... Página inicial- FAQ / Ajuda- Add Favoritos


  Bibliotecas
  Biografias autores
  Dicas de estudo
  Dicionários
  Exercícios Prontos
  Mapas
  Personalidades
  Saiba fazer
  Sites de buscas
  Tradutores
  Universidades
  Vestibular
  Administração
  Artes
  Astronomia
  Biologia
  Contabilidade
  Corpo humano
  Direito
  Diversos
  Economia
  Educação física
  Engenharia
  Filosofia
  Física
  Geografia
  História
  Informática
  Inglês
  Matemática
  Medicina
  Português
  Psicologia
  Química
  Religião
  Sociologia
  Completos
  Resumos


BUSCA

 


Publicidade


Recomende


Sobre o site

Contato
-----------------------
Créditos
----------------------- Na mídia
----------------------- Objetivos
----------------------- Parceiros
----------------------- P. de privacidade
-----------------------
Publicidade


  Matérias :: Biologia :: Material didático

  Autoria: Tiago Ferreira de Souza


 


DENGUE NO BRASIL

 

Dengue, doença infecciosa tropical e subtropical, caracterizada por febre e dor intensa nas articulações e músculos, inflamação dos gânglios linfáticos e erupção da pele. O agente causador é um vírus transmitido de pessoa a pessoa pelos mosquitos do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti. Há quatro tipos de vírus causadores da dengue. O nome da doença se deve ao fato de que, ao atacar as articulações, faz o paciente mover-se com um andar requebrado ("dengoso" ou "cheio de dengues").

O mosquito se infecta ao picar uma pessoa contaminada e, após oito a 11 dias incubando o vírus, pode transmiti-lo a outra pessoa. A forma mais grave da doença é a dengue hemorrágica, que causa hemorragia gastrintestinal e das mucosas e pode provocar choque e até a morte. O vírus responsável pela forma hemorrágica chegou ao Brasil em meados da década de 1980, depois de ter provocado uma epidemia em Cuba.

A guerra e as migrações provocaram um aumento dos casos de leishmaniose visceral. O comportamento humano está associado à explosão das doenças sexualmente transmissíveis. O grande avanço nos transportes possibilita também maior intercâmbio de microorganismos e de seus transmissores, como os insetos que transmitem dengue e malária. A construção de represas vem sendo associada ao aumento de casos de esquistossomose e a surtos de febre do vale do Rift. O crescimento populacional, associado a um processo de urbanização descontrolada, contribuiu para a disseminação da dengue e da cólera. Alterações no clima parecem ter sido responsáveis por surtos de síndrome pulmonar por hantavírus.

Aedes aegypti, principal transmissor da dengue e da febre amarela urbana. Oriundo do Velho Mundo, esse mosquito acompanhou o homem em sua migração pelos continentes. Atualmente é considerado um mosquito cosmopolita, encontrado nas regiões tropicais e subtropicais, principalmente em locais de grande concentração humana.

No Brasil, o Aedes aegypti foi introduzido no período colonial e causou sérias epidemias de febre amarela urbana. Em 1955, foi erradicado do país. Contudo, como outros países do continente não tiveram a mesma preocupação, o mosquito foi reintroduzido em 1967, iniciando logo depois uma alarmante propagação da dengue. Hoje, ocorre nos estados litorâneos, no Centro-Oeste, em Minas Gerais e em Tocantins.

Febres hemorrágicas, grupo de doenças agudas, de origem viral. São as mais preocupantes moléstias emergentes, por provocarem extensas epidemias e apresentarem índices altos de mortalidade. As mais conhecidas no Brasil são a febre amarela, hoje restrita à sua forma silvestre, e a síndrome hemorrágica da dengue, ou dengue hemorrágica. Outras três famílias de vírus também causam essas doenças: arenavírus, bunyavírus e filovírus. Entre os primeiros, figuram os vírus Junin, Machupo e Sabiá, responsáveis pelas febres hemorrágicas argentina, boliviana e brasileira. Entre os segundos, destacam-se os hantavírus, que causam síndrome pulmonar e febre hemorrágica com síndrome renal, ambas já registradas no país. Dos filovírus, o mais conhecido é o Ebola, que provocou surtos na África.

