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Giardíase

A Giardia lamblia foi observada pela primeira vez por Leeuwenhoek, em 1681, em suas próprias fezes. Durante muitos anos esse protozoário teve denominações diversas, até que, em 1915, Stiles criou a designação Giardia lamblia em homenagem ao Prof. A. Giard, de Paris e Dr. Lambl, de Praga. Atualmente, muitos parasitologistas, principalmente os europeus, preferem a denominação Giardia intestinalis.

Giardíase ou lamblíase é a infecção causada por Giardia lamblia, cujos sintomas se caracterizam por perturbações intestinais com a eliminação de fezes pastosas ou diarréicas e dores abdominais discretas.

Segundo Coutinho, a disseminação da giardíase deve estar condicionada, em linhas gerais, aos fatores epidemiológicos a seguir citados:

1. Água de bebida ou de uso doméstico.

2. Alimentos vegetais comidos crus, tais como saladas, verduras e frutas, ou alimentos servidos frios, como leite, refrescos, cremes, etc.

3. Contato direto por manipuladores de alimentos.

4. Contato direto de pessoa a pessoa ou como conseqüência de fezes expostas.

5. Contato indireto, através de artrópodes domésticos (moscas, baratas).

A baixa prevalência de sintomas atribuídos a este protozoários tem sido a causa pela qual muitos autores duvidam da sua patogenicidade. No entanto, a ação patogência da Giardia lamblia tem sido confirmada por outros pesquisadores, que obtiveram o desaparecimento de sintomas grastrointestinais após tratamento específico.

Para que os sintomas observados possam ser realmente atribuídos à parasitose é preciso não só encontrar o parasito, mas também que o tratamento adequado faça desaparecer a sintomatologia ao mesmo tampo que erradique a parasitose. Assim, podemos resumir os seguintes itens relacionados com o quadro clínico de giardíase:

1. As condições são pouco comprometidas.

2. apetite é conservado.

3. sintoma mais freqüente é uma diarréia crônica, persistindo por meses e refratária ao tratamento sintomático usual.

4. As fezes são amolecidas e, de regra, expelidas sem dor ou cólica; geralmente são fezes sem

sangue ou muco. Outras vezes existe constipação crônica. São também descritas distensão e dores abdominais.

Com a finalidade de curar essa parasitose, diversas drogas tem sido utilizadas: atebrina, cloroquina, camoquim, acranil, violeta-de-genciana e a furazolidona. Resultados variáveis são obtidos, gozando a atebrina e a furazolidona de maior prestígio. No entanto, esses compostos não chegam a proporcionar razoáveis percentagens de cura, sendo algumas muitas vezes insatisfatoriamente tolerados. Por isso foram substituídos na prática médica pelos derivados imidazólicos, ou seja, o metronidazol, a nitrimidazina e o tinidazol.

A profilaxia da giardíase é de difícil execução, uma vez que depende não só do tratamento da matéria fecal e do lixo, mas também do combate aos insetos responsabilizados pela transmissão.

Outro cuidado necessário, a fim de ser impedida a disseminação da parasitose, diz respeito à proteção da água potável e dos alimentos, evitando a contaminação dos mesmos com os cistos dos protozoários. Medida profilática importante é também a observação dos postulados da educação sanitária e da higiene pessoal.

Autoria: Denis Soares

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