Alumínio
Numa exposição
internacional realizada em Paris, em 1855, foram exibidos
quatro grandes blocos de alumínio, que não tinham outra
função além da decorativa. Apesar de ser um dos metais mais
abundantes da crosta terrestre, o alumínio só tinha sido
descoberto 28 anos antes e várias décadas ainda passariam
antes de serem desenvolvidos processos que permitissem sua
obtenção industrial em um estado razoavelmente puro.
O alumínio é um metal leve,
branco e brilhante, que apresenta uma estrutura cristalina
cúbica de face centrada, característica de todos os
elementos metálicos.
Propriedades físicas e
químicas. Na ordem decrescente, de acordo com o peso, dos
elementos que constituem a crosta terrestre, o alumínio
ocupa o terceiro lugar, representando cerca de oito por
cento em peso do total. Esse metal faz parte da composição
de grande número de rochas e pedras preciosas; entre as
primeiras cabe mencionar, graças a seu interesse
mineralógico ou metalúrgico, os feldspatos, as micas, a
turmalina, a bauxita e a criolita. Entre as pedras
preciosas, aquelas que apresentam um maior teor de alumínio
são o coríndon, as safiras e os rubis.
O alumínio possui altos
índices de condutividade térmica e elétrica, e não se altera
em contato com o ar ou em presença de água, graças a uma
fina capa de óxido que o protege de ataques do meio
ambiente. Apresenta, entretanto, elevada reatividade quando
em contato com outros elementos: em presença de oxigênio,
sofre reação de combustão, liberando grande quantidade de
calor e, ao combinar-se com halogênios (cloro, flúor, bromo
e iodo) e enxofre, produz imediatamente os respectivos
haletos e sulfetos de alumínio.
Descoberta e aplicações.
Desde épocas remotas, já se sabia existir no alúmen
(sulfatos duplos de metais) e em outros minerais um metal de
características específicas. Entretanto, somente em 1825, o
dinamarquês Hans Christian Örsted isolou o alumínio, através
da redução do cloreto de alumínio em uma amálgama de
potássio. Posteriormente, outros químicos realizaram
diversas experiências que permitiram um estudo mais preciso
das propriedades desse metal. Destacam-se nesse sentido os
trabalhos do alemão Friedrich Wöhler, que conseguiu obter
pós e glóbulos de alumínio puro.
A moderna produção de
alumínio teve início em 1886, com o processo desenvolvido,
quase simultaneamente, pelo americano Charles Martin Hall e
pelo francês Paul-Louis-Toussaint Héroult. Esse
procedimento, favorecido pela difusão do uso da energia
elétrica, consistia em submeter massas de alumina (óxido de
alumínio) purificada, dissolvidas em criolita fundida, ao
processo de eletrólise (decomposição de substâncias em
solução pela passagem de corrente elétrica).
É nos países com elevado
grau de industrialização que se concentra a maior parte das
variadas aplicações do alumínio. A maior parte da produção
mundial destina-se às indústrias aeronáutica e
automobilística.
Outra importante área de
aplicação do alumínio é a fabricação de arame, tanto usando
o metal puro ou ligas. Com o alumínio são fabricados os
cabos de transmissão de eletricidade, através de processos
de trefilação. Por medida de segurança, esses fios são
freqüentemente recobertos por uma capa isolante flexível,
geralmente de borracha.
As ligas de alumínio
apresentam propriedades importantes, principalmente no que
diz respeito a sua facilidade de manipulação e deformação
plástica. Como conseqüência, são amplamente empregadas na
fabricação de parafusos, peneiras, pinos, dobradiças etc.
Essas características delimitam outro dos grandes campos de
aplicação do alumínio e suas ligas, o dos materiais de
construção. Assim, é comum a utilização desse metal no
revestimento de fachadas e na fabricação de janelas, portas,
andaimes, móveis e utensílios de cozinha. O alumínio é,
também, bastante empregado na produção de recipientes e
embalagens dos mais diversos tipos.
Industrialização do
alumínio. A adaptação das peças de alumínio à forma e à
textura adequadas para cada uma de suas muitas aplicações
obriga à utilização de uma série de operações industriais.
O principal processo de
tratamento do alumínio é a laminação, cujo fundamento é a
redução ou modificação da espessura de uma peça metálica
através de sua compressão em equipamentos especiais
denominados laminadores. Outro processo habitual utilizado
para a conformação do alumínio é a extrusão, através da qual
o metal, em estado semi-sólido, passa através de um molde
vasado, de forma e dimensões semelhantes à da peça que se
deseja obter.
Ligas de alumínio. As ligas
de alumínio são bastante utilizadas em diversas aplicações
industriais, graças a sua elevada resistência e solidez. O
cobre, o magnésio e o silício são alguns dos elementos que
mais se prestam a formar liga com o alumínio. Esse tipo de
combinação, de que existem inúmeras variedades, é a chamada
liga leve. Entre as de maior interesse industrial, cabe
mencionar o duralumínio (de Düren), formado por 93,2 a 95,5%
de alumínio, 3,5 a 5,5% de cobre, 0,5% de manganês, 0,5 a
0,8% de magnésio e, em alguns tipos, silício; as ligas de
alumínio e magnésio, empregadas na construção naval, graças
a sua elevada resistência à corrosão e soldabilidade; e as
ligas de alumínio e silício, que desempenham papel
importante na indústria automobilística, devido a sua
elevada resistência mecânica e peso reduzido, assim como na
fabricação de componentes elétricos.
Para se obter essas ligas é
necessário utilizar um alumínio de alta pureza, requisito
que tem levado ao desenvolvimento de diversos processos de
obtenção desse metal, todos baseados na redução da alumina
extraída da bauxita, o mais abundante minério de alumínio.
Economia e produção. Para
se descrever a distribuição geográfica dos produtos
relacionados à indústria do alumínio é necessário distinguir
claramente entre a produção de bauxita e a do próprio metal,
em primeira ou segunda fusão, de acordo com o grau de
pureza.
A produção de alumínio
purificado está estreitamente vinculada ao nível econômico
das regiões beneficiadoras de bauxita. Muito importantes
como fatores infra-estruturais são os recursos hidráulicos e
energéticos da região e a capacidade de recuperação dos
resíduos produzidos no processo de obtenção desse metal. Em
fins do século XX, os principais produtores do alumínio
refinado eram os Estados Unidos, seguidos, por Canadá,
Austrália, Brasil e Alemanha.
No Brasil, começaram em
1938 as pesquisas para produção de alumina, e em 1945 entrou
em operação uma fábrica da Eletro-Química Brasileira.
Paralisada dois anos depois, a fábrica reiniciou suas
atividades em 1951, adquirida pelo grupo canadense da Alcan,
passando a chamar-se Alumínio Minas Gerais. Em 1955 surgiu
uma segunda empresa, a CBA, do grupo Ermírio de Morais. Nos
15 anos seguintes, as duas empresas supriram menos de
cinqüenta por cento da demanda interna. Em 1970 surgiu a
Companhia Mineira de Alumínio, controlada pelo grupo
americano Alcoa.
Além das jazidas de bauxita
já localizadas, principalmente em Poços de Caldas MG,
descobriram-se no Pará riquíssimas reservas: cerca de 400
milhões de toneladas no projeto Jari; cerca de 600 milhões
junto ao rio Trombetas (Mineração Rio do Norte, controlada
pela Companhia Vale do Rio Doce, com participação de
empresas privadas nacionais e estrangeiras); e ainda uma
importante jazida na serra de Carajás.