação, fato que acarreta conseqüências, como os
problemas, de qualidade de vida, falando numa forma mais
abrangente.
Há de se convir, por exemplo, que os meios e
métodos utilizados por uma empresa que venham a modificar as
características ambientais de uma região, afetará toda a
sociedade que ali residir ou até mesmo outras regiões que
estejam em lugares mais longínquos e isto, é óbvio, está
relacionado à qualidade de vida dessas pessoas.
E o que os universitários podem fazer para
mudar a situação atual, como os inúmeros casos de
atrocidades cometidas contra o meio ambiente?.
A resposta talvez seja simples: as
dificuldades estariam em promovê-las, numa integração entres
os diversos profissionais e áreas de atuação dos mais
diversos segmentos, desde o produtor responsável pela
geração de alimentos até o economista preocupado com
questões ligados a finanças públicas ou privadas.
Diante dessa perspectiva como atuaria a
figura do contador?
Ele tem, certamente, importante papel diante
das questões ecológicas, pois é responsável pela
divulgação, análise e, principalmente, como fornecedor de
dados que possibilitem a tomada de decisões dentro de um
mundo de economia industrializada, principalmente em países
do primeiro mundo, onde se verifica um maior nível de
industrialização.
1. HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA CONTABILIDADE
Segundo Peter Drucker, (1998, 57) há cerca de
80 anos surgia a contabilidade de Cadeia Econômica, a qual
provê custos ao longo de toda cadeia econômica, desde
fornecedores até o consumidor final dos seus produtos ou
serviços.
Inventada nos Estados Unidos por Willian C.
Durant, que entre 1908 e 1920 construiu a G.M., esse modelo
foi copiado pela Sears na década de 20 e algum tempo depois
ligeiramente modificado por Marks & Spencer. Em 1950 a
Toyota o copia sem grandes modificações e, por volta da
década de 70, Sam Walton, novamente nos Estados Unidos, faz
dele a base do sucesso do Wal-Mart.
Atualmente um novo conceito tem dispertado
interesse dos seus usuários: é a contabilidade baseada na
atividade, que, ao invés de objetivar a minimização de
custos, foi projetada para maximizar rendimentos.
O que se percebe é que a contabilidade
evoluiu através dos tempos de mãos dadas com a sociedade, e
mais do que informações a proprietários, credores,
investidores e governo, fornece meios de se obter resultados
satisfatórios a toda a sociedade, atuando direta e
positivamente no bem estar social.
2. BALANÇO SOCIAL E MEIO AMBIENTE
A Contabilidade, dentro de suas diversas
áreas de atuação, nos mostra o lado social das empresas
através do Balanço Social.
Com a crescente conscientização da
humanidade, em 1992 acontece no Rio de Janeiro a ECO/92,
reunindo representantes de 114 países com o objetivo de
debater, analisar e fixar diretrizes sobre práticas
ecológicas. De todo esse processo uma coisa é certa, as
demonstrações contábeis e relatórios devem se ajustar a uma
nova consciência, conciliando metas ambientais, sociais e
econômicas.
Sendo assim, a contabilidade deve rever seus
objetivos, com o intuito de atender essas expectativas e não
mais atender somente a credores, sócios das empresas e
governo. Ela deve prestar informações atualizadas sobre
mutações patrimoniais no ambiente social, não se limitando a
questões de ordem monetária.
Objetivando a manutenção da convivência
harmoniosa entre organizações e a humanidade, o Balanço
Social é uma demonstração que nos permitirá identificar as
relações de uma empresa com seus empregados e comunidade,
além do meio ambiente.
2.1 Evolução do Balanço Social
Kroetz, (1998, 44) ao citar o profº. Serge
Launois, afirma que a empresa é um ser de importante papel
dentro da sociedade, seus atos influenciam na vida desta,
ocasionando conseqüências positivas e/ou negativas e a
Contabilidade, através de seus mecanismos, é agente
responsável pelo fornecimento de informações que auxiliem,
na tomada de decisões, a usuários internos e externos; no
caso específico do Balanço Social, serve para informar à
sociedade e principalmente a consumidores das práticas e
métodos adotados por esta organização e seus respectivos
efeitos sobre eles.
