Bolsa de Valores

As Bolsas surgiram no séc. XIV, na cidade de Bruges, na Bélgica. Um grupo de comerciantes se encontrava para fazer negócios na casa de uma família de nome Burse, que tinha na porta um brasão com um escudo e três bolsas. Em Bruges as casas não tinham números, tinham desenhos. Cada casa era conhecida pelo desenho que trazia. Por isso, a casa era conhecida como a casa das bolsas.

A Bolsa de Valores é o centro especialmente criado e mantido para negociação de valores mobiliários, em mercado livre e aberto, organizado e fiscalizado pelos corretores e pelas autoridades. A Bolsa de Valores é um órgão privado. Uma associação civil formada pelas corretoras de valores que são seus membros. 

As ações é o título que representa a menor fração do capital de uma empresa. As mais importantes são as ações ordinárias e as preferenciais.
Quando a gente vê a cotação das ações nos jornais percebe que algumas trazem o símbolo ON - ordinária nominativa -, depois do nome da empresa (Petrobrás ON; Vale do Rio Doce ON, etc). Essa são as ações ordinárias. A pessoa que compra estas ações (o acionista) ganha o direito de votar em algumas decisões que envolvam a empresa. Eventualmente, dão direito, também, a participar nos resultados da companhia. São menos negociadas que as preferenciais.

As ações preferenciais são aquelas representadas pelo símbolo PN - preferencial nominativa - (Petrobrás PN; Vale do Rio Doce PN, etc). São as mais negociadas. Com estas ações o acionista não pode votar nas decisões da empresa. Em compensação, elas garantem uma participação maior nos resultados da empresa (dividendos). Este dividendo é a parcela dos lucros de uma empresa que são distribuídas, em dinheiro, aos acionistas. Quanto mais ações alguém tem de uma empresa, mais dividendos vai receber se ela der lucro.

Estas ações podem ser Nominativas - cautelas ou certificados que apresentam o nome do acionista, cuja transferência é feita com a entrega de cautela e a averbação de termo, em livro próprio da sociedade emitente, identificando novo acionista. Ou Escriturais - ações que não são representadas por cautelas ou certificados, funcionando como uma conta corrente, na qual os valores são lançados a débito ou a crédito dos acionistas, não havendo movimentação física dos documentos.

É necessário um centro especial para a negociação de valores para concentrar em determinado ponto compradores e vendedores, centralizando as ofertas. Além disso, para negociar ações, são necessários dois serviços: informação e liquidação. E as Bolsas de Valores é que prestam esses dois serviços ao investidor.

O serviço de informações consiste em colocar à disposição do público o histórico dos preços pelos quais cada ação vem sendo negociada, bem como as ofertas de compra e venda existentes no momento – informações indispensáveis para o investidor decidir por quanto vai comprar ou vender suas ações. As Bolsas cuidam, ainda, de obter e divulgar informações sobre o desempenho das companhias cujas ações são negociadas, o que é importante para acompanhar a vida dos investimentos realizados.

As cotações são divulgadas no mesmo dia pelas Bolsas e publicadas pelos jornais do dia seguinte. Dados mais completos podem ser encontrados nas revistas e boletins editados pelas próprias Bolsas. Informações atualizadas minuto a minuto, durante o período em que são realizados os negócios podem ser encontrados nos terminais de vídeo que as Bolsas do Rio de Janeiro e São Paulo alimentam em todo o País. Esses terminais podem ser até instalados nos escritórios e residências dos investidores que quiserem e, naturalmente, pagarem pelos serviços.

O serviço de Liquidação consiste em fazer os títulos chegarem às mãos do comprador e o dinheiro às mãos do vendedor. Além de executar o serviço de liquidação propriamente dito, a Bolsa tem outro papel nesse processo: garantir a legitimidade das ações que entrega aos compradores.

As Bolsas mantêm um Fundo de Garantia. Mesmo que posteriormente sejam descobertas ações falsas ou roubadas entre os títulos que você comprou, a Bolsa os substituirá por ações boas, cobrindo os prejuízos.

