Esfinge
Houve na mitologia antiga
muitas e diferentes representações da esfinge. O mito de
Édipo, no entanto, sobretudo depois de imortalizado pela
tragédia Édipo rei, de Sófocles, privilegiou de tal forma
uma delas que as demais caíram no esquecimento.
Criatura monstruosa com
corpo de leão, cabeça humana e asas, na representação mais
comum, a esfinge, monstro devorador, foi um importante tema
mitológico nas antigas civilizações egípcia e mesopotâmica.
Na Grécia, literatura e arte se inspiraram freqüentemente no
mito de Édipo e da esfinge. Esta, segundo a lenda,
aterrorizava os habitantes da cidade de Tebas e matava os
que não conseguiam resolver o enigma por ela proposto: "Que
animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e
três à tarde e, contrariando a lei geral, é mais fraco
quando tem mais pernas?" Édipo conseguiu decifrar o enigma,
dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com
duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na
velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se
num abismo.
Uma das mais antigas
representações da figura mitológica é a colossal esfinge de
Gizé, no Egito, que data do reinado de Quéfren, faraó da IV
dinastia. A esfinge egípcia tem corpo de leão, com as patas
dianteiras estendidas, e cabeça humana, coberta com uma
manta funerária (nemes). Supõe-se que representa o deus
Hórus, guardião de templos e túmulos. Os egípcios esculpiram
muitas estátuas da esfinge, cujo rosto lembrava sempre o
faraó da época. Algumas esfinges, no entanto, ostentavam
cabeças de carneiros e falcões. As imagens ficavam diante
dos templos, em ambos os lados da avenida de acesso (dromos),
com função protetora, como no grande templo de Karnak.
Esfinges foram construídas
na Síria, por influência do mundo egípcio, no segundo
milênio antes da era cristã. Lá, passou a ter asas,
simbolizando a vida espiritual, e adquiriu natureza
feminina. Por volta de 1600 a.C., a esfinge feminina alada
foi adotada pela civilização grega. Encontram-se os
primeiros exemplos de sua utilização em objetos cretenses do
final do período minóico e nas sepulturas de Micenas do fim
do período heládico.
A partir de 1200 a.C., as
esfinges desapareceram da cultura grega por cerca de 400
anos, mas se mantiveram na Ásia, com aspecto semelhante ao
que tinham na idade do bronze. No final do século VIII a.C.
a esfinge reapareceu na arte arcaica grega, na qual
persistiu até o final do século VI a.C. A nova esfinge grega
era quase sempre feminina, com grandes tranças. Seu corpo se
estilizou e as asas adotaram a forma curvada, como se pode
ver na famosa esfinge de Delos. As esfinges se converteram
em motivo freqüente para decoração de vasos e peças de
marfim e, no final do período arcaico, apareceram como
ornamento de templos, sempre com função protetora.
No século V a.C., o mito de
Édipo e a esfinge, representada no alto de uma coluna, foi
tema comum na decoração. Outras obras do período clássico
mostram Édipo em combate com a esfinge, expressando assim
fisicamente a disputa intelectual entre as duas figuras
míticas. Nada relatam as lendas, porém, sobre esse episódio,
o que leva a crer que a arte grega tenha tomado o tema da
luta do homem contra um ser monstruoso de alguma civilização
oriental. A esfinge apareceu mais tarde na arte etrusca como
motivo ornamental e voltou a surgir na arte do Renascimento.
Desde então, fez parte dos temas iconográficos de estilos
posteriores, sempre com remanescentes orientais e função
protetora.