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Matérias :: Diversos
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Autoria:
Jorge Luis Pigosso |
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História do Carnaval
Claudia M. de Assis Rocha
Lima
Pesquisadora
ORIGEM DO CARNAVAL
-
Dez mil anos antes de
Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão
com os rostos mascarados e os corpos pintados para
espantar os demônios da má colheita. As origens do
carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações
da humanidade, tais como as Festas Egípcias que
homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis. Os gregos
festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e
Saturnais a celebração da volta da primavera, que
simbolizava o Renascer da Natureza. Mas num ponto todos
concordavam, as grandes festas como o carnaval estão
associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais.
O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos
públicos, bailes de máscaras e manifestações
folclóricas. Na Europa, os mais famosos carnavais foram
ou são: os de Paris, Veneza, Munique e Roma, seguidos de
Nápoles, Florença e Nice.
CARNAVAL NO BRASIL
O carnaval foi chamado de
Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira,
Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas
correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de
1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas.
No Brasil o carnaval é festejado tradicionalmente no sábado,
domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias
que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Na
Bahia é comemorado também na quinta-feira da terceira semana
da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu
origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com
características baiana, com a presença indispensável dos
Trios Elétricos e são realizadas no decorrer do ano; em
Fortaleza realiza-se o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João
Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em
Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; em Recife, o
Recifolia, etc.
CARNAVAL NO RECIFE
Século XVII - De acordo com
as antigas tradições, mais ou menos em fins do século XVII,
existiam as Companhias de Carregadores de Açúcar e as
Companhias de Carregadores de Mercadorias. Essas companhias
geralmente se reuniam para estabelecer acordo no modo de
realizar alguns festejos, principalmente para a Festa de
Reis, Esta massa de trabalhadores era constituída, em sua
maioria, de pessoas da raça negra, livres ou escravos, que
suspendiam suas tarefas a partir do dia anterior à festa de
Reis. Reuniam-se cedo, formando cortejos que consistia de
caixões de madeira carregados pelo grupo festejante e,
sentado sobre ele uma pessoa conduzindo uma bandeira.
Caminhavam improvisando cantigas em ritmo de marcha, e os
foguetes eram ouvidos em grande parte da cidade.
Século XVIII - Os Maracatus de Baque Virado ou Maracatus de
Nação Africana, surgiram particularmente a partir do século
XVIII. Melo Morais Filho, escritor do século passado, no seu
livro "Festas e Tradições Populares", descreve uma Coroação
de um Rei Negro, em 1742. Pereira da Costa, à página 215 do
seu livro, "Folk Lore Pernambucano", transcreve um documento
relativo à coroação do primeiro Rei do Congo, realizada na
Igreja de Nossa Senhora do Rosário, da Paróquia da Boa
Vista, na cidade do Recife. Os primeiros registros destas
cerimônias de coroação, datam da segunda metade deste século
nos adros das igrejas do Recife, Olinda, Igarassu e
Itamaracá, no estado e Pernambuco, promovidas pelas
irmandades de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS e
de SÃO BENEDITO.
Século XIX - Depois da abolição da escravatura, em 1888, os
patrões e autoridades da época permitiram que surgissem as
primeiras agremiações carnavalescas, formadas por operários
urbanos nos antigos bairros comerciais. Supõe-se que as
festas dos Reis Magos serviu de inspiração para a animação
do carnaval recifense. De acordo com informações de pessoas
antigas que participaram desses carnavais, possivelmente o
primeiro clube que apareceu foi o dos Caiadores. Sua sede
ficava na Rua do Bom Jesus e foi fundador, entre outros, um
português de nome Antônio Valente. Na terça-feira de
carnaval à tarde o clube comparecia à Matriz de São José,
tocando uma linda marcha carnavalesca e os sócios levando
nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com
pincéis, subiam os degraus da igreja e caiavam (pintavam),
simbolicamente. Outros Clubes existiam no bairro do Recife:
Xaxadores, Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente e
Toureiros de Santo Antônio.
Século XX - O carnaval do Recife era composto de diversas
sociedades carnavalescas e recreativas, entre todas
destacava-se o Clube Internacional, chamado clube dos ricos,
tinha sua sede na Rua da Aurora, no Palácio das Águias. A
Tuna Portuguesa, hoje Clube Português, tinha sua sede na Rua
do Imperador. A Charanga do Recife, sociedade musical e
recreativa, com sede na Avenida Marquês de Olinda e a
Recreativa Juventude, agremiação que reunia em seus salões a
mocidade do bairro de São José. O carnaval do início deste
século era realizado nas ruas da Concórdia, Imperatriz e
Nova, onde desfilavam papangus e máscaras de fronhas
(fronhas rendadas enfiadas na cabeça e saias da cintura para
baixo e outra por sobre os ombros), esses mascarados sempre
se apresentavam em grupos. Nesses tempos, o Recife não
conhecia eletricidade, a iluminação pública eram lampiões
queimando gás carbônico. Os transportes nos dias de carnaval
vinham superlotados dos subúrbios para a cidade. As linhas
eram feitas pelos trens da Great Western e Trilhos Urbanos
do Recife, chamados maxambombas, que traziam os foliões da
Várzea, Dois Irmãos, Arraial, Beberibe e Olinda. A companhia
de Ferro Carril, com bondes puxados a burros, traziam
foliões de Afogados, Madalena e Encruzilhada. Os clubes que
se apresentaram entre 1904 e 1912 foram os seguintes:
Cavalheiros de Satanás, Caras Duras, Filhos da Candinha e
U.P.M.; este último criado como pilhéria aos homens que não
tinham mais virilidade.
O Corso - Percorria o seguinte intinerário: Praça da
Faculdade de Direito, saindo pela Rua do Hospício, seguindo
pela Rua da Imperatriz, Rua Nova, Rua do Imperador, Princesa
Isabel e parando, finalmente na Praça da Faculdade. O corso
era composto de carros puxados a cavalo como: cabriolé,
aranha, charrete e outros. A brincadeira no corso era
confete e serpentina, água com limão e bisnagas com água
perfumada. Também havia caminhões e carroças puxadas a
cavalo e bem ornamentadas, rapazes e moças tocavam e
cantavam marchas da época dando alegre musicalidade ao
evento. Fanfarras contratadas pelas famílias, desfilavam em
lindos carros alegóricos.
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