Automação
A ferramenta foi a forma de o homem
ampliar a força e a destreza do corpo; a criação das
máquinas foi a multiplicação desse princípio por milhões de
vezes. A mecanização é a substituição do esforço físico do
homem, ou de outra força animal, na execução de uma tarefa
ou na realização de determinado trabalho.
A informática é um passo adiante nessa
evolução. Ela possibilita que as máquinas substituam não só
o esforço físico, mas também os procedimentos "mentais" do
ser humano. Isso é o que se chama automação. [...]
O desenvolvimento do computador criou
máquinas que incorporaram procedimentos de "pensar". É óbvio
que os computadores estão longe de imitar todas as funções
do cérebro humano, mas possibilitam "passar" decisões
mentais humanas pré-programadas para processos mecânicos.
[...]
Um torno mecânico era ajustado
antigamente pelo ferramenteiro que utilizava um conjunto de
procedimentos mentais e manuais. Necessitando de outro tipo
de peça, era preciso reajustar todo o equipamento novamente.
Com a união das funções do torno e dos
computadores numa mesma máquina (torno de comando numérico
computadorizado), todos os procedimentos do ferramenteiro
são feitos automaticamente pelo torno. Basta para isso que o
programador dê os comandos e as medidas na nova peça. Esse
princípio aplicado no trabalho industrial cria o que se
chama automação flexível na produção.
Nas vésperas do ano 2000, com o mundo se
transformando em um único e vasto mercado, é cada vez mais
difícil manter o Brasil, ao mesmo tempo a oitava maior
economia do mundo e um sistema educacional primitivo para 60
milhões de pessoas. Não se trata apenas de uma questão
elementar de justiça.
O
sistema educacional que existe hoje no Brasil simplesmente
não faz sentido do ponto de vista econômico. As dezenas de
milhões de brasileiros desprovidos de educação não têm (nem
terão) chances reais de obter renda, não consomem mais do
que produtos básicos, não pagam impostos, não produzem bens
ou serviços com real valor econômico, não estão aptos a ser
empregados num número crescente de atividades.
Um dos mais respeitados pesquisadores
brasileiros na área de educação, [o professor Heraldo
Vianna, da Fundação Carlos Chagas, afirma que] a preocupação
com a qualidade de ensino deve ser uma obsessão para a
sociedade que pretender ter uma economia de primeira classe
e empresas de primeira classe.
O
único caminho, diz o ministro Paulo Renato Souza, é a
educação. "Numa economia globalizada, o país e suas empresas
ou concorrem ou morrem. A concorrência implica a preparação
do trabalhador para assimilar novas tecnologias."
Antigamente, lembra o ministro, um
funileiro ou um torneiro mecânico seriam funileiro ou
torneiro mecânico a vida inteira. "Hoje as profissões estão
mudando rapidamente, milhares de empregos são destruídos num
setor e criados em outros" diz Paulo Renato. “O nível básico
de escolaridade garante a possibilidade de reciclagem e
adaptação a essas mudanças”.
A formação escolar da mão-de-obra
brasileira é insuficiente até em
comparação
com os vizinhos da América Latina. Em média, o nível de
escolaridade dos trabalhadores brasileiros é 3,5 anos,
contra 8,7 anos dos argentinos e 7,5 anos dos chilenos.
Globalização
A globalização dos problemas

Os problemas também se mundializaram, exigindo soluções
internacionais. Existem hoje questões que possuem um
significado não mais nacional e sim global, mundial,
tais como, por exemplo: a poluição dos mares e oceanos
ou da atmosfera, a propagação da radioatividade, os
armamentos nucleares, a degradação de importantes
recursos que a natureza levou milhões de anos para
construir, o endividamento de países do Terceiro Mundo,
a pobreza crescente em determinados países
subdesenvolvidos e o aumento do fluxo de migrações
internacionais, etc.
