Lixo
Muito se tem discutido
sobre as melhores formas de tratar e eliminar o lixo --
industrial, comercial, doméstico, hospitalar, nuclear etc.
-- gerado pelo estilo de vida da sociedade contemporânea.
Todos concordam, no entanto, que o lixo é o espelho fiel da
sociedade, sempre tão mais geradora de lixo quanto mais rica
e consumista. Qualquer tentativa de reduzir a quantidade de
lixo ou alterar sua composição pressupõe mudanças no
comportamento social.
A concentração demográfica
nas grandes cidades e o grande aumento do consumo de bens
geram uma enorme quantidade de resíduos de todo tipo,
procedentes tanto das residências como das atividades
públicas e dos processos industriais. Todos esses materiais
recebem a denominação de lixo, e sua eliminação e possível
reaproveitamento são um desafio ainda a ser vencido pelas
sociedades modernas.
De acordo com sua origem,
há quatro tipos de lixo: residencial, comercial, público e
de fontes especiais. Entre os últimos se incluem, por
exemplo, o lixo industrial, o hospitalar e o radioativo, que
exigem cuidados especiais em seu acondicionamento,
manipulação e disposição final. Juntos, os tipos doméstico e
comercial constituem o chamado lixo domiciliar que, com o
lixo público -- resíduos da limpeza de ruas e praças,
entulho de obras etc. -- representam a maior parte dos
resíduos sólidos produzidos nas cidades.
Destinação do lixo urbano.
A adequada condução do serviço de limpeza urbana é
importante não só do ponto de vista sanitário, mas também
econômico-financeiro, social, estético e de bem-estar.
Apesar disso, um estudo conveniado da Organização
Pan-Americana de Saúde, de 1990, que estimou em mais de
oitenta mil toneladas a quantidade de resíduos sólidos
gerados diariamente nas cidades brasileiras, constatou que
apenas a metade era coletada. A outra metade acabava nas
ruas, terrenos baldios, encostas de morros e cursos d'água.
Da parte coletada, 34% iam para os lixões (depósitos a céu
aberto) e 63% eram despejados pelos próprios serviços de
coleta em beiras de rios, áreas alagadas ou manguezais,
prática cada vez mais questionada por suas implicações
ecológicas. Somente três por cento da parte coletada
recebiam destinação adequada ou pelo menos controlada.
O lixo coletado pode ser
processado, isto é, passar por algum tipo de beneficiamento
a fim de reduzir custos de transporte e inconvenientes
sanitários e ambientais. As opções de tratamento do lixo
urbano, que podem ocorrer de forma associada, são:
compactação, que reduz o volume inicial dos resíduos em até
um terço, trituração e incineração. Boa opção do ponto de
vista sanitário, a incineração, porém, é condenada por
acarretar poluição atmosférica.
A disposição final do lixo
pode ser feita em aterros sanitários e controlados ou visar
à compostagem (aproveitamento do material orgânico para a
fabricação de adubo) e a reciclagem. Esses dois últimos
processos associados constituem a mais importante forma de
recuperação energética. A reciclagem exige uma seleção
prévia do material, a fim de aproveitar os resíduos dos
quais ainda se pode obter algum benefício, como é o caso do
vidro, do papel e de alguns metais.
A solução defendida por
muitos especialistas, porém, envolve a redução do volume de
lixo produzido. Isso exigiria tanto uma mudança nos padrões
de produção e consumo, quanto a implantação de programas de
coleta seletiva de lixo. Nesse caso, os diversos materiais
recicláveis devem ser separados antes da coleta, com a
colaboração da comunidade.