 

Veja o Texto a seguir:

 

O vetor do dengue

O dengue é transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da febre amarela. Qualquer epidemia das duas doenças está diretamente ligada à concentração do mosquito, ou seja, quanto mais desses insetos, mais elas se farão presentes.

O Ae. aegypti surgiu na África (provavelmente na região nordeste) e de lá espalhou-se para Ásia e Américas, principalmente através do tráfego marítimo. No Brasil, chegou no século XVIII com as embarcações que transportavam escravos, já que os ovos do mosquito podem resistir, sem estar em contato com a água, por até um ano.

Em 1955, uma grande campanha realizada pela Organização Pan-Americana de Saúde chegou a erradicar o Ae. aegypti do Brasil e de diversos outros países americanos. No entanto, a campanha não foi completa e o mosquito permaneceu presente em várias ilhas do Caribe, Guianas, Suriname, Venezuela e sul dos Estados Unidos, de onde voltou a espalhar-se. No fim da década de 70, o Brasil novamente contava com a presença do vetor em suas principais metrópoles.

Hoje em dia, considera-se a erradicação do Ae. aegypti praticamente impossível devido ao crescimento da população, ocupação desordenada do ambiente e à falta de infra-estrutura dos grandes centros urbanos. A industrialização também dificulta o enfrentamento desse tipo de inseto, já que os novos produtos descartáveis por ela produzidos (tais como copos e garrafas de plástico) são eliminados de forma incorreta e acabam por transformar-se em possíveis focos para a multiplicação do Ae. aegypti. Assim, o máximo que se pode fazer é controlar a presença do mosquito.

O Ae. aegypti tem se caracterizado como um inseto de comportamento estritamente urbano, sendo raro encontrar amostras de seus ovos ou larvas em reservatórios de água nas matas. Mesmo assim, macho e fêmea alimentam-se da seiva das plantas, presentes, sobretudo, no interior das casas, apesar de só ela picar o homem em busca de sangue para maturar os ovos. Em média, cada Ae. aegypti vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos de cada vez. Ela é capaz de realizar inúmeras posturas no decorrer de sua vida, já que copula com o macho uma única vez, armazenando os espermatozóides em suas espermatecas (reservatórios presentes dentro do aparelho reprodutor). Uma vez com o vírus da dengue, a fêmea torna-se vetor permanente da doença e calcula-se que haja uma probabilidade entre 30 e 40% de chances de suas crias já nascerem também infectadas.

Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície, em recipientes tais como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d'água descobertas, pratos de vasos de plantas ou qualquer outro que possa armazenar água de chuva. Quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco mais de 30 minutos. Em um período que varia entre cinco e sete dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito.

Experiências demonstram que a melhor oportunidade para enfrentar o Ae. aegypti se dá na fase larval, pois o mosquito tem apresentado resistência aos inseticidas. A presença dos mosquitos depende muito das condições climáticas (mais chuvas, mais mosquitos) e de políticas públicas. Especialistas ainda consideram os guardas sanitários a melhor maneira de controlar a presença do Ae. aegypti, pois somente visitas periódicas feitas de casa em casa são eficientes para combater o mosquito e ensinar a população a enfrentar o inseto. Além disso, faz-se necessário um constante monitoramento de terrenos baldios, casas abandonadas e quaisquer outros logradouros que possam servir de possíveis focos para a procriação do vetor do dengue.

Perguntas mais freqüentes (respondidas por Anthony Guimarães):

1) Por que o DDT e a utilização de aviões e helicópteros (como já ocorreu nos EUA) é eficiente para outros mosquitos e ineficiente para combater o Ae. aegypti?
R: Nos EUA, e em outros lugares, o uso de aviões para pulverizar inseticida destina-se ao controle de insetos, inclusive mosquitos, que freqüentam rotineiramente ambientes extradomiciliares (fora das casas). O Ae. aegypti permanece quase que exclusivamente dentro das casas, onde inseticidas pulverizados de avião não atingem. Nos EUA o controle visava o transmissor da Febre do Nilo, um mosquito do gênero Culex e que não vive dentro das casas.

2) Qual o ambiente preferido pela fêmea. Em quais condições (temperatura, ventos) ela não sobrevive ou não se torna ativa? Onde elas são mais comumente encontradas?
R: As fêmeas e os machos (que geralmente acompanham as fêmeas) ficam dentro das casas (sob mesas, cadeiras, armários etc.). A temperatura ideal fica em torno dos 24 e 28 oC. Temperaturas acima dos 32 oC e abaixo dos 18 oC costumam inibir a atividade do Ae. aegypti e quando ficam acima dos 40 oC e abaixo dos 5 oC são letais.

