Nessa categoria, encontramos uma grande variedade de substâncias com propriedades físicas e químicas bastantes diferenciadas e que se caracterizam por causar a diminuição da atividade do Sistema Nervoso Central. Essa diminuição pode afetar a atividade global do cérebro ou incidir sobre certos sistemas específicos. Como conseqüência dessa ação, há uma tendência a diminuição da atividade motora, da reação a dor e da ansiedade. É comum um efeito de euforia inicial seguido de sonolência.
O álcool
O álcool etílico, consumido sob a forma de bebidas, é um produto obtido da fermentação de açúcares ou carboidratos presentes em vegetais, como a cana-de-açúcar, a uva e a cevada. De modo geral, todos os povos em ou tiveram alguma experiência com o seu consumo, pois suas propriedades são conhecidas desde tempos pré-históricos. Por isso mesmo, é a droga psicotrópica de uso e de abuso mais difundida no mundo. É consumido, sobretudo, em função de sua euforizante e desinibidora, quando ingerido em doses baixas, facilitando o relacionamento entre as pessoas.
Há uma relação entre os efeitos do álcool e os seus níveis no sangue. Esses efeitos variam não só em função do tipo de bebida utilizada, da rapidez com que é consumida mas também da situação alimentar da pessoa. O uso constante do álcool pode levar o organismo à tolerância, ou seja, ao longo do tempo, o indivíduo necessita de doses cada vez maiores para sentir o mesmo efeito que sentiu anteriormente. Já a síndrome de abstinência pode ocorrer em diversos graus.
Os barbitúricos
Os barbitúricos representam um grupo de substancias produzidas em laboratório desde o começo do século XX e possuem diversas propriedade em comum com o álcool e com outros tranqüilizantes. No início, foram usados, exclusivamente, como medicamento, no tratamento da insônia. Porém, sua prescrição requer cuidados, pois é muito difícil estabelecer a diferença entre a dose necessária para causar os efeitos terapêuticos desejáveis, ou seja, provocar sono, e a dose letal.
A ingestão dos barbitúricos, que se dá por via oral ou injetável, torna os reflexos lentos. Com o aumento da dose, a pessoa sente-se como se estivesse embriagada, com a fala pastosa e com a dificuldade de andar. Com doses muito elevadas ou tóxicas, começam a surgir sinais de descoordenação motora e aumento acentuado da sonolência, levando o usuário ao coma ou mesmo à morte, por parada respiratória.
Os benzodiazepínicos
Os benzodiazepínicos mais comuns são o diazepam, o larazepam, o bromazepam, o midazolam, o flunitrazepam e o clonazepam. As conseqüências da ação dos benzodiazepínicos são a diminuição da ansiedade, a sonolência e o relaxamento muscular, podendo, ainda, dificultar os processos da aprendizagem e da memorização.
Assim como os barbitúricos, os benzodiazepínicos podem causar tolerância e síndrome de abstinência.
Os opióides
O grupo dos opióides inclui drogas naturais, como as derivadas da papoula do Oriente (Papaver somniferum), semi-sintéticas e sintéticas, isto é, obtidas a partir de modificações químicas de substâncias naturais, como a morfina e a codeína. O seu uso abusivo pode causar parada respiratória, perda da consciência e morte, ou, ainda, contração da pupila (miose) e diminuição dos movimentos do estômago e do intestino. Alteram também o centro respiratório, de modo que a respiração torna-se mais lenta e superficial, podendo causar parada respiratória, perda da consciência e morte.
O uso abusivo dos opióides pode causar tolerância, provocar sinais e sintomas físicos de abstinência, como náuseas, vômitos, diarréia, cãibras, cólicas intestinais, lacrimejamento, coriza e ereção dos pêlos do corpo.
Os solventes ou inalantes
Os solventes ou inalantes são substâncias depressoras, usadas por via nasal, que não possuem, atualmente, utilização clínica. Dentre eles, podem ser mencionados o tolueno, o xilol, o n-hexano, o acetato de etila, o tricolortileno, além do éter e do clorofórmio, cuja mistura é conhecida como "lança-perfume" ou "cheirinho da loló".
Inalados como droga, os efeitos são sentidos rapidamente, variando entre segundos e minutos, e têm curta duração, o que leva o usuário a aspirações repetidas, com seqüências muitas vezes desastrosas.