O que se chama "investir na Bolsa" nada mais é do que investir em ações. E, para investir em ações, o caminho certo é procurar uma corretora de valores, distribuidora ou banco de investimento. Atualmente é possível investir a partir de R$100,00.

Naturalmente, as portas das Bolsas de Valores estão abertas aos investidores para prestar-lhes esclarecimentos, atender consultas, fornecer publicações etc. Mas a compra e venda de ações é sempre feita através de uma corretora de valores, membro da Bolsa.

A corretora assessora o investidor dando informações e recomendações; e recebe as ordens de compra e venda dadas pelo investidor. Essas ordens são executadas pela corretora no pregão à viva-voz ou através de sistema eletrônico de negociação. Comprar na baixa (quando os preços estão baixos) e vender na alta (quando a ação está valorizada) é o melhor negócio possível. Difícil é saber qual o momento de maior baixa ou alta. Para isso existem profissionais do mercado e administradores de fundos. Mas a verdade é que há momentos em que ninguém tem a menor noção do que está acontecendo.

Fechada a operação, entra em cena a Bolsa de Valores, que registra e passa a divulgar os valores negociados, procedendo, finalmente, à liquidação.
O recinto onde se reúnem os operadores para executar as ordens de compra e venda dadas pelos investidores às suas corretoras chama-se pregão. O pregão funciona diariamente.

No Brasil, há 9 Bolsas de Valores. Cada uma delas é uma instituição que, mesmo sem fins lucrativos, se esforça para prestar melhores serviços ao investidor e conquistar sua preferência.

A Bolsa é, inclusive, órgão auxiliar da CVM – Comissão de Valores Mobiliários na fiscalização do mercado de ações. Este é um exemplo de auto-regulação, uma iniciativa de caráter estritamente privado que funciona de acordo com regras definidas pelos próprios membros da Bolsa, sem ingerência estatal.
O órgão máximo das Bolsas de Valores é a Assembléia Geral de Corretoras. Essa Assembléia elege um Conselho de Administração composto por nove membros obrigatórios – seis representantes das próprias Corretoras de Valores, um representante das Companhias Abertas negociadas na Bolsa, um representante dos investidores e um Superintendente Geral, que é administrador profissional. As Bolsas podem incluir, facultativamente, no Conselho de Administração até mais quatro membros. Ao Superintendente Geral subordinam-se Superintendentes Executivos.

Na Bolsa de Valores somente podem ser negociadas ações das empresas que preencham os requisitos das Bolsas e que tenham registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários e cada Bolsa fixa suas exigências em termos de tamanho do capital, rentabilidade mínima etc.

Os mercados a termo, a futuro e de opções existentes nas bolsas de valores, são modalidades operacionais que permitem ao investidor comprar ações ainda que não tenha todo o dinheiro em mãos, ou vender títulos cuja posse não tem num dado momento. Para fazer esse tipo de operação, evidentemente o investidor precisa dar garantias de que cumprirá os compromissos assumidos. Trata-se de operações de grande potencialidade de lucro e que, dependendo de como sejam usadas, podem oferecer elevado risco.

O mercado de ações é o instrumento para capitalizar as empresas. Permite que elas aumentem sua produção e os empregos que oferecem, sem onerar seus custos, sem dívidas, sem alimentar a inflação. As Bolsas de Valores são indispensáveis para a existência de um mercado de ações capaz de viabilizar a capitalização das companhias.


O QUE É O IBOVESPA

Uma carteira teórica das ações mais líquidas da bolsa.

É importante, até para um novato da bolsa de valores, conhecer o Índice Bovespa (ou Ibovespa). Quando dizem que o "mercado" subiu 5%, não é a média do mercado todo que subiu, mas o Índice. O Ibovespa nada mais é que o valor de um conjunto das ações mais negociadas (mais "líquidas") da bolsa. É uma carteira teórica que tem sido elaborada ininterruptamente desde 02/01/68.

