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Cultura Hispânica

Literatura Espanhola   

A literatura medieval espanhola se caracteriza pelo desenvolvimento, simultâneo, de temas profanos e religiosos em diversos gêneros literários. Nela há claras influências das culturas judaica e islâmica que floresceram na Península Ibérica durante este período.

OS SÉCULOS XIII E XIV

No século XIII, os escritores cultos começam a produzir textos onde mesclavam a vida dos santos, lendas moralizantes e outros relatos em verso castelhano. Esta atividade poética, conhecida como Arte dos Clérigos, desenvolveu-se nos mosteiros, caracterizando-se, em oposição à Arte dos Jograis, por uma estrita observância métrica. O poeta mais representativo da Arte dos Clérigos é Gonzalo de Berceo.

Graças à intenção de compilar todo o conhecimento da época recorrendo a fontes islâmicas, judaicas e cristãs ? e como resultado do trabalho de Alfonso X, o Sábio ?, Castela torna-se um dos primeiros estados europeus a desenvolver uma literatura em prosa. Este trabalho alcança maturidade artística na obra de Don Juan Manuel. Por volta de 1305, aparece o primeiro livro de cavalaria em espanhol, O Cavaleiro Cifar.

A poesia de Juan Ruiz (ou Arcipreste de Hita, como também seria conhecido), autor do Livro do Bom Amor, contém exemplos de, praticamente, todas as formas e temas poéticos da Idade Média.

O SÉCULO XV

Durante o século XV, destacam-se os poetas Marquês de Santillana, Juan de Mena e, sobretudo, Jorge Manrique. As histórias dos poemas épicos foram reunidas nos romanceiros, coleções de romances que eram cantados com acompanhamento instrumental. Neste século, também floresce a literatura satírica e histórica. O humanista mais importante da época foi Antonio de Nebrija, autor da Gramática da língua castelhana (1492). Neste período, o romance de cavalaria espanhol conquista seu espaço de forma definitiva, sendo que o mais famoso e imitado foi Amadís de Gaula (1508).

La Celestina ou Tragicomedia de Calisto e Melibea (1499), escrita por Fernando de Rojas, é uma das obras mais significativas da literatura espanhola. A mais importante é, provavelmente, Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

O RENASCIMENTO E O SÉCULO DE OURO

O Renascimento espanhol se expressa nas obras do filósofo Luis Vives, do teólogo Juan de Valdés e do historiador frei Antonio de Guevara. Outros historiadores importantes são Diego Hurtado de Mendoza e Juan de Mariana.

Os temas e ambientes da poesia pastoril ? junto com formas métricas italianas como o soneto, a oitava, a canção, o terceto e o verso livre ? foram utilizados, pela primeira vez, por Juan Boscán e Garcilaso de la Vega.

Um novo estilo poético, marcado pela expressão espiritual (mística), aparece com frei Luis de León e São João da Cruz. Outro poeta importante é Fernando de Herrera, que cultivou o estilo barroco, característico do período seguinte personificado por Luis de Góngora e Francisco de Quevedo.

Durante os dois últimos terços do século XVI, diversos autores místicos e ascéticos escrevem obras em prosa, destacando-se frei Luis de Granada e, principalmente, Santa Teresa de Jesus. O filósofo escolástico Francisco Suárez destaca-se como o teólogo mais importante do século.

Por volta de 1550, surgem vários gêneros literários até então desconhecidos: o romance pastoril, do português Jorge de Montemayor; o romance mourisco, representado pelo relato anônimo El abencerraje (1598) e o romance picaresco, subgênero que apresenta uma rica produção, na qual destacam-se três obras: o anônimo El lazarillo de Tormes (1554), El Guzmán de Alfarache, de Mateo Alemán, e a História de la vida de Buscón, de Francisco de Quevedo. Em contraste a esta visão deformada da natureza humana, a obra de Miguel de Cervantes apresenta uma imagem completa da humanidade, refletindo tanto sua grandeza como sua debilidade.

A influência de Don Quixote de la Mancha estende-se ao longo dos séculos. Outras obras de Cervantes também ganharam importância: os 12 relatos que compõem as Novelas Exemplares (1613) têm uma grande força narrativa e sua imaginativa novela Los Trabajos de Persiles e Segismunda (1619) é uma das obras-primas da prosa barroca espanhola.

As obras não narrativas representam alguns dos principais êxitos do século XVII: Empresas políticas (1640), de Diego de Saavedra Fajardo, a sátira Los sueños (1627), de Quevedo, e o romance alegórico El Criticón (1651-1657), de Baltasar Gracián, empregam o estilo denominado conceptismo (estilo literário que utiliza o jogo de conceitos, em detrimento do jogo de palavras, e se caracteriza pela concisão).

Uma das figuras mais importantes é Francisco de Quevedo, cujos brilhantes escritos analisam males políticos, econômicos e sociais. Depois do declínio geral sofrido pelo país durante o século XVII, o único escritor de autêntico mérito, durante a primeira metade do século XVIII, foi Benito Jerónimo Feijoo.