Os solventes agem, inicialmente, produzindo uma estimulação aparente do Sistema Nervoso Central, tornando a pessoa eufórica e desinibida. Em seguida, pode ocorrer depressão, acompanhada de confusão e de desorientação. Alucinações auditivas e visuais também costumam fazer parte dos efeitos verificados. Numa terceira fase, a depressão intensifica-se, com redução acentuada do estado de alerta e descoordenação ocular e motora, ocasionando andar vacilante, fala pastosa e diminuição acentuada dos reflexos. Na quarta fase, aumentando ainda mais a depressão, pode ocorrer a inconsciência, com convulsões, coma e morte.
Os solventes causam tolerância, mas ainda não existem registros de síndrome de abstinência decorrente do uso dessas substâncias.
Substâncias Alucinógenas
Os alucinógenos são drogas que possuem a propriedade de provocar uma série de mudanças no funcionamento normal do cérebro, trazendo como conseqüência variadas alterações psíquicas, entre as quais alucinações e delírios, sem que haja uma estimulação ou depressão da atividade cerebral.
Essas drogas, consumidas por via oral, algumas sob a forma de chá, são conhecidas como cogumelos, LSD ou ácido lisérgico, zabumba, trombeta, saia branca, lírio e ayahuasca. Várias delas são capazes de produzir efeitos psíquicos em doses que praticamente não alteram qualquer outra função no organismo, como é o caso dos alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários, representados por alguns cogumelos e o LSD.
Existem outras drogas que, por sua vez, são capazes de induzir efeitos alucinógenos em doses que afetam de maneira importante diversas outras funções do corpo humano. São consideradas alucinógenos secundários, como é o caso do anticolinérgicos. Entre as plantas que possuem o efeito alucinógeno, destacam-se alguns cogumelos, como o Psylocibe mexicana, a jurema, Mimosa hostilis, o caapi e a chacrona, Banisteriopsis caapi e Psychotryia virides .
O LSD ou ácido lisérgico
O LSD droga sintetizada artificialmente, é uma das substâncias com ação psicotrópica mais potente que se conhece. Pequenas doses de 20 a 50 milionésimos de grama produzem efeitos com duração de 4 a 12 horas. As alterações provocadas dependem muito da sensibilidade da pessoa às ações da droga, de seu estado de espírito momentâneo da utilização e também do ambiente em que se deu a experiência. Assim, as distorções perceptivas (cores, forma e contornos alterados), a fusão de sentidos (a impressão de que os sons adquirem forma ou cor), a perda da discriminação de tempo e de espaço (minutos parecendo horas ou metros assemelhando-se a quilômetros) e as alucinações visuais ou auditivas, podem ser vivenciadas como sensações agradáveis, mas também podem deixar o usuário extremamente amedrontado.
Há pessoas que experimentam sensações de ansiedade muito intensa, depressão e até quadros psicóticos por longos períodos. Uma variante desse efeito é o flashback, ou seja, o retorno de experiências vividas. Isso se dá quando, semanas ou meses depois do consumo do LSD, o usuário volta a apresentar, repentinamente, manifestações psíquicas da experiência anterior, sem ter consumido a droga novamente.
O ecstasy
O ecstasy é uma substância alucinógena, mas que guarda semelhança com as anfetaminas apresentando também propriedades estimulantes. Dentre seus efeitos mais graves, têm sido registrados casos de morte por hipertermia maligna, isto é, aumento acentuado da temperatura corporal, nos quais a ação da droga ainda não é bem conhecida. Acredita-se que o ecstasy estimule a hiperatividade e reduza a sensação de sede.
Os anticolinérgicos
Os anticolinérgicos são representados por diversas substâncias provenientes de plantas, algumas já mencionadas no item que trata dos alucinógenos, ou produzidas em laboratório. Essas substâncias ocasionam efeitos sobre o psiquismo quando utilizadas em doses relativamente grandes e provocam alterações no funcionamento de diversos sistemas biológicos. Atuam principalmente produzindo alucinações e delírios, sendo comum as visões de pessoas ou animais e a sensação de perseguição. Esses sintomas dependem bastante da personalidade do indivíduo, assim como das condições ambientais nas quais ocorre o consumo. Os efeitos são, em geral, bastante intensos, podendo durar de dois a três dias.
Os anticolinérgicos são também capazes de produzir vários efeitos no organismo, tais como contração da pupila, boca seca, aumento da freqüência cardíaca, diminuição do movimento do intestino, ou até mesmo paralisia e dificuldades para urinar. Em doses elevadas, podem provocar elevação acentuada da temperatura, que chega a 41°C , com possibilidade de convulsões.
São exemplo de drogas desse grupo algumas plantas, como certas espécies do gênero Datura, conhecidas como saia branca, trombeteira ou zabumba, e certos medicamentos, como o trihexafenidil, a diciclomina e o biperideno.
Autoria: Samuel Fernando Walter