JORNALISMO
As chamadas
grandes reportagens mesclam características da narrativa
literária, da história e do texto jornalístico. Elas fazem
parte do jornalismo literário. Livros como Rota 66, de Caco
Barcellos, filmes como Todos os homens do presidente e
especiais televisivos como Globo Repórter, inserem o público
em um mundo muitas vezes desconhecido, temido ou distante;
contam a história de maneira romanceada, quase lúdica em
alguns casos, prendendo a atenção e distanciando-se dos
padrões de jornalismo aos quais estamos acostumados.
Em 1960 os
Estados Unidos observaram o surgimento de uma nova maneira
de fazer jornalismo. Cansados das matérias desinteressantes
e factuais, os jornalistas decidem sair de suas redações e
inovar, apurar a fundo um fato, fazer muitas entrevistas,
pesquisar em arquivos, percorrer grandes distâncias,
levantar dados, “imergir” na história e narrá-la com o uso
de recursos e ferramentas da ficção. A grande reportagem
pode explicitar em seu conteúdo as impressões de quem a fez
e da mesma forma que fazemos ao relatar para amigos como foi
à última viagem que fizemos; ou seja, quais foram nossas
impressões sobre as pessoas e o lugar visitado, o que lá
aconteceu, etc.
Também no
Brasil tivemos repórteres dispostos a quebrar antigas regras
e “mergulhar” em tempo integral em suas matérias. A produção
dessa “dualidade” do jornalismo e todos os seus
desdobramentos culturais é importante tanto para o dia-a-dia
quanto para o futuro, uma vez que denunciam ou tornam
públicos acontecimentos contemporâneos, como é o caso das
reportagens sobre as drogas feitas por Tim Lopes, que foi
assassinado de maneira brutal por traficantes em 2002, ou
como uma descrição detalhada de acontecimentos relevantes da
nossa história.
Nos dias de
hoje, principalmente no Brasil, esse ramo do jornalismo vem
se minguando e, quando respira, restringe-se à mídia
televisiva. Essas matérias ocupam muito espaço, um espaço
redacional cada vez mais rarefeito em todos os grandes
jornais, e há cada vez menos repórteres dispostos a encarar
o desafio de entrar de cabeça num só assunto, esquecer tudo
o mais para, no fim, ter o prazer de contar uma boa
história.