Mercadologia
As técnicas mercadológicas
adquiriram tal abrangência no mundo contemporâneo que são
utilizadas, em qualquer sistema econômico ou social, tanto
por empresas comerciais como por instituições sem fins
lucrativos; e em campanhas tão díspares como as de vacinação
de crianças, realizadas por governos com o objetivo de
promover o bem público, e as eleitorais, para "vender" ao
eleitor um candidato a cargo eletivo.
Mercadologia,
comercialização ou marketing é o conjunto de atividades que
visam orientar o fluxo de bens e serviços do local onde são
gerados para os consumidores ou usuários. Em sentido mais
estrito, é o conjunto de técnicas coordenadas que permitem a
uma empresa conhecer o mercado presente e potencial para
determinado produto com a finalidade de maximizar o volume
de vendas. Nas empresas que trabalham para clientes certos e
nos monopólios, a mercadologia tem importância secundária,
mas quando a empresa produz para o mercado, precisa prever o
que, quando, onde, com que imagem, em que quantidade e a que
preço será possível colocar o produto.
A mercadologia utiliza
técnicas fundamentadas em estatística, demografia,
geopolítica, interpretação da legislação aplicável à área
objeto de análise, utilização dos meios de comunicação e
econometria. As técnicas mercadológicas são objeto de estudo
sistematizado em escolas de comunicação social e
reconhecidas como atividade econômica de grande importância
no conjunto da economia nacional, tanto pela geração direta
de empregos como pela promoção das vendas, que aquecem o
consumo e a economia e promovem o desenvolvimento.
Funções da mercadologia.
Destacam-se cinco funções principais dos profissionais de
mercadologia:
(1) Gerência de produto,
que acompanha o bem ou serviço desde a concepção aos
estágios de pesquisa, design, desenvolvimento e fabricação
até o lançamento no mercado.
(2) Definição do preço,
determinado de acordo com os custos, poder aquisitivo do
mercado e preços dos produtos concorrentes.
(3) Distribuição, feita por
um ou vários canais, em venda direta ao consumidor ou por
intermediários. A distribuição do produto depende de sua
natureza e da forma como é feita a venda. Os canais
tradicionais de distribuição são o atacado, o varejo e as
vendas industriais. A partir da década de 1950, tornaram-se
populares as vendas pelo reembolso postal e a mala direta;
mais tarde surgiram o telemarketing, as vendas por
computador e a formação de grandes cadeias de vendedores
autônomos, que adquirem os produtos e as peças
publicitárias, cuidam da divulgação e do fechamento de
vendas e estabelecem suas próprias margens de lucro, dentro
de limites estabelecidos pelo fabricante.
(4) Publicidade, que
seleciona as características do bem capazes de atrair o
público-alvo e criar na mente do consumidor diferenciações
positivas do produto em relação aos concorrentes. Uma das
principais técnicas da mercadologia, a publicidade tem o
objetivo de criar, desenvolver ou mudar hábitos e
necessidades do consumidor.
(5) Vendas, em que se dá o
contato direto entre comprador e vendedor. Os fabricantes de
bens de consumo em larga escala, embora não vendam
diretamente ao consumidor final, costumam empregar um grande
número de vendedores para lidar com os intermediários de
todo tipo, sejam eles atacadistas ou varejistas. Na venda de
bens de capital complexos ou muito caros o papel do vendedor
é crucial.
Com o aumento do número de
concorrentes em quase todos os ramos de negócios, o campo de
atuação da mercadologia passou a incluir funções como
serviços de atendimento ao cliente e comunicações com o
consumidor. Em algumas empresas, a diretoria de marketing
detém poder decisório sobre áreas as mais diversificadas,
como programação visual e embalagem, preço, distribuição,
relações públicas e pesquisa e desenvolvimento de produtos
novos.
Objetos de estudo da
mercadologia. Para formular sua política de vendas, a
empresa precisa analisar previamente algumas questões
fundamentais:
(1) Conhecimento dos
mercados atuais e seu possível desenvolvimento. Para chegar
a esse conhecimento, a empresa promove a segmentação do
mercado servindo-se de estatísticas oficiais disponíveis,
informações obtidas por suas redes comerciais e pesquisas
realizadas expressamente para essa finalidade. Os tipos mais
comuns de segmentação são por nível econômico regional e por
grupos sociais e demográficos.
(2) Capacidade aquisitiva e
preferências dos possíveis clientes. Mediante pesquisas,
entrevistas pessoais, observação direta e experimentação,
determina-se a disposição da clientela em relação aos
produtos (em fabricação ou em projeto) da empresa. Levam-se
em conta nessa investigação as faixas de renda, o poder
aquisitivo do mercado potencial, os gostos e preferências
dos possíveis compradores, com atenção especial a
características como educação, sexo, idade etc. e a
possibilidade de influir na mudança de hábitos ou na criação
de novos hábitos com vistas ao consumo de determinado
produto. Numa área mais especializada atua a pesquisa
motivacional, que relaciona os motivos que levam o
consumidor a preferir subconscientemente um produto dado.
Essas informações condicionam e completam a análise do
produto e dão a conhecer as características que deverá ter
para satisfazer o consumidor.
(3) Determinação das
condições que o produto deve reunir. Em mercadologia,
produto é tudo aquilo que pode satisfazer uma necessidade e,
portanto, ser vendido. Na investigação estudam-se todas as
características do produto: a impressão geral que ele causa;
a imagem, fundada em seu conhecimento e prestígio; o
conjunto de funções (técnicas ou de prestígio para o
usuário) que ele cumpre; a possibilidade de modificação de
sua funcionalidade para melhor adaptar-se ao mercado; a
relação entre a funcionalidade e preço final.
A pesquisa de mercado
fornece também às empresas informações sobre as
possibilidades dos produtos ou serviços em relação aos
concorrentes; compara o produto da empresa com outros
similares da concorrência e atribui peso relativo às
características que são objeto de estudo e que se referem,
normalmente, a marca, apresentação, qualidades funcionais e
técnicas, métodos de venda, reclamações do cliente em
relação à idoneidade do produto, atendimento ao cliente e
preço e condições de pagamento. Se, em conseqüência dessa
comparação, o produto de uma empresa alcançar uma
valorização maior em relação a outro similar de outra
empresa, a primeira estará em melhores condições para a
promoção do seu produto, enquanto a segunda deverá corrigir
aquelas características nas quais seu produto se mostrou
inferior.
(4) Estudo da concorrência.
Para uma gestão comercial adequada, não é suficiente a
comparação entre os produtos da empresa e os da
concorrência. É preciso também conhecer esses produtos, os
métodos publicitários utilizados, a organização de vendas, a
influência da publicidade ou do produto sobre o público e as
razões dessa influência.
(5) Investigação da
demanda. Os resultados obtidos nos pontos anteriores
permitem quantificar a demanda possível e sua elasticidade,
ou seja, a resposta do mercado às possíveis variações no
preço (um artigo é muito elástico quando uma pequena
variação no preço acarreta uma variação relativamente maior
da quantidade demandada).
(6) Propostas de atuação. À
luz das informações obtidas, a equipe responsável pelo
estudo mercadológico deve elaborar um leque de sugestões de
ações capazes de atrair os clientes das empresas
competidoras, conseguir a expansão dos mercados já
existentes e criar novos mercados, tanto para a venda de
produtos já conhecidos quanto de novos produtos.