OS SÉCULOS XVIII E XIX

Durante o reinado do iluminista Carlos III, a influência francesa conduz à adoção de formas artísticas neoclássicas, introduzidas por Nicolás Fernández de Moratín e, mais tarde, por seu filho Leandro Fernández de Moratín acompanhado por Gaspar Melchor de Jovellanos e Juan Meléndez Valdés. José de Cadalso destaca-se tanto por sua poesia e obra dramática como por seus ensaios. Don Ramón de la Cruz continua a tradição com seus sainetes, peças em um ato de caráter popular.

Os melhores poetas do primeiro terço do século XIX, como Manuel José Quintana, expressam atitudes românticas em obras de forma clássica. O romantismo foi introduzido e cultivado por Ángel de Saavedra, duque de Rivas, pelo poeta e dramaturgo José Zorrilla, por José de Espronceda e Gustavo Adolfo Bécquer que, possivelmente, compôs os poemas mais delicados da língua espanhola. A prosa romântica de maior qualidade encontra-se nos escritos dos costumbristas ( narrador de costumes) e nos artigos de Mariano José de Larra.

A segunda metade do século XIX foi a época do realismo, que alcança seu máximo esplendor com a obra de Benito Pérez Galdós. Outros romancistas descrevem a vida em diversas regiões espanholas: José María de Pereda, Pedro Antonio de Alarcón, Juan Valera e Emilia Pardo Bazán.

Durante a última década do século XIX, a Espanha entra numa fase de inusitada atividade criadora com a Geração de 98, que inclui figuras tão díspares como Miguel de Unamuno, Ramón del Valle-Inclán e Pío Baroja.

O SÉCULO XX

O vigor literário que brota em 1898, arrefeceu no período que envolve a Guerra Civil Espanhola. No entanto, recuperou seu vigor depois da II Guerra Mundial.

Destacados escritores do início do século são Juan Ramón Jiménez, José Ortega y Gasset, Ramón Pérez de Ayala, Ramón Gómez de la Serna (autor de As Greguerías) e o maior expoente do expressionismo na Espanha, Gabriel Miró.

Nas décadas de 1920 e 1930 floresce a Geração de 27, com Federico García Lorca como máximo expoente. Outros poetas destacados desta geração foram Jorge Guillén, Rafael Alberti e Vicente Aleixandre, que obteve o Prêmio Nobel de Literatura em 1977. Ao grupo que, em algumas ocasiões, faz-se referência como Geração de 36 pertencem Germán Bleiberg, Carmen Conde, Luis Felipe Vivanco, Leopoldo Panero, Luis Rosales, Dionisio Ridruejo e Miguel Hernández.

Nove poetas dominam a geração seguinte: Rafael Morales, Vicente Gaos, Carlos Bousoño, Blas de Otero, Gabriel Celaya, Victoriano Crémer, José Hierro, Eugenio de Nora e José María Valverde. Na poesia atual destacam-se José Manuel Caballero Bonald, Ángel Crespo, Jaime Gil de Biedma, Claudio Rodríguez e Félix Grande. Nos últimos anos surgiram Félix de Azúa, Pere Gimferrer, Antonio Martínez Sarrión e Leopoldo María Panero, entre outros.

O romance é o gênero mais próspero na literatura contemporânea, com autores como Max Aub, Francisco Ayala (que se destaca como crítico e sociólogo, além de romancista), Carmen Laforet e Camilo José Cela, Prêmio Nobel de Literatura em 1989.

Uma variante mais tradicional do Realismo aparece representada nas obras de Ignacio Agustí, José María Gironella, Miguel Delibes, Ana María Matute, Rafael Sánchez Ferlosio, Juan Goytisolo e Ramón J. Sender. Entre os autores mais importantes da narrativa atual é preciso citar Alfonso Grosso, Juan Marsé, Juan García Hortelano, Mercedes Salisachs, Eduardo Mendoza, Aquilino Duque, Lourdes Ortiz, Luis Mateo Díez, Julián Ríos, Mariano Antolín Rato, Adelaida García Morales, Arturo Pérez-Reverte, Almudena Grandes, Quim Monzó e Rafael Chirbes.

No ensaio destacam-se Julián Marías, Américo Castro, Dámaso Alonso e Joaquín Casalduero. Entre eminentes ensaístas contemporâneos encontram-se José Gaos, Pedro Laín Entralgo, José Ferrater Mora, María Zambrano, José Luis L. Aranguren, Francisco Ayala, Guillermo Díaz Plaja, Ricardo Gullón e Guillermo de Torre.

Dança Espanhola

A Dança galega, originária dos povos habitantes da região da Galícia, no noroeste da Espanha, apresenta-se de uma forma alegre através dos seus ritmos como Fandangos, muñeiras, rotas, ribeiranas entre outras.

O flamenco, ritmo originário dos povos flamencos, habitantes da região sul da Espanha - região Andaluza, tem no seu conteúdo toda a alegria e sensualidade atribuida à este povo.

Fonte: http://www.caballeros.com.br/cultura.cfm – Site da Sociedade Culural Caballeros de Santiago

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