Vírus
Características
Os vírus são seres diminutos, visíveis apenas ao microscópio
eletrônico, constituídos apenas por duas classes de substâncias
químicas: ácido nucléico (que pode ser DNA ou RNA) e proteína.
São seres acelulares (que não possuem estrutura celular) e
precisam de células que os hospedem. Por isso, todos os vírus
são parasitas intracelulares obrigatórios.
O vírus invade uma célula e assume o comando, fazendo com
que ela trabalhe quase que exclusivamente para produzir novos
vírus. A infecção viral geralmente causa profundas alterações
no metabolismo celular, podendo levar à morte das células
afetadas. Os vírus causam doenças em plantas e animais (incluindo
o homem).
Fora da célula hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma
atividade vital e se houver alguma célula compatível à sua
disposição, um único vírus é capaz de originar, em cerca de
20 minutos, centenas de novos vírus.
Até o momento, poucas drogas se mostraram eficazes em destruir
os vírus sem causar sérios efeitos colaterais. A melhor maneira
de combater as doenças virais é através de vacinas.
Capsídio
Capsídio é o envoltório do vírus, formado por proteínas. Além
de proteger o ácido nucléico, o capsídio tem a capacidade
de combinar-se quimicamente com substâncias presentes na superfície
da célula. Alguns vírus podem apresentar lipídio, proveniente
da membrana da célula onde se originaram.
Material
Genético
Cada espécie viral possui um único tipo de ácido nucléico,
que pode ser DNA ou RNA, onde estão inscritas as informações
necessárias para a produção de novos vírus.
Vírion
A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é chamada
de vírion. Cada espécie de vírus apresenta vírions de formatos
diferentes.
Especificidade
viral
Um tipo de vírus ataca apenas determinados tipos de células,
por que o vírus só consegue infectar a célula que tiver em
sua membrana substâncias às quais ele possa se ligar.
Por exemplo: o vírus da poliomielite infecta apenas células
nervosas, intestinais e da mucosa da garganta. O vírus da
Rubéola já consegue infectar maior número de tecidos humanos.
O vírus da gripe é bastante versátil e pode infectar diversos
tipos de células humanas.
Reprodução
A reprodução envolve dois aspectos: a duplicação do material
genético viral e a síntese das proteínas do capsídio. O vírus
entra na célula hospedeira, inibe o funcionamento do material
genético da célula infectada e passa a comandar as sínteses
de proteína.
Bacteriófado
e Célula

Bacteriófago
Esse vírus (Bacteriófago T4), se reproduz em certas
linhagens de bactéria Escheirchia coli. Ao entrar
em contato com a bactéria, adere à parede celular por meio
de certas proteínas presentes nas fibras de sua cauda. Na
cauda desse vírus, estão presentes também enzimas que são
capazes de digerir e perfurar a parede da célula bacteriana.
O DNA do bacteriófago é injetado no citoplasma celular.
Vírus (Bacteriófago)
injetando o seu DNA na célula

Os genes do vírus
são transcritos em moléculas de RNA e traduzidos em proteínas
virais. Isso ocorre por que a célula não diferencia os genes
do invasor de seus próprios genes. Em poucos minutos, a bactéria
está totalmente controlada pelo bacteriófago. O passo seguinte
será a produção de proteínas que constituirão as cabeças e
caudas dos novos vírus. Depois, as cabeças e caudas se agregam
ao DNA formando vírions completos.
Cerca de 30 minutos após a entrada de um único vírus, a célula
já está repleta de partículas virais. Nesse momento, são produzidas
enzimas que iniciam a destruição ou lise (do grego lysys,
destruição) da parede bacteriana, que arrebenta e libera centenas
de vírions maduros que podem reiniciar o ciclo.
Vírus da
Gripe
Existem centenas de variedades desse vírus, e todos portadores
de RNA. A infecção começa quando o vírion adere à substâncias
presentes na superfície das células (geralmente as que revestem
as vias respiratórias). O vírus penetra por inteiro, diferindo-se
do vírus bacteriófago que só injeta o material genético.
No interior da célula já infectada, o capsídio é digerido
por enzimas, liberando o RNA viral no citoplasma celular.
O RNA é capaz de se duplicar, dando origem à inúmeras cópias
dentro da célula hospedeira. A união de ácidos nucléicos e
capsídios originam novos vírions que se libertam das células
infectadas. Não há a morte da célula hospedeira, embora isso
possa ocorrer.
Retrovírus
Seu material hereditário é o RNA e sua principal característica
é a presença da enzima transcriptase reversa, capaz de produzir
moléculas de DNA a partir do RNA. A membrana desse vírus se
funde com a membrana da célula e o capsídio viral penetra
no citoplasma celular. O RNA, então, produz uma molécula de
DNA que irá penetrar no núcleo da célula, introduzir-se em
um dos cromossomos do hospedeiro e recombinar-se com o DNA
celular.
Esse DNA viral integrado ao cromossomo celular é chamado de
provírus, que irá produzir moléculas de RNA, originando centenas
de vírions completos.
Uma vez com os genes do provírus integrados aos da célula,
esta irá produzir partículas virais durante toda a sua vida.
Não leva a morte da célula hospedeira, mas esta poderá transmitir
o provírus para suas células filhas.
Câncer e
AIDS
Muitos retrovírus possuem genes denominados oncogenes, que
induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada com
a formação de tumores cancerosos. Há certos retrovírus como
o HIV (Human Immunodeficiency Virus) que ataca os linfócitos
T do sangue e é o agente causador da AIDS.