3) Há possibilidade de outra espécie de Aedes transmitir dengue? Se existe, até aqui, o que impede isso de acontecer?
R: Sim. O Ae. albopictus também pode transmitir dengue. A transmissão não é comum porque o Ae. albopictus não costuma freqüentar o domicílio como o Ae. aegypti.

4) Das formas de prevenção (complexo B, borra de café, água sanitária, levedo de cerveja, vela de andiroba, repelentes, inseticida caseiro etc), quais são realmente eficientes?
R: Levedo de cerveja e complexo B não devem ser utilizados, pois, nas dosagens capazes de afugentar os mosquitos, podem ser prejudiciais à saúde. Borra de café pode ser eficiente dentro de uma rotina periódica a cada dois dias. Água Sanitária não tem se mostrado eficaz nas dosagens preconizadas (uma colher de chá para um litro d'água), em altas concentrações pode matar a larva em 24h. Vela de andiroba tem eficácia parcial e pode ser usada em ambientes fechados com no máximo 12 metros quadrados. Repelentes e inseticidas caseiros podem ser usados seguindo as recomendações da embalagem ou recomendação médica no caso de crianças e pessoas sensíveis.

5) Existe algum meio natural para combater o Ae. aegypti? Tais como vermes que parasitam as larvas, predadores naturais etc.
R: O mecanismo natural mais eficaz para o Ae. aegypti é o bioinseticida BTI (Bacillus thuringiensis israelensis), que ataca a larva do Ae. aegypti e pode ser utilizado em reservatórios domésticos, inclusive caixa d'água. Predadores naturais (larvas e ninfas de insetos, nematódeos, pequenos vertebrados), que também atacam as larvas de mosquitos, não se criam em reservatórios domésticos, onde estão as larvas do Ae. aegypti.

6) Até que ponto a utilização de venenos, como o DDT e os larvicidas podem afetar o meio ambiente? Quais (se existirem) seus efeitos colaterais?
R: Qualquer inseticida usado indiscriminadamente traz danos ao meio ambiente. O contato direto e permanente com produtos químicos pode ocasionar desequilíbrio ambiental e problemas a saúde do homem. Por esse motivo o uso desses inseticidas é restrito aos órgãos governamentais ou credenciados, que possuem equipes de técnicos capazes de eleger a dosagem e o inseticida a ser utilizado.

7) O vírus causa problemas ao mosquito?

R: Não.

8) Como é o ciclo do vírus dentro do mosquito?
R: Para se tornar infeccioso ao homem o vírus passa por um período de incubação no mosquito de 10 dias. Após essa fase o mosquito estará infectado para o resto da vida e transmitirá o vírus em todas as picadas que realizar.

9) Quais as principais linhas de pesquisa desenvolvidas na Fiocruz em relação ao Aedes?
R: O Ae. aegypti talvez seja o mosquito mais bem estudado até hoje. O seu controle está diretamente relacionado à eliminação dos criadouros domésticos, considerando-se os conhecimentos existentes sobre a sua biologia. No campo da entomologia (parte da ciência que estuda os insetos), a Fiocruz vem desenvolvendo várias linhas de pesquisa sobre a biologia e ecologia de mosquitos vetores de doenças no Brasil:

1. Potencialidade de espécies silvestres transmissoras de arboviroses e malária conviverem com o homem em áreas peri-urbanas, rurais e turísticas.

2. O impacto causado pela construção de hidrelétricas, atividades de mineração (inclusive garimpos clandestinos) e assentamento de novos colonos ("sem terra") em áreas com alto risco de doenças transmitidas por mosquitos (malária, febre amarela silvestre e outras arboviroses).

3. Estudos sobre a biologia e ecologia de mosquitos em ambiente silvestre (Parques Nacionais e Estaduais), visando fornecer subsídios para o controle daqueles que eventualmente venham a transmitir doenças ao homem.
 
Fonte: Anthony Érico Guimarães, entomologista da Fiocruz

   

<-Anterior

Página 1
Próxima->

 

Cola da Web.: É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, exceto em trabalhos escolares.