As ações que fazem parte da carteira são escolhidas de acordo com uma fórmula que considera tanto o número de transações de compra e venda, quanto o valor destas transações, nos 12 meses que antecedem o cálculo. A composição do Índice é representativa de 80% do valor negociado no período. Dependendo de sua liquidez (medida por um "índice de negociabilidade"), para cada ação é alocado um peso no Índice, que se traduz em um determinado número de ações da empresa em questão na carteira teórica.

A cada 4 meses a composição do Índice é recalculada, em base das transações efetuadas nos 12 meses anteriores. As quantidades de cada ação na carteira só mudam, entre as datas em que é feito o recálculo, em função de pagamento de dividendos, venda de direitos de subscrição ou recebimento de bonificação de novas ações. Qualquer valor (teórico) recebido nos dois primeiros casos é considerado reinvestido em novas ações e estas estão acrescidas, junto com novas ações geradas por bonificação, à quantidade previamente definida.

Durante o pregão o Índice é atualizado continuamente para refletir as alterações nos preços de suas ações constituintes. Como no caso de ações individuais, além da divulgação em tempo real durante o pregão, o valor do Índice na abertura e no fechamento do pregão, e seus valores máximos, mínimos e médios durante o pregão, são publicados nos jornais no dia seguinte.


DICAS ANTES DE COMEÇAR

1. Se puder precisar de seu capital nos próximos 5 anos, não o invista em ações.
2. Se não utilizar a técnica certa é possível que nem em 10 anos vá ter retorno.
3. Se não for capaz de ver seu investimento cair em 50% sem se desesperar, também não invista em ações.
4. Se não puder investir R$10.000,00 ao longo de um ano (em ações e renda fixa), por enquanto aplique seu capital, meio a meio, em um fundo de renda fixa (ou poupança) e um fundo de ações que reflita a composição do índice Bovespa. 


POR QUE INVESTIR NA BOLSA?

Tudo tem risco. Com a técnica certa, que para um investidor defensivo não é difícil de aprender, a chance de perder com uma carteira de investimentos, corretamente montada, que é mantida durante, vamos dizer, 5 anos, é pequena.
Historicamente, em mercados desenvolvidos, investimento em ações tem oferecido um retorno significativamente maior - e maior proteção contra inflação - que investimento em renda fixa.


OBSERVAÇÕES PARA O PEQUENO INVESTIDOR

Enquanto qualquer novato, com um razoável volume de capital a sua disposição, consegue um rendimento igual ao mercado (representado, por exemplo, pelo índice Bovespa), a maioria dos fundos de ações não tem sido capaz deste feito. (Para não sermos injustos devemos reconhecer que se a grande parte do mercado fosse composta de fundos, uma metade deles teria, obrigatoriamente, resultados abaixo da média.

Como a primeira observação deixa claro, nem os especialistas conseguem fazer previsões precisas: o futuro, realmente, a Deus pertence.

Uma combinação de renda fixa e ações produz um mistura ideal de rentabilidade e baixo risco. A menor volatilidade da renda fixa (sim, o valor, em certas aplicações pode cair!) compensa em parte a alta volatilidade da bolsa porque juros altos tendem a coexistir com ações em baixa, e vice versa. E enquanto ações oferecem uma certa proteção contra inflação, esta praga pode reduzir o rendimento real da renda fixa.

Em longo prazo, o desempenho de ações - se compradas a preços históricos médios - acompanha o desempenho dos lucros das empresas. Quer dizer: um investimento em ações é um investimento no setor produtivo da economia. Se, como esperamos, a economia do Brasil, a partir deste novo milênio, voltar a crescer com vigor, as empresas e suas ações vão se beneficiar.