O mundo parece que ficou pequeno e os
limites dos Estados-nações já não constituem mais o espaço
privilegiado para a resolução dos problemas cruciais.
Os Estados-nações foram percebendo que
não devem mais se preocupar somente com seus territórios,
seus problemas internos.
Cada vez mais eles se preocupam com os
problemas globais, com aquilo que se passa em outras regiões
do mundo mas que podem vir a afetá-lo com o tempo.
Nova ordem ou desordem
Sabemos hoje que por trás
de toda aparente desordem sempre existe uma ordem, uma
regularidade qualquer, uma lógica enfim, por mais perversa
ou injusta que ela seja.
Não existe no mundo social (e
provavelmente nem na natureza) o
caos ou
a desordem absoluta, a falta de qualquer sentido.
Desde os anos 70 tornava-se evidente que
o mundo capitalista não tinha mais somente um pólo ou centro
econômico, comercial e tecnológico.
A Europa ocidental, na qual se destaca o
poderio alemão, e o Japão já vinham desde então disputando
ou dividindo com os Estados Unidos o papel de grandes
potências ou metrópoles capitalistas. Isso ficou
definitivamente claro com a crise do mundo socialista e com
a dissolução da URSS.
Na época da Guerra Fria, Europa e Japão
tinham que aceitar a liderança norte-americana para
enfrentar a ameaça soviética. Com o término dessa ameaça, a
liderança dos EUA perdeu grande parte de sua razão de
existir e sua maior preocupação, no lugar dos
soviéticos,
passou a ser a crescente influência e poderio mundial dos
novos centros.
Só que não se trata mais daquela
rivalidade ideológica e político-militar da Guerra Fria, na
qual cada lado procurava expandir os seus armamentos.
Agora cada um procura conquistar ou
manter mercados, procura avançar mais que o rival na
inovação tecnológica.
Não é uma competição militar que poderia
levar a uma guerra mundial, como era o caso da bipolaridade,
e sim uma nova rivalidade econômica, comercial e
tecnológica. Inclusive porque em boa parte esses três pólos
ou metrópoles estão imbricados, ou seja, têm inúmeros
interesses associados.
Por exemplo: a Toyota japonesa exporta
para os EUA centenas de milhares de carros por ano, tendo
contribuído para as dificuldades da GM, que desativou
algumas fábricas nos anos 80; todavia, a própria GM
norte-americana possui um grande lote de ações da Toyota,
estando assim interessada em seus lucros.
E os japoneses andaram adquirindo
inúmeras propriedades nos EUA, além de ações de empresas
norte-americanas, estando
portanto
interessados na prosperidade desse país.
E a mesma coisa ocorre com enormes
investimentos norte-americanos na Europa, com investimentos
ingleses ou alemães nos Estados Unidos, etc. Ou seja, os
três pólos capitalistas são ao mesmo tempo rivais e
associados, são competidores por um lado e parceiros por
outro.
Além disso, a nova ordem desvaloriza
ainda mais dois fatores que são fundamentais para o Terceiro
Mundo, principalmente para aqueles países mais pobres e
pouco industrializados: a mão-de-obra barata e as
matérias-primas em geral.
A revolução técnico-científica das
últimas décadas vem substituindo o trabalho humano não
especializado por máquinas, e os serviços que restam ou são
criados nesse processo
necessitam
de um mínimo de escolaridade.
Mas a imensa maioria das nações do Sul
estava acostumada a fornecer mão-de-obra barata e sem
nenhuma escolaridade significativa.
Pouco a pouco essa torneira vai se
fechando: um número cada vez menor de empresas continua a se
interessar por investir em regiões ou países com força de
trabalho barata mas de baixo poder aquisitivo e baixa
escolaridade; e os empregos que havia nas áreas
desenvolvidas ó para faxineiros, guardas, motoristas de
táxi, operários braçais, etc. ó, que
constituíam
uma importante fonte de renda para alguns países pobres, aos
poucos também vão escasseando.