Ainda de acordo com Kroetz (46), a evolução
do Balanço Social pode ser observado analisando-se
resultados de pesquisas do profº. João E.P. Tinoco, nas
quais esse autor verifica que no início dos anos 60, em
decorrência da Guerra do Vietnã, o governo Nixon (EUA) e as
empresas que o apoiavam foram severamente criticadas por
suas posições diante do fato: “Clamava-se pelo fim da
guerra, e por outro lado exigia-se que as empresas adotassem
uma nova postura moral e ética, perante os cidadãos”.
A partir daí surgem as primeiras informações
a respeito das relações sociais da empresa, internas e
externas.
Ao se referir ao profº. A. Lopes de Sá, o
profº. Kroetz (46) nos fala que o balanço social representa
a expressão de uma prestação de contas da empresa à
sociedade em face de sua responsabilidade para com a mesma,
e diz ter sido inicialmente desenvolvido na década de 50,
apesar de que na Alemanha, em 1939, a empresa AEG já
publicava tal peça.
Com a já citada Guerra do Vietnã e as fortes
pressões estudantis em decorrência de graves problemas
sociais, outras empresas começam a divulgar o Balanço Social
e assim aumentam as discussões sobre as responsabilidades
sociais da empresa.
É o caso, na Alemanha, além da AEG, da Shell,
da Bortelsman e da Hoechst; na França, da Savien, da
Renault e da Siger; nos EUA, da Exxon; na Suíça, da Mygres;
no Chile, das Manufaturas de Cobre S.A., MADECO, da
Asociación Chilena de Seguridad e da SAACOL & CODIGAS.
Atualmente já se sabe que não bastam preços
competitivos e produtos de qualidade. Os consumidores querem
saber se os produtos ou serviços não são provenientes da
degradação do meio ambiente ou da produção de grandes
quantidades de lixo industrial.
2.2 Importância do Balanço Social
Diante da globalização, uma nova filosofia
surge dentro das empresas: os clientes são mais conscientes,
os investidores mais exigentes e o governo é mais rigoroso,
devido até a alterações na legislação societária.
Perante essas exigências, as organizações são
obrigadas, se não pela lei, pelo mercado, a publicar
demonstrações com maior transparência e qualidade,
evidenciando aspectos qualitativos do seu patrimônio,
enfatizando o bem estar social e ambiental.
Além disso o Balanço Social é uma ferramenta
para comparação e tomada de decisão relativos à empresa/meio
ambiente/sociedade, e serve para evidenciar efeitos de
políticas e estratégias sendo que muitos o usam como uma
peça de marketing.
2.3 Composição do Balanço Social
Kroetz (48) diz que a empresa não é apenas um
aglomerado de recursos que produz ou transforma bens e os
coloca no mercado; ela é, também, um poder que representa
uma força sócio-econômico-financeira determinada, com sua
força de emprego, de expansão e criatividade que influi na
melhor ou pior condição de vida na localidade em que se
situa.
Quanto à forma apresentada, o Balanço Social
pode ser evidenciado através de demonstrações monetárias,
reflexos de questionários de entrevistas, de graus de
satisfação, etc. Todas essas informações contribuirão para a
elaboração do Balanço Social, que por sua vez demonstrará a
contribuição das empresas em benefício da sociedade.
2.4 Realidade Brasileira
Encontra-se em estudo no Congresso Nacional o
projeto Lei nº 3.116/97, apresentado pelas deputadas Marta
Suplicy, Maria da Conceição Tavares e Sandra Starling, que,
composto de maneira semelhante à lei francesa, obriga as
empresas públicas de modo geral e as empresas privadas com
mais de cem empregados a publicar o Balanço Social.
A proposição, em tramitação no Congresso
Nacional, em seu Parágrafo. III, dispõe que o Balanço Social
deverá conter informações sobre remuneração e encargos
acessórios, condições de trabalho, formação do pessoal,
relações profissionais e condições de vida dos trabalhadores
e suas famílias.