Exceto em situações muito especiais, rigorosamente ninguém sabe o verdadeiro valor (ou valor "justo" ou "intrínseco") de uma ação. Teoricamente é o valor hoje de todos as receitas a serem embolsadas durante a vida da companhia pelo detentor do papel. Mas ninguém sabe nem o valor aproximado destas receitas porque depende da evolução de uma multiplicidade de variáveis. Na verdade o valor justo da ação terá uma ampla faixa de possíveis valores. Pior, o efeito é alavancado: uma pequena variação em determinadas variáveis produz uma grande variação na estimativa do valor justo da ação. É por isso que há grande volatilidade nos preços das ações. É também a razão porque se encontra com freqüência ações supervalorizadas ou subvalorizadas.
 

AS ESTRATÉGIAS

Dois mundos de investimento em ações.

Há dois mundos de investimento em ações e um abismo entre eles. O primeiro é habitado por figuras excitantes e exóticas: growth companies (empresas de crescimento acelerado), turnarounds (empresas que passam de quase-falência para lucro), cíclicas (empresas cujas vendas e lucros seguem um ciclo), asset plays (empresas que têm ativos valiosos mas poucos sabem disso), etc.

O segundo tem entes sem cor e meio chatos: margem de segurança, diversificação, longo prazo, risco. O primeiro mundo é o mundo do profissional (que não, por isso, necessariamente faz sucesso - pode ganhar bem administrando mal o dinheiro dos outros) que dedica 10 horas por dia a ele. O segundo mundo é o mundo do amador inteligente que se interessa pelo mercado de ações. Aqui uma pessoa pode obter um rendimento bom ao longo dos anos dedicando, vamos dizer, uma noite por quinzena ao assunto. Este amador, utilizando técnicas simples, não terá muita dificuldade em ultrapassar a performance da média dos fundos.

É claro que muitos não resistirão as emoções do dia a dia do mercado. Tudo bem, mas estes devem se conscientizar do risco envolvido e só aplicar uma parte pequena de seus recursos totais em operações mais especulativas.

VALORES MOBILIÁRIOS

Os valores mobiliários, representados por ações e debêntures, são emitidos pelas Sociedades Anônimas de acordo com aprovação prévia da CVM – Comissão de Valores Mobiliários. Cabe à CVM o disciplinar a emissão e a fiscalização do mercado de negociações de ações e debêntures.

A ação representa uma fração do capital social de uma Sociedade Anônima, sendo caracteristicamente definida como ativo de risco. A debênture, por seu lado, representa um título de crédito cujos rendimentos são calculados de maneira semelhante aos títulos de renda fixa.

Todas as aplicações em valores mobiliários equivalem, ao longo do tempo, a um problema de Matemática Financeira, isto é, produzem fluxos de caixa mediante os quais é possível medir a rentabilidade da operação.
 

AVALIAÇÃO DE AÇÕES

Identicamente às demais operações financeiras, na avaliação de ações é necessário se construir fluxos de caixa, isto é, os fluxos dos benefícios econômicos de caixa esperados.

Fundamentalmente, os benefícios de caixa das ações são representados dividendos, parcela do lucro líquido que as empresas distribuem aos seus proprietários periodicamente, e valorização de sua cotação, ou seja, ganhos de capital promovidos pelo aumento dos preços das ações.

O preço que uma ação está sendo normalmente negociada no mercado é denominado valor de mercado ou cotação. O valor presente do fluxo de benefícios esperados de caixa, descontados a uma dada taxa de juros (taxa de atratividade da aplicação), é definido por valor teórico de mercado ou valor intrínseco de uma ação. Estes dois valores são iguais caracteristicamente em condições de mercado eficiente.

As ações são consideradas aplicações de renda variável, pois os seus benefícios de caixa (dividendos e valorização) não são geralmente estabelecidos no momento da aquisição, variando em cada período como resultado de diversos fatores.

BIBLIOGRAFIA

FORBES, Luiz F., ‘Mercados Futuros: Uma Introdução’ Editora Bolsa de Mercadorias & Futuros.
RUDGE, Luiz Fernando & CAVALCANTE, Francisco, “Mercado de Capitais”- terceira edição, CNBV ( Comissão Nacional de Bolsas de Valores).


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