Com relação ao meio ambiente (escopo deste
estudo), no parágrafo XII lê-se o seguinte:
Investimento em meio ambiente:
reflorestamentos, despoluição; gastos com introdução de
métodos não poluentes e outros gastos que visem à
conservação ou melhoria do meio ambiente, relacionando em
cada item, os valores dos respectivos benefícios fiscais
existentes.
Um dos maiores problemas a respeito desse
projeto de lei é o da obrigatoriedade de sua publicação,
questão que ainda gera muita polêmica porque em relação a
essa obrigatoriedade de publicar, a Comissão de Valores
Imobiliários (CVM) apoia e incentiva, porém, não a torna
obrigatória.
2.5 Responsabilidade Social da Empresa
A empresa deve entender o lucro não como algo
a ser obtido independentemente de meios e métodos
utilizados, mas como o resultado final do seu trabalho,
respeitando aspectos humanos e ambientais.
É a partir desse respeito que se observa a
responsabilidade social da empresa. Sendo algo maior do que
exigências legais, ela deve ser entendida como um dever
desta perante a comunidade em geral, visto sua influência e
dependência devido à aceitação ou não do produto exposto no
mercado.
Martins e Ribeiro citam alguns aspectos
essenciais para proporcionar o bem estar social na
organização, como:
Manutenção de condições saudáveis de
trabalho, segurança, treinamento e lazer, para seus
funcionários e familiares;
Contenção ou eliminação dos níveis de
resíduos tóxicos decorrentes de seu processo produtivo e do
uso ou consumo de seus produtos de maneira a não agredir o
meio ambiente de forma em geral;
Elaboração e entrega de produtos ou serviços
de acordo com as condições de qualidade e segurança
desejadas pelos consumidores (1995, 02).
Diante desse contexto e com a padronização
das normas internacionais de qualidade, principalmente
aquelas voltadas para a preservação do meio ambiente como
ISO 14.000, muitas empresas se aproveitam desses
investimentos e os usam como marketing para seus produtos e
serviços, tornando-os mais atrativos diante de similares de
empresas que não praticam tais políticas sociais.
3. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL
Com certeza, uma das mais difíceis tarefas
para a melhoria da qualidade de vida no planeta é a de
promover a conscientização por parte não somente das
empresas, mas principalmente da sociedade, visto que esta é
detentora do poder de decidir se uma marca continua ou não
no mercado.
Alicerçando esta linha de pensamento recente
matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil (SCHARF, 1999,
A-8) enfatiza e tem como título “A conquista de mercado do
produto verde”, nesta observa-se que “uma empresa que
contribui para um projeto ambiental se diferencia no mercado
porque devolve á comunidade” diz Garo Batmaniam, diretor
executivo no Brasil da WWF (Fundo Mundial para a Natureza).
Contudo, o grande problema em se querer que a
sociedade e empresas entendam esses mecanismos de
responsabilidade social do qual trataremos com mais ênfase a
seguir está em conciliar sistemas econômicos e ecológicos,
visto que ambos se interagem e são essenciais para a
manutenção da vida das gerações presentes e futuras.
Pensemos que a interação entre estes dois
sistemas está condicionada da seguinte forma: enquanto a
população sofre com a degradação do meio ambiente
proveniente de exploração, poluição e outras promovidas
pelas corporações no ensejo de constituir bens e serviços e
com isso gerar riquezas, ela também depende dessas empresas
das mais variadas formas para sua sobrevivência, seja como
fonte de emprego ou como fabricantes dos produtos de que
necessita, os quais, muitas vezes, são essenciais, como:
alimentos, roupas, habitação e assistência médica.
Ribeiro (1992, 20) cita um exemplo de uma
histórica afirmação do chefe da delegação Brasileira
(General José Costa Cavalcanti) na primeira conferência das
Nações Unidas sobre o meio ambiente em 1972, na Suécia “um
país que não alcançou o nível satisfatório mínimo no prover
o essencial, não está em condições de desviar recursos
consideráveis para a proteção do meio ambiente”.
As riquezas computadas pelos homens ao longo
dos anos teve um preço, sofrido por todo o planeta diante
das agressões ambientais das quais só vêm a diminuir a
expectativa de vida das futuras gerações.
Após a observação dessas questões, sociedade,
empresários e governo começaram a mobilizar-se. Formou-se em
nível internacional o Comitê Empresarial para o
Desenvolvimento Sustentável e, seguindo essa mesma idéia,
criou-se a Fundação Brasileira para Desenvolvimento
Sustentável, ambas com o objetivo de angariar recursos para
investimentos no controle ambiental.
A maneira com que os recursos naturais foram
extraídos nos faz pensar que muitas vezes isto significou
sacrificar até regiões inteiras, uma vez que esses recursos
eram gratuitos e raras eram as penalidades impostas.
Outro fato importante é que os custos
referentes a essa degradação não eram (e muitas vezes ainda
não são) computados à mercadoria produzida, uma vez que
podem representar uma quantia muito superior àquelas
conhecidas, influindo nas demonstrações de resultado.
Diante dessa perspetiva, uma coisa nos chama
atenção: se estes custos não são computados às mercadorias
produzidas, então os resultados obtidos não são reais, sendo
assim a riqueza gerada por essas empresas na formação do PIB
(Produto Interno Bruto) não é real.
A professora Ribeiro (21) nos alerta que
“custos menores implicam lucros maiores, usualmente
computados no PIB como aumento da riqueza nacional.
Entretanto, neste caso, a soma das parcelas é igual ao
produto bruto. Embora as empresas aumentam seus lucros
individualmente, a riqueza do país não está crescendo de
fato. Isto ocorre porque os recursos naturais não são
mensurados economicamente, porém, a perda de seu potencial,
isto é, o seu esgotamento determina a capacidade econômica
do país, deixando-o mais pobre, ao contrário do que
demonstram os resultados dos atuais cálculos do PIB”.
O que ocorre é justamente o inverso daquilo
que se costuma considerar para efeito de cálculo, é como se
fosse demonstrada a riqueza gerada por uma máquina ao longo
de um período sem que se observasse o desgaste desta.
No mesmo trabalho a professora Ribeiro (22)
cita exemplo de um vazamento de petróleo pelo navio Exxon
Valdez, no Alasca, cujos gastos com a limpeza das áreas
afetadas fizeram com que houvesse entrada de recursos
financeiros nos cofres públicos, fazendo com que aumentasse
o PIB dos Estados Unidos. Isso, porém, é ilusório, dada a
contaminação gerada pelo vazamento que representa um consumo
de recursos necessários à obtenção de receita.
Nesse sentido, a redução de custos ambientais
significa aumento real de lucros com deterioração do planeta
em que vivemos.
Outro exemplo citado no trabalho da
professora Ribeiro (26) é o uso de refugos industriais de
uma empresa que podem ser utilizadas por outra, caso da
indústria de cimento S/A Indústrias Votorantim, que passa a
utilizar o reprocessamento de resíduos sólidos de uma
empresa química - a Monsanto do Brasil - em lugar do carvão
utilizado, o qual é bastante poluidor.
Essa alternativa, além de diminuir os custos
na obtenção do material necessário no seu processo
industrial, também diminui a agressão ao meio ambiente em
duas fontes: no carvão que iria ser consumido e iria poluir,
e no consumo dos resíduos da empresa química, que
provavelmente não teria outra utilidade.
Com o objetivo de promover a interação entre
o sistema financeiro e o ecológico, o conceito de
desenvolvimento econômico sustentável está fundamentado no
princípio, do que ao mesmo tempo que a sociedade produz
riquezas, deve propiciar a menor quantidade de resíduos e a
menor degradação do meio ambiente, para que viva em melhores
condições, além, é claro, de ter melhores resultados na
própria obtenção de lucros.
4. CUSTOS AMBIENTAIS POR MEIO DO CUSTEIO POR
ATIVIDADES
Os custos ambientais estão relacionados às
práticas adotadas pelas empresas para confecção de seus
produtos, ou seja os danos causados ao meio ambiente são
resultados de poluentes expelidos no ar, água, em seu
próprio lixo e até mesmo o barulho (poluição sonora)
decorrente do processo industrial.
Esses valores podem ser identificados em
passivos ambientais originados em taxas, contribuições,
impostos, penalidades decorrentes do não-cumprimento das
legislações ambientais ou pela implantação de métodos que
tornem viável a continuidade de negócios relativos a
aspectos ambientais.
Segundo Ribeiro (1998, 84) “custos ambientais
são representados pelo somatório de todos os custos dos
recursos utilizados pelas atividades desenvolvidas com o
propósito de controle, preservação e recuperação ambiental”.
Ainda de acordo com a pesquisadora, poderiam
ser identificados como custos diretos:
Insumos adicionais para combater a produção
de resíduos poluentes.
Mão de obra especializada.
Depreciação de máquinas e equipamentos
utilizados na proteção e preservação ambiental.
Como custos indiretos poderíamos citar:
Aluguel da área ocupada por máquinas e
pessoas destinadas ao trabalho de preservação e recuperação
ambiental.
Salário de supervisores.
Como despesas operacionais:
Taxas.
Penalidades exigidas por legislação
ambiental,
Materiais de escritório.
Salário do pessoal de escritório.
Depreciação de máquinas utilizadas no
processo administrativo.
Em outro artigo, Martins e Ribeiro
(1998, 07) afirmam que “o custo da atividade será o produto
da multiplicação do custo de cada direcionador pela
quantidade de vezes em que este se repete para a realização
de uma atividade”.
A valorização dessas atividades far-se-á pela
identificação da localização, na qual se encontram-se os
agentes geradores e a classificação poderá ser feita por
natureza, processo, centro de custo, período, linha de
produto, produto e outros.
O custeio por atividade recém surgido oferece
resultados bem mais precisos do que métodos como o variável
e o de Absorção, por motivo de que a maioria dos custos
indiretos de fabricação pode ser identificada por meio das
atividades que o origina, diferente dos dois outros métodos
citados, que na sua composição, especialmente no caso do
método por absorção, tende à falta de precisão causada pelos
rateios e no variável devido à falta de mensuração do custo
de natureza fixa, que são considerados como custos gerais da
empresa.
Martins e Ribeiro (14) afirmam que “o custeio
por atividade “ABC” oferece informações mais confiáveis
sobre os recursos realmente consumidos em cada fase do
processo por produto e durante todo o ciclo de vida deste.
Em decorrência, fica mais evidente a existência de
desperdícios, sua origem e causa e as fases do processo
operacional passíveis de melhorias”.
O que se pode concluir é que o método mais
preciso oferecerá informações mais úteis, ainda mais quando
falamos em meio ambiente, que geralmente envolve grandes
valores. Sendo assim, existe uma necessidade de dados
precisos para que esses ofereçam condições para redução de
custos, em detrimento a desperdícios com matéria prima,
ociosidade de mão de obra e má distribuição de recursos, e
no que se refere a investimentos para controle e preservação
ambiental.
Isso não só tem importância para uma saudável
gestão econômica mas também pela própria continuidade da
empresa, uma vez que existe responsabilidade social desta
para com os habitantes que a circundam e, ainda, devido a
sua imagem diante dos consumidores de seus produtos.
5. AUDITORIA
A auditoria ambiental ganhou espaço na área
de auditoramento, principalmente depois de vários casos em
que a não evidenciação de riscos potenciais de poluição de
algumas empresas resultaram em declínios de suas ações nas
bolsas de valores por provocar danos ao meio ambiente.
Além do trabalho de cientificação aos seus
usuários, a auditoria ambiental pode diminuir ou até evitar
danos causados por potenciais poluidores e degradadores do
meio ambiente.
A professora Ribeiro (1992, 70) nos dá um
exemplo de uma subsidiária de uma empresa canadense
produtora de alumínio ALCAN, na qual verificou, através de
auditoria, que os resíduos de soda caústica obtidos nas
unidades de Utinga (SP) e Contagem (MG) poderiam ser
utilizados no processo de transformação da bauxita em
alumínio, na sua unidade de Ouro Preto (MG).
Outro exemplo, este de resultados não tão
positivos, nos é dado pela professora Ferreira, (1996,76) a
qual relata um fato ocorrido na Índia com a empresa Union
Carbide, cuja tragédia resultou em centenas de mortes devido
a vazamento de gases, e por isso suas ações despencaram nas
Bolsas de Valores.
Episódios como este só vêm comprovar a
importância do auditor ambiental nas demonstrações contábeis
e na própria empresa, que no caso da ALCAN a fez economizar
substanciais quantias utilizadas na aquisição de matéria
prima.
6. ENFOQUES DA CONTABILIDADE AMBIEMTAL
6.1 Usuários da Contabilidade
A contabilidade existe para atender às
necessidades de informação de administradores, além, é claro
do governo.
Tais informações tem no seu encerramento, um
usuário final que nada mais é, que toda a sociedade, quando
essas demonstrações são publicadas.
6.2 As demonstrações de Resultado
Cairns (1998, 06) citando o relatório sobre
questões do meio ambiente segundo estudos do ISAR (Grupo de
Trabalho de Pronunciamentos Internacionais de Contabilidade
e relatórios da área Organização das Nações Unidas ONU),
divulgada pelo IBRACON, fala das informações que uma empresa
deve incluir nas divulgações de resultado. Em suma, esse
relatório diz respeito 1) às políticas contábeis adotadas,
2) montante de custos operacionais e não operacionais, 3)
multas e penalidades ou danos causados na mensuração, 4)
política formal e programas adotados pela empresa, 5)
melhorias feitas pelas empresas nos últimos cinco
exercícios, 6) grau em que as medidas de proteção ambiental
foram resultado de aplicação da legislação governamental e
7) quaisquer processos judiciais importantes que a empresa
sofreu de acordo com as leis ambientais.
No Brasil as demonstrações contábeis
pertinentes ao meio ambiente é tratada em uma recomendação
da Comissão de Valores Mobiliários (Parecer de Orientação
15/87), mas como foi dito, é uma recomendação que na sua
maioria só é usada quando interessa à empresa.
6.3 Valor Adicionado Negativo
Surgindo inicialmente na França, o Valor
Adicionado Negativo é o inverso do Valor Adicionado.
Segundo Tinoco (1994, 26) ele tem como
principal idéia mostrar o montante de gastos que as empresas
deveriam realizar para restabelecer o meio ambiente que
degradam.
6.4 Ecobilan
Ecobilan é o balanço utilizado para analisar
os processos de produção de forma a torná-los menos
poluentes.
6.5 Despesas
Ao definir “despesa”, Ribeiro (1992, 77)
recorre às palavras de Iudicibus, para os quais “Despesa, em
sentido restrito, representa a utilização ou o consumo de
bens e serviços no processo de produzir receitas. Note que a
despesa pode referir-se a gastos efetuados no passado, no
presente ou que serão realizadas no futuro. De forma geral
podemos dizer que o grande fato gerador de despesa é o
esforço continuado para produzir receita”.
Imaginemos uma empresa que, para continuidade
de seu processo produtivo, venha a degradar o meio ambiente.
Os efeitos catastróficos deste ato só irão aparecer no
futuro.
Nesse caso, a receita ocorreu na venda do
produto, porém a despesa só será notada depois de algum
tempo.
Sendo assim, a profª. Ribeiro (78) diz que:
“Sabendo-se que os custos e despesas destinados à
preservação ambiental ocorrem em conexão com o processo
produtivo e/ou em decorrência deste, entendemos que deveriam
ser destacados um grupo específico da Demonstração de
Resultados do Exercício”.
O reconhecimento da despesa se fará na
proporção em que beneficia o exercício em curso, sendo
identificada contra o resultado do exercício em que tenha
seu fato tido como gerador da ocorrência. Entretanto, as
despesas ambientais decorrentes de um processo produtivo
dificilmente poderá ser associada a este exclusivamente;
dessa forma, a melhor maneira para contabilização será a
distribuição através de rateios entre os períodos
identificados como geradores.
6.6 Ativos Ambientais
Os ativos ambientais compreenderiam tudo
aquilo que a empresa possui (bens) que sirvam para
preservação, proteção e recuperação ambiental. O estoque
corresponderia a todos os itens que tenham por finalidade
atender aos tópicos citados, como um produto que sirva para
despoluir áreas atingidas.
6.6.1 Ativo Permanente
No grupo dos Ativos Permanentes
classificam-se aqueles bens duráveis de baixa liquidez,
máquinas e equipamentos que tenham a função de
operacionalizar o processo de preservação e proteção
ambiental. Sendo assim, estes seriam alocados no subgrupo
Imobilizado.
6.7 Diferido Ambiental
De acordo com a lei 6.404/76, Deferidos
Ambientais seriam os gastos com intenção de obter receitas
em específicos períodos futuros; poderiam ser projetos,
pesquisas e outras atividades que venham refletir seus
resultados vindouros quando postos em atividade.
6.8 Desvalorização
A desvalorização provisionar-se-ia quando da
percepção de fato que torne o valor econômico da empresa
diminuído, normalmente ocasionado por mudanças no valor de
mercado, mas, nesse caso, devido à mudança efetuada que
tenha sua causa na ação do meio ambiente.
Ribeiro (93) cita caso da Eletro Paulo,
possuidora, entre outros, das Usinas de Traição e Pedreira
no Rio Pinheiros, São Paulo. Ela nos conta que as
instalações dessas usinas estão corroídas devido ao contato
com as águas do Rio Tietê, que como sabemos, tem em seu
trecho que passa por São Paulo águas extremamente poluídas,
reduzindo em 50% a capacidade de bombear água das usinas e
fazendo com que as taxas de depreciação sejam até 10 vezes
maiores, do que a de outras usinas.
6.9 Goodwill – (Know-How)
O termo Goodwill é definido por Calderelli
(1997, 390) como “um valor material que um patrimônio
qualquer tem em seu favor devido a sua capacidade de auferir
bons resultados”.
Relacionado com aspectos ambientais e Ativos
Intangíveis, o Goodwil de uma empresa poderá ser afetado em
razão de mudanças que possam sofrer ou proporcionar ao meio
ambiente onde se localizam.
Uma empresa de bens de gênero alimentício que
tenha suas imediações tomado por empresas poluidoras,
perderá valor econômico perante outra do mesmo porte e
características que se encontre em local saudável.
Também pode haver casos em que a própria
empresa polua, podendo ser alvo de retaliações de
consumidores adeptos de movimentos ecológicos.
6.10 Contingências
Segundo Ribeiro, (1992, 103) Contingências
“refere-se a possíveis efeitos decorrentes de ações passadas
ou presentes que, contudo, não necessariamente se
realizarão”.
6.10.1 Contingências Passiva
A Contingência passiva pode se realizar das
seguintes maneiras:
Cumprimento de exigências legais;
Indenização a terceiros por prejuízos
causados;
Prevenção em relação a eventos inesperados.
6.10.2 Contingência Ativa
Ao contrário da contingência passiva, esta se
refere a ganhos que a empresa poderá ter em decorrência de
condições e situações de incertezas.
Da mesma forma que a empresa poderá ter de
desembolsar quantias, em virtude de atender indenizações,
esta também poderá acionar terceiros para ressarcir
prejuízos por eles causados. Uma vez existindo a chance de
ganho de causa, existirá a contingência ativa.
6.11 Passivos Ambientais
Passivos Ambientais são gastos que preservam,
recuperam e protegem o meio ambiente, originados em despesas
do período atual ou anteriores e à aquisição de bens que
teriam sua utilização na preservação e/ou recuperação do
meio ambiente.
6.12 Despesas do Exercício Atual
As despesas do Passivo Ambiental serão
reconhecidas e contabilizadas em contra partida a uma conta
de resultado, quando essa despesa tiver origem no período em
andamento.
Ribeiro (114) citando pesquisa da empresa
Price Walter House, afirma que algumas indústrias
extrativistas nucleares e de exploração e produção de carvão
e de óleo, fazem o reconhecimento de suas obrigações de
recuperação ou restauração no momento em que o fato gerador
ocorre.
6.13 Resultado de Exercícios Anteriores
Quando existirem valores a serem
contabilizados e que tiverem o fato gerador em períodos
passados, estes deverão ser computados em conta de resultado
do exercício em andamento.
6.14 Balanço Ambiental
O Balanço Ambiental tem sua origem no Balanço
Social, e conterá informações físicas e monetárias, ou seja,
informações quantitativas e qualitativas.
Tinoco (1994, 26) diz que “os reportes entre
dados físicos e dados monetários devem permitir acumular, ao
menos parcialmente, as insuficiências em matéria de
avaliação. A colocação em paralelo, dos dois sistemas de
dados permite evidenciar os custos específicos que
representam os investimentos antipoluição segundo os
setores”.
6.15 Exemplo de Balanço Ambiental
Publicado
Ribeiro (1992, 66) nos mostra o exemplo de um
Balanço Ambiental publicado por uma multinacional Holandesa,
com filial no Brasil, a BSO/ORIGIN, uma “joint venture” da
Philips e BSO/ Behher BV, a qual quantificou os prejuízos
por ela causados no meio ambiente, embora esta não seja uma
empresa que na suas atividades cotidianas degrade o meio
ambiente.
Foram analisados fatores que causam impacto
ao meio ambiente, como os gases emitidos pelos automóveis
utilizados pelos funcionários, energia elétrica consumida,
gás natural, entre outros.
Esse estudo mostrou que a dívida ambiental da
empresa era de aproximadamente US$ 1.2 milhão e que ela
tinha recolhido menos US$ 100 mil para pagamento de taxas de
tratamentos de esgotos e de resíduos. Além disso,
verificou-se que essa dívida representava 10% do seu lucro
líquido.
6.16 Fusão, Cisão, Incorporação, Venda
e Privatização
Nesses processos o Passivo ambiental deve ser
observado instintivamente, uma vez que pode representar até
15% do potencial do valor de compra, como nos é citado por
Marins e Ribeiro (1995, 05) que por sua vez citam pesquisa
realizada pela Cetepla Tecnometal, empresa de consultoria
especializada no ramo, que fez esse levantamento na época em
que ocorria maior número de privatizações, por incentivo do
governo Collor. Ainda nesse levantamento em 1989, estudos
mostravam que para controlar as fontes de poluição na
capacidade de produção da época, (15.9 milhões de toneladas
por ano), as cinco empresas siderúrgicas do sistema
Siderbras necessitavam investir 5% o Patrimônio Líquido
dessas empresas.
CONCLUSÃO
A contabilidade hoje, e mais do que nunca,
constitui uma importante ferramenta para promover a
conscientização da sociedade, além é claro de resguardar os
interesses de potenciais investidores em empresas que venham
a interferir no meio ambiente, seja como poluidoras ou
extrativistas.
Em seus registros guardam importantes
informações não somente de cunho quantitativo, referentes a
valores, mas qualitativos, expressos em suas notas
explicativas e Balanços Sociais e Ambientais.
Entendemos que hoje a melhor forma de
demonstrar todos esses registros das questões de natureza
ambiental sejam feitas em demonstrações à parte, prelúdio
para a formação de uma demonstração específica dos fatos
dessa natureza.
Já não existem dúvidas de que as empresas que
degradam o meio ambiente serão alvo de discriminação por
parte da sociedade, e mais especificamente de consumidores,
conscientes da barbárie em que se encontram determinados
locais do planeta, devido à exaustão provocada pelo Homem em
prol da acumulação de riqueza, como se tais recursos não
fossem finitos.
Diante dessas constatações, cabe a cada um de
nós, profissionais ou somente consumidores, fazer a nossa
parte para a preservação do meio em que vivemos, tornando
possível a existência saudável de futuras